quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Aborto: questão de coerência

A pauta do dia no Twitter é a descriminalização do aborto, com o Trending Topic #legalizaroaborto. Qualquer declaração minha irrita tanto feministas quanto conservadores. Se feministas e conservadores discordam de mim ao mesmo tempo, não preciso de muito mais para saber que já sou quase dono da verdade.

O aborto deveria ser uma discussão mais simples. Tudo deveria se dar em nome da coerência. Infelizmente, algo longe de ser alcançado, quando todas as discussões, ao invés de termos uma discussão que surge da linha lógica dos argumentos, temos uma repentina mutatio controversiae que surge de cima pra baixo, por um grupo de pessoas interessadas em defender uma causa contra outro grupo específico. Via de regra, é o que faz alguma coisa ir parar nos Trending Topics sem ninguém morrer ou passar pelo Congresso.

A defesa do aborto é uma agenda feminista há muito. O problema é óbvio: feministas, mesmo que acertem em algo, têm os piores argumentos possíveis. O mais comum e óbvio é o mais ridículo: a discussão sobre aborto deveria caber apenas às mulheres. Ora, o que esse dogma implica é que o embrião, aqui, é tratado como propriedade da mulher, por estar abrigado em seu corpo - e seu corpo é inviolável.

Seria um argumento interessante, se não fossem as feministas as campeãs do marxismo cultural, que procura justamente acabar com o direito de propriedade. Ou seja, com a propriedade alheia: se for sua própria propriedade, obviamente que ela deve ser defendida com unhas e dentes. Vejamos o que Murray Rothbard, um dos economistas ultraliberais mais brilhantes do século, teria a dizer:

"Não apenas não existem direitos humanos que não sejam também direitos de propriedade, como esses "direitos" perdem sua incondicionalidade e clareza e se tornam confusos e vulneráveis quando os direitos de propriedade não são usados como padrão."

abortion_feminism.pngAssim, mutatis mutantis, fica claro que a discussão sobre aborto se restringir às mulheres seria uma idéia até justificável. Afinal, o corpo é propriedade delas, e o embrião, infinitamente mais delas do que do genitor. Mas, se as mulheres sofrem injustamente com a gestação (e não adianta culpar os homens, culpem apenas Deus), é uma questão de saúde pública. Não há por que excluir os homens da discussão. Uma saída apontada via de regra é que homens podem discutir, mas só as mulheres podem decidir. Aposto 10 contra 1 que esse argumento vem sempre de mulheres que, quando engravidam, exigem amor paterno de seus parceiros - então, por que a discussão sobre o futuro dos rebentos seria decidível apenas por mulheres?

Óbvio que o objeto claro aqui é restringir a discussão a quem mais tem interesse em ver o aborto legalizado. Eu sou homem e não vejo seqüela de motivo para o aborto não ser legalizado. Mas isso não quer dizer que acredite que essa discussão deva ser deixada apenas às mulheres. Aliás, por que as mulheres poderiam então usar os meus argumentos, mas simplesmente ignorar os argumentos contrários ao aborto?

Alguém pode decobrir um meio de fazer o embrião virar um feto, abortionismurder.jpge depois um bebê, sem precisar da barriga da mulher. Então, a mulher não vai mais sofrer tais paixões (o sentido inicial de "sofrimento"; cf. Aristóteles), e nada vai mudar pro embrião. Aí, parece que a discussão não ficaria mais restrita às mulheres. Mas, se nada mudaria para o embrião, por que de repente a discussão pôde mudar de pessoas "possíveis" de discutirem? Enquanto isso, veríamos um embrião, numa incubadora transparente, cada vez mais parecido com um bebê, e onde ficaria a propriedade da mulher sobre uma vida?

Também urge ter cautela com a idéia de que a proibição não adianta nada. O problema não é não adiantar - a proibição do roubo, do estupro e do assassinato também não parece surtir efeitos muito grandiosos em certos lugares deste país. Esse argumento funciona se e somente se levarmos em conta o que acontece mesmo a uma mulher estuprada no país: a burocracia é tão complexa, mesmo em casos de aborto legal, que se prefere uma clínica clandestina - ou alguém aí acha que exame de corpo delito é mais delicioso que exame de próstata para uma mulher que acabou de ser estuprada?

Aí nos voltamos para o cllchê oposto, dos conservadores, aqueles que adoram confundir "descriminalização do aborto" com "obrigação do ato de abortar". A visão deles é de que toda gravidez indesejada é fruto de irresponsabilidade (uma simples reportagem sobre um acidente generalizado com anticoncepcionais por uma falha com uma empilhadeira que aconteceu na Pfizer seria suficiente pra mandar esse povo ir fazer um pouco mais de sexo na vida).

abortion_stop_coat-hanger.jpgMas ainda que o fosse, recaímos no mesmo problema "ignore-se o feto", mesmo partindo daqueles que mais julgam defendê-lo: se defendem o feto contra mães irresponsáveis, ou devem obrigar mulheres estupradas a terem filhos de estupradores, ou não podem ser favoráveis ao aborto para vítimas de estupro. Ora, mulher estuprada ou não, o feto é "vida", e não pode ser culpado pelo crime do pai, não? Ou alguém defende que filhos de estupradores sofram pena de morte? Que a família de homicidas cumpram pena de prisão junto com o criminoso? O feto nada tem a ver com isso - se é possível defender o argumento para o aborto de feto decorrente de estupro, significa que é possível defender para o feto que não surge decorrente de um estupro. Não há outra opção - tertium non datur.

O que conservadores querem é punir a mãe por sua vida sexual, que julgam pregressa. Assim, se uma suposta vagabunda promíscua engravida, o melhor a se fazer é lhe obrigar a ter um filho, pois um filho de uma vagabunda pregressa fatalmente a ensinará a ser uma esposa de família, casar, ir à igreja, não comer com os cotovelos sobre a mesa, que saiba cozinhar e ainda faça uma lasagna de primeira (já que esse povo não costuma gostar de um boquete caprichado). Exceção feita a quem quer obrigar mulheres estupradas a terem filhos - mas o simples sofrimento que uma mulher terá durante nove meses gestando o filho de quem a estupra já me parece argumento suficiente para não ligar para o sofrimento daquele amontoado de células - e aí, nem é porque as células são "filhas" de um estuprador que é lícito "puni-las".

Mas sempre sobra aquele argumento quejuram que não tem nada a ver com religião (e só religioso, óbvio, acredita). O argumento que diz que, se descriminalizarem o aborto, estarão liberando o assassinato.

Ora, a delimitação de onde começa a vida é bastante espinhosa (enquanto todo cristão do mundo não chegar a uma única conclusão em termos puramente biológica sobre vírus serem vida ou não, não deveriam nem tentar se aventurar em propriedade que não lhes pertence). De minha parte, por bonitinho que seja (e não é), um feto sem o Sistema Nervoso abortion_prolife.gifCentral e Periférico em atividade não pode ser considerado vida. Nas aulas de Neuroanatomia e Neurofisiologia entendemos como o organismo inteiro precisa deles para qualquer reação daquilo que chamamos vida - não à toa que é o que temos em comum tanto com um macaco quanto com um peixe ou mesmo o a mais rudimentar forma de vida pluricelular que não seja um fungo. Imagine então o que é a tal "consciência": retire o bulbo e o que se verá será um acidente da natureza, felizmente incapaz de sentir a dor que é ser um acidente.

Mas o problema é mais profundo: sendo vida ou não, não importa. Como diz o jurista e filósofo americano Ronald Dworkin, em Domínio da Vida (livro fundamental para a discussão sobre aborto e, mais complicado ainda, eutanásia), a vida tem graduações. Sabemos o que é mais horrendo: perder um filho com 8 meses de idade ou um filho com 8 anos. Da mesma forma, também a diferença de choque é cortante na morte de um idoso de 80 ou de um homem de 40, mesmo que seja pela mesma causa mortis. Não é algo subjetivo nem irracional: há razões para isso. Como afirmou os quadrinhos de James O'Barr, "A morte, assim como a virtude, tem suas graduações" (O Corvo).

Como se pode, então, santificar um feto com menos de 3 meses de gestação (o tempo para formação do sistema nervoso) como "vida", chamando de "assassinato" a interrupção de sua gestação, se a própria Natureza faz com que a maioria dos abortos espontâneos aconteçam exatamente nesse período - muitos deles sem a mulher ficar sabendo?

Fica-se então com o argumento doidivanas de que há uma "chance" do embrião ser vida, 50% sim e 50% não, e pelo sim, pelo não, melhor não correr o risco de matar alguém. Mais uma vez, a interpretação da palavra "vida" aqui vai mais para termos metafísicos, abortion-sends-babies-to-god-faster.jpgdignos de conquistar idealistas que julgam que a vida é uma "alma" exterior ao corpo ou coisa parecida - não convence nem os vitalistas (filosofia a qual muito me apetece), de que a vida não é nem pura matéria, nem uma idéia anterior à sua materialização, estando mais na própria organização da espécie e sua individualização. O risco de cometer um "assassinato" aqui derivaria, então, de qualquer coisa além da matéria - visto que a matéria conhecemos bem qual é até os 3 meses de gestação.

Sendo imaterial, já é uma questão a ser discutida diante dos portais de São Pedro. Não se pode punir uma pessoa por praticar um aborto por uma "possibilidade" de ter cometido um assassinato, ou mesmo impedir a realização do aborto nesses casos, por algo de domínio extra-material. Do contrário, teremos de punir o próprio Cristianismo por mandar tantas almas para o Inferno - e crime de tortura é imprescritível.

Vida como "matéria orgânica viva" existe até nas nossas cutículas. Levando todas as conseqüências desse argumento a sério, o único não homicida do país deverá ser o Zé do Caixão.

abortion_prochoice.jpgSobra o último recurso desesperado de dizer que, se liberarem o aborto, ele vai se tornar o método contraceptivo mais comum, e milhões de abortos serão cometidos por mês por adolescentes irresponsáveis. Alguém que já viu uma cirurgia de aborto não precisaria de mais de 15 segundos para enfiar esse argumento longe do olhar dos telespectadores. E em praticamente todo país ocidental em que o aborto foi liberado, o número de abortos caiu - mas manteve vivas as mulheres, que tanto morrem em decorrência da operação - ressaltando que no Brasil, mesmo em caso de estupro preferem clínicas clandestinas. São estes os tais pró-vida?

Esse recurso in extremis também aparece sob a forma de "se legalizarem o aborto, logo vão legalizar o infanticídio", como disse meu amigo (gênio, porém crente) Filipe Martins. Para ele, um juiz canadense que confundiu os dois conceitos é uma prova de que há um risco enorme de mudarmos nossos valores assim que legalizarmos o aborto no maior país católico do mundo. Um argumento estranho, se a maioria dos países (até alguns países islâmicos) é mais liberal quanto ao aborto do que nós - se proibirmos o aborto para estupro e risco de morte à mãe teremos a mesma legislação da teocracia do Vaticano. Assim, só poderia crer que o Ocidente inteiro, tão defendido pelos conservadores como supra sumo do que deu certo no mundo, está em risco de legalizar o infanticídio - sobretudo os países mais desenvolvidos, ao contrário de nós, os eternos micróbios da geopolítica, graças, curiosamente, à esquerda.

Aí fica uma pseudo-lógica linear que só faz sentido na cabeça de fanático: Ou é "se legalizarem o aborto, logo vão legalizar estupro, assassinato, latrocínio e filme da Carla Perez" (é cabível, mas é ridículo pensar nisso, pois também teríamos de proibir o Cristianismo por seus crimes), ou "se um bebê é um ser vivo, um embrião é um possível ser vivo, logo um espermatozóide é uma possibilidade de um ser vivo, logo um bebê tendo ejaculações [são milhões de espermatozóides perdidos antes dos 2 anos de idade] está cometendo 'possíveis' genocídios".

Quer escolher um lado para defender no caso do aborto? Escolha. Mas é bom atentar para todas as conseqüências do que se prega, antes de dizer que a vida é uma propriedade de outrem ou que quem defende o aborto é "abortista", como se fossem máquinas de matar criancinhas.

22 pessoas leram e discordaram:

Danilo Freire disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Danilo Freire disse...

Ainda posso dizer que sou cristão católico, mas que concordo a tese da animação tardia.

Agostinho e Aquino são por mim. Aleluia, glória a D-us.

Dias disse...

colocando de lado todas as piadas (que eu achei engraçadas), continua o fato de que é impossível determinar o exato momento em que, segundo o seu parâmetro, o feto passa a ser vida. Sem contar que no fifty-fifty não há desculpa que possa sustentar logicamente a escolha por matar o feto.

Mas o texto é bom, e veio de brinde a indicação pro seu amigo, buona gente =)

GAbiRu disse...

"A fundamentação apropriada para analisar o aborto está no absoluto direito de auto-propriedade de cada homem. Isto imediatamente implica que toda mulher tem o absoluto direito ao seu próprio corpo, que ela tem o domínio absoluto sobre seu corpo e sobre tudo que estiver dentro dele. Isto inclui o feto. A maioria dos fetos está no útero da mãe porque a mãe consentiu com esta situação, porém o feto está lá pelo livre e espontâneo consentimento da mãe. Mas se a mãe decidir que ela não deseja mais o feto ali, então o feto se torna um invasor parasitário da pessoa dela, e a mãe tem o pleno direito de expulsar o invasor de seu domínio. O aborto não deveria ser considerado o "assassinato" de uma pessoa, mas sim a expulsão de um invasor não desejado do corpo da mãe.[2] Quaisquer leis restringindo ou proibindo o aborto são portanto invasões dos direitos das mães"

aqui: http://mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=18

Anônimo disse...

Penso que a resposta definitiva contra o aborto já esta dada. Um trecho de toda a argumentação (esta que na verdade compõe um tratado sobre a questão da liberdade) pode ser lido aqui: http://aborto.aaldeia.net/aborto-liberdade-direito/

Abs

fzort disse...

Vida longa ao trema.

Ana Reczek disse...

Dei-me o trabalho de acessar o link sobre a "questão da liberdade" que o Anonimo aqui em cima postou, e gostei muito da parte:
"Com isto, terá ficado claro que a liberdade está ligada a uma medida, que é a medida da realidade: está ligada à verdade. A liberdade para a destruição de si mesmo ou para a destruição do outro, não é liberdade, mas uma paródia diabólica."
Oi?
Primeiro, a frase não faz sentido. Depois, qualquer argumentação que utilize o diabo está automaticamente desconsiderada.

Gostei bastante do texto, Flavio. Se formos analisar sem envolver religião nesse caldo primordial de argumentações malucas, fica bem claro que é impossível sustentar a proibição do aborto.

Na minha opinião, o nervo do problema é a facilidade em se fazer um aborto hoje em dia. Por aproximadamente R$2mil você faz na região da Paulista, em consultórios elegantes.

Ou seja: mulheres de classe média alta só têm bebes quando querem. Só quem sofre as consequencias da proibição são as mulheres muito pobres, que continuam tendo 10 filhos ao longo da vida, sem a menor condição de dar a eles direitos básicos e dignidade.

Tem que ver isso aí.

No dia em que tivermos uma conscientização de metodos anticoncepcionais DE VERDADE na parcela mais pobre da população e procedimentos de esterilização voluntário ao alcance de todos (vai tentar fazer uma laqueadura em hospital publico!), eu até vou achar que os PROLIFE do Brasil tem um argumento.

Talvez.

Ótima a citação do GAbiRu.

Amigããnnn disse...

O único argumento feminista que presta é:

'se fosse o homem quem ficasse grávido, o aborto não seria crime'

PS: Lição que aprendi nas minhas aulas de Embriologia: um amontoado celular com menos de 2 meses é tão vivo quanto um câncer. A verdade dói.

Jun-01 disse...

Muitos se esquecem que mesmo no caso de tabus como o aborto, cada caso é um caso e merece análise, livre de qualquer dogma religioso ou opinião popular sem base lógica.

Creio que muitos defensores da vida estão se esquecendo que essa vida tem sentimentos. A sociedade está preparada para tratá-la igual às outras crianças? É responsável o suficiente para acolher essa criança "indesejada" como se fosse seu próprio filho? Ou simplesmente irá tratá-lo como um coitado, que provavelmente viverá sob fortes preconceitos,e fica nisso? Desse jeito as coisas simplesmente continuam do jeito que estão. E não pode continuar do jeito que estão.

Leis existem porque existem pessoas que não querem seguir regras. Ao invés de ficarem atrasando uma decisão, deveria-se colaborar para que as discussões resultem na conscientização da sociedade e em um conjunto de leis que possibilitem o aborto controlado - que puna a gravidez irresponsável e compense injustiças como uma gravidez resultante de um estupro.

Nyca disse...

Com relação ao aborto, acho que é muito mais eficiente conscientizar as pessoas para que elas não o pratiquem, e também facilitar os processos que tornem mais vantajoso levar a gravidez adiante, do que criminalizar e ignorar as consequências - o que aliás se aplica também a outras práticas ilícitas.

Com relação a existência da alma (não considero que essa discussão possa ser simplesmente retirada do tema, por estarem intrinsecamente ligados), sugiro a leitura ao menos da introdução de "O Livro dos Espíritos", codificado por Allan Kardec, para melhor conhecimento e compreensão do ponto de vista de quem acredita na existência de uma individualidade que sobrevive à morte do corpo. É uma leitura simples, objetiva e bastante plausível, eu diria.

Abraços

Rafael disse...

Levando os argumentos às últimas conseqüências, o autor do post também se mostraria incoerente. Admitindo-se a graduação da vida, restaria a árdua tarefa de determinar um ponto arbitrário (e necessariamente seria arbitrário) até o qual a eliminação intencional é permitida.

"De minha parte, por bonitinho que seja (e não é), um feto sem o Sistema Nervoso Central e Periférico em atividade não pode ser considerado vida."

O ponto mais espinhoso da discussão é solenemente reduzido à afirmação de uma opinião. Pra chegar a esse mesmo resultado, dizer que "o aborto deve ser permitido porque é isso que eu acho" seria suficiente. O problema é justamente legislar com base naquilo que não passa, confessamente, de opinião pessoal. O tempo e o espaço desperdiçados em aspectos absolutamente irrelevantes (como a ocorrência de abortos espontâneos, pra citar só um caso) poderiam ter sido melhor empregados na elucidação do essencial.

"Mas sempre sobra aquele argumento que juram que não tem nada a ver com religião (e só religioso, óbvio, acredita). O argumento que diz que, se descriminalizarem o aborto, estarão liberando o assassinato."

Na tentativa de fingir um poder persuasivo inexistente, o óbvio se mostra facilmente refutável. Eu, ateu convicto, sou o contraexemplo.

Luis Henrique disse...

Bom, queria apenas comentar sobre o maravilhoso argumento de que cutícula, esperma e tumores de câncer também são seres vivos, e equivalentes ao feto/embrião.

Gostaria muito que alguém me mostrasse algum caso real em que esses exemplos, quando mantidos em seu desenvolvimento natural, se tornaram indivíduos que "pensam" e escrevem em blogs a favor do aborto. Já seria um bom começo. Aí poderíamos desfrutar de forma melhor - ou inteligível, diga-se - da "maravilhosa" comparação...

Anônimo disse...

Mas ter um filho indesejado, seja por falta de condições psicológicas, seja por questões financeiras e abandoná-lo não é um tipo de aborto, porém a criança continua sofrendo e viva- ou um zumbi( nas ruas, molestadas, drogas, maus tratos). Não querem o aborto, então a criança nasce só que a matamos de outras formas.
Não sou feminista,porém acho que a mulher deveria decidir, pois o índice de mães solteiras ainda é grande e sempre que algo da errado na criação a maioria da responsabilidade cairá sobre elas.

MCN disse...

Li por um acaso virtual e gostei muito. Apesar de ser mulher, concordo com você em quase tudo, vai ver porque muitos discursos feministas sempre me deixaram com um pé atrás... Mas ainda acho que o problema da relação corpo da mulher-feto não pode ser reduzido apenas à questão da "propriedade", a dificuldade de separar, de pensar, imaginar, sentir, dois corpos distintos, o dela e o do feto, é muito real, concreta, para a mulher, trata-se antes de uma psicologicamente muito complexa relação de "incorporação", me parece que inserir, com propriedade, a noção de propriedade aí é mais difícil do que definir a propriedade intelectual... Você também deve levar em conta que frequentemente as mulheres se encontram sós diante do problema e que são levadas a decidirem sozinhas. Pessoalmente e enquanto mulher, não acho que o problema deva ser exclusivamente debatido e resolvido pelas mulheres. Por outro lado, o que mais se vê (na mídia, nas ruas...) são HOMENS, ao oposto de você, ignorantes e prepotentes avançando pseudo-argumentos contra o aborto. Em todo caso, parabéns pelo artigo, bem legal.

Rafael disse...

Ou seja, de acordo com a comentarista acima, qualquer homem contrário ao aborto é ignorante e prepotente. Isso é que é argumento de verdade, em oposição aos "pseudo-argumentos" que ela atribui aos homens ignorantes.

MCN disse...

Rafael, de forma alguma disse que "qualquer homem contrário ao aborto é ignorante e prepotente", não fiz um proposição afirmativa universal, mas apenas uma constatação empírica: "o que mais se vê..." Como se eu dissesse: "o que mais se vê é gente que não sabe ler" o que não é a mesma coisa que dizer: "ninguém sabe ler".
Mas eu voltei aqui por remorso. Li o artigo, gostei, comentei elogiando. Depois, instigada pelo artigo, fui ler outros do mesmo autor...
Flávio, você é visivelmente um cara inteligente, porém, do meu ponto de vista, bastante infeliz no emprego da sua inteligência... Em algum lugar você se diz um "liberal anarquista", como não sou preconceituosa, fiquei tentando entender o que seria isso... Mas um sujeito que publica no site da Fundação Milenium (bom, até aí podia ser de sacanagem, ou simples autopromoção) e justifica a presença da PM na USP não pode ser um anarquista!!! Eu não sou cristã (ou meu cristianismo é exclusivamente literário) para exaltar a triste "humildade", mas a sua confusão ideológica me parece ser provocada pelo defeito moral chamado soberba. Todo individualismo é triste (ou simplesmente irônico, e, se você conhece Hegel, você conhece a ironia...)entre um café e outro pode-se encontrar alegria também, mas a alegria que vale a pena sempre transborda o indivíduo, é ativamente comunitária e política... Mas qual o problema mesmo em você assumir que é de direita? Não sou paulista, não comungo em nenhum partido político, e não tomaria as dores do PT (como pude perceber, um dos seus Judas preferido), mas você, com suas posições, parece cumprir certa agenda partidária... Mas, enfim, continuando assim, quem sabe vc não "se dá bem" e acaba arranjando um emprego de comentarista na Globo... Boa sorte.

Janssen Barufe disse...

O fato de você se considerar ateu, justifica a indagação sobre a origem da vida. Sem entrar no âmbito religioso, a vida existe a partir do momento da concepção, portanto, já existindo princípio vital-espiritual é crime moral hediondo a interrupção desta vida.
A responsabilidade é de cada um, consciente ou não, se não tem condições físicas, psicológicas, psíquicas, financeiras ou qualquer outro empecilho, procure ajuda de quem tem. Fácil não é, simples não é, mas cabe a pessoa assumir a responsabilidade de por uma vida dignamente no mundo ou cessar com as aspirações de um "inocente".

Mauricio Trindade disse...

Flavio Morgenstern, já havia lido artigos seus em outros blogs, agora leio este artigo aqui,concordo com os seus argumentos e com eles fico mais por dentro das ideias liberais.

Com relação ao aborto, sou favorável a sua descriminalização, e penso que o homem deve ter o direito de manifestar seu desejo, aliás, gostaria de sugerir um link que fala do conceito de "Aborto Masculino" a ideia basicamente é que, se a mulher pode ter o direito de ser mãe(onde o aborto é legal), então o homem também deveria ter o direito de não se tornar um pai:

http://www.circumspectus.com/aborto-masculino/

Anônimo disse...

Você escreveu: "De minha parte, por bonitinho que seja (e não é), um feto sem o Sistema Nervoso Central e Periférico em atividade não pode ser considerado vida."

Pergunto: por qual motivo o desenvolvimento do SNC (ou o seu pleno "funcionamento", enfim...) é indicativo do início da vida?

kurtvanhalen disse...

Sou contra o aborto. Puramente por metafísica (conceito de ato e potência) e empatia.

Mas como sigo uma tradição Misesiana, acredito em autonomia de indivíduos, comunidades e etc. Dessa forma - acredito em governos minarquistas numa confederação (apenas militar e jurídica) com possibilidade de autonomia individual. Assim, em certos lugares o aborto poderia (por uma convenção unânime) ser legal ou ilegal. Claro que, uma vez que vivendo em algum lugar da confederação, um indivíduo poderia alegar autonomia própria (desligamento das leis do local) e realizar um aborto. Claro que ele só seria realizado onde fosse permitido (um bairro vizinho, por exemplo) por um médico que compartilhasse de sua opinião de que não está cometendo nada de errado (um médico católico que acreditasse estar cometendo um assassinato poderia ter a opção de não realizar o fato).

Em comunidades mais conservadoras (por puro acordo mútuo) os indivíduos que se tornassem "foras-da-lei" pelas leis locais poderiam ser "excomungados" da comunidade (como um Amish). Acho que criaria reservas (como as indígenas) onde as pessoas pudessem espontaneamente viver suas teocracias.

Acredito em direito natural, mas entendo que o Consuetudinário é o único que não oprime as pessoas por seus costumes. Por isso impor uma versão pra uma população homogênea me parece absurdo.

Querer proibir alguém de mutilar as vaginas das garotas, os garotos de 8 anos de engolir esperma dos mais velhos ou sacrifício de 80.000 pessoas para o deus jaguar é algo nobre, sem dúvidas. Mas não proíbe nem muda os fatos. Só gera tensões internas e guerras (vide multiculturalismo e seu caos). O único jeito é aceitar a realidade do sujeito consuetudinário e tentar criar linhas de diálogos quando for possível. Assim pode-se criar na confederação espaços pra emancipação de grupos com práticas absurdas e tentar oferecê-los "asilo" e instrução. É isso que de fato moldaria uma cultura.

Claro que ninguém que tem uma crença rousseauniana em um projeto objetivo de homogeneização da sociedade concordaria comigo. Eles se limitam a taxar inimigos e impor seus projetos pragmaticamente. Não tem valores - só quando estes os interessam. Nenhum psicopata do alto de seu projeto de coordenação de movimentos feministas realmente se importa com a mulher - eles se importam com o andamento de seus projetos insanos. A articulação com movimentos dos gays, negros, índios, deficientes, revolucionários...são camisinhas - após usadas serem, se incômodas, descartadas. Apenas isso. Quanto a ser minarquista - é apenas que um mundo AnCap seria trucidado à primeira investida de um projeto estatista. Isso pra mim é evidente, se alguém tem contestações, poderia até discutir. Mas o fato é que um lugar próspero e bom não garante que o resto do mundo o seja - e que esse resto do mundo o deixe em paz. Sendo assim defendo um arsenal nuclear monstruoso o suficiente para impor respeito. Apenas isso.

The Sonic disse...

Onde o aborto foi legalizado, infantícidio está sendo defendido. Só isso já refuta a sua afirmação de que aborto e infanticídio não estão ligados:


http://www.aleteia.org/pt/saude/artigo/aborto-pos-nascimento-uma-ideia-chocante-que-ganha-corpo-no-ambito-academico-5859535004631040


Por fim, a mínima possibilidade de VIDA (humana, pq meus cravos e espinhas não se tornarão um indivíduo) deve ser o axioma absoluto , ou não haverá motivos para impedir os jihadistas de matarem essas mesmas mulheres que abortam, alegando qualquer pretexto absurdo.
No fim, o seu texto, a respeito dos religiosos, é cheio de espantalhos e clichês. Eu sou católico, vivo a castidade, espero me casar virgem, mas uma rasgadeira estilo puta de balada que seja contra o aborto é mil vezes mais digna e honrada do que alguém tão egoista que reduz a preciosa possibilidade de vida humana a um "empecilho a ser removido". Na verdade, a promíscua não-abortista (e eu conheci pessoas assim) é uma heroína se comparada à praticante de aborto.


The Sonic disse...

"Mas o simples sofrimento que uma mulher terá durante nove meses gestando o filho de quem a estupra já me parece argumento suficiente para não ligar para o sofrimento daquele amontoado de células - e aí, nem é porque as células são "filhas" de um estuprador que é lícito "puni-las"."


Vc tá ligado que este foi um perfeito Apelo à Emoção, né?
O fato da mulher sofrer com gravidez, por si só, não infere licitude ao ato do aborto. Tem de haver algo a mais.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Aborto: questão de coerência


A pauta do dia no Twitter é a descriminalização do aborto, com o Trending Topic #legalizaroaborto. Qualquer declaração minha irrita tanto feministas quanto conservadores. Se feministas e conservadores discordam de mim ao mesmo tempo, não preciso de muito mais para saber que já sou quase dono da verdade.

O aborto deveria ser uma discussão mais simples. Tudo deveria se dar em nome da coerência. Infelizmente, algo longe de ser alcançado, quando todas as discussões, ao invés de termos uma discussão que surge da linha lógica dos argumentos, temos uma repentina mutatio controversiae que surge de cima pra baixo, por um grupo de pessoas interessadas em defender uma causa contra outro grupo específico. Via de regra, é o que faz alguma coisa ir parar nos Trending Topics sem ninguém morrer ou passar pelo Congresso.

A defesa do aborto é uma agenda feminista há muito. O problema é óbvio: feministas, mesmo que acertem em algo, têm os piores argumentos possíveis. O mais comum e óbvio é o mais ridículo: a discussão sobre aborto deveria caber apenas às mulheres. Ora, o que esse dogma implica é que o embrião, aqui, é tratado como propriedade da mulher, por estar abrigado em seu corpo - e seu corpo é inviolável.

Seria um argumento interessante, se não fossem as feministas as campeãs do marxismo cultural, que procura justamente acabar com o direito de propriedade. Ou seja, com a propriedade alheia: se for sua própria propriedade, obviamente que ela deve ser defendida com unhas e dentes. Vejamos o que Murray Rothbard, um dos economistas ultraliberais mais brilhantes do século, teria a dizer:

"Não apenas não existem direitos humanos que não sejam também direitos de propriedade, como esses "direitos" perdem sua incondicionalidade e clareza e se tornam confusos e vulneráveis quando os direitos de propriedade não são usados como padrão."

abortion_feminism.pngAssim, mutatis mutantis, fica claro que a discussão sobre aborto se restringir às mulheres seria uma idéia até justificável. Afinal, o corpo é propriedade delas, e o embrião, infinitamente mais delas do que do genitor. Mas, se as mulheres sofrem injustamente com a gestação (e não adianta culpar os homens, culpem apenas Deus), é uma questão de saúde pública. Não há por que excluir os homens da discussão. Uma saída apontada via de regra é que homens podem discutir, mas só as mulheres podem decidir. Aposto 10 contra 1 que esse argumento vem sempre de mulheres que, quando engravidam, exigem amor paterno de seus parceiros - então, por que a discussão sobre o futuro dos rebentos seria decidível apenas por mulheres?

Óbvio que o objeto claro aqui é restringir a discussão a quem mais tem interesse em ver o aborto legalizado. Eu sou homem e não vejo seqüela de motivo para o aborto não ser legalizado. Mas isso não quer dizer que acredite que essa discussão deva ser deixada apenas às mulheres. Aliás, por que as mulheres poderiam então usar os meus argumentos, mas simplesmente ignorar os argumentos contrários ao aborto?

Alguém pode decobrir um meio de fazer o embrião virar um feto, abortionismurder.jpge depois um bebê, sem precisar da barriga da mulher. Então, a mulher não vai mais sofrer tais paixões (o sentido inicial de "sofrimento"; cf. Aristóteles), e nada vai mudar pro embrião. Aí, parece que a discussão não ficaria mais restrita às mulheres. Mas, se nada mudaria para o embrião, por que de repente a discussão pôde mudar de pessoas "possíveis" de discutirem? Enquanto isso, veríamos um embrião, numa incubadora transparente, cada vez mais parecido com um bebê, e onde ficaria a propriedade da mulher sobre uma vida?

Também urge ter cautela com a idéia de que a proibição não adianta nada. O problema não é não adiantar - a proibição do roubo, do estupro e do assassinato também não parece surtir efeitos muito grandiosos em certos lugares deste país. Esse argumento funciona se e somente se levarmos em conta o que acontece mesmo a uma mulher estuprada no país: a burocracia é tão complexa, mesmo em casos de aborto legal, que se prefere uma clínica clandestina - ou alguém aí acha que exame de corpo delito é mais delicioso que exame de próstata para uma mulher que acabou de ser estuprada?

Aí nos voltamos para o cllchê oposto, dos conservadores, aqueles que adoram confundir "descriminalização do aborto" com "obrigação do ato de abortar". A visão deles é de que toda gravidez indesejada é fruto de irresponsabilidade (uma simples reportagem sobre um acidente generalizado com anticoncepcionais por uma falha com uma empilhadeira que aconteceu na Pfizer seria suficiente pra mandar esse povo ir fazer um pouco mais de sexo na vida).

abortion_stop_coat-hanger.jpgMas ainda que o fosse, recaímos no mesmo problema "ignore-se o feto", mesmo partindo daqueles que mais julgam defendê-lo: se defendem o feto contra mães irresponsáveis, ou devem obrigar mulheres estupradas a terem filhos de estupradores, ou não podem ser favoráveis ao aborto para vítimas de estupro. Ora, mulher estuprada ou não, o feto é "vida", e não pode ser culpado pelo crime do pai, não? Ou alguém defende que filhos de estupradores sofram pena de morte? Que a família de homicidas cumpram pena de prisão junto com o criminoso? O feto nada tem a ver com isso - se é possível defender o argumento para o aborto de feto decorrente de estupro, significa que é possível defender para o feto que não surge decorrente de um estupro. Não há outra opção - tertium non datur.

O que conservadores querem é punir a mãe por sua vida sexual, que julgam pregressa. Assim, se uma suposta vagabunda promíscua engravida, o melhor a se fazer é lhe obrigar a ter um filho, pois um filho de uma vagabunda pregressa fatalmente a ensinará a ser uma esposa de família, casar, ir à igreja, não comer com os cotovelos sobre a mesa, que saiba cozinhar e ainda faça uma lasagna de primeira (já que esse povo não costuma gostar de um boquete caprichado). Exceção feita a quem quer obrigar mulheres estupradas a terem filhos - mas o simples sofrimento que uma mulher terá durante nove meses gestando o filho de quem a estupra já me parece argumento suficiente para não ligar para o sofrimento daquele amontoado de células - e aí, nem é porque as células são "filhas" de um estuprador que é lícito "puni-las".

Mas sempre sobra aquele argumento quejuram que não tem nada a ver com religião (e só religioso, óbvio, acredita). O argumento que diz que, se descriminalizarem o aborto, estarão liberando o assassinato.

Ora, a delimitação de onde começa a vida é bastante espinhosa (enquanto todo cristão do mundo não chegar a uma única conclusão em termos puramente biológica sobre vírus serem vida ou não, não deveriam nem tentar se aventurar em propriedade que não lhes pertence). De minha parte, por bonitinho que seja (e não é), um feto sem o Sistema Nervoso abortion_prolife.gifCentral e Periférico em atividade não pode ser considerado vida. Nas aulas de Neuroanatomia e Neurofisiologia entendemos como o organismo inteiro precisa deles para qualquer reação daquilo que chamamos vida - não à toa que é o que temos em comum tanto com um macaco quanto com um peixe ou mesmo o a mais rudimentar forma de vida pluricelular que não seja um fungo. Imagine então o que é a tal "consciência": retire o bulbo e o que se verá será um acidente da natureza, felizmente incapaz de sentir a dor que é ser um acidente.

Mas o problema é mais profundo: sendo vida ou não, não importa. Como diz o jurista e filósofo americano Ronald Dworkin, em Domínio da Vida (livro fundamental para a discussão sobre aborto e, mais complicado ainda, eutanásia), a vida tem graduações. Sabemos o que é mais horrendo: perder um filho com 8 meses de idade ou um filho com 8 anos. Da mesma forma, também a diferença de choque é cortante na morte de um idoso de 80 ou de um homem de 40, mesmo que seja pela mesma causa mortis. Não é algo subjetivo nem irracional: há razões para isso. Como afirmou os quadrinhos de James O'Barr, "A morte, assim como a virtude, tem suas graduações" (O Corvo).

Como se pode, então, santificar um feto com menos de 3 meses de gestação (o tempo para formação do sistema nervoso) como "vida", chamando de "assassinato" a interrupção de sua gestação, se a própria Natureza faz com que a maioria dos abortos espontâneos aconteçam exatamente nesse período - muitos deles sem a mulher ficar sabendo?

Fica-se então com o argumento doidivanas de que há uma "chance" do embrião ser vida, 50% sim e 50% não, e pelo sim, pelo não, melhor não correr o risco de matar alguém. Mais uma vez, a interpretação da palavra "vida" aqui vai mais para termos metafísicos, abortion-sends-babies-to-god-faster.jpgdignos de conquistar idealistas que julgam que a vida é uma "alma" exterior ao corpo ou coisa parecida - não convence nem os vitalistas (filosofia a qual muito me apetece), de que a vida não é nem pura matéria, nem uma idéia anterior à sua materialização, estando mais na própria organização da espécie e sua individualização. O risco de cometer um "assassinato" aqui derivaria, então, de qualquer coisa além da matéria - visto que a matéria conhecemos bem qual é até os 3 meses de gestação.

Sendo imaterial, já é uma questão a ser discutida diante dos portais de São Pedro. Não se pode punir uma pessoa por praticar um aborto por uma "possibilidade" de ter cometido um assassinato, ou mesmo impedir a realização do aborto nesses casos, por algo de domínio extra-material. Do contrário, teremos de punir o próprio Cristianismo por mandar tantas almas para o Inferno - e crime de tortura é imprescritível.

Vida como "matéria orgânica viva" existe até nas nossas cutículas. Levando todas as conseqüências desse argumento a sério, o único não homicida do país deverá ser o Zé do Caixão.

abortion_prochoice.jpgSobra o último recurso desesperado de dizer que, se liberarem o aborto, ele vai se tornar o método contraceptivo mais comum, e milhões de abortos serão cometidos por mês por adolescentes irresponsáveis. Alguém que já viu uma cirurgia de aborto não precisaria de mais de 15 segundos para enfiar esse argumento longe do olhar dos telespectadores. E em praticamente todo país ocidental em que o aborto foi liberado, o número de abortos caiu - mas manteve vivas as mulheres, que tanto morrem em decorrência da operação - ressaltando que no Brasil, mesmo em caso de estupro preferem clínicas clandestinas. São estes os tais pró-vida?

Esse recurso in extremis também aparece sob a forma de "se legalizarem o aborto, logo vão legalizar o infanticídio", como disse meu amigo (gênio, porém crente) Filipe Martins. Para ele, um juiz canadense que confundiu os dois conceitos é uma prova de que há um risco enorme de mudarmos nossos valores assim que legalizarmos o aborto no maior país católico do mundo. Um argumento estranho, se a maioria dos países (até alguns países islâmicos) é mais liberal quanto ao aborto do que nós - se proibirmos o aborto para estupro e risco de morte à mãe teremos a mesma legislação da teocracia do Vaticano. Assim, só poderia crer que o Ocidente inteiro, tão defendido pelos conservadores como supra sumo do que deu certo no mundo, está em risco de legalizar o infanticídio - sobretudo os países mais desenvolvidos, ao contrário de nós, os eternos micróbios da geopolítica, graças, curiosamente, à esquerda.

Aí fica uma pseudo-lógica linear que só faz sentido na cabeça de fanático: Ou é "se legalizarem o aborto, logo vão legalizar estupro, assassinato, latrocínio e filme da Carla Perez" (é cabível, mas é ridículo pensar nisso, pois também teríamos de proibir o Cristianismo por seus crimes), ou "se um bebê é um ser vivo, um embrião é um possível ser vivo, logo um espermatozóide é uma possibilidade de um ser vivo, logo um bebê tendo ejaculações [são milhões de espermatozóides perdidos antes dos 2 anos de idade] está cometendo 'possíveis' genocídios".

Quer escolher um lado para defender no caso do aborto? Escolha. Mas é bom atentar para todas as conseqüências do que se prega, antes de dizer que a vida é uma propriedade de outrem ou que quem defende o aborto é "abortista", como se fossem máquinas de matar criancinhas.

22 pessoas leram e discordaram:

Danilo Freire on 28 de setembro de 2011 17:54 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Danilo Freire on 28 de setembro de 2011 18:05 disse...

Ainda posso dizer que sou cristão católico, mas que concordo a tese da animação tardia.

Agostinho e Aquino são por mim. Aleluia, glória a D-us.

Dias on 28 de setembro de 2011 18:28 disse...

colocando de lado todas as piadas (que eu achei engraçadas), continua o fato de que é impossível determinar o exato momento em que, segundo o seu parâmetro, o feto passa a ser vida. Sem contar que no fifty-fifty não há desculpa que possa sustentar logicamente a escolha por matar o feto.

Mas o texto é bom, e veio de brinde a indicação pro seu amigo, buona gente =)

GAbiRu on 28 de setembro de 2011 20:32 disse...

"A fundamentação apropriada para analisar o aborto está no absoluto direito de auto-propriedade de cada homem. Isto imediatamente implica que toda mulher tem o absoluto direito ao seu próprio corpo, que ela tem o domínio absoluto sobre seu corpo e sobre tudo que estiver dentro dele. Isto inclui o feto. A maioria dos fetos está no útero da mãe porque a mãe consentiu com esta situação, porém o feto está lá pelo livre e espontâneo consentimento da mãe. Mas se a mãe decidir que ela não deseja mais o feto ali, então o feto se torna um invasor parasitário da pessoa dela, e a mãe tem o pleno direito de expulsar o invasor de seu domínio. O aborto não deveria ser considerado o "assassinato" de uma pessoa, mas sim a expulsão de um invasor não desejado do corpo da mãe.[2] Quaisquer leis restringindo ou proibindo o aborto são portanto invasões dos direitos das mães"

aqui: http://mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=18

Anônimo disse...

Penso que a resposta definitiva contra o aborto já esta dada. Um trecho de toda a argumentação (esta que na verdade compõe um tratado sobre a questão da liberdade) pode ser lido aqui: http://aborto.aaldeia.net/aborto-liberdade-direito/

Abs

fzort on 29 de setembro de 2011 16:28 disse...

Vida longa ao trema.

Ana Reczek disse...

Dei-me o trabalho de acessar o link sobre a "questão da liberdade" que o Anonimo aqui em cima postou, e gostei muito da parte:
"Com isto, terá ficado claro que a liberdade está ligada a uma medida, que é a medida da realidade: está ligada à verdade. A liberdade para a destruição de si mesmo ou para a destruição do outro, não é liberdade, mas uma paródia diabólica."
Oi?
Primeiro, a frase não faz sentido. Depois, qualquer argumentação que utilize o diabo está automaticamente desconsiderada.

Gostei bastante do texto, Flavio. Se formos analisar sem envolver religião nesse caldo primordial de argumentações malucas, fica bem claro que é impossível sustentar a proibição do aborto.

Na minha opinião, o nervo do problema é a facilidade em se fazer um aborto hoje em dia. Por aproximadamente R$2mil você faz na região da Paulista, em consultórios elegantes.

Ou seja: mulheres de classe média alta só têm bebes quando querem. Só quem sofre as consequencias da proibição são as mulheres muito pobres, que continuam tendo 10 filhos ao longo da vida, sem a menor condição de dar a eles direitos básicos e dignidade.

Tem que ver isso aí.

No dia em que tivermos uma conscientização de metodos anticoncepcionais DE VERDADE na parcela mais pobre da população e procedimentos de esterilização voluntário ao alcance de todos (vai tentar fazer uma laqueadura em hospital publico!), eu até vou achar que os PROLIFE do Brasil tem um argumento.

Talvez.

Ótima a citação do GAbiRu.

Amigããnnn disse...

O único argumento feminista que presta é:

'se fosse o homem quem ficasse grávido, o aborto não seria crime'

PS: Lição que aprendi nas minhas aulas de Embriologia: um amontoado celular com menos de 2 meses é tão vivo quanto um câncer. A verdade dói.

Jun-01 on 7 de novembro de 2011 18:31 disse...

Muitos se esquecem que mesmo no caso de tabus como o aborto, cada caso é um caso e merece análise, livre de qualquer dogma religioso ou opinião popular sem base lógica.

Creio que muitos defensores da vida estão se esquecendo que essa vida tem sentimentos. A sociedade está preparada para tratá-la igual às outras crianças? É responsável o suficiente para acolher essa criança "indesejada" como se fosse seu próprio filho? Ou simplesmente irá tratá-lo como um coitado, que provavelmente viverá sob fortes preconceitos,e fica nisso? Desse jeito as coisas simplesmente continuam do jeito que estão. E não pode continuar do jeito que estão.

Leis existem porque existem pessoas que não querem seguir regras. Ao invés de ficarem atrasando uma decisão, deveria-se colaborar para que as discussões resultem na conscientização da sociedade e em um conjunto de leis que possibilitem o aborto controlado - que puna a gravidez irresponsável e compense injustiças como uma gravidez resultante de um estupro.

Nyca on 8 de novembro de 2011 07:54 disse...

Com relação ao aborto, acho que é muito mais eficiente conscientizar as pessoas para que elas não o pratiquem, e também facilitar os processos que tornem mais vantajoso levar a gravidez adiante, do que criminalizar e ignorar as consequências - o que aliás se aplica também a outras práticas ilícitas.

Com relação a existência da alma (não considero que essa discussão possa ser simplesmente retirada do tema, por estarem intrinsecamente ligados), sugiro a leitura ao menos da introdução de "O Livro dos Espíritos", codificado por Allan Kardec, para melhor conhecimento e compreensão do ponto de vista de quem acredita na existência de uma individualidade que sobrevive à morte do corpo. É uma leitura simples, objetiva e bastante plausível, eu diria.

Abraços

Rafael disse...

Levando os argumentos às últimas conseqüências, o autor do post também se mostraria incoerente. Admitindo-se a graduação da vida, restaria a árdua tarefa de determinar um ponto arbitrário (e necessariamente seria arbitrário) até o qual a eliminação intencional é permitida.

"De minha parte, por bonitinho que seja (e não é), um feto sem o Sistema Nervoso Central e Periférico em atividade não pode ser considerado vida."

O ponto mais espinhoso da discussão é solenemente reduzido à afirmação de uma opinião. Pra chegar a esse mesmo resultado, dizer que "o aborto deve ser permitido porque é isso que eu acho" seria suficiente. O problema é justamente legislar com base naquilo que não passa, confessamente, de opinião pessoal. O tempo e o espaço desperdiçados em aspectos absolutamente irrelevantes (como a ocorrência de abortos espontâneos, pra citar só um caso) poderiam ter sido melhor empregados na elucidação do essencial.

"Mas sempre sobra aquele argumento que juram que não tem nada a ver com religião (e só religioso, óbvio, acredita). O argumento que diz que, se descriminalizarem o aborto, estarão liberando o assassinato."

Na tentativa de fingir um poder persuasivo inexistente, o óbvio se mostra facilmente refutável. Eu, ateu convicto, sou o contraexemplo.

Luis Henrique on 10 de novembro de 2011 14:32 disse...

Bom, queria apenas comentar sobre o maravilhoso argumento de que cutícula, esperma e tumores de câncer também são seres vivos, e equivalentes ao feto/embrião.

Gostaria muito que alguém me mostrasse algum caso real em que esses exemplos, quando mantidos em seu desenvolvimento natural, se tornaram indivíduos que "pensam" e escrevem em blogs a favor do aborto. Já seria um bom começo. Aí poderíamos desfrutar de forma melhor - ou inteligível, diga-se - da "maravilhosa" comparação...

Anônimo disse...

Mas ter um filho indesejado, seja por falta de condições psicológicas, seja por questões financeiras e abandoná-lo não é um tipo de aborto, porém a criança continua sofrendo e viva- ou um zumbi( nas ruas, molestadas, drogas, maus tratos). Não querem o aborto, então a criança nasce só que a matamos de outras formas.
Não sou feminista,porém acho que a mulher deveria decidir, pois o índice de mães solteiras ainda é grande e sempre que algo da errado na criação a maioria da responsabilidade cairá sobre elas.

MCN on 18 de novembro de 2011 20:53 disse...

Li por um acaso virtual e gostei muito. Apesar de ser mulher, concordo com você em quase tudo, vai ver porque muitos discursos feministas sempre me deixaram com um pé atrás... Mas ainda acho que o problema da relação corpo da mulher-feto não pode ser reduzido apenas à questão da "propriedade", a dificuldade de separar, de pensar, imaginar, sentir, dois corpos distintos, o dela e o do feto, é muito real, concreta, para a mulher, trata-se antes de uma psicologicamente muito complexa relação de "incorporação", me parece que inserir, com propriedade, a noção de propriedade aí é mais difícil do que definir a propriedade intelectual... Você também deve levar em conta que frequentemente as mulheres se encontram sós diante do problema e que são levadas a decidirem sozinhas. Pessoalmente e enquanto mulher, não acho que o problema deva ser exclusivamente debatido e resolvido pelas mulheres. Por outro lado, o que mais se vê (na mídia, nas ruas...) são HOMENS, ao oposto de você, ignorantes e prepotentes avançando pseudo-argumentos contra o aborto. Em todo caso, parabéns pelo artigo, bem legal.

Rafael disse...

Ou seja, de acordo com a comentarista acima, qualquer homem contrário ao aborto é ignorante e prepotente. Isso é que é argumento de verdade, em oposição aos "pseudo-argumentos" que ela atribui aos homens ignorantes.

MCN on 19 de novembro de 2011 21:09 disse...

Rafael, de forma alguma disse que "qualquer homem contrário ao aborto é ignorante e prepotente", não fiz um proposição afirmativa universal, mas apenas uma constatação empírica: "o que mais se vê..." Como se eu dissesse: "o que mais se vê é gente que não sabe ler" o que não é a mesma coisa que dizer: "ninguém sabe ler".
Mas eu voltei aqui por remorso. Li o artigo, gostei, comentei elogiando. Depois, instigada pelo artigo, fui ler outros do mesmo autor...
Flávio, você é visivelmente um cara inteligente, porém, do meu ponto de vista, bastante infeliz no emprego da sua inteligência... Em algum lugar você se diz um "liberal anarquista", como não sou preconceituosa, fiquei tentando entender o que seria isso... Mas um sujeito que publica no site da Fundação Milenium (bom, até aí podia ser de sacanagem, ou simples autopromoção) e justifica a presença da PM na USP não pode ser um anarquista!!! Eu não sou cristã (ou meu cristianismo é exclusivamente literário) para exaltar a triste "humildade", mas a sua confusão ideológica me parece ser provocada pelo defeito moral chamado soberba. Todo individualismo é triste (ou simplesmente irônico, e, se você conhece Hegel, você conhece a ironia...)entre um café e outro pode-se encontrar alegria também, mas a alegria que vale a pena sempre transborda o indivíduo, é ativamente comunitária e política... Mas qual o problema mesmo em você assumir que é de direita? Não sou paulista, não comungo em nenhum partido político, e não tomaria as dores do PT (como pude perceber, um dos seus Judas preferido), mas você, com suas posições, parece cumprir certa agenda partidária... Mas, enfim, continuando assim, quem sabe vc não "se dá bem" e acaba arranjando um emprego de comentarista na Globo... Boa sorte.

Janssen Barufe on 8 de dezembro de 2011 11:59 disse...

O fato de você se considerar ateu, justifica a indagação sobre a origem da vida. Sem entrar no âmbito religioso, a vida existe a partir do momento da concepção, portanto, já existindo princípio vital-espiritual é crime moral hediondo a interrupção desta vida.
A responsabilidade é de cada um, consciente ou não, se não tem condições físicas, psicológicas, psíquicas, financeiras ou qualquer outro empecilho, procure ajuda de quem tem. Fácil não é, simples não é, mas cabe a pessoa assumir a responsabilidade de por uma vida dignamente no mundo ou cessar com as aspirações de um "inocente".

Mauricio Trindade on 12 de dezembro de 2011 15:18 disse...

Flavio Morgenstern, já havia lido artigos seus em outros blogs, agora leio este artigo aqui,concordo com os seus argumentos e com eles fico mais por dentro das ideias liberais.

Com relação ao aborto, sou favorável a sua descriminalização, e penso que o homem deve ter o direito de manifestar seu desejo, aliás, gostaria de sugerir um link que fala do conceito de "Aborto Masculino" a ideia basicamente é que, se a mulher pode ter o direito de ser mãe(onde o aborto é legal), então o homem também deveria ter o direito de não se tornar um pai:

http://www.circumspectus.com/aborto-masculino/

Anônimo disse...

Você escreveu: "De minha parte, por bonitinho que seja (e não é), um feto sem o Sistema Nervoso Central e Periférico em atividade não pode ser considerado vida."

Pergunto: por qual motivo o desenvolvimento do SNC (ou o seu pleno "funcionamento", enfim...) é indicativo do início da vida?

kurtvanhalen on 11 de dezembro de 2013 19:51 disse...

Sou contra o aborto. Puramente por metafísica (conceito de ato e potência) e empatia.

Mas como sigo uma tradição Misesiana, acredito em autonomia de indivíduos, comunidades e etc. Dessa forma - acredito em governos minarquistas numa confederação (apenas militar e jurídica) com possibilidade de autonomia individual. Assim, em certos lugares o aborto poderia (por uma convenção unânime) ser legal ou ilegal. Claro que, uma vez que vivendo em algum lugar da confederação, um indivíduo poderia alegar autonomia própria (desligamento das leis do local) e realizar um aborto. Claro que ele só seria realizado onde fosse permitido (um bairro vizinho, por exemplo) por um médico que compartilhasse de sua opinião de que não está cometendo nada de errado (um médico católico que acreditasse estar cometendo um assassinato poderia ter a opção de não realizar o fato).

Em comunidades mais conservadoras (por puro acordo mútuo) os indivíduos que se tornassem "foras-da-lei" pelas leis locais poderiam ser "excomungados" da comunidade (como um Amish). Acho que criaria reservas (como as indígenas) onde as pessoas pudessem espontaneamente viver suas teocracias.

Acredito em direito natural, mas entendo que o Consuetudinário é o único que não oprime as pessoas por seus costumes. Por isso impor uma versão pra uma população homogênea me parece absurdo.

Querer proibir alguém de mutilar as vaginas das garotas, os garotos de 8 anos de engolir esperma dos mais velhos ou sacrifício de 80.000 pessoas para o deus jaguar é algo nobre, sem dúvidas. Mas não proíbe nem muda os fatos. Só gera tensões internas e guerras (vide multiculturalismo e seu caos). O único jeito é aceitar a realidade do sujeito consuetudinário e tentar criar linhas de diálogos quando for possível. Assim pode-se criar na confederação espaços pra emancipação de grupos com práticas absurdas e tentar oferecê-los "asilo" e instrução. É isso que de fato moldaria uma cultura.

Claro que ninguém que tem uma crença rousseauniana em um projeto objetivo de homogeneização da sociedade concordaria comigo. Eles se limitam a taxar inimigos e impor seus projetos pragmaticamente. Não tem valores - só quando estes os interessam. Nenhum psicopata do alto de seu projeto de coordenação de movimentos feministas realmente se importa com a mulher - eles se importam com o andamento de seus projetos insanos. A articulação com movimentos dos gays, negros, índios, deficientes, revolucionários...são camisinhas - após usadas serem, se incômodas, descartadas. Apenas isso. Quanto a ser minarquista - é apenas que um mundo AnCap seria trucidado à primeira investida de um projeto estatista. Isso pra mim é evidente, se alguém tem contestações, poderia até discutir. Mas o fato é que um lugar próspero e bom não garante que o resto do mundo o seja - e que esse resto do mundo o deixe em paz. Sendo assim defendo um arsenal nuclear monstruoso o suficiente para impor respeito. Apenas isso.

The Sonic on 13 de agosto de 2015 20:31 disse...

Onde o aborto foi legalizado, infantícidio está sendo defendido. Só isso já refuta a sua afirmação de que aborto e infanticídio não estão ligados:


http://www.aleteia.org/pt/saude/artigo/aborto-pos-nascimento-uma-ideia-chocante-que-ganha-corpo-no-ambito-academico-5859535004631040


Por fim, a mínima possibilidade de VIDA (humana, pq meus cravos e espinhas não se tornarão um indivíduo) deve ser o axioma absoluto , ou não haverá motivos para impedir os jihadistas de matarem essas mesmas mulheres que abortam, alegando qualquer pretexto absurdo.
No fim, o seu texto, a respeito dos religiosos, é cheio de espantalhos e clichês. Eu sou católico, vivo a castidade, espero me casar virgem, mas uma rasgadeira estilo puta de balada que seja contra o aborto é mil vezes mais digna e honrada do que alguém tão egoista que reduz a preciosa possibilidade de vida humana a um "empecilho a ser removido". Na verdade, a promíscua não-abortista (e eu conheci pessoas assim) é uma heroína se comparada à praticante de aborto.


The Sonic on 13 de agosto de 2015 20:44 disse...

"Mas o simples sofrimento que uma mulher terá durante nove meses gestando o filho de quem a estupra já me parece argumento suficiente para não ligar para o sofrimento daquele amontoado de células - e aí, nem é porque as células são "filhas" de um estuprador que é lícito "puni-las"."


Vc tá ligado que este foi um perfeito Apelo à Emoção, né?
O fato da mulher sofrer com gravidez, por si só, não infere licitude ao ato do aborto. Tem de haver algo a mais.

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