domingo, 16 de janeiro de 2011

Os 5 vídeos mais engraçados do Youtube

Sempre tentam me fazer rir com a nova piadinha do momento. Quase sempre fracassam miseravelmente. Do quinto à chave de ouro do primeiro, aqui vão 5 vídeos que já conheço, mas vejo e revejo e sempre dou novas risadas com a mesma palhaçada:








Menção honrosa: Acabei lembrando dessa pérola no meio da madrugada. E pensar que isso foi há uns bons 3 anos...



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O único horóscopo que COMPROVADAMENTE dá certo!

O caralho tá comendo solto no Twitter devido à notícia mais importante da Humanidade desde a descoberta de que as ostras são comestíveis: nosso horóscopo está errado. Além de, de repente, termos de mudar de signo, novos signos entraram na parada.

Finalmente houve uma prova documental de que signos não funcionam.

Das duas, uma:

a) ou é retardismo tudo aquilo em que acreditamos debilmente como putas virgens, sendo engabelados por charlatães incapazes de definir se 2πr é comprimento da circunferência ou área do círculo, mas que nos cobraram caríssimo, com esgares danbrownianos, para explicar como as trajetórias elípticas da lua, de Urano e das enchentes em Teresópolis definem nosso caráter;

b) ou eles estavam corretíssimos, ao contrário de todos esses adolescentes céticos leitores de Richard Dawkins, e como estavam com dados errados, tudo o que falaram não valeu mais do que um exame de fezes do eliminado no primeiro paredão do BBB de 2004.

Não há escapatória. Assim como não há horoscófilo com destreza para operar um compasso na arte de fazer círculos perfeitos, e assim como foi o único ramo do "saber" humano desprovido de discussões grosso calibre entre seus concorrentes (nem a religião conseguiu essa façanha), também foi a única área em que as subdivisões nunca se degladiaram entre si até a morte, por meio de guerras, atentados e perseguição estatal. Misteriosamente, para estes, tudo funciona, sem nem uma áreazinha ter gosto um pouquinho mais discutível, como runas nórdicas ou búzios, I ching ou borra de café.

Isso nos leva novamente a a uma situação tertium non datur: ou o mais estudioso dos místicos astrológicos tem um conhecimento bem pouco discernível dos charlatães da pracinha, ou seu conhecimento se sustenta tanto quanto gelatina em terremoto.

Puta cá que nos pariu a todos, por que não reclamaram disso antes, quando Plutão deixou de ser planeta pra virar um júnior? Por que não foderam com o horóscopo de vez quando o próprio sistema solar mudou?! Por que só uma movimentaçãozinha da Terra é que faz com que tenhamos de enfiar décadas de astrologia no olho do cu de uma vez e sem vaselina?! Por que todos os astros desse Universo estão tão preocupados em mandar suas energias e influências cósmicas para os animais do planetinha azul?!

Mas agora tudo isso é posto às claras: mesmo se admitirmos com a maior parcimônia o lado dos que gritam "Capricórnio! Libra!" com o mesmo poder de fogo de quem se define gritando "Hadouken!", ainda assim seu conhecimento estava errado. Ou, no mínimo, teria se deslocado tanto que sua previsão para Peixes caiu em Sagitário, e a sua para Leão virou um tal de Serpentário.

Modus operandi

Ora, todos sabemos como funcionam essas definições por signo. Aponta-se um rol de 4 ou 5 adjetivos absolutamente vagos e etéreos que a maioria das pessoas adoraria que fossem atribuídos por todos os outros a elas, e ela imediatamente concordará. E, começando a "estudar" os Arcanos Maiores e Menores, rapidamente estará dizendo que aquarianos são objetivos, que capricornianos se entusiasmam com idéias novas, mas as largam nos últimos momentos, ou que cancerianos morrem carecas na última cena do filme. As definições às vezes ultrapassam demais as raias da insolência, como considerar que taurinos possuem muita força de vontade para aumentar o ânimo geral do grupo, mas se dispersa do grupo assim que atinge seu objetivo, o que me faz pensar se os taurinos são a cúpula do PT, e a turma do Dirceu é composta inteiramente por imaculados virginianos.

Imediatamente, a confraria dos pascácios, compenetrada no exame não da psyché, mas da própria alma humana, usará três exemplos, no trabalho e na família, de pessoas que se comportam conforme esses ditames. Ora, minhas caras antinhas, já consideraram que, da sua lista de 120 amigos no Facebook, ao menos 10 pessoas completamente diferentes estão sob auspícios da influência astral do mesmo signo, e selecionar, deste corpus, quem você acha que se encaixa nas suas definições vira mais fácil que tirar doce de uma formiga? E se não bater com o signo, culpam o ascendente. Ou o ano astral. Ou as 5 casas em fogo. Ou a lua negra em Marte, Urano na casa 7 e Vênus na casa do caralho.

Além do problema dos próprios astros (suponhamos, por exemplo, que Vênus na casa do caralho seja responsável pelos surtos populacionais que a humanidade sofre, de tempos em tempos), também ignora-se o problema do método para se entender tais influências. E, curiosamente, os pacóvios que acreditam em um tipo de astrologia (seja do Metrô News ou do Portal Terra) estão sempre predispostas a acreditar em uma putada de outras. E o que nos faz repisar o problema de alguém acreditar em tarô, e também em quiromancia, runas, búzios, orixás, duendes, elfos, papai noel e psicanálise - nunca uma discussão de métodos, nunca um meio termo, nunca um "acredito num só", nunca uma salutar briguinha interna em fóruns da internet.

Mas eu vos apresento a solução para todos os vossos problemas.

O único horóscopo que COMPROVADAMENTE dá certo!

Ora, essa de 12 signos está se provando complicada. A terra não demora exatamente 365 dias de 24 exatas fucking horas para dar sua volta pelo Sol. E depois de passarem uns anos, em que corrigimos o calendário, percebemos que devemos pegar todas as rotas de colisão de signos antes disso, enrolar bem e enfiar. Se nem computadores conseguem calcular direito rotas de asteróides, é paunocuzismo do mais fanático acreditar que a Susan Miller ou a Mãe Dinah conseguem descobrir se você vai abandonar seus amigos com isso.

Mas os místicos, aqueles desesperados para acreditar em alguma bobagem qualquer, não precisam se desesperar: ainda há um horóscopo que demonstra que, se os astros exercem influência no caráter e destino do indivíduo, essa ciência pode ser conhecida pela humanidade. O horóscopo chinês.

Nunca havia compreendido qual a porra do sentido de um horóscopo cujos signos são apenas os anos de nascimento. Todo mundo que nasce num ano é rato, depois galo, depois perereca, depois bicho do pé, depois mosca varejeira e depois o Capitão Planeta. Mas resolvi o mistério.

Todo mundo que nasceu no mesmo ano que eu sofreu as mesmas influências cósmicas: vimos o Muro de Berlim cair e, de tanto que ouvíamos falar em Alemanha, achávamos que era uma espécie de lugar para onde as pessoas boas iam depois que morriam. Tínhamos medo do Saddam. Assistíamos Jaspion. Nos assustamos com Freddy Krueger. Vibramos de emoção na última luta do Último Dragão Branco, embora ninguém acreditasse que ele perderia mais do que uns dentes no final.

Isso sim moldou nossa personalidade. Pode perguntar para todo mundo que é do signo de rato se não são parecidos. Se não sofrem dos mesmos problemas com trabalho (porque começaram a trabalhar no mesmo ano), com amor (porque se apaixonaram todos pela mesma gatinha ruiva que aos 13 anos manipulava mais jebas que urologista de penitenciária) e tiveram de enfrentar os mesmos períodos de crise (que fez com que só os mais abastados comprassem logo o Mega Drive, deixando para os fodidos o glorioso espólio de ter um muito superior Super Nintendo 2 anos depois).

Fale a verdade: quantas pessoas você conhece de Escorpião, Aquário ou Áries que compartilham tão bem das mesmas características de signos? Sigam os chineses e leiam seu horóscopo. É garantidamente mais funcional do que esperar uma definição de signos mela-cueca de quem não sabe o que é um astrolábio.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

3 motivos para se ler Michel Houellebecq

— Tenho como pagar uma puta por semana. Sábado à noite, seria ótimo. Talvez eu acabe por fazer isso. Mas sei que alguns homens podem ter a mesma coisa gratuitamente, e além disso com amor. Prefiro tentar. Por ora, prefiro tentar.

Não pude, claramente, responder-lhe nada, mas voltei pro hotel bastante pensativo. Realmente, eu me dizia, em nossas sociedades o sexo representa, clara e abertamente, um segundo sistema de diferenciação, completamente independente do dinheiro; e se comporta como um sistema de diferenciação no mínimo tão impiedoso quanto o outro. Os efeitos desses dois sistemas são, de resto, estritamente equivalentes. Assim como o liberalismo econômico sem freios, e por razões análogas, o liberalismo sexual produz fenômenos de pauperização absoluta. Alguns transam todos os dias; outros, cinco ou seis vezes na vida, ou nunca. Alguns transam com dezenas de mulheres; outros, com nenhuma. É isso que se chama de 'lei de mercado'.

Num sistema econômico em que a demissão é proibida, cada um consegue, de um jeito ou de outro, encontrar o seu lugar. No sistema sexual em que o adultério é proibido, cada um consegue, mal ou bem, encontrar o seu parceiro de cama. Num sistema econômico totalmente liberal, alguns acumulam fortunas consideráveis; outros chafurdam no desemprego e na miséria. Num sistema sexual totalmente liberal, alguns têm uma vida erótica variada e excitante, enquanto outros estão reduzidos à masturbação e à solidão. O liberalismo econômico é a extensão do domínio da luta, a sua extensão a todas as idades da vida e a todas as classes da sociedade. No plano econômico, Raphaël Tisserand pertence ao campo dos vencedores; no plano sexual, ao dos vencidos. Alguns ganham nos dois campos; outros, perdem em ambos. As empresas disputam alguns jovens diplomados; as mulheres alguns rapazes; os homens disputam algumas garotas; a confusão e a agitação são enormes."


(A Extensão do Domínio da Luta, 1994)


O aperitivo, o momento de convivência do dia no Espaço de Recreação, estava amenizado com um pouco de música. Essa tarde, três tipos tocavam o tam tam para uns cinqüenta presentes que se mexiam agitando os braços em todas as direções. De certo se tratava de danças da colheita, que se haviam praticado em algumas oficinas de danças africanas. Quase sempre, ao cabo de algumas horas, alguns participantes caíam ou fingiam cair em um estado de transe. Em sentido literário ou obsoleto, o transe designa uma inquietude muito profunda, o medo ante a idéia de um perigo iminente. "Prefiro jogar a chave por debaixo da porta antes de seguir vivendo transes semelhantes" (Emile Zola).

Bruno ofereceu um copo de vinho de Charentes à católica. "Como te chamas?", perguntou. "Sophie", respondeu ela. "Não danças?", perguntou ele. "Não", respondeu ela, "As danças africanas não são as minhas preferidas, são demasiado..." Demasiado o quê? Ele compreendia o seu problema. Demasiado primitivas? Claro que não. Demasiado rítmicas? Já estava quase no limite do racismo. Era óbvio que não se podia dizer nada sobre aquelas porcarias de danças africanas.

Pobre Sophie, que queria fazer o melhor possível. Tinha uma cara bonita, com seu cabelo negro, seus olhos azuis e sua pele tão branca. Devia ter uns peitos pequenos, porém muito sensíveis. Devia ser bretã.

"És bretã?" perguntou. "Sim, de Saint Brieuc!", respondeu ela, alegremente. "Mas adoro as danças brasieiras...", emendou, evidentemente para se perdoar por não apreciar as danças africanas.

Isso bastou para exasperar Bruno. Já estava farto daquela estúpida mania pró brasileira. Por que o Brasil? Pelo que ele sabia, o Brasil era um país de merda, povoado por brutos fanáticos por futebol e corridas de carros. A violência, a corrupção e a miséria chegavam ao céu. Se havia um páis odioso era precisa e especificamente o Brasil.

"Sophie", exclamou Bruno com arrebatação, "Poderia ir de férias ao Brasil. Passearia entre as favelas, em um ônibus blindado. Observaria os pequenos assassinos de oito anos, que sonham em chegar a chefes; as pequenas putas que morrem de AIDS aos treze anos. Não teria medo, porque a blindagem me protegeria. Isso, pelas manhãs; às tardes iria à praia entre riquíssimos traficantes de drogas e gigolôs. Em meio a essa vida desordenada, no meio de tanta urgência, esqueceria a melancolia do homeme ocidental. Sophie, tens razão: assim que voltar, vou pedir informação em uma agência da Nouvelles Frontières."

Sophie se virou olhando com cara pensativa e um vinco de preocupção na fronte. "Deves ter sofrido muito", disse ao final, com tristeza.

"Sophie", voltou a exclamar Bruno, "Sabe o que Nietzsche escreveu sobre Shakespeare? 'O que esse homem teve de sofrer para ter a necessidade de bancar o palhaço! Shakespeare sempre me pareceu um autor hipervalorizado; mas ainda assim, um palhaço notável'." Se interrompeu e e se deu conta com assombro de que estava começando a sofrer de verdade.

As mulheres, às vezes, eram tão amáveis... contestavam a agressividade com compreensão, o cinismo com doçura. Que homem se portaria assim? "Sophie, eu quero chupar a tua xoxota...", disse com emoção; mas desta vez ela não lhe olhou. Havia se voltado ao monitor de esqui que esfregou sua bunda três dias antes e havia começando a conversar com ele.

Bruno ficou desconcertado alguns segundos; logo cruzou de novo o gramado em direção ao apartamento.


(Partículas Elementares, 1998)


"Passei meu último dia de licença em diversas agências de viagem. Gostava dos folhetos de férias, sua abstração, seu modo de reduzir os lugares do mundo a uma seqüência limitada de felicidades possíveis e de tarifas; apreciava em especial o sistema de estrelas, para indicar a intensidade da felicidade que se podia esperar. Eu não era feliz, mas apreciava a felicidade e continuava a pretendê-la. Segundo o modelo de Marshall, o comprador é um indivíduo que procura maximizar a sua satisfação em relação ao preço; o modelo de Veblen, ao contrário, analisa a influência do grupo no processo da compra (avaliando se o indivíduo deseja se identificar com ele ou então afastar-se). O modelo de Copeland demonstra que o processo de compra é diferente segundo a categoria produto/serviço (compra habitual, compra refletida, compra especializada); já o modelo Baudrillard-Becker considera que consumir é também produzir signos. No fundo, eu me sentia mais proximo do modelo de Marshall."


(Plataforma, 2001)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Palavrões essenciais da língua alemã

(dedicado á Bárbara Magalhães, a essa hora sofrendo com loucos na Marieplatz)

Tenho uma teoria simples para o poliglotismo: a primeira expressão idiomática que você deve aprender em uma língua é "foda-se". Para que perder um precioso tempo de estudos, mais sabiamente aproveitado lendo os clássicos ou masturbando-se feito um chimpanzé, se tudo pode ser resumido a um belo e glorioso foda-se?

Não precisa aprender a dizer "obrigado". Pegue seu presente e diga: foda-se. Não se complique com "desculpe-me", ou "perdão". Pise no pé de todo mundo e apenas rilhe: foda-se. O melhor ainda é passar ordens às carrancas: exija, e quando olharem a espera de um "por favor', vocifere: FODA-SE.

Não gostou da minha teoria? Foda-se, também.

Mas chega um momento na vida do cidadão em que ele vai querer agregar valor ao seu léxico. Por que dizer apenas pau, quando se pode chamar a uma caralha adulta, em possível atividade intracicladiana, de manjoula, bironga, trosoba, jonjolo, saroba, jumelo ou piromba?

Para ajudar meus amiguinhos germanistas, segue uma compilação de um bom vocabulário para se ter na ponta da língua quando estiver na Oktoberfest em Münsch. Assim, quem sabe, você possa surpreender alguém além de si próprio por só saber falar "Scheiße", e achar que tá falando grego por isso.

Wortschatz

Arschloch = O Arsch compreende duas partes: as bochechas e o buraco, que visto de longe se parece com um asterisco ( * ). Arschloch é uma coisa que todo mundo tem e usa diariamente, seja em qual direção e sentido vetorial for. Diz a sabedoria popular brasileira, aliás, que quem o tem, tem medo.

Dumpfbacke = é como "dumb-ass", em inglês. E em português, também.

Fettarsch = literalmente, "fat ass".

Oberarsch = um "grande ass"! Não sei se isso existe em inglês, mas usamos a expressão em português com o mesmo sentido para nos referir a um idiotão.

Herunterholen = palavra mais "imprópria" para masturbação masculina.

Kacke = o equivalente a "merda" (bem sonoro, não?). O verbo é kacken.

Fotze, Pflaume, Scham (Schamlippe = os lábios), Scheide (mais "família"), Muschi = palavrões para as coisas que as mulheres mais escondem - o último, apesar de também ser bem ofensivo, pode ser mais usado em abordagens de carinho entre duas pessoas que se amam e praticam movimentos retilíneos uniformemente variados estando bem casados pela Igreja Católica.

pissen, pinkeln = fazer pipi. O substantivo é Pisse.

Schleimer = capacho, puxa-saco (algo como "lambedor"). Um dos piores xingamentos possíveis na língua (com o perdão do trocadalho).

Puff = um puteiro. A cafetina é Puffmutter.

Schwanz, Steife, Pimmel = nomes para as coisas balangantes masculinas. Bizarramente, o primeiro significa "rabo".

Schwanzlutscher = um belo "sucker" de Schwanz. (Estranhamente, este o Word reconheceu rapidinho, sem nem mesmo ser necessário indicar que era alemão!). Também pode ser só Lutscher.

Titten = forma menos científica pra "seios".

Dirne, Hure, Nutte, Stricherin, Strichmädchen, Weibstück = mulher da vida, com experiência comprovada. Não em carteira. Um termo bom para usar naqueles momentos perversos da vida à deux é Flittchen, que já está devidamente no diminutivo.

Stricher, Strichjunge = versão masculina dessa coisa acima.

Hurensohn = filho de Hure, Hure-filho é.

Zwitter = Hermafrodita.

Zwitterhaft = algo próximo de "andrógeno".

Fick dich = imperativo categórico de Kant.

Schlampe = algo bem próximo de "rampeira".

verpiss dich = apesar do "piss" ser algo explicado, funciona mais como um "fuck off".

Hau Ab! = funciona do mesmo jeito.

Schwuler = termo ofensivo pra gay.

geh fick deine Mutter = "vá fazer com tua mãe o que teu pai fez com ela". Algo como o nosso VPPQP!!

wichser, sich abzapfen, spritzer = verbos de secreção que são o objetivo final de nos esfregarmos em quem amamos.

Frühspritzer = fazer spritzer cedo, muito rápido - id est, ejaculador precoce.

Abschaum, Samen, Samenflüssigkeit = Alguns dizem que "fazem amor". Se se referem a essa coisinha branca aqui, eu conheço outro nome...

After = Cuidado!! Não é "depois", é "ânus"! Bem, de certa forma, é "depois", mesmo.

Sack = é MESMO necessário traduzir isso?!

Er geht mir auf den Sack = praticamente um "Ele é um pé no saco!"

Hoden, Eier = testículos - o último, literalmente, "ovos". Acho que Hodensack também é necessário, quando você precisa guardá-los em algum lugar.

Mutterficker = ah, você pegou a idéia!

sábado, 8 de janeiro de 2011

What the ESTROVENGA is "mais-valia"?!

„Eines ist sicher (was mich betrifft), ich bin kein Marxist." - Karl Marx

É consabido, entre o público bem-versado e que lê os clássicos, que ao percentual de marxistas que já leram Marx é comparável ao número de pensadores que entenderam o marxismo e o combatem. Neste ponto, é preferível discutir com crentes, que podem não compreender, mas ao menos vivem com uma Bíblia protegida no sovaco. Os marxistas são talmudistas sem Torá.

Mas, num mundo hipotético em que marxistas tivessem contato com suas próprias teorias, ao invés de apenas resumi-las na base do "existem pobres porque ricos roubam o seu dinheiro através do trabalho em fábricas insalubres", alguém já teria reclamado da esquisitíssima tradução do termo mais fundamental da sua filosofia: „Mehrwert". Como assim, "mais-valia"?!

Etimologicamente falando, "mais-valia" não faz o menor sentido. Aquela piadinha escrota, do "mais valia não ter perdido meu tempo", que só perde em infâmia para "é pavê ou pra comer?", consegue fazer certo sentido. 2 séculos estudando a tal teoria e ninguém para ao menos reclamar dessa tradução?

marx_noel.jpgNitidamente, a tradução foi feita por algum português. A quantidade de pessoas no Brasil capazes de compreender uma frase com "valia" sem a função de pretérito imperfeito, e ainda saber qual a função morfológica que a transforma em substantivo, pode acabar não lotando uma kombi. "São minhas valias" é uma frase pouco freqüentada até na obra de um José de Alencar. Mas a coisa beira a delinqüência junto deste "mais". Mais o quê?! Poderia ser um intrincado jogo de palavras do orignal alemão, língua por si já bastante caleidoscópica, que atinge patamares de desgraça e estilística pantragruélica na pena marxista. Ledo engodo.

Ora, palavra original é „Mehrwert". Literalmente, "valor de mais". Não "valor demais", e sim "valor de mais". "Do mais", ou como preferir. A expressão também soa um pouco feiosa e capenguenta no original, mas o método de aglutinação da língua alemã dá uma disfarçada (embora seja realmente incomum fazê-lo com advérbios substantivados).

Marx_home.jpgMas por que diabos traduzir ao pé da letra, na ordem da língua alemã? Por que "mais-valia"? O alemão sempre tem mais peso na última palavra das aglutinações (tanto que elas é que definem o gênero: „die Telefonnummer" é feminina, embora Telefon" seja neutra). O alemão, como o inglês, coloca os adjetivos antes dos substantivos (obrigatoriamente), e ainda por cima, ao contrário do inglês (e do português), tende a deixar o verbo no final da sentença (mandatário, no caso de infinitivos), o que deixa as frases com mais peso e valor em suas últimas palavras.

O português faz exatamente o contrário. As palavras importantes tendem a ficar no começo das frases, mesmo compostas, ou em orações coordenadas. Ninguém traduziria "bus stup" como "ônbus parada", que soaria como um ônibus parado grafado porcamente, e não um ponto de ônibus. Mas da "mais-valia" não reclamaram até hoje - apenas sugeriram outra porquice, "mais-valor", que só resolve o menor dos problemas (o léxico vetusto).

O que Marx quis dizer é que o capitalista lucraria com valor agregado à mercadoria pelo trabalho. O preço final de compra contaria com o custo da(s) mercadoria(s) em matéria-prima e os gastos com o trabalhador (salário etc), e mais uma quantia, chamada „Mehrwert". Ou seja, o valor que fica a mais no preço (não só em valor pecuniário), que iria para o bolso apenas do capitalista. Um valor de mais, um valor além do trabalho.

marx - museum of communism 2.jpgTraduzir essa palavra composta como "mais-valia" só pode ter sido coisa de algum português burguês e, no máximo, da esquerda festiva. A palavra nunca fará o menor sentido, nem mesmo ajudando, com sintaxe espatifada, a teoria marxista. Dá a impressão de que mais-valia é um valor a mais do que o preço da própria mercadoria. Algo, assim, como uma espécie de liquidação invertida. Coisa que hoje só se faz se mancomunando justamente com o governo. Que tal entender a palavra e sugerir algo que sirva para se entender a teoria, como "valor de sobra", ou "sobrevalor" (além do trabalho), se se quer manter a ordem original, embora neste caso se caia de novo em uma provável polissemântica involuntária?

É doloroso aos olhos e ouvidos que, se Carlos Marques fosse português, a despeito de toda a sua malversação com a língua (a ponto de se orgulhar de recitar versos em grego para assustar seus coleguinhas comunistas, mas ter morado 35 anos em Londres e escrever missivas num inglês de doer nas entranhas dos manos do Bronx), pudesse ter inventado o termo "mais-valia". Tal qual sua própria teoria, essa tradução quer dar ares científicos ao que é simplesmente pedantismo de um maniqueísmo dos mais chumbrecas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Mensagem (Heinrich Heine)

Die Botschaft


Mein Knecht! steh auf und sattle schnell,
Und wirf dich auf dein Roß,
Und jage rasch durch Wald und Feld
Nach König Dunkans Schloß.

Dort schleich dich in den Stall, und wart,
Bis dich der Stallbub schaut.
Den forsch mir aus: Sprich, welche ist
Von Dunkans Töchtern Braut?

Und spricht der Bub: "Die Braune ist's",
So bring mir schnell die Mär.
Doch spricht der Bub: "Die Blonde ist's",
So eilt das nicht so sehr.

Dann geh zum Meister Seiler hin,
Und kauf mir einen Strick,
Und reite langsam, sprich kein Wort,
Und bring mir den zurück.

(Heinrich Heine)



A mensagem

Ergue-te, pajem, ligeiro,
Atira-te a teu corcel,
E vai, por campos e matas,
Ao solar do rei Miguel.

Espera na estrebaria
O empregadinho chegar,
Pergunta então: - "Qual das filhas
Do rei Miguel, vai casar?"

Se responder: - "A morena",
Traze a nova num momento.
Se disser, porém: - "A loura",
Podes ser um pouco lento;

Procura o mestre cordoeiro,
Compra uma corda bem forte,
Vem devagar e, calado,
Dá-me o instrumento da morte!

(tradução de Zuleika Lintz.)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Os 5 vídeos mais engraçados do Youtube


Sempre tentam me fazer rir com a nova piadinha do momento. Quase sempre fracassam miseravelmente. Do quinto à chave de ouro do primeiro, aqui vão 5 vídeos que já conheço, mas vejo e revejo e sempre dou novas risadas com a mesma palhaçada:








Menção honrosa: Acabei lembrando dessa pérola no meio da madrugada. E pensar que isso foi há uns bons 3 anos...



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O único horóscopo que COMPROVADAMENTE dá certo!


O caralho tá comendo solto no Twitter devido à notícia mais importante da Humanidade desde a descoberta de que as ostras são comestíveis: nosso horóscopo está errado. Além de, de repente, termos de mudar de signo, novos signos entraram na parada.

Finalmente houve uma prova documental de que signos não funcionam.

Das duas, uma:

a) ou é retardismo tudo aquilo em que acreditamos debilmente como putas virgens, sendo engabelados por charlatães incapazes de definir se 2πr é comprimento da circunferência ou área do círculo, mas que nos cobraram caríssimo, com esgares danbrownianos, para explicar como as trajetórias elípticas da lua, de Urano e das enchentes em Teresópolis definem nosso caráter;

b) ou eles estavam corretíssimos, ao contrário de todos esses adolescentes céticos leitores de Richard Dawkins, e como estavam com dados errados, tudo o que falaram não valeu mais do que um exame de fezes do eliminado no primeiro paredão do BBB de 2004.

Não há escapatória. Assim como não há horoscófilo com destreza para operar um compasso na arte de fazer círculos perfeitos, e assim como foi o único ramo do "saber" humano desprovido de discussões grosso calibre entre seus concorrentes (nem a religião conseguiu essa façanha), também foi a única área em que as subdivisões nunca se degladiaram entre si até a morte, por meio de guerras, atentados e perseguição estatal. Misteriosamente, para estes, tudo funciona, sem nem uma áreazinha ter gosto um pouquinho mais discutível, como runas nórdicas ou búzios, I ching ou borra de café.

Isso nos leva novamente a a uma situação tertium non datur: ou o mais estudioso dos místicos astrológicos tem um conhecimento bem pouco discernível dos charlatães da pracinha, ou seu conhecimento se sustenta tanto quanto gelatina em terremoto.

Puta cá que nos pariu a todos, por que não reclamaram disso antes, quando Plutão deixou de ser planeta pra virar um júnior? Por que não foderam com o horóscopo de vez quando o próprio sistema solar mudou?! Por que só uma movimentaçãozinha da Terra é que faz com que tenhamos de enfiar décadas de astrologia no olho do cu de uma vez e sem vaselina?! Por que todos os astros desse Universo estão tão preocupados em mandar suas energias e influências cósmicas para os animais do planetinha azul?!

Mas agora tudo isso é posto às claras: mesmo se admitirmos com a maior parcimônia o lado dos que gritam "Capricórnio! Libra!" com o mesmo poder de fogo de quem se define gritando "Hadouken!", ainda assim seu conhecimento estava errado. Ou, no mínimo, teria se deslocado tanto que sua previsão para Peixes caiu em Sagitário, e a sua para Leão virou um tal de Serpentário.

Modus operandi

Ora, todos sabemos como funcionam essas definições por signo. Aponta-se um rol de 4 ou 5 adjetivos absolutamente vagos e etéreos que a maioria das pessoas adoraria que fossem atribuídos por todos os outros a elas, e ela imediatamente concordará. E, começando a "estudar" os Arcanos Maiores e Menores, rapidamente estará dizendo que aquarianos são objetivos, que capricornianos se entusiasmam com idéias novas, mas as largam nos últimos momentos, ou que cancerianos morrem carecas na última cena do filme. As definições às vezes ultrapassam demais as raias da insolência, como considerar que taurinos possuem muita força de vontade para aumentar o ânimo geral do grupo, mas se dispersa do grupo assim que atinge seu objetivo, o que me faz pensar se os taurinos são a cúpula do PT, e a turma do Dirceu é composta inteiramente por imaculados virginianos.

Imediatamente, a confraria dos pascácios, compenetrada no exame não da psyché, mas da própria alma humana, usará três exemplos, no trabalho e na família, de pessoas que se comportam conforme esses ditames. Ora, minhas caras antinhas, já consideraram que, da sua lista de 120 amigos no Facebook, ao menos 10 pessoas completamente diferentes estão sob auspícios da influência astral do mesmo signo, e selecionar, deste corpus, quem você acha que se encaixa nas suas definições vira mais fácil que tirar doce de uma formiga? E se não bater com o signo, culpam o ascendente. Ou o ano astral. Ou as 5 casas em fogo. Ou a lua negra em Marte, Urano na casa 7 e Vênus na casa do caralho.

Além do problema dos próprios astros (suponhamos, por exemplo, que Vênus na casa do caralho seja responsável pelos surtos populacionais que a humanidade sofre, de tempos em tempos), também ignora-se o problema do método para se entender tais influências. E, curiosamente, os pacóvios que acreditam em um tipo de astrologia (seja do Metrô News ou do Portal Terra) estão sempre predispostas a acreditar em uma putada de outras. E o que nos faz repisar o problema de alguém acreditar em tarô, e também em quiromancia, runas, búzios, orixás, duendes, elfos, papai noel e psicanálise - nunca uma discussão de métodos, nunca um meio termo, nunca um "acredito num só", nunca uma salutar briguinha interna em fóruns da internet.

Mas eu vos apresento a solução para todos os vossos problemas.

O único horóscopo que COMPROVADAMENTE dá certo!

Ora, essa de 12 signos está se provando complicada. A terra não demora exatamente 365 dias de 24 exatas fucking horas para dar sua volta pelo Sol. E depois de passarem uns anos, em que corrigimos o calendário, percebemos que devemos pegar todas as rotas de colisão de signos antes disso, enrolar bem e enfiar. Se nem computadores conseguem calcular direito rotas de asteróides, é paunocuzismo do mais fanático acreditar que a Susan Miller ou a Mãe Dinah conseguem descobrir se você vai abandonar seus amigos com isso.

Mas os místicos, aqueles desesperados para acreditar em alguma bobagem qualquer, não precisam se desesperar: ainda há um horóscopo que demonstra que, se os astros exercem influência no caráter e destino do indivíduo, essa ciência pode ser conhecida pela humanidade. O horóscopo chinês.

Nunca havia compreendido qual a porra do sentido de um horóscopo cujos signos são apenas os anos de nascimento. Todo mundo que nasce num ano é rato, depois galo, depois perereca, depois bicho do pé, depois mosca varejeira e depois o Capitão Planeta. Mas resolvi o mistério.

Todo mundo que nasceu no mesmo ano que eu sofreu as mesmas influências cósmicas: vimos o Muro de Berlim cair e, de tanto que ouvíamos falar em Alemanha, achávamos que era uma espécie de lugar para onde as pessoas boas iam depois que morriam. Tínhamos medo do Saddam. Assistíamos Jaspion. Nos assustamos com Freddy Krueger. Vibramos de emoção na última luta do Último Dragão Branco, embora ninguém acreditasse que ele perderia mais do que uns dentes no final.

Isso sim moldou nossa personalidade. Pode perguntar para todo mundo que é do signo de rato se não são parecidos. Se não sofrem dos mesmos problemas com trabalho (porque começaram a trabalhar no mesmo ano), com amor (porque se apaixonaram todos pela mesma gatinha ruiva que aos 13 anos manipulava mais jebas que urologista de penitenciária) e tiveram de enfrentar os mesmos períodos de crise (que fez com que só os mais abastados comprassem logo o Mega Drive, deixando para os fodidos o glorioso espólio de ter um muito superior Super Nintendo 2 anos depois).

Fale a verdade: quantas pessoas você conhece de Escorpião, Aquário ou Áries que compartilham tão bem das mesmas características de signos? Sigam os chineses e leiam seu horóscopo. É garantidamente mais funcional do que esperar uma definição de signos mela-cueca de quem não sabe o que é um astrolábio.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

3 motivos para se ler Michel Houellebecq


— Tenho como pagar uma puta por semana. Sábado à noite, seria ótimo. Talvez eu acabe por fazer isso. Mas sei que alguns homens podem ter a mesma coisa gratuitamente, e além disso com amor. Prefiro tentar. Por ora, prefiro tentar.

Não pude, claramente, responder-lhe nada, mas voltei pro hotel bastante pensativo. Realmente, eu me dizia, em nossas sociedades o sexo representa, clara e abertamente, um segundo sistema de diferenciação, completamente independente do dinheiro; e se comporta como um sistema de diferenciação no mínimo tão impiedoso quanto o outro. Os efeitos desses dois sistemas são, de resto, estritamente equivalentes. Assim como o liberalismo econômico sem freios, e por razões análogas, o liberalismo sexual produz fenômenos de pauperização absoluta. Alguns transam todos os dias; outros, cinco ou seis vezes na vida, ou nunca. Alguns transam com dezenas de mulheres; outros, com nenhuma. É isso que se chama de 'lei de mercado'.

Num sistema econômico em que a demissão é proibida, cada um consegue, de um jeito ou de outro, encontrar o seu lugar. No sistema sexual em que o adultério é proibido, cada um consegue, mal ou bem, encontrar o seu parceiro de cama. Num sistema econômico totalmente liberal, alguns acumulam fortunas consideráveis; outros chafurdam no desemprego e na miséria. Num sistema sexual totalmente liberal, alguns têm uma vida erótica variada e excitante, enquanto outros estão reduzidos à masturbação e à solidão. O liberalismo econômico é a extensão do domínio da luta, a sua extensão a todas as idades da vida e a todas as classes da sociedade. No plano econômico, Raphaël Tisserand pertence ao campo dos vencedores; no plano sexual, ao dos vencidos. Alguns ganham nos dois campos; outros, perdem em ambos. As empresas disputam alguns jovens diplomados; as mulheres alguns rapazes; os homens disputam algumas garotas; a confusão e a agitação são enormes."


(A Extensão do Domínio da Luta, 1994)


O aperitivo, o momento de convivência do dia no Espaço de Recreação, estava amenizado com um pouco de música. Essa tarde, três tipos tocavam o tam tam para uns cinqüenta presentes que se mexiam agitando os braços em todas as direções. De certo se tratava de danças da colheita, que se haviam praticado em algumas oficinas de danças africanas. Quase sempre, ao cabo de algumas horas, alguns participantes caíam ou fingiam cair em um estado de transe. Em sentido literário ou obsoleto, o transe designa uma inquietude muito profunda, o medo ante a idéia de um perigo iminente. "Prefiro jogar a chave por debaixo da porta antes de seguir vivendo transes semelhantes" (Emile Zola).

Bruno ofereceu um copo de vinho de Charentes à católica. "Como te chamas?", perguntou. "Sophie", respondeu ela. "Não danças?", perguntou ele. "Não", respondeu ela, "As danças africanas não são as minhas preferidas, são demasiado..." Demasiado o quê? Ele compreendia o seu problema. Demasiado primitivas? Claro que não. Demasiado rítmicas? Já estava quase no limite do racismo. Era óbvio que não se podia dizer nada sobre aquelas porcarias de danças africanas.

Pobre Sophie, que queria fazer o melhor possível. Tinha uma cara bonita, com seu cabelo negro, seus olhos azuis e sua pele tão branca. Devia ter uns peitos pequenos, porém muito sensíveis. Devia ser bretã.

"És bretã?" perguntou. "Sim, de Saint Brieuc!", respondeu ela, alegremente. "Mas adoro as danças brasieiras...", emendou, evidentemente para se perdoar por não apreciar as danças africanas.

Isso bastou para exasperar Bruno. Já estava farto daquela estúpida mania pró brasileira. Por que o Brasil? Pelo que ele sabia, o Brasil era um país de merda, povoado por brutos fanáticos por futebol e corridas de carros. A violência, a corrupção e a miséria chegavam ao céu. Se havia um páis odioso era precisa e especificamente o Brasil.

"Sophie", exclamou Bruno com arrebatação, "Poderia ir de férias ao Brasil. Passearia entre as favelas, em um ônibus blindado. Observaria os pequenos assassinos de oito anos, que sonham em chegar a chefes; as pequenas putas que morrem de AIDS aos treze anos. Não teria medo, porque a blindagem me protegeria. Isso, pelas manhãs; às tardes iria à praia entre riquíssimos traficantes de drogas e gigolôs. Em meio a essa vida desordenada, no meio de tanta urgência, esqueceria a melancolia do homeme ocidental. Sophie, tens razão: assim que voltar, vou pedir informação em uma agência da Nouvelles Frontières."

Sophie se virou olhando com cara pensativa e um vinco de preocupção na fronte. "Deves ter sofrido muito", disse ao final, com tristeza.

"Sophie", voltou a exclamar Bruno, "Sabe o que Nietzsche escreveu sobre Shakespeare? 'O que esse homem teve de sofrer para ter a necessidade de bancar o palhaço! Shakespeare sempre me pareceu um autor hipervalorizado; mas ainda assim, um palhaço notável'." Se interrompeu e e se deu conta com assombro de que estava começando a sofrer de verdade.

As mulheres, às vezes, eram tão amáveis... contestavam a agressividade com compreensão, o cinismo com doçura. Que homem se portaria assim? "Sophie, eu quero chupar a tua xoxota...", disse com emoção; mas desta vez ela não lhe olhou. Havia se voltado ao monitor de esqui que esfregou sua bunda três dias antes e havia começando a conversar com ele.

Bruno ficou desconcertado alguns segundos; logo cruzou de novo o gramado em direção ao apartamento.


(Partículas Elementares, 1998)


"Passei meu último dia de licença em diversas agências de viagem. Gostava dos folhetos de férias, sua abstração, seu modo de reduzir os lugares do mundo a uma seqüência limitada de felicidades possíveis e de tarifas; apreciava em especial o sistema de estrelas, para indicar a intensidade da felicidade que se podia esperar. Eu não era feliz, mas apreciava a felicidade e continuava a pretendê-la. Segundo o modelo de Marshall, o comprador é um indivíduo que procura maximizar a sua satisfação em relação ao preço; o modelo de Veblen, ao contrário, analisa a influência do grupo no processo da compra (avaliando se o indivíduo deseja se identificar com ele ou então afastar-se). O modelo de Copeland demonstra que o processo de compra é diferente segundo a categoria produto/serviço (compra habitual, compra refletida, compra especializada); já o modelo Baudrillard-Becker considera que consumir é também produzir signos. No fundo, eu me sentia mais proximo do modelo de Marshall."


(Plataforma, 2001)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Palavrões essenciais da língua alemã


(dedicado á Bárbara Magalhães, a essa hora sofrendo com loucos na Marieplatz)

Tenho uma teoria simples para o poliglotismo: a primeira expressão idiomática que você deve aprender em uma língua é "foda-se". Para que perder um precioso tempo de estudos, mais sabiamente aproveitado lendo os clássicos ou masturbando-se feito um chimpanzé, se tudo pode ser resumido a um belo e glorioso foda-se?

Não precisa aprender a dizer "obrigado". Pegue seu presente e diga: foda-se. Não se complique com "desculpe-me", ou "perdão". Pise no pé de todo mundo e apenas rilhe: foda-se. O melhor ainda é passar ordens às carrancas: exija, e quando olharem a espera de um "por favor', vocifere: FODA-SE.

Não gostou da minha teoria? Foda-se, também.

Mas chega um momento na vida do cidadão em que ele vai querer agregar valor ao seu léxico. Por que dizer apenas pau, quando se pode chamar a uma caralha adulta, em possível atividade intracicladiana, de manjoula, bironga, trosoba, jonjolo, saroba, jumelo ou piromba?

Para ajudar meus amiguinhos germanistas, segue uma compilação de um bom vocabulário para se ter na ponta da língua quando estiver na Oktoberfest em Münsch. Assim, quem sabe, você possa surpreender alguém além de si próprio por só saber falar "Scheiße", e achar que tá falando grego por isso.

Wortschatz

Arschloch = O Arsch compreende duas partes: as bochechas e o buraco, que visto de longe se parece com um asterisco ( * ). Arschloch é uma coisa que todo mundo tem e usa diariamente, seja em qual direção e sentido vetorial for. Diz a sabedoria popular brasileira, aliás, que quem o tem, tem medo.

Dumpfbacke = é como "dumb-ass", em inglês. E em português, também.

Fettarsch = literalmente, "fat ass".

Oberarsch = um "grande ass"! Não sei se isso existe em inglês, mas usamos a expressão em português com o mesmo sentido para nos referir a um idiotão.

Herunterholen = palavra mais "imprópria" para masturbação masculina.

Kacke = o equivalente a "merda" (bem sonoro, não?). O verbo é kacken.

Fotze, Pflaume, Scham (Schamlippe = os lábios), Scheide (mais "família"), Muschi = palavrões para as coisas que as mulheres mais escondem - o último, apesar de também ser bem ofensivo, pode ser mais usado em abordagens de carinho entre duas pessoas que se amam e praticam movimentos retilíneos uniformemente variados estando bem casados pela Igreja Católica.

pissen, pinkeln = fazer pipi. O substantivo é Pisse.

Schleimer = capacho, puxa-saco (algo como "lambedor"). Um dos piores xingamentos possíveis na língua (com o perdão do trocadalho).

Puff = um puteiro. A cafetina é Puffmutter.

Schwanz, Steife, Pimmel = nomes para as coisas balangantes masculinas. Bizarramente, o primeiro significa "rabo".

Schwanzlutscher = um belo "sucker" de Schwanz. (Estranhamente, este o Word reconheceu rapidinho, sem nem mesmo ser necessário indicar que era alemão!). Também pode ser só Lutscher.

Titten = forma menos científica pra "seios".

Dirne, Hure, Nutte, Stricherin, Strichmädchen, Weibstück = mulher da vida, com experiência comprovada. Não em carteira. Um termo bom para usar naqueles momentos perversos da vida à deux é Flittchen, que já está devidamente no diminutivo.

Stricher, Strichjunge = versão masculina dessa coisa acima.

Hurensohn = filho de Hure, Hure-filho é.

Zwitter = Hermafrodita.

Zwitterhaft = algo próximo de "andrógeno".

Fick dich = imperativo categórico de Kant.

Schlampe = algo bem próximo de "rampeira".

verpiss dich = apesar do "piss" ser algo explicado, funciona mais como um "fuck off".

Hau Ab! = funciona do mesmo jeito.

Schwuler = termo ofensivo pra gay.

geh fick deine Mutter = "vá fazer com tua mãe o que teu pai fez com ela". Algo como o nosso VPPQP!!

wichser, sich abzapfen, spritzer = verbos de secreção que são o objetivo final de nos esfregarmos em quem amamos.

Frühspritzer = fazer spritzer cedo, muito rápido - id est, ejaculador precoce.

Abschaum, Samen, Samenflüssigkeit = Alguns dizem que "fazem amor". Se se referem a essa coisinha branca aqui, eu conheço outro nome...

After = Cuidado!! Não é "depois", é "ânus"! Bem, de certa forma, é "depois", mesmo.

Sack = é MESMO necessário traduzir isso?!

Er geht mir auf den Sack = praticamente um "Ele é um pé no saco!"

Hoden, Eier = testículos - o último, literalmente, "ovos". Acho que Hodensack também é necessário, quando você precisa guardá-los em algum lugar.

Mutterficker = ah, você pegou a idéia!

sábado, 8 de janeiro de 2011

What the ESTROVENGA is "mais-valia"?!


„Eines ist sicher (was mich betrifft), ich bin kein Marxist." - Karl Marx

É consabido, entre o público bem-versado e que lê os clássicos, que ao percentual de marxistas que já leram Marx é comparável ao número de pensadores que entenderam o marxismo e o combatem. Neste ponto, é preferível discutir com crentes, que podem não compreender, mas ao menos vivem com uma Bíblia protegida no sovaco. Os marxistas são talmudistas sem Torá.

Mas, num mundo hipotético em que marxistas tivessem contato com suas próprias teorias, ao invés de apenas resumi-las na base do "existem pobres porque ricos roubam o seu dinheiro através do trabalho em fábricas insalubres", alguém já teria reclamado da esquisitíssima tradução do termo mais fundamental da sua filosofia: „Mehrwert". Como assim, "mais-valia"?!

Etimologicamente falando, "mais-valia" não faz o menor sentido. Aquela piadinha escrota, do "mais valia não ter perdido meu tempo", que só perde em infâmia para "é pavê ou pra comer?", consegue fazer certo sentido. 2 séculos estudando a tal teoria e ninguém para ao menos reclamar dessa tradução?

marx_noel.jpgNitidamente, a tradução foi feita por algum português. A quantidade de pessoas no Brasil capazes de compreender uma frase com "valia" sem a função de pretérito imperfeito, e ainda saber qual a função morfológica que a transforma em substantivo, pode acabar não lotando uma kombi. "São minhas valias" é uma frase pouco freqüentada até na obra de um José de Alencar. Mas a coisa beira a delinqüência junto deste "mais". Mais o quê?! Poderia ser um intrincado jogo de palavras do orignal alemão, língua por si já bastante caleidoscópica, que atinge patamares de desgraça e estilística pantragruélica na pena marxista. Ledo engodo.

Ora, palavra original é „Mehrwert". Literalmente, "valor de mais". Não "valor demais", e sim "valor de mais". "Do mais", ou como preferir. A expressão também soa um pouco feiosa e capenguenta no original, mas o método de aglutinação da língua alemã dá uma disfarçada (embora seja realmente incomum fazê-lo com advérbios substantivados).

Marx_home.jpgMas por que diabos traduzir ao pé da letra, na ordem da língua alemã? Por que "mais-valia"? O alemão sempre tem mais peso na última palavra das aglutinações (tanto que elas é que definem o gênero: „die Telefonnummer" é feminina, embora Telefon" seja neutra). O alemão, como o inglês, coloca os adjetivos antes dos substantivos (obrigatoriamente), e ainda por cima, ao contrário do inglês (e do português), tende a deixar o verbo no final da sentença (mandatário, no caso de infinitivos), o que deixa as frases com mais peso e valor em suas últimas palavras.

O português faz exatamente o contrário. As palavras importantes tendem a ficar no começo das frases, mesmo compostas, ou em orações coordenadas. Ninguém traduziria "bus stup" como "ônbus parada", que soaria como um ônibus parado grafado porcamente, e não um ponto de ônibus. Mas da "mais-valia" não reclamaram até hoje - apenas sugeriram outra porquice, "mais-valor", que só resolve o menor dos problemas (o léxico vetusto).

O que Marx quis dizer é que o capitalista lucraria com valor agregado à mercadoria pelo trabalho. O preço final de compra contaria com o custo da(s) mercadoria(s) em matéria-prima e os gastos com o trabalhador (salário etc), e mais uma quantia, chamada „Mehrwert". Ou seja, o valor que fica a mais no preço (não só em valor pecuniário), que iria para o bolso apenas do capitalista. Um valor de mais, um valor além do trabalho.

marx - museum of communism 2.jpgTraduzir essa palavra composta como "mais-valia" só pode ter sido coisa de algum português burguês e, no máximo, da esquerda festiva. A palavra nunca fará o menor sentido, nem mesmo ajudando, com sintaxe espatifada, a teoria marxista. Dá a impressão de que mais-valia é um valor a mais do que o preço da própria mercadoria. Algo, assim, como uma espécie de liquidação invertida. Coisa que hoje só se faz se mancomunando justamente com o governo. Que tal entender a palavra e sugerir algo que sirva para se entender a teoria, como "valor de sobra", ou "sobrevalor" (além do trabalho), se se quer manter a ordem original, embora neste caso se caia de novo em uma provável polissemântica involuntária?

É doloroso aos olhos e ouvidos que, se Carlos Marques fosse português, a despeito de toda a sua malversação com a língua (a ponto de se orgulhar de recitar versos em grego para assustar seus coleguinhas comunistas, mas ter morado 35 anos em Londres e escrever missivas num inglês de doer nas entranhas dos manos do Bronx), pudesse ter inventado o termo "mais-valia". Tal qual sua própria teoria, essa tradução quer dar ares científicos ao que é simplesmente pedantismo de um maniqueísmo dos mais chumbrecas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Mensagem (Heinrich Heine)


Die Botschaft


Mein Knecht! steh auf und sattle schnell,
Und wirf dich auf dein Roß,
Und jage rasch durch Wald und Feld
Nach König Dunkans Schloß.

Dort schleich dich in den Stall, und wart,
Bis dich der Stallbub schaut.
Den forsch mir aus: Sprich, welche ist
Von Dunkans Töchtern Braut?

Und spricht der Bub: "Die Braune ist's",
So bring mir schnell die Mär.
Doch spricht der Bub: "Die Blonde ist's",
So eilt das nicht so sehr.

Dann geh zum Meister Seiler hin,
Und kauf mir einen Strick,
Und reite langsam, sprich kein Wort,
Und bring mir den zurück.

(Heinrich Heine)



A mensagem

Ergue-te, pajem, ligeiro,
Atira-te a teu corcel,
E vai, por campos e matas,
Ao solar do rei Miguel.

Espera na estrebaria
O empregadinho chegar,
Pergunta então: - "Qual das filhas
Do rei Miguel, vai casar?"

Se responder: - "A morena",
Traze a nova num momento.
Se disser, porém: - "A loura",
Podes ser um pouco lento;

Procura o mestre cordoeiro,
Compra uma corda bem forte,
Vem devagar e, calado,
Dá-me o instrumento da morte!

(tradução de Zuleika Lintz.)