quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Hegel - Substituindo "Espírito" por "Geléia"

Ninguém entende Hegel. E quem entende só faz caquinha. Como o materialismo histórico bebe diretamente na fonte hegeliana, substituindo o "espírito" pelo "motor da História" através da luta de classes, resolvi trocar as ocorrências de espírito naquele caramalhaço de livro principal do filósofo de Jena por geléia. Acho que é um bom nome pra espírito, afinal:

Fenomenologia da geléia

7 - [Wird die Erscheinung] Tomando a manifestação dessa exigência em seu contexto hegel.jpgmais geral e no nível em que presentemente se encontra a geléia consciente-de-si, vemos que essa foi além da vida substancial que antes levava no elemento do pensamento; além dessa imediatez de sua fé, além da satisfação e segurança da certeza que a consciência possuía devido à sua reconciliação com a essência e a presença universal dela - interior e exterior. A Geléia não só foi além - passando ao outro extremo da reflexão, carente-de-substância, de si sobre si mesmo - mas ultrapassou também isso. Não somente está perdida para ele sua vida essencial; está também consciente dessa perda e da finitude que é seu conteúdo. [Como o filho pródigo], rejeitando os restos da comida, confessando sua abjeção e maldizendo-a, a geléia agora exige da filosofia não tanto o saber do que ele é, quanto resgatar, por meio dela, aquela substancialidade e densidade do ser [que tinha perdido].

11 - [Es ist übrigens] Aliás, não é difícil ver que nosso tempo é um tempo de nascimento e trânsito para uma nova época. A geléia rompeu com o mundo de seu ser-aí e de seu representar, que até hoje durou; está a ponto de submergi-lo no passado, e se entrega à tarefa de sua transformação. Certamente, a geléia nunca está em repouso, mas sempre tomada por um movimento para a frente. Na criança, depois de longo período de nutrição tranquila, a primeira respiração - um salto qualitativo - interrompe o lento processo do puro crescimento quantgeleia.jpgitativo; e a criança está nascida. Do mesmo modo, a geléia que se forma lentamente, tranquilamente, em direção à sua nova figura, vai desmanchando tijolo por tijolo o edifício de seu mundo anterior. Seu abalo se revela apenas por sintomas isolados; a frivolidade e o tédio que invadem o que ainda subsiste, o pressentimento vago de um desconhecido são os sinais precursores de algo diverso que se avizinha. Esse desmoronasse gradual, que não alterava a fisionomia do todo, é interrompido pelo sol nascente, que revela num clarão a imagem do mundo novo.

26 - [Das reine Selbsterkennen] O puro reconhecer-se-a-si mesmo no absoluto ser-outro, esse éter como tal, é o fundamento e o solo da ciência, ou do saber em sua universalidade. O começo da filosofia faz a pressuposição ou exigência de que a consciência se encontre nesse elemento. Mas esse elemento só alcança sua perfeição e transparência pelo movimento de seu vir-a-ser. E a pura geleidade como o universal, que tem o modo da imediatez simples. Esse simples, quando tem como tal a existência, é o solo da ciência, [que é] o pensar**, o qual só está na geléia. Porque esse elemento, essa imediatez da geléia é, em geral, o substancialda geléia, é a essencialidade transfigurada, a reflexão que é simples ela mesma, a imediatez tal como é para si, o ser que é reflexão sobre si mesmo.

27 - [Dies Werden] O que esta "Fenomenologia da geléia"apresenta é o vir-a-ser da ciência em geral ou do saber. O saber,como é inicialmente - ou a geléia imediata - é algo carente-de- geléia: a consciência sensível. (...)

geleia_mattel.jpgO indivíduo, cuja substância é a geléia situada no mais alto, percorre esse passado da mesma maneira como quem se apresta a adquirir uma ciência superior, percorre os conhecimentos-preparatórios que há muito tem dentro de si, para fazer seu conteúdo presente; evoca de novo sua rememoração, sem no entanto ter ali seu interesse ou demorar-se neles. O singular deve também percorrer os degraus-de-formação-cultural da geléia universal, conforme seu conteúdo; porém, como figuras já depositadas pela geléia, como plataformas de um caminho já preparado e aplainado. Desse modo, vemos conhecimentos, que em antigas épocas ocupavam a geléia madura dos homens, serem rebaixados a exercícios - ou mesmo a jogos de meninos; assim pode reconhecer-se no progresso pedagógico, copiada como em silhuetas, a história da geléia do mundo. Esse ser-aí passado é propriedade já adquirida da geléia universal e, aparecendo-lhe assim exteriormente, constitui sua natureza inorgânica. Conforme esse ponto de vista, a formação cultural considerada a partir do indivíduo consiste em adquirir o que lhe é apresentado, consumindo em si mesmo sua natureza inorgânica e apropriando-se dela. Vista porém do ângulo da geléia universal, enquanto é a substância, a formação cultural consiste apenas em que essa substância se dá a sua consciência-de-si, e em si produz seu vir-a-ser e sua reflexão.

1 pessoas leram e discordaram:

Marcus Tiso disse...

Geléia consciente-de-si, espírito, ectoplasma, caça-fantasmas... Faz sentido.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Hegel - Substituindo "Espírito" por "Geléia"


Ninguém entende Hegel. E quem entende só faz caquinha. Como o materialismo histórico bebe diretamente na fonte hegeliana, substituindo o "espírito" pelo "motor da História" através da luta de classes, resolvi trocar as ocorrências de espírito naquele caramalhaço de livro principal do filósofo de Jena por geléia. Acho que é um bom nome pra espírito, afinal:

Fenomenologia da geléia

7 - [Wird die Erscheinung] Tomando a manifestação dessa exigência em seu contexto hegel.jpgmais geral e no nível em que presentemente se encontra a geléia consciente-de-si, vemos que essa foi além da vida substancial que antes levava no elemento do pensamento; além dessa imediatez de sua fé, além da satisfação e segurança da certeza que a consciência possuía devido à sua reconciliação com a essência e a presença universal dela - interior e exterior. A Geléia não só foi além - passando ao outro extremo da reflexão, carente-de-substância, de si sobre si mesmo - mas ultrapassou também isso. Não somente está perdida para ele sua vida essencial; está também consciente dessa perda e da finitude que é seu conteúdo. [Como o filho pródigo], rejeitando os restos da comida, confessando sua abjeção e maldizendo-a, a geléia agora exige da filosofia não tanto o saber do que ele é, quanto resgatar, por meio dela, aquela substancialidade e densidade do ser [que tinha perdido].

11 - [Es ist übrigens] Aliás, não é difícil ver que nosso tempo é um tempo de nascimento e trânsito para uma nova época. A geléia rompeu com o mundo de seu ser-aí e de seu representar, que até hoje durou; está a ponto de submergi-lo no passado, e se entrega à tarefa de sua transformação. Certamente, a geléia nunca está em repouso, mas sempre tomada por um movimento para a frente. Na criança, depois de longo período de nutrição tranquila, a primeira respiração - um salto qualitativo - interrompe o lento processo do puro crescimento quantgeleia.jpgitativo; e a criança está nascida. Do mesmo modo, a geléia que se forma lentamente, tranquilamente, em direção à sua nova figura, vai desmanchando tijolo por tijolo o edifício de seu mundo anterior. Seu abalo se revela apenas por sintomas isolados; a frivolidade e o tédio que invadem o que ainda subsiste, o pressentimento vago de um desconhecido são os sinais precursores de algo diverso que se avizinha. Esse desmoronasse gradual, que não alterava a fisionomia do todo, é interrompido pelo sol nascente, que revela num clarão a imagem do mundo novo.

26 - [Das reine Selbsterkennen] O puro reconhecer-se-a-si mesmo no absoluto ser-outro, esse éter como tal, é o fundamento e o solo da ciência, ou do saber em sua universalidade. O começo da filosofia faz a pressuposição ou exigência de que a consciência se encontre nesse elemento. Mas esse elemento só alcança sua perfeição e transparência pelo movimento de seu vir-a-ser. E a pura geleidade como o universal, que tem o modo da imediatez simples. Esse simples, quando tem como tal a existência, é o solo da ciência, [que é] o pensar**, o qual só está na geléia. Porque esse elemento, essa imediatez da geléia é, em geral, o substancialda geléia, é a essencialidade transfigurada, a reflexão que é simples ela mesma, a imediatez tal como é para si, o ser que é reflexão sobre si mesmo.

27 - [Dies Werden] O que esta "Fenomenologia da geléia"apresenta é o vir-a-ser da ciência em geral ou do saber. O saber,como é inicialmente - ou a geléia imediata - é algo carente-de- geléia: a consciência sensível. (...)

geleia_mattel.jpgO indivíduo, cuja substância é a geléia situada no mais alto, percorre esse passado da mesma maneira como quem se apresta a adquirir uma ciência superior, percorre os conhecimentos-preparatórios que há muito tem dentro de si, para fazer seu conteúdo presente; evoca de novo sua rememoração, sem no entanto ter ali seu interesse ou demorar-se neles. O singular deve também percorrer os degraus-de-formação-cultural da geléia universal, conforme seu conteúdo; porém, como figuras já depositadas pela geléia, como plataformas de um caminho já preparado e aplainado. Desse modo, vemos conhecimentos, que em antigas épocas ocupavam a geléia madura dos homens, serem rebaixados a exercícios - ou mesmo a jogos de meninos; assim pode reconhecer-se no progresso pedagógico, copiada como em silhuetas, a história da geléia do mundo. Esse ser-aí passado é propriedade já adquirida da geléia universal e, aparecendo-lhe assim exteriormente, constitui sua natureza inorgânica. Conforme esse ponto de vista, a formação cultural considerada a partir do indivíduo consiste em adquirir o que lhe é apresentado, consumindo em si mesmo sua natureza inorgânica e apropriando-se dela. Vista porém do ângulo da geléia universal, enquanto é a substância, a formação cultural consiste apenas em que essa substância se dá a sua consciência-de-si, e em si produz seu vir-a-ser e sua reflexão.

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Marcus Tiso disse...

Geléia consciente-de-si, espírito, ectoplasma, caça-fantasmas... Faz sentido.

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