sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mais preconceito lingüístico: primeiro round

Ao se digitar "preconceito lingüístico" no Google, você vai dar de cara com meu artigo no Implicante Preconceito linguistico e coitadismo linguistico, só ficando o termo na Wikipedia e as imagens do asqueroso livro de Marcos Bagno acima.

Demorei a entender por que vira e mexe (meXe!) aparecem estudantes de Letras que acabaram de descobrir a nova "teoria revolucionária" que só eles conhecem e que, como tudo o que se vê numa universidade "científica", basta concordar e supor ser irrefutável. Fico imaginando como anda a cara do Marcos Bagno (e seus cupinchas como Ataliba Teixeira de Castilho e Sírio Possenti, mestres da criadora do afamado livro do MEC Por uma vida melhor, a tal professora Heloísa Ramos).

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Mas alguns desses alunos que digitam "preconceito lingüístico" no Google para fazer trabalho servem de contra-exemplo ao que um crente da seita do "preconceito lingüístico". Segue um debate com uma aluna-sintoma da platitude intelectual que virou a "pesquisa científica" na Universidade brasileira, nos comentários do meu texto:


de: Alemida

Olá a todos!

De tão nojento e pedante (vide o palavrório rebuscado do autor, certamente um intelectualzinho de escola particular metido à oposicionista que se baseia nos delírios peessedebistas para atacar um governo exemplar como é o do PT), não consegui terminar de ler e, claro, caí na gargalhada antes de começar escrver este comentário.

Os autores deste blog são, com certeza, fascistas que não pensariam duas vezes em ajduar se a atual oposição golpista planejasse um golpe para implantar uma ditadura. São pessoas distantes da realidade, parecem cocô, ficam boiando e só boiando. Você, meu caro intelectualzinho de merda, já cursou um curso de Letras? Não, obviamente. Já estudou a fundo sociolinguística? Com certeza não. Então pega essas suas palavras reacionárias e absolutamente pedantes e as enfie goela abaixo, para não dizer outra coisa. Escrevendo este artigo infundado e ingênuo, certamente inspirado no rei da babaquice e do achismo Sr. Reinaldo Azevedo, um cretino fascista que escreve na podríssima Veja, você só demonstrou o quanto é burro e retardado a ponto de escrver sobre coisas que não conhece e, claro, nunca vai conhecer - afinal, a lógica da oposição é sempre essa: criticar e condenar sem nem ao menos se dar ao trabalho de conhecer.

Para sua informação, o capítulo do livro pode ser baixado no site 4shared.com. Baixe, leia e veja o quanto você é um reacionáriozinho criado com danoninho que pensa que escrever merda na internet é fazer política. Babaca!

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de: Flavio Morgenstern

A gente se mata a vida inteira pra zoar o PT. Vem o PT aqui e se zoa sozinho.

Mas, cara primeiranista de Letras, que tal aplicar a si própria a crítica que faz "à oposição" ("criticar e condenar sem nem ao menos se dar ao trabalho de conhecer"), continuar lendo a porcaria do artigo cocozento e acabar descobrindo que refutei até as linhas desse livreto que não falam de sociolingüística, afinal, não só faço Letras (e não é numa "escola particular", como se isso fosse defeito, é na USP), como estudo tal assunto com os melhores sociolingüistas do hemisfério?
Boa sorte em sua crítica que conhece antes de condenar. =*


de: Alemida

Seu artigo é tão imbecil, seu panaca direitopata fascista de uma figa, que para ele precisamos sim aplicar a lógica que acéfalos cretinos e filhos de porcos como você seguem: condenar antes de ler - até porque, meu caro filhote de Reinaldo Azevedo com José Serra e, Deus me livre, FHC, nem é necessário ler tudo até o final: é previsível o tipo de bosta que sai da boca rota e burra de gente de intelecto torto como você e a cambada do seu tipo. Babaca!

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de: Flavio Morgenstern

Ainda bem que você não é manipulada e pensa com a própria caçuleta. Só falta agora ter ao menos uma frase que não seja uma mistura de discurso do SINDIGORDAS com linguagem de filme de ação traduzido pela Globo. "Fascista de uma figa"?! Mas nem quando eu tinha 4 anos de idade me assustava com esse faniquito saído de uma linha de produção fordista!


de: Alemida

Vou visitar constantemente esse lixo de site só para te xingar, oh grande conhecedor da língua portuguesa. FAz USP, o menininho esperto? QUe coisa bonitinha. Mas enquanto os colegas de turma estavam nas aulas, você, não tenho dúvidas, ficava no apartamento jogando vídeo game, né? Afinal, papai paga minhas contas.

São pessoas como vocÊ que precisam ser estirpadas, pois, creia-me, Sr. Sou Implicante Porque Papai Paga Minhas Contas E Os Impostos do Lula, vocês são o que há de pior na sociedade brasileira. É o que faz nosso país ser de terceiro mundo, é o que faz nosso país ter caras como José Serra (esse que, de tão macho, fugiu para o Chile quando houve a ditadura aqui e que ainda sobrevive mesmo depois de ser esmagado pela DILMA nas últimas eleições).

Aliás: quantas chupetas por dia a moça faz na turma do contra (leia-se "fdps do DEM e do PSDB")?


de: Mauro

(…) já cursou um curso de Letras? Não, obviamente. Já estudou a fundo sociolinguística? Com certeza não.

E… ?

Isso me lembrou de algo dito uma vez por aquele famoso porco capitalista-direitista reacionário de direita, Noam Chomsky (a tradução meia-boca é culpa minha):

"Eu trabalhei em linguística matemática, por exemplo, sem quaisquer credenciais profissionais em matemática; nessa área eu sou completamente autodidata. Mas tenho sido frequentemente convidado por universidades para falar sobre linguística matemática em seminários e colóquios de matemática. Ninguém nunca questionou se eu tinha as credenciais adequadas para falar sobre esses assuntos; os matemáticos nunca deram a mínima. O que queriam saber é o que eu tinha a dizer. (…)

Por outro lado, ao discutir questões sociais, essa questão é constantemente levantada, frequentemente com virulência. (…)

O contraste entre matemática e ciências políticas é notável. Em física ou matemática, as pessoas estão preocupadas com o que você tem a dizer, não com sua formação. Mas, para falar sobre realidade social, você precisa ter as credenciais apropriadas. Em geral, me parece justo dizer que, quanto mais rica a substância intelectual de um determinado campo, menor a preocupação com credenciais, e maior o interesse por conteúdo."

(…) quantas chupetas por dia a moça faz (…)

Obrigado por deixar claro qual é o lado "intolerante, preconceituoso e conservador" da discussão.

Enfim, a tal Alemida aceita a aposta...


de: Alemida

Caro,

antes de qualquer aposta que você sabe que nunca vai poder dar certo por razões óbvias - quem da USP vai aceitar assistir qualquer debate entre eu e você?????? - leia o seguinte artigo, pois acho que ele fará muito bem para clarear suas ideias que, para mim, estão um tanto quanto confusas.

Outra coisa: o que me irritou mesmo no seu artigo, no final das contas, é que você deu mais ênfase no ofender o Marcos Bagno do que no refutar as ideias dele e de quem o segue. POr isso, inclusive, ofendi você (o que foi muito divertido, seu idiota).

De qualquer modo, leia, se quiser, o texto abaixo e depois poste o que pensou. (segue um longo texto de Sérgi Fausto, diretor-executivo do Instituto Fernando Henrique - sim, ele.)

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de: Flavio Morgenstern

Cara Alemida, não sei se vossa genialidade marxista terá já percebido, mas: (a) Não há nada neste texto, que por sinal já conhecia, que remova uma vírgula do lugar na argumentação que apresentei acima, e (b) Não apenas isso, como ainda minha argumentação refuta ponto a ponto o que foi apresentado por este cidadão.

Em outras palavras, você, como toda esquerdista, se acha intelectual por ter lido um manualzinho de 40 páginas pró-partido e acha que só você tem a consciência, doutrina e temperança (sobretudo a temperança) necessária para terçar armas num debate e ganhar. Acredita que as 40 páginas do Manifestinho que leu nunca foram refutados por gênios de verdade (aqui vai uma boa lista: http://4ms.me/pZCN24). E acredita que quem já leu as 40 páginas do seu Manifestinho e mais meio mundo que o discute entende menos dos resultados do seu Manifestinho do que você - afinal, todo esquerdista baseia-se em intenções, nunca em resultados - apanágio da direita.

Isto é uma manobra retórica um tanto quanto torta, derivada do délire d'interprétation, como exposto pelo psiquiatra Paul Sérieux. Sua tática é que, assim que alguém refuta seus pontos, você reafirma seus pontos, assim, como se a refutação tivesse entrado por um ouvido e saído por outro (o que, afinal, se deu). Assim, como a resposta mais óbvia para seu "argumento" (chamemo-lo assim para poupar novos esforços envidados em uma taxonomia adequada) seria repetir, ponto a ponto, o que já foi dito, caindo na armadilha preparada subconscientemente por você, que logo diria que eu não tenho argumentos justamente por isso, e daí seguir-se-ia mais repetições do que já foi refutado cantados como se canta vitória ao som da lira da insânia.

Mas não deixa de haver pontos curiosos no arrazoado que me traz. Pinço de tais garatujas as seguintes passagens:

"O procedimento consiste na desqualificação de ideias sem o mínimo esforço prévio de compreendê-las. Funciona assim: diante de mero indício de convicções contrárias às minhas, detectados em leitura de viés ou simples ouvir dizer, passo ao ataque para desmoralizar o argumento em questão e os seus autores. É a técnica de atirar primeiro e perguntar depois. A vítima é a qualidade do debate público.

(…)

Mas é preciso educar-se para o debate. Isso implica desde logo dar-se ao trabalho de conhecer o tema em pauta e ter a disposição de entender o ponto de vista alheio antes de desqualificá-lo."

Diga lá meu furibundo e impaciente leitor se tal atitude, jogada às minhas fauces em tom acusatório, condiz mais comigo, que não apenas conheceu adequadamente o livro do MEC da professora Heloísa Ramos, como conhece a teoria por trás de tal disparate, e não apenas o famoso livro Preconceito lingüístico: o que é, como se faz, de Marcos Bagno, principal divulgador da caganeira, como também seus livros menos conhecidos (como o mais recente A norma oculta: Língua & poder na sociedade brasileira) e ainda cuida de refutar página a página (devidamente citadas seguindo as normas da ABNT) tais atentados à civilização, ou se é o acinte seria mais pertinente se fosse direcionado à própria primeiranista neófita Alemida, que tem a capacidade de digitar um longamente na caixa de comentários que o autor do texto nunca deve ter pisado em uma faculdade de Letras - bem embaixo da assinatura em que se lê, em negrito no original, "Flavio Morgenstern é redator, tradutor, faz Letras na USP e aprendeu a não dizer "amém" para professores partidários alguns meses após aprender a limpar o bumbum sozinho."?!

Também diz a cafonice citada pela Alemida como "argumento" (perdoem-me o excesso de licenças vernaculares):

"Melhoramos desde então? Sim, as taxas de repetência, defasagem idade/série e evasão escolar diminuíram. Parte da melhora se deve à adoção da progressão continuada, outra presa fácil da distorção deliberada, pois passível de ser confundida com a aprovação automática."

Então melhoramos os níveis de repetência porque substituímos a repetência por um sistema em que ela não mais existe. Bravo, bravo, bravo!

Coroa o bolo cerejosamente:

"O desempenho dos alunos em Português vem melhorando, em especial no primeiro ciclo do ensino fundamental, conforme indicam avaliações nacionais e internacionais, ainda que mais lentamente do que seria desejável e necessário."

Ora, se isto é feito para se elogiar a porcaria do livro que entupiu de dinheiro sua desastradíssima autora, devo crer que há professores ganhando demais para melhorar "lentamente". No mais, não se sabe de onde este cidadão tira tais dados: Como já afirmou o Olavo:

"Em editorial do dia 25 último, a Folha de S. Paulo faz as mais prodigiosas acrobacias estatísticas para induzir o leitor a acreditar que a queda do Brasil do 76° para o 88° lugar em educação básica, na escala da Unesco, representa na verdade um progresso formidável." (e continuamos Caindo sem parar - extremely worth reading!)

Enfim, nada disso representa um contra-argumento bem dirigido a sequer uma vírgula fora do lugar em meu texto (e as há). Que tal tentar com mais força da próxima vez antes de tentar debater, como coloquei como termos adequados para um debate? Afinal, como você, com sua cultura letranda superior deve saber, Contra negantem principia non est disputandum ("não se deve discutir com quem negue os princípios"). Afinal, posso ainda ficar te devendo um Ferrari F-50 (um? uma? oh, sociolingüística, como dependes da sintaxe!) por isso.

Try again, minha fofura de saia indiana e sandália sebosa de couro cru. Tico e Teco dêem as mãos e força na peruca! Acreditamos que você consegue.

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de: Alemida (enviado concomitantemente ao comentário anterior)

Engole mais esse: (segue outro texto de Weden, publicado pelo jornalista com alguns problemas milionários aos cofres públicos Luis Nassif)

(...)

PS: Se é que leu esse outro artigo (lembre-se da lógica que vc e sua cambada de reaças seguem…), o que achou?????


de: Flavio Morgenstern

Poxa, mais um artigo que não é de seu estro próprio atacando jornalistas os mais variados, sempre com o argumento de "não leu o livro" (que foi até escaneado em alguns dos artigos citados, mas você não leu os artigos)? E o que eu tenho a ver com isso, se critiquei foram as teses do Bagno (e Sílvio Possenti, e Teixeira de Castilho - provando, sim, que o objetivo destes camaradas é acabar com o ensino da norma culta para os pobres, abrindo um abismo mais largo entre ricos e pobres), citando até erros do energúmeno que nada têm a ver com lingüística (sempre com página citada)? Cadê o contra-argumento? Existe algum? Existe meio? Há alguma citação a algo que escrevi e pormenorizada refutação per negationemum consequentiae? Ou só há acima mais declarações que já foram refutadas em meus escritos?

Ademais, comento de passagem alguns casos citados nesse novo artigo que eu conheço, e você não:

"Jornalista do jornal O Globo (vários): as reportagens sobre o livro didático foram assinadas por vários jornalistas. Todos insistiram na tese - não confirmada - de que o livro contém 'erros grosseiros de português'."

Como, "não confirmada"? Só o fato de o livro usar como exemplo de linguagem adequada "os menino pega o peixe" (e jogando a culpa em sua inadequação aos ouvintes, e não aos falantes), já mostra que há erros grosseiros de português! Por sinal, como demostrou a tradutora Ivonne C. Bennetti, essa frase sequer é usada na linguagem popular brasileira.

"Reinaldo Azevedo (Veja): a partir de trechos soltos, confundiu demonstração linguistica com pregação política. Partidarizou o que é consenso no campo da linguistica internacional."

Mentira deslavada. Não há nenhum consenso internacional sobre preconceito lingüístico - nem mesmo em faculdades de Letras, reconhecidas internacionalmente por angariarem os piores alunos a passar num Vestibular, sendo composta em mais de 95% de hippies, comunistas, maconheiros e barangas. Reinaldo Azevedo não confundiu nada: conforme eu mesmo demonstrei citando não o livro do MEC, mas os lixos tóxicos do seu patrono, Marcos Bagno (exatamente quem o Reinaldo também criticou, e até deixou uma fotinho dele lá, para esse jornalista que não sabe ler e acha que pode dar pitos alheios sobre quem leu e quem não leu), que na sétima linha de seu livro já está citando e defendendo Luiz Inácio Lula da Silva, e sai defendendo o socialismo a torto e a direito no seu livro. Se isso não é "pregação política", talvez só mesmo Mussolini e Pol-Pot sejam competentes pregadores.

"Merval Pereira (Globo): fez afirmações fora do escopo da obra: 'o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros'. Não há passagem clara neste sentido no livro."

Cito o livro: "Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar 'os livro'?' Claro que pode. Mas fique atento, porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico." (grifo meu)

"Carlos Alberto Sardenberg (Globo): chegou a afirmar que o livro defende o modo de falar do ex-presidente Lula. Não leu o livro."

Pois o livro não, mas o livro só se sustenta com teses como a defendida por Marcos Bagno, e este não o faz?

Novamente, nenhuma refutação, nenhum contra-argumento. É assim que você quer debater? Pois vai precisar de um pouco mais de Virmond de Lacerda Neto, Bechara, Hariovaldo Almeida Prado e Anderson Cássio de Oliveira Lopes depois do Sucrilhos. ;)

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de: Alemida (razoavelmente concomitante aos outros 2 comentários)

Ah, e acessa esse link aqui: (segue outro link)

vc vai se divertir muito, filhote de Reinaldo Azevedo.


de: Mauro

"Argumentum ad verecundiam é a pior forma de argumentação." - Karl Popper

"Argumentum ad antiquitatem é a pior forma de argumentação." - Karl Feyerabend

"Argumentum ad ignorantiam é a pior forma de argumentação." - Karl Sagan

Felizmente, nenhum deles viveu para presenciar a popularização da argumentação por copiar-e-colar.


de: Alemida

Ao caro Mauro:

Não sei você, seu imbecil, mas eu percebi o quanto nosso amigo Flávio, ao escrever o artigo sobre as teses de Bagno, o ofendeu do início ao fim, e não o refutou - e se o fez, foi com arrogância extrema. Veja, seu burro de escola particular (leia Mauro aqui, por favor), que, para gente da sua laia, só mesmo usando a mesma moeda para dar o troco. Bando de idiotas! O acesso à internet de gente como vocês devia ser proibido.

Francamente, volto atrás na minha ideia de visitar sempre esse site só para ofender os trouxas que aqui escrevem e comentam: não valem, afinal, nem o esforço de gente sensata como eu para xingá-los de filhos de uma puta, por exemplo.

Até mais, seus fascistas.


de: Flavio Morgenstern

Pô, Alemida, pediu pinico?! Cadê sua superioridade intelectual de escola pública petista?!

Vai lá… antes de ir, refuta pelo menos um parágrafo, vá. Não precisa ser o texto inteiro (já que, pra você, está inteiro errado), pode ser só uma passagenzinha… não vai ter a bondade, sua comunista?


de: Mauro

o ofendeu do início ao fim (…)

Ué, mas se você não leu o artigo até o final, como você mesma admitiu, como pode afirmar que o autor ofende Bagno até o fim? Será que, no final da história, Bagno e Morgenstern não vão superar suas diferenças, entrelaçar os dedos mindinhos e ficar de bem? Se não terminar de ler o artigo, você nunca vai saber como acaba!

só mesmo usando a mesma moeda (…)

Não, a moeda que você usou é completamente diferente; há uma diferença crucial que está escapando à sua atenção. Bagno realmente é ridicularizado pelo autor do artigo, mas repare que o autor é cuidadoso para, em nenhum momento, afirmar que Bagno está errado porque é chato e bobo, além de não tomar banho. O autor do artigo sabe que, se assim fizesse, estaria incorrendo na manjadíssima falácia do ataque ad hominem, e a sua argumentação ficaria comprometida. Em vez disso, o autor diz: Bagno (que, parenteticamente, é chato e bobo, além de não tomar banho), está errado por tais e tais razões.

O seu ataque, em contraste, se baseou nas seguintes moedas de três reais, digo, falácias:

* o artigo está errado porque o autor não tem as credenciais acadêmicas necessárias para questionar um luminar do porte de Bagno (apelo à autoridade);

* o artigo está errado porque o autor é um direitopata fascista de uma figa, além de peessedebista e bicha louca (ataque ad hominem);

* o artigo está errado porque José Serra fugiu para o Chile (non sequitur);

* o artigo está errado porque consigo copiar e colar um artigo que achei na internet, escrito por outra pessoa, que trata de assunto apenas tangencialmente relacionado com o tema em discussão (strawman argument, em português, é como?).

volto atrás na minha idéia de (…)

Mas já vai? Pô, mas está cedo ainda! Fique mais um pouco, vamos chamar mais uma rodada!

[[[ Morgen, sinta-se à vontade para censurar esta resposta, se lhe der na telha; eu ainda sou goiaba nessas coisas. se acaso passar pela peneira, favor remover esta linha :-) ]]]


de: Flavio Morgenstern

Hahahahah… o mais engraçado de tudo é a doutora dizer que não tenho credenciais para discutir Bagno e demonstrar que não sabe se faço Letras ou não. Eu, que estudo com livre-docente no assunto… :)

E tem também o "seus fascistas" a cada 4 linhas. Vejamos o que diz Bagno: "repudiam tudo o que não trouxer a marca registrada de uma atitude fascista diante do mundo" (op. cit., p. 121). Adivinha só como nossa amiga define o que ela aprova ou repudia…

Conclusão: aluninhos que acreditam em Marcos Bagno são invariavelmente tão burros que não têm coragem de entrar em debates correndo o risco de ganhar Ferrari F-50. E, graças a ele, fico sem meu Porsche.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Orgulho Hétero: o orgulho de não dar o rabo apesar da tentação

Foi aprovado na Câmara Municipal de Sâo Paulo o projeto de lei que institui o Dia do Orgulho Heterossexual na cidade, como se isso mudasse a vida de algum heterossexual, de algum homossexual ou do bando de enrustidos que cria e apóia essa patranha. Também não muda em nada a vida da cidade de São Paulo, nem converte algum gay para a iluminada "causa" heterossexual, e mantém empacados e longe de discussão na imprensa projetos de lei minimamente mais importantes, como a multa para a trapaça no dominó na praça Sílvio Romero.

Obviamente que, sendo algo inútil, estará logo entre os primeiros lugares nos Trending Topics do Twitter.

É algo estranho ter orgulho de ser hétero. Orgulho é um sentimento que se tem por algo que exige algum esforço: ter orgulho de ter escalado uma montanha, ter orgulho de ter terminado Finnegan's Wake, ter orgulho de ter descoberto a cura para uma doença. Não faz lá muito sentido ter orgulho de uma condição que lhe foi dada de graça e em que se está sem nenhum esforço: ter orgulho de ser brasileiro, ter orgulho de ser rico, ter orgulho de ser branco. Por que ter orgulho de ser hétero ou de ser brasileiro são sentimentos merecedores de beneplacitosos encômios, enquanto ter orgulho de ser rico ou de ser branco soam a coisa de moleque mimado, criado a leite de pêra pela avó - o próprio arquétipo da bichinha que tanto criticam?

Disto se deduz duas coisas: em primeiro, se ter "Orgulho Hétero" é algo louvável e digno de panegíricos sobremaneira afetados pois consideram o homossexualismo uma "doença" (apesar de ainda ser considerado "desvio" pelo DSM - coisa que a suposta "mídia gayzista" nunca se deu ao trabalho de pesquisar), poderiam ter orgulho, orgulho hetero.jpgentão, de descobrir a cura para o homossexualismo. Afinal, até agora, usar a si próprios como exemplo de alguém a serem alvos interessantes de uma relação heterossexual - mais interessantes do que as relações homossexuais em que os gays estão no momento - parece não ter dado certo. Nem mesmo demonstrar seu grau de felicidade com sua própria condição aos gays - que, infelizmente, destruíram a bela palavra gay (alegre, feliz) do inglês arcaico para nomear um grupo muito mais barulhento do que vivaz.

Adicione-se a isto corolário marcante: se é para se ter orgulho de uma condição socialmente considerada "superior" a outra, por que não organizar o movimento Orgulho de Não Ter Síndrome de Down? Seria ainda mais revolucionário. Daria um caráter excepcional ao povo de Deus por serem os escolhidos para governar a Terra. Mas como pedir para alguém que fica alegre (olha o gay fungando no cangote novamente!) com o Orgulho Heterossexual conseguir se reunir para ter Orgulho de não ter uma doença mental?!

Claro, isso seria pedir demais para alguém que quer sentir orgulho sem esforço. Mas daí decorre-se o segundo ponto: caso o "movimento" tenha algum mérito, é porque os heterossexuais que fazem parte dele estão envidando esforços tremendos para manter a sua condição. Resumindo em um apotegma compreensível aos néscios, Orgulho Hetero é pra quem tem orgulho de continuar sem dar o rabo apesar de toda a tentação.

Óbvio que cada um tem o sagrado direito à liberdade de expressão, o que significa que ninguém tem a obrigação de estar correto (e nem de esconder seu gosto por pirocas de cabeça roxa, ao invés de jogá-lo na cara do interlocutor através de entrelinhas mais óbvias do que atos falhos freudianos). Mas o problema maior do Orgulho Hétero é o tanto que ele se parece com o caráter mais chato (mais chato do que errado, diga-se) dos homossexuais: se preocupar tanto em falar do que se faz entre quatro paredes. Ora, o que é insuportável no tal "movimento homossexual" é reunir 4 bibas numa mesa e, entre trejeitos e xiliques os mais variados, ver se uma conversa de 5 horas consegue deixar de envolver alguém pra quem dar durante mais do que 3 minutos.

Em outras palavras, o insuportável no Orgulho Hétero não diz nem respeito a alguém ser hétero ou não - tal e qual o homossexualismo, antes de uma mazela derivada de nossa pouca ética, tal flagelo diz respeito á falta de estética: assim como, para um hétero, é feio pra caralho ver um sujeito introduzir a trosoba própria em lorto peludo alheio, com efeito é de uma fealdade atroz um heterossexual qualquer, incapaz de merecer um elogio por qualquer coisa que seja na vida, bradar aos quatro ventos e sete mares que prefere uma relação heterossexual.

Daí deduz-se novamente outra inescapável conclusão pouco altaneira: é de pouca amonta ser heterossexual. Um bicho feio como o cão chupando manga pode ser rob_halford_judas_priest.jpgheterossexual, e de forma alguma invejá-lo-ei. Um gay que, como tal, fique feliz em ter uma relação homossexual e, graças a seus méritos e conjunto da obra como pessoa, consiga ter uma vida sexual mais variada e divertida do que a de um hetero, é digno de inveja. Não que um hetero vá querer ter os mesmos parceiros que ele teve - mas quererá ter a mesma alegria esculpida no rosto pela cota de sexo selvagem que lhe tocou ser garantida em sua passagem por este Vale de Lágrimas.

Ter Orgulho Hétero não significa "eu consigo fazer sexo heterossexual". Só significa ter vontade. E vontade qualquer idiota tem. Eu também tenho vontade de comer a Angelina Jolie. Devo ter orgulho de não conseguir?

Até conseguia-se entender a tal "Marcha do Orgulho Hétero" em seus primórdios - afinal, se os gays conseguiam fechar a Paulista, sair escandalosamente do armário e rodar a banca no meio do asfalto, era também cabível que heteros encalhados (conditio sine qua non para se preocupar em berrar afetadamente o que faz em sua vida privada, como se fosse digno da capa da CARAS, ou quiçá mesmo da BUNDAS) tivessem uma festinha própria para poder dizer: "Quero sexo heterossexual e não consigo! parada-orgulho-hetero.jpgSe você é do sexo oposto e está aqui, vamos facilitar nossas tentativas propositalmente mal sucedidas de perpetuação da espécie!". Hoje, com a evangelização de qualquer atividade humana, sobretudo as que envolvem mais de um humano, virou apenas palco de recalcados que nunca conseguiram lamber uma cota de xoxotas suficiente para tirar o indivíduo da completa insânia. É uma atitude típica de gente que não trepa.

Seria uma visão até interessante em sua crítica: os gays só conseguiram o espaço e a vida sexual que têm hoje graças à internet: têm sites próprios, bate-papos próprios. No máximo tinham boates só para eles há mais de uma década - aquele período paleolítico de nossa civilização. Agora, eles conseguem mais sexo só falando de sexo o tempo todo, e para nós, héteros, há toda essa malévola burocracia de fingir que alguém é interessante além de comível antes de conseguir uma noite de sexo sujo e barato - ao invés do modo correto de só falar de sexo o tempo todo. Paradoxalmente, agora os gays estão trepando de verdade enquanto nós estamos presos a lenga-lengas intermináveis no MSN antes de praticar um vuco-vuco mais do que 3 vezes por mês, simplesmente fingindo que as gostosas burras (4,9% da população) são gostosas inteligentes (0,8% da população). Seria melhor um movimento anti-burocracia sexual do que essa busca por uma sauna masculina só pra héteros.

É fácil perceber o que une os adoradores do movimento Orgulho Hétero, já que a parcela rigorosamente heterossexual, na qual me incluo, abrange monta que chega perto da casa dos 98% da população: aquele rompante de busca por realização de seus sonhos que não pode ter uma ajuda direta do Sílvio Santos. Se é possível sonhar com a casa própria, pagar o seu carnê em dia e, com sorte orgulho hetero 2.jpg(possibilidade de uma em 247 mil), ir ao programa rodar o pião (ao menos era assim antes da crise imobiliária), através de platitudes pensamentísticas como "quem acredita sempre alcança", numa retro-alimentação (!) do sonho via parcelas mensais visando atingir sua própria realização, o Orgulhoso Hétero quer finalmente atingir sua condição de hétero (isto é, fazendo sexo pela primeira vez na vida) retro-alimentando (!!) sua própria vontade de ser hétero.

É uma doença (não-mental) hipertrófica conhecida no meio médico como pequenez peniana mórbida. Nitidamente, é o comportamento versão pós-púbere daqueles infantes que queriam ser considerados líderes do bando (geralmente por serem os mais gordos e feios, e os últimos a perderem a virgindade de fato) afirmando que iriam comer a bunda dos coleguinhas.

lesbicas_beijo.jpgPor fim, que beleza há a ser contemplada em uma reunião de machos com outros machos (perto de 98% da população, o que significa que é galalau demais se esfregando em espaço de menos nessa tertúlia hirsuta) para discutir como são machos? Acaso estes sensacionais machões medievais fogem espavoridos, imitando o trote de gazelas saltitantes, ao verem o maior monumento à beleza que a Civilização (com C maiúsculo) legou ao mundo: a pornografia lésbica?! Preferem tanto assim a agremiação de machos, carimbando-os com o "OH" (ouço agora o que caracteriza o movimento?) no braço para mais fácil identificação? Afinal, há algum motivo para se preocupar tanto com as pregas alheias, senão a vontade refreada de cuidar ele próprio febrilmente de sua manutenção?

Reclama o deputado evangélico que "a sociedade" (sempre ela! vamos botá-la na cadeia!) incentiva o comportamento homossexual. Pois podem me incentivar a comer cocô por cerca de um século - dificilmente aceitarei sequer experimentar. Se há uma preocupação pro domo sua da parte do deputado em tal "incentivo", é porque o deputado está com medo de, durante a cogitação da hipótese, acabar descobrindo o quanto gosta de uma jeba com mais de 1/5 de metro de comprimento e calibre .80 de espessura. É a visão de que o caboclo, em estado natural, teria vontade de tudo, e apenas "a sociedade" é que refreia seus instintos mais bárbaros. Pergunto então ao cível deputado: e de dar uma meia hora de bunda, Vossa Excelência já sentiu vontade?

Ser hétero é fácil. Difícil é não ter uma piromba de proporções diminutas. Responda honestamente o leitor se o Orgulho Hétero e seu esforço sobre-humano para continuar sendo hétero não é linguagem própria de quem está desesperado para, às escondidas, entubar violentamente um mastruço incandescente e pulsante de veias azuis daqui a no máximo 30 minutos?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mais preconceito lingüístico: primeiro round


Ao se digitar "preconceito lingüístico" no Google, você vai dar de cara com meu artigo no Implicante Preconceito linguistico e coitadismo linguistico, só ficando o termo na Wikipedia e as imagens do asqueroso livro de Marcos Bagno acima.

Demorei a entender por que vira e mexe (meXe!) aparecem estudantes de Letras que acabaram de descobrir a nova "teoria revolucionária" que só eles conhecem e que, como tudo o que se vê numa universidade "científica", basta concordar e supor ser irrefutável. Fico imaginando como anda a cara do Marcos Bagno (e seus cupinchas como Ataliba Teixeira de Castilho e Sírio Possenti, mestres da criadora do afamado livro do MEC Por uma vida melhor, a tal professora Heloísa Ramos).

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Mas alguns desses alunos que digitam "preconceito lingüístico" no Google para fazer trabalho servem de contra-exemplo ao que um crente da seita do "preconceito lingüístico". Segue um debate com uma aluna-sintoma da platitude intelectual que virou a "pesquisa científica" na Universidade brasileira, nos comentários do meu texto:


de: Alemida

Olá a todos!

De tão nojento e pedante (vide o palavrório rebuscado do autor, certamente um intelectualzinho de escola particular metido à oposicionista que se baseia nos delírios peessedebistas para atacar um governo exemplar como é o do PT), não consegui terminar de ler e, claro, caí na gargalhada antes de começar escrver este comentário.

Os autores deste blog são, com certeza, fascistas que não pensariam duas vezes em ajduar se a atual oposição golpista planejasse um golpe para implantar uma ditadura. São pessoas distantes da realidade, parecem cocô, ficam boiando e só boiando. Você, meu caro intelectualzinho de merda, já cursou um curso de Letras? Não, obviamente. Já estudou a fundo sociolinguística? Com certeza não. Então pega essas suas palavras reacionárias e absolutamente pedantes e as enfie goela abaixo, para não dizer outra coisa. Escrevendo este artigo infundado e ingênuo, certamente inspirado no rei da babaquice e do achismo Sr. Reinaldo Azevedo, um cretino fascista que escreve na podríssima Veja, você só demonstrou o quanto é burro e retardado a ponto de escrver sobre coisas que não conhece e, claro, nunca vai conhecer - afinal, a lógica da oposição é sempre essa: criticar e condenar sem nem ao menos se dar ao trabalho de conhecer.

Para sua informação, o capítulo do livro pode ser baixado no site 4shared.com. Baixe, leia e veja o quanto você é um reacionáriozinho criado com danoninho que pensa que escrever merda na internet é fazer política. Babaca!

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de: Flavio Morgenstern

A gente se mata a vida inteira pra zoar o PT. Vem o PT aqui e se zoa sozinho.

Mas, cara primeiranista de Letras, que tal aplicar a si própria a crítica que faz "à oposição" ("criticar e condenar sem nem ao menos se dar ao trabalho de conhecer"), continuar lendo a porcaria do artigo cocozento e acabar descobrindo que refutei até as linhas desse livreto que não falam de sociolingüística, afinal, não só faço Letras (e não é numa "escola particular", como se isso fosse defeito, é na USP), como estudo tal assunto com os melhores sociolingüistas do hemisfério?
Boa sorte em sua crítica que conhece antes de condenar. =*


de: Alemida

Seu artigo é tão imbecil, seu panaca direitopata fascista de uma figa, que para ele precisamos sim aplicar a lógica que acéfalos cretinos e filhos de porcos como você seguem: condenar antes de ler - até porque, meu caro filhote de Reinaldo Azevedo com José Serra e, Deus me livre, FHC, nem é necessário ler tudo até o final: é previsível o tipo de bosta que sai da boca rota e burra de gente de intelecto torto como você e a cambada do seu tipo. Babaca!

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de: Flavio Morgenstern

Ainda bem que você não é manipulada e pensa com a própria caçuleta. Só falta agora ter ao menos uma frase que não seja uma mistura de discurso do SINDIGORDAS com linguagem de filme de ação traduzido pela Globo. "Fascista de uma figa"?! Mas nem quando eu tinha 4 anos de idade me assustava com esse faniquito saído de uma linha de produção fordista!


de: Alemida

Vou visitar constantemente esse lixo de site só para te xingar, oh grande conhecedor da língua portuguesa. FAz USP, o menininho esperto? QUe coisa bonitinha. Mas enquanto os colegas de turma estavam nas aulas, você, não tenho dúvidas, ficava no apartamento jogando vídeo game, né? Afinal, papai paga minhas contas.

São pessoas como vocÊ que precisam ser estirpadas, pois, creia-me, Sr. Sou Implicante Porque Papai Paga Minhas Contas E Os Impostos do Lula, vocês são o que há de pior na sociedade brasileira. É o que faz nosso país ser de terceiro mundo, é o que faz nosso país ter caras como José Serra (esse que, de tão macho, fugiu para o Chile quando houve a ditadura aqui e que ainda sobrevive mesmo depois de ser esmagado pela DILMA nas últimas eleições).

Aliás: quantas chupetas por dia a moça faz na turma do contra (leia-se "fdps do DEM e do PSDB")?


de: Mauro

(…) já cursou um curso de Letras? Não, obviamente. Já estudou a fundo sociolinguística? Com certeza não.

E… ?

Isso me lembrou de algo dito uma vez por aquele famoso porco capitalista-direitista reacionário de direita, Noam Chomsky (a tradução meia-boca é culpa minha):

"Eu trabalhei em linguística matemática, por exemplo, sem quaisquer credenciais profissionais em matemática; nessa área eu sou completamente autodidata. Mas tenho sido frequentemente convidado por universidades para falar sobre linguística matemática em seminários e colóquios de matemática. Ninguém nunca questionou se eu tinha as credenciais adequadas para falar sobre esses assuntos; os matemáticos nunca deram a mínima. O que queriam saber é o que eu tinha a dizer. (…)

Por outro lado, ao discutir questões sociais, essa questão é constantemente levantada, frequentemente com virulência. (…)

O contraste entre matemática e ciências políticas é notável. Em física ou matemática, as pessoas estão preocupadas com o que você tem a dizer, não com sua formação. Mas, para falar sobre realidade social, você precisa ter as credenciais apropriadas. Em geral, me parece justo dizer que, quanto mais rica a substância intelectual de um determinado campo, menor a preocupação com credenciais, e maior o interesse por conteúdo."

(…) quantas chupetas por dia a moça faz (…)

Obrigado por deixar claro qual é o lado "intolerante, preconceituoso e conservador" da discussão.

Enfim, a tal Alemida aceita a aposta...


de: Alemida

Caro,

antes de qualquer aposta que você sabe que nunca vai poder dar certo por razões óbvias - quem da USP vai aceitar assistir qualquer debate entre eu e você?????? - leia o seguinte artigo, pois acho que ele fará muito bem para clarear suas ideias que, para mim, estão um tanto quanto confusas.

Outra coisa: o que me irritou mesmo no seu artigo, no final das contas, é que você deu mais ênfase no ofender o Marcos Bagno do que no refutar as ideias dele e de quem o segue. POr isso, inclusive, ofendi você (o que foi muito divertido, seu idiota).

De qualquer modo, leia, se quiser, o texto abaixo e depois poste o que pensou. (segue um longo texto de Sérgi Fausto, diretor-executivo do Instituto Fernando Henrique - sim, ele.)

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de: Flavio Morgenstern

Cara Alemida, não sei se vossa genialidade marxista terá já percebido, mas: (a) Não há nada neste texto, que por sinal já conhecia, que remova uma vírgula do lugar na argumentação que apresentei acima, e (b) Não apenas isso, como ainda minha argumentação refuta ponto a ponto o que foi apresentado por este cidadão.

Em outras palavras, você, como toda esquerdista, se acha intelectual por ter lido um manualzinho de 40 páginas pró-partido e acha que só você tem a consciência, doutrina e temperança (sobretudo a temperança) necessária para terçar armas num debate e ganhar. Acredita que as 40 páginas do Manifestinho que leu nunca foram refutados por gênios de verdade (aqui vai uma boa lista: http://4ms.me/pZCN24). E acredita que quem já leu as 40 páginas do seu Manifestinho e mais meio mundo que o discute entende menos dos resultados do seu Manifestinho do que você - afinal, todo esquerdista baseia-se em intenções, nunca em resultados - apanágio da direita.

Isto é uma manobra retórica um tanto quanto torta, derivada do délire d'interprétation, como exposto pelo psiquiatra Paul Sérieux. Sua tática é que, assim que alguém refuta seus pontos, você reafirma seus pontos, assim, como se a refutação tivesse entrado por um ouvido e saído por outro (o que, afinal, se deu). Assim, como a resposta mais óbvia para seu "argumento" (chamemo-lo assim para poupar novos esforços envidados em uma taxonomia adequada) seria repetir, ponto a ponto, o que já foi dito, caindo na armadilha preparada subconscientemente por você, que logo diria que eu não tenho argumentos justamente por isso, e daí seguir-se-ia mais repetições do que já foi refutado cantados como se canta vitória ao som da lira da insânia.

Mas não deixa de haver pontos curiosos no arrazoado que me traz. Pinço de tais garatujas as seguintes passagens:

"O procedimento consiste na desqualificação de ideias sem o mínimo esforço prévio de compreendê-las. Funciona assim: diante de mero indício de convicções contrárias às minhas, detectados em leitura de viés ou simples ouvir dizer, passo ao ataque para desmoralizar o argumento em questão e os seus autores. É a técnica de atirar primeiro e perguntar depois. A vítima é a qualidade do debate público.

(…)

Mas é preciso educar-se para o debate. Isso implica desde logo dar-se ao trabalho de conhecer o tema em pauta e ter a disposição de entender o ponto de vista alheio antes de desqualificá-lo."

Diga lá meu furibundo e impaciente leitor se tal atitude, jogada às minhas fauces em tom acusatório, condiz mais comigo, que não apenas conheceu adequadamente o livro do MEC da professora Heloísa Ramos, como conhece a teoria por trás de tal disparate, e não apenas o famoso livro Preconceito lingüístico: o que é, como se faz, de Marcos Bagno, principal divulgador da caganeira, como também seus livros menos conhecidos (como o mais recente A norma oculta: Língua & poder na sociedade brasileira) e ainda cuida de refutar página a página (devidamente citadas seguindo as normas da ABNT) tais atentados à civilização, ou se é o acinte seria mais pertinente se fosse direcionado à própria primeiranista neófita Alemida, que tem a capacidade de digitar um longamente na caixa de comentários que o autor do texto nunca deve ter pisado em uma faculdade de Letras - bem embaixo da assinatura em que se lê, em negrito no original, "Flavio Morgenstern é redator, tradutor, faz Letras na USP e aprendeu a não dizer "amém" para professores partidários alguns meses após aprender a limpar o bumbum sozinho."?!

Também diz a cafonice citada pela Alemida como "argumento" (perdoem-me o excesso de licenças vernaculares):

"Melhoramos desde então? Sim, as taxas de repetência, defasagem idade/série e evasão escolar diminuíram. Parte da melhora se deve à adoção da progressão continuada, outra presa fácil da distorção deliberada, pois passível de ser confundida com a aprovação automática."

Então melhoramos os níveis de repetência porque substituímos a repetência por um sistema em que ela não mais existe. Bravo, bravo, bravo!

Coroa o bolo cerejosamente:

"O desempenho dos alunos em Português vem melhorando, em especial no primeiro ciclo do ensino fundamental, conforme indicam avaliações nacionais e internacionais, ainda que mais lentamente do que seria desejável e necessário."

Ora, se isto é feito para se elogiar a porcaria do livro que entupiu de dinheiro sua desastradíssima autora, devo crer que há professores ganhando demais para melhorar "lentamente". No mais, não se sabe de onde este cidadão tira tais dados: Como já afirmou o Olavo:

"Em editorial do dia 25 último, a Folha de S. Paulo faz as mais prodigiosas acrobacias estatísticas para induzir o leitor a acreditar que a queda do Brasil do 76° para o 88° lugar em educação básica, na escala da Unesco, representa na verdade um progresso formidável." (e continuamos Caindo sem parar - extremely worth reading!)

Enfim, nada disso representa um contra-argumento bem dirigido a sequer uma vírgula fora do lugar em meu texto (e as há). Que tal tentar com mais força da próxima vez antes de tentar debater, como coloquei como termos adequados para um debate? Afinal, como você, com sua cultura letranda superior deve saber, Contra negantem principia non est disputandum ("não se deve discutir com quem negue os princípios"). Afinal, posso ainda ficar te devendo um Ferrari F-50 (um? uma? oh, sociolingüística, como dependes da sintaxe!) por isso.

Try again, minha fofura de saia indiana e sandália sebosa de couro cru. Tico e Teco dêem as mãos e força na peruca! Acreditamos que você consegue.

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de: Alemida (enviado concomitantemente ao comentário anterior)

Engole mais esse: (segue outro texto de Weden, publicado pelo jornalista com alguns problemas milionários aos cofres públicos Luis Nassif)

(...)

PS: Se é que leu esse outro artigo (lembre-se da lógica que vc e sua cambada de reaças seguem…), o que achou?????


de: Flavio Morgenstern

Poxa, mais um artigo que não é de seu estro próprio atacando jornalistas os mais variados, sempre com o argumento de "não leu o livro" (que foi até escaneado em alguns dos artigos citados, mas você não leu os artigos)? E o que eu tenho a ver com isso, se critiquei foram as teses do Bagno (e Sílvio Possenti, e Teixeira de Castilho - provando, sim, que o objetivo destes camaradas é acabar com o ensino da norma culta para os pobres, abrindo um abismo mais largo entre ricos e pobres), citando até erros do energúmeno que nada têm a ver com lingüística (sempre com página citada)? Cadê o contra-argumento? Existe algum? Existe meio? Há alguma citação a algo que escrevi e pormenorizada refutação per negationemum consequentiae? Ou só há acima mais declarações que já foram refutadas em meus escritos?

Ademais, comento de passagem alguns casos citados nesse novo artigo que eu conheço, e você não:

"Jornalista do jornal O Globo (vários): as reportagens sobre o livro didático foram assinadas por vários jornalistas. Todos insistiram na tese - não confirmada - de que o livro contém 'erros grosseiros de português'."

Como, "não confirmada"? Só o fato de o livro usar como exemplo de linguagem adequada "os menino pega o peixe" (e jogando a culpa em sua inadequação aos ouvintes, e não aos falantes), já mostra que há erros grosseiros de português! Por sinal, como demostrou a tradutora Ivonne C. Bennetti, essa frase sequer é usada na linguagem popular brasileira.

"Reinaldo Azevedo (Veja): a partir de trechos soltos, confundiu demonstração linguistica com pregação política. Partidarizou o que é consenso no campo da linguistica internacional."

Mentira deslavada. Não há nenhum consenso internacional sobre preconceito lingüístico - nem mesmo em faculdades de Letras, reconhecidas internacionalmente por angariarem os piores alunos a passar num Vestibular, sendo composta em mais de 95% de hippies, comunistas, maconheiros e barangas. Reinaldo Azevedo não confundiu nada: conforme eu mesmo demonstrei citando não o livro do MEC, mas os lixos tóxicos do seu patrono, Marcos Bagno (exatamente quem o Reinaldo também criticou, e até deixou uma fotinho dele lá, para esse jornalista que não sabe ler e acha que pode dar pitos alheios sobre quem leu e quem não leu), que na sétima linha de seu livro já está citando e defendendo Luiz Inácio Lula da Silva, e sai defendendo o socialismo a torto e a direito no seu livro. Se isso não é "pregação política", talvez só mesmo Mussolini e Pol-Pot sejam competentes pregadores.

"Merval Pereira (Globo): fez afirmações fora do escopo da obra: 'o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros'. Não há passagem clara neste sentido no livro."

Cito o livro: "Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar 'os livro'?' Claro que pode. Mas fique atento, porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico." (grifo meu)

"Carlos Alberto Sardenberg (Globo): chegou a afirmar que o livro defende o modo de falar do ex-presidente Lula. Não leu o livro."

Pois o livro não, mas o livro só se sustenta com teses como a defendida por Marcos Bagno, e este não o faz?

Novamente, nenhuma refutação, nenhum contra-argumento. É assim que você quer debater? Pois vai precisar de um pouco mais de Virmond de Lacerda Neto, Bechara, Hariovaldo Almeida Prado e Anderson Cássio de Oliveira Lopes depois do Sucrilhos. ;)

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de: Alemida (razoavelmente concomitante aos outros 2 comentários)

Ah, e acessa esse link aqui: (segue outro link)

vc vai se divertir muito, filhote de Reinaldo Azevedo.


de: Mauro

"Argumentum ad verecundiam é a pior forma de argumentação." - Karl Popper

"Argumentum ad antiquitatem é a pior forma de argumentação." - Karl Feyerabend

"Argumentum ad ignorantiam é a pior forma de argumentação." - Karl Sagan

Felizmente, nenhum deles viveu para presenciar a popularização da argumentação por copiar-e-colar.


de: Alemida

Ao caro Mauro:

Não sei você, seu imbecil, mas eu percebi o quanto nosso amigo Flávio, ao escrever o artigo sobre as teses de Bagno, o ofendeu do início ao fim, e não o refutou - e se o fez, foi com arrogância extrema. Veja, seu burro de escola particular (leia Mauro aqui, por favor), que, para gente da sua laia, só mesmo usando a mesma moeda para dar o troco. Bando de idiotas! O acesso à internet de gente como vocês devia ser proibido.

Francamente, volto atrás na minha ideia de visitar sempre esse site só para ofender os trouxas que aqui escrevem e comentam: não valem, afinal, nem o esforço de gente sensata como eu para xingá-los de filhos de uma puta, por exemplo.

Até mais, seus fascistas.


de: Flavio Morgenstern

Pô, Alemida, pediu pinico?! Cadê sua superioridade intelectual de escola pública petista?!

Vai lá… antes de ir, refuta pelo menos um parágrafo, vá. Não precisa ser o texto inteiro (já que, pra você, está inteiro errado), pode ser só uma passagenzinha… não vai ter a bondade, sua comunista?


de: Mauro

o ofendeu do início ao fim (…)

Ué, mas se você não leu o artigo até o final, como você mesma admitiu, como pode afirmar que o autor ofende Bagno até o fim? Será que, no final da história, Bagno e Morgenstern não vão superar suas diferenças, entrelaçar os dedos mindinhos e ficar de bem? Se não terminar de ler o artigo, você nunca vai saber como acaba!

só mesmo usando a mesma moeda (…)

Não, a moeda que você usou é completamente diferente; há uma diferença crucial que está escapando à sua atenção. Bagno realmente é ridicularizado pelo autor do artigo, mas repare que o autor é cuidadoso para, em nenhum momento, afirmar que Bagno está errado porque é chato e bobo, além de não tomar banho. O autor do artigo sabe que, se assim fizesse, estaria incorrendo na manjadíssima falácia do ataque ad hominem, e a sua argumentação ficaria comprometida. Em vez disso, o autor diz: Bagno (que, parenteticamente, é chato e bobo, além de não tomar banho), está errado por tais e tais razões.

O seu ataque, em contraste, se baseou nas seguintes moedas de três reais, digo, falácias:

* o artigo está errado porque o autor não tem as credenciais acadêmicas necessárias para questionar um luminar do porte de Bagno (apelo à autoridade);

* o artigo está errado porque o autor é um direitopata fascista de uma figa, além de peessedebista e bicha louca (ataque ad hominem);

* o artigo está errado porque José Serra fugiu para o Chile (non sequitur);

* o artigo está errado porque consigo copiar e colar um artigo que achei na internet, escrito por outra pessoa, que trata de assunto apenas tangencialmente relacionado com o tema em discussão (strawman argument, em português, é como?).

volto atrás na minha idéia de (…)

Mas já vai? Pô, mas está cedo ainda! Fique mais um pouco, vamos chamar mais uma rodada!

[[[ Morgen, sinta-se à vontade para censurar esta resposta, se lhe der na telha; eu ainda sou goiaba nessas coisas. se acaso passar pela peneira, favor remover esta linha :-) ]]]


de: Flavio Morgenstern

Hahahahah… o mais engraçado de tudo é a doutora dizer que não tenho credenciais para discutir Bagno e demonstrar que não sabe se faço Letras ou não. Eu, que estudo com livre-docente no assunto… :)

E tem também o "seus fascistas" a cada 4 linhas. Vejamos o que diz Bagno: "repudiam tudo o que não trouxer a marca registrada de uma atitude fascista diante do mundo" (op. cit., p. 121). Adivinha só como nossa amiga define o que ela aprova ou repudia…

Conclusão: aluninhos que acreditam em Marcos Bagno são invariavelmente tão burros que não têm coragem de entrar em debates correndo o risco de ganhar Ferrari F-50. E, graças a ele, fico sem meu Porsche.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Orgulho Hétero: o orgulho de não dar o rabo apesar da tentação


Foi aprovado na Câmara Municipal de Sâo Paulo o projeto de lei que institui o Dia do Orgulho Heterossexual na cidade, como se isso mudasse a vida de algum heterossexual, de algum homossexual ou do bando de enrustidos que cria e apóia essa patranha. Também não muda em nada a vida da cidade de São Paulo, nem converte algum gay para a iluminada "causa" heterossexual, e mantém empacados e longe de discussão na imprensa projetos de lei minimamente mais importantes, como a multa para a trapaça no dominó na praça Sílvio Romero.

Obviamente que, sendo algo inútil, estará logo entre os primeiros lugares nos Trending Topics do Twitter.

É algo estranho ter orgulho de ser hétero. Orgulho é um sentimento que se tem por algo que exige algum esforço: ter orgulho de ter escalado uma montanha, ter orgulho de ter terminado Finnegan's Wake, ter orgulho de ter descoberto a cura para uma doença. Não faz lá muito sentido ter orgulho de uma condição que lhe foi dada de graça e em que se está sem nenhum esforço: ter orgulho de ser brasileiro, ter orgulho de ser rico, ter orgulho de ser branco. Por que ter orgulho de ser hétero ou de ser brasileiro são sentimentos merecedores de beneplacitosos encômios, enquanto ter orgulho de ser rico ou de ser branco soam a coisa de moleque mimado, criado a leite de pêra pela avó - o próprio arquétipo da bichinha que tanto criticam?

Disto se deduz duas coisas: em primeiro, se ter "Orgulho Hétero" é algo louvável e digno de panegíricos sobremaneira afetados pois consideram o homossexualismo uma "doença" (apesar de ainda ser considerado "desvio" pelo DSM - coisa que a suposta "mídia gayzista" nunca se deu ao trabalho de pesquisar), poderiam ter orgulho, orgulho hetero.jpgentão, de descobrir a cura para o homossexualismo. Afinal, até agora, usar a si próprios como exemplo de alguém a serem alvos interessantes de uma relação heterossexual - mais interessantes do que as relações homossexuais em que os gays estão no momento - parece não ter dado certo. Nem mesmo demonstrar seu grau de felicidade com sua própria condição aos gays - que, infelizmente, destruíram a bela palavra gay (alegre, feliz) do inglês arcaico para nomear um grupo muito mais barulhento do que vivaz.

Adicione-se a isto corolário marcante: se é para se ter orgulho de uma condição socialmente considerada "superior" a outra, por que não organizar o movimento Orgulho de Não Ter Síndrome de Down? Seria ainda mais revolucionário. Daria um caráter excepcional ao povo de Deus por serem os escolhidos para governar a Terra. Mas como pedir para alguém que fica alegre (olha o gay fungando no cangote novamente!) com o Orgulho Heterossexual conseguir se reunir para ter Orgulho de não ter uma doença mental?!

Claro, isso seria pedir demais para alguém que quer sentir orgulho sem esforço. Mas daí decorre-se o segundo ponto: caso o "movimento" tenha algum mérito, é porque os heterossexuais que fazem parte dele estão envidando esforços tremendos para manter a sua condição. Resumindo em um apotegma compreensível aos néscios, Orgulho Hetero é pra quem tem orgulho de continuar sem dar o rabo apesar de toda a tentação.

Óbvio que cada um tem o sagrado direito à liberdade de expressão, o que significa que ninguém tem a obrigação de estar correto (e nem de esconder seu gosto por pirocas de cabeça roxa, ao invés de jogá-lo na cara do interlocutor através de entrelinhas mais óbvias do que atos falhos freudianos). Mas o problema maior do Orgulho Hétero é o tanto que ele se parece com o caráter mais chato (mais chato do que errado, diga-se) dos homossexuais: se preocupar tanto em falar do que se faz entre quatro paredes. Ora, o que é insuportável no tal "movimento homossexual" é reunir 4 bibas numa mesa e, entre trejeitos e xiliques os mais variados, ver se uma conversa de 5 horas consegue deixar de envolver alguém pra quem dar durante mais do que 3 minutos.

Em outras palavras, o insuportável no Orgulho Hétero não diz nem respeito a alguém ser hétero ou não - tal e qual o homossexualismo, antes de uma mazela derivada de nossa pouca ética, tal flagelo diz respeito á falta de estética: assim como, para um hétero, é feio pra caralho ver um sujeito introduzir a trosoba própria em lorto peludo alheio, com efeito é de uma fealdade atroz um heterossexual qualquer, incapaz de merecer um elogio por qualquer coisa que seja na vida, bradar aos quatro ventos e sete mares que prefere uma relação heterossexual.

Daí deduz-se novamente outra inescapável conclusão pouco altaneira: é de pouca amonta ser heterossexual. Um bicho feio como o cão chupando manga pode ser rob_halford_judas_priest.jpgheterossexual, e de forma alguma invejá-lo-ei. Um gay que, como tal, fique feliz em ter uma relação homossexual e, graças a seus méritos e conjunto da obra como pessoa, consiga ter uma vida sexual mais variada e divertida do que a de um hetero, é digno de inveja. Não que um hetero vá querer ter os mesmos parceiros que ele teve - mas quererá ter a mesma alegria esculpida no rosto pela cota de sexo selvagem que lhe tocou ser garantida em sua passagem por este Vale de Lágrimas.

Ter Orgulho Hétero não significa "eu consigo fazer sexo heterossexual". Só significa ter vontade. E vontade qualquer idiota tem. Eu também tenho vontade de comer a Angelina Jolie. Devo ter orgulho de não conseguir?

Até conseguia-se entender a tal "Marcha do Orgulho Hétero" em seus primórdios - afinal, se os gays conseguiam fechar a Paulista, sair escandalosamente do armário e rodar a banca no meio do asfalto, era também cabível que heteros encalhados (conditio sine qua non para se preocupar em berrar afetadamente o que faz em sua vida privada, como se fosse digno da capa da CARAS, ou quiçá mesmo da BUNDAS) tivessem uma festinha própria para poder dizer: "Quero sexo heterossexual e não consigo! parada-orgulho-hetero.jpgSe você é do sexo oposto e está aqui, vamos facilitar nossas tentativas propositalmente mal sucedidas de perpetuação da espécie!". Hoje, com a evangelização de qualquer atividade humana, sobretudo as que envolvem mais de um humano, virou apenas palco de recalcados que nunca conseguiram lamber uma cota de xoxotas suficiente para tirar o indivíduo da completa insânia. É uma atitude típica de gente que não trepa.

Seria uma visão até interessante em sua crítica: os gays só conseguiram o espaço e a vida sexual que têm hoje graças à internet: têm sites próprios, bate-papos próprios. No máximo tinham boates só para eles há mais de uma década - aquele período paleolítico de nossa civilização. Agora, eles conseguem mais sexo só falando de sexo o tempo todo, e para nós, héteros, há toda essa malévola burocracia de fingir que alguém é interessante além de comível antes de conseguir uma noite de sexo sujo e barato - ao invés do modo correto de só falar de sexo o tempo todo. Paradoxalmente, agora os gays estão trepando de verdade enquanto nós estamos presos a lenga-lengas intermináveis no MSN antes de praticar um vuco-vuco mais do que 3 vezes por mês, simplesmente fingindo que as gostosas burras (4,9% da população) são gostosas inteligentes (0,8% da população). Seria melhor um movimento anti-burocracia sexual do que essa busca por uma sauna masculina só pra héteros.

É fácil perceber o que une os adoradores do movimento Orgulho Hétero, já que a parcela rigorosamente heterossexual, na qual me incluo, abrange monta que chega perto da casa dos 98% da população: aquele rompante de busca por realização de seus sonhos que não pode ter uma ajuda direta do Sílvio Santos. Se é possível sonhar com a casa própria, pagar o seu carnê em dia e, com sorte orgulho hetero 2.jpg(possibilidade de uma em 247 mil), ir ao programa rodar o pião (ao menos era assim antes da crise imobiliária), através de platitudes pensamentísticas como "quem acredita sempre alcança", numa retro-alimentação (!) do sonho via parcelas mensais visando atingir sua própria realização, o Orgulhoso Hétero quer finalmente atingir sua condição de hétero (isto é, fazendo sexo pela primeira vez na vida) retro-alimentando (!!) sua própria vontade de ser hétero.

É uma doença (não-mental) hipertrófica conhecida no meio médico como pequenez peniana mórbida. Nitidamente, é o comportamento versão pós-púbere daqueles infantes que queriam ser considerados líderes do bando (geralmente por serem os mais gordos e feios, e os últimos a perderem a virgindade de fato) afirmando que iriam comer a bunda dos coleguinhas.

lesbicas_beijo.jpgPor fim, que beleza há a ser contemplada em uma reunião de machos com outros machos (perto de 98% da população, o que significa que é galalau demais se esfregando em espaço de menos nessa tertúlia hirsuta) para discutir como são machos? Acaso estes sensacionais machões medievais fogem espavoridos, imitando o trote de gazelas saltitantes, ao verem o maior monumento à beleza que a Civilização (com C maiúsculo) legou ao mundo: a pornografia lésbica?! Preferem tanto assim a agremiação de machos, carimbando-os com o "OH" (ouço agora o que caracteriza o movimento?) no braço para mais fácil identificação? Afinal, há algum motivo para se preocupar tanto com as pregas alheias, senão a vontade refreada de cuidar ele próprio febrilmente de sua manutenção?

Reclama o deputado evangélico que "a sociedade" (sempre ela! vamos botá-la na cadeia!) incentiva o comportamento homossexual. Pois podem me incentivar a comer cocô por cerca de um século - dificilmente aceitarei sequer experimentar. Se há uma preocupação pro domo sua da parte do deputado em tal "incentivo", é porque o deputado está com medo de, durante a cogitação da hipótese, acabar descobrindo o quanto gosta de uma jeba com mais de 1/5 de metro de comprimento e calibre .80 de espessura. É a visão de que o caboclo, em estado natural, teria vontade de tudo, e apenas "a sociedade" é que refreia seus instintos mais bárbaros. Pergunto então ao cível deputado: e de dar uma meia hora de bunda, Vossa Excelência já sentiu vontade?

Ser hétero é fácil. Difícil é não ter uma piromba de proporções diminutas. Responda honestamente o leitor se o Orgulho Hétero e seu esforço sobre-humano para continuar sendo hétero não é linguagem própria de quem está desesperado para, às escondidas, entubar violentamente um mastruço incandescente e pulsante de veias azuis daqui a no máximo 30 minutos?