quinta-feira, 2 de junho de 2011

Feminismo: a sedução do signo

Certa manhã, enquanto dividia minha atenção entre uma partida de poker online, um cappuccino empelotado e o glorioso ensaio filosófico da Letícia Birkheuer na Playboy, uma discussão na comunidade da USP do orkut me chamou a atenção: segundo um dos discursantes, o que pode ser chamado no espectro político de "direita" é um termo relativo, estando sempre em oposição à "esquerda". Para o cidadão, tudo depende da composição que se tem em um país. Assim, alguém de direita pode ser de esquerda, sob outro ponto de vista. Ou não. Desta forma, poderia-se definir se um caboclo é de direita ou de esquerda por algo como sua defesa da pena de morte, e justamente por essa bandeira ter sido ora de um lado, ora de outro, isso os tornaria "relativos".

isso tudo porque "o signo é arbitrário".

Imediatamente larguei a partida de poker, mesmo com um Ás e uma Rainha em mãos, cuspi o cappuccino e, bom, deixei o ensaio filosófico da Birkheuer por perto para casos de necessidade.

Estava plenamente acostumado, por anos de discussões inúteis na internet, a lidar com este tipo ignóbil de falácia, em que se tenta classificar de estro próprio o que é um lado e o que é outro, podendo-se a qualquer momento (via de regra quando se está ridiculamente perto de se perder uma discussão) subverter as regras e inverter as proposições ao bel prazer do autor. Com tal técnica, pode-se defender até o nazismo, e alegar que as câmaras de gás não eram bem uma coisa nazista, pois isso é relativo (não seria preciso criar campos de concentração depois que todos os judeus já estivessem mortos, por exemplo). O que havia de novo é que o reclamante em questão citava ninguém menos do que Saussure para justificar seu método.

saussure.jpgA lingüística, por séculos, não foi muito além das questões históricas envolvendo o desenvolvimento das palavras dentro das línguas, com disciplinas como a filologia e a etimologia (que, por razões políticas, foram simplesmente limadas do curso de Letras, nowadays). Foi o mestre suiço Ferdinand de Saussure (1857-1913) quem lhe deu novo estatuto científico, propondo um objeto específico de estudo (a língua, ou lange, em posição à palavra), tendo cunhado justamente por isso a frase "O ponto de vista cria o objeto".

Para Saussure, um signo lingüístico não possui significado por si, mas sim em oposição a outros signos. Quando se diz "alface", nitidamente não se quererá ter dito "abobrinha", nem "trator" e nem "Nicolau dos Santos Neto".

Desenvolvendo essa idéia, Saussure determina que os signos são arbitrários, ou, em outras palavras, ao contrário do que se fazia pensar anteriormente, o significado do signo não possui correlação alguma com o seu significante (com os sons que são produzidos para expor um conceito). Assim, uma mesa não precisa ser parecida com a palavra "mesa" (mesmo porque pode ser completamente diferente em outra língua), assim como a expressão "puta que me pariu, caralho!" não costuma ter como significado a própria mãe do falante (mãe esta que cobra por sexo), seguida de uma genitália masculina hirta e com veias piscantes no vocativo.

Simples, no mamita? Seria, se alguém entendesse o que disso se deduz.

Meu herói, taxonomia não dói.

Quando um novo conceito surge por determinada circunstância histórica, é comum se criar uma nova palavra para exprimi-lo, geralmente usando o próprio léxico da língua. Vai ser difícil uma palavra como mzenski pegar para exprimir um novo conceito em português, enquanto seria bem comum em russo. Algumas regras também devem ser observadas: sufixos como pre- ou pos- possuem uma carga de sentido própria que não prescinde da temporalidade.

O problema é que nem sempre usam essas palavras que, mesmo sem ser necessário pesquisar a fundo o contexto de sua gênese, ainda assim pode-se auferir seu significado. Kakuzo Okakura, ao tentar explicitar em inglês o que significava a cerimônia do chá na sociedade japonesa para um Ocidente que ainda não entendia lhufas de Oriente, usou o neologismo "chaísmo" (teaism) para definir que há uma verdadeira cultura por detrás apenas do chá, uma verdadeira defesa de um ideal naquela cerimônia, embora ainda não constituísse uma religião à parte. O termo não pegou, mas ninguém precisa procurar um dicionário para tentar descobrir seu significado. Mas e quando a Revolução Francesa criou os termos "direita" e "esquerda"?

Os termos, no caso, dizem respeito a uma divisão funcional, e não ideológica, de quem lutava para manter privilégios antigos e quem buscava novos direitos nas Assembléias dos Estados Gerais. A sua carga ideológica veio posteriormente. Não é à toa que não havia como classificar ideologias anteriores à Revolução como "de direita" ou "de esquerda" (Maquiavel, que em sua época foi um empedernido defensor do regime, foi muito mais útil à esquerda do que a direita, por exemplo). Também não é à toa que a maioria dos bons pensadores desse tempo não se identificaram muito bem nem com um lado, nem com outro.

esquerda-direita.jpgMas é bem aqui que a porca de Saussure começa a torcer o rabo. Os termos usados, direita e esquerda, dão a impressão de serem apenas isso: o lado "da direita" e o lado "da esquerda" de um Congresso, onde se discutem temas políticos. Assim, onde houver discussão política, fatalmente haveria uma "esquerda" e uma "direita". Como se, nessa mesma época, houvesse xoguns de direita contra samurais de esquerda, ou sultões de direita contra califas de esquerda. Como se Cícero fosse de esquerda, e César fosse de direita.

Isso é derivado de algo que chamaria de crença no significante . Quando se dá de cara com um significante novo, ou, pior ainda, um signficante antigo usado em novo contexto, a tendência é aferrar-se ao seguro terreno do já conhecido e tentar atribuir significado ao signo baseando-se no que já se conhece do significante.

Se toda sala possui um lado "direito" e um "esquerdo", parece claro que numa sala de discussão política sempre haverá uma direita e uma esquerda. Se há uma ideologia política criada nessa mesma época que, através do sufixmo -ismo (bastante adequado a ideologias), foi chamada "conservadorismo", basta que o intelectual de extrema-Humanas que não faz idéia de quem sejam as pessoas conservadoras, e muito menos o que elas defendam, apenas conclua: "quem defende o conservadorismo é quem quer conservar a sociedade" - o que nos deixaria numa esquizofrênica situação se um conservador subisse ao poder logo após uma grande revolução, pois o conservador, automaticamente, teria de ser um "revolucionário" para colocar tudo da forma como prentede colocar.

O próprio termo statu quo (e não status quo, como costuma ser erroneamente usado) reflete essa pendenga: faz parte da expressão in statu quo [ante], ou seja, o estado em que as coisas estavam antes de uma grande catástrofe (peste, guerra, fome et cætera). Hoje, quem defende o statu quo é quem... quer manter o estado presente, não o passado.

Russell_Kirk.jpgAssim, a arbitrariedade do signo de Saussure vai pro caralho. O significado deixa de ser completamente independente do significante, passando a ser apenas um derivado deste. Isso é bastante comum com termos criados para se defender uma idéia usando-se mecanismos já existentes em uma língua, como o sufixo -ismo e sua carga de sentido própria do exemplo. Aferra-se ao que já se sabe, e força-se um significado que o novo conceito, que apenas escolheu uma palavra do léxico para representá-lo, não tem (o conservadorismo, por exemplo, poderia se chamar moralizantismo, e toda a patranha de "conservador é quem conserva" cairia por terra, sem mudar uma vírgula no conceito).

Por isso é doloroso ver um estudante da USP defender que os conceitos mudam ao (seu) bel-prazer porque são arbitrários. Arbitrário diz respeito justamente a depender apenas da vontade do proferidor para significar o que significa. Justamente por isso, não podemos trocar o significado dos signos já devidamente catalogados, apenas para facilitar nossas colocações ideológicas sobre eles (basta pensar na palhaçada que o termo "liberal" gera no Brasil).

Não é senão por isso é importante ainda trabalharmos com taxonomia, ou seja, termos uma lista de palavras (um dicionário) em que elas possam significar a mesma coisa tanto para o falante quanto para o ouvinte. Do contrário, os profissionais da comunicação serão os primeiros a misturar alhos com caralhos e nunca mais permitir a comunicação clara e sem ruídos de uma idéia pelo espaço entre uma boca e uma orelha.

A religião (e a falta dela) também sofrem

A mesma muafa se dá entre os termos "ateu" e "agnóstico". Na visão de bípedes comuns, ateu é o caboclo que não acredita em Deus. Agnóstico, o que não sabe se existe, então se comporta como um ateu, sem afirmar nem negar nada.

Porém, se queremos discutir filosofia bonito, vejamos a escorregada que está por trás desses termos: agnóstico diz respeito à possibilidade de conhecimento (usado basicamente, óbvio, a respeito de religião). Ateu já diz respeito ao caboclo "negar" a existência de Deus (afinal, não acreditar e "negar", nesse caso, praticamente se confundem). O termo "agnóstico" foi cunhado pelo biólogo Thomas H. Huxley, baseando-se em Hume e Kant.

ateus.jpegIsso nos deixa numa situação curiosa: em termos fiosóficos (que nada têm a ver com os termos correntes usados por aí), dá pra ser um ateu agnóstico (aquele que não acredita em Deus, porque não, digamos, "consegue" acreditar, dada a falta de evidências), ou um ateu "gnóstico" (aquele que julga ser possível ter algum conhecimento sobre a Providência, mas também julga que há "provas" da inexistência de Deus). O mesmo, aliás, se daria com o homem de fé: há quem julgue que seja possível obter conhecimento a respeito de Deus (como Santo Agostinho, São Tomás e toda essa ala da patrística/escolástica/espiritualismo que vai resultar num Olavo de Carvalho, René Guénon e derivados) e aqueles que julgam que, no fim, é tudo matéria de fé (por exemplo, um Kierkegaard, cuja dialética só como último ato coloca Deus como "solução" do problema do desespero).

Mas aí há um problema. Não podemos usar palavras com o seu sentido etimológico achando que dá pra se livrar de sua carga histórica, e do que significou historicamente. "Gnósticos", por exemplo, foram caras que julgaram que dava para o homem ter total conhecimento a respeito do divino e encaminhar sua existência por si. Foram seitas hereges, e também algumas sociedades que existem até hoje (como os maçons). Nesse caso, por exemplo, poderíamos considerar os marxistas "gnósticos", porque julgam ter um método que defina o que devem saber do divino (ou seja, que é uma fábula de controle social) e de como se dá tudo na Terra (e assim explicam desde a literatura até a psicologia pelo método do materialismo histórico dialético).

Fica então complicado dizer que um indivíduo ateu ou cristão que julga possuir informações sólidas para sustentar suas convicções seja "gnóstico", já que estes, apesar da etimologia, são um grupo bem definido e diferenciado dos outros.

O complicado da linguagem filosófica é esse: não dá para pegar uma palavra com sentido X e querer que ela só tenha esse sentido X, porque ela pode já ter sido usada por um grupo Y e, assim, além de X, ela vai também significar Y a contragosto.

É bem por isso que geralmente se considera que todo agnóstico um ateu ainda no armário: eles se comportam como ateus, concordam com as mesmas coisas que ateus, acreditam e seguem os mesmos princípios de ateus. Mas um está preocupado com a possibilidade de conhecimento, o outro já acha que é possível possuí-lo, mas chegou à mesma conclusão anterior: não há algo além da matéria bruta.

Feminismo não significa "defender mulheres".

Exatamente por essa ideologia na formulação dos significados é que alguns signos são feitos maneira muito mais efetiva do que outros, conseguindo fazer pegar um significado praticamente tão somente pelo significante, deixando Saussure de cabelos em pé.

Não há melhor exemplo do que o termo feminismo. Um termo que só pode ter sido criado por um Washington Olivetto da lexicologia.

marxismo feminismo.jpgA idéia do feminismo é uma idéia de aplicação do marxismo em um novo âmbito: se o barbudão dizia haverem "classes sociais" que estavam "em luta", algumas pensadoras (na verdade, não só mulheres) concluíram que a desigualdade de gênero em uma sociedade marcada pelos privilégios masculinos poderia ser interpretada como essa mesma luta - não mais de "classes socias", mas entre os gêneros.

feminismo-marxista.jpgA despeito de muita água ter corrido por este moinho e de fato várias conquistas terem sido obtidas para as mulheres como um todo, não é possível dissociar o termo de seu caráter marxista. Não existem feministas que não sejam marxistas. Não existem feministas contrárias à idéia de uma luta travada entre os gêneros (feministas que se opuseram a essa idéia, como Camille Paglia e Christina Sommers, foram escorraçadas a pontapés do movimento). Outras importantes pensadoras das novas conquistas das mulheres na sociedade, mesmo em questões de sexualidade, que não fossem rigorosamente marxistas, como Ayn Rand e Martha Nussbaum, nunca foram consideradas feministas, por não estarem bradando contra o macho branco ocidental (como diriam os discípulos de Derrida), megafone em uma mão e barbeador na outra.

O problema está no significante. A idéia é que qualquer defesa da mulher, da "fêmea", é feminismo. Não é. Se assim o fosse, as críticas da Igreja Católica ao apedrejamento de mulheres no irã, mutilações e deformações com óleo seria feminismo. Alguém considera a Igreja Católica feminista? Nem eu. Terrorismo ácido shahnaz bibi.jpgO significado do signo feminista engana pelo significante: alguns têm medo de não serem feministas por não serem contra direitos e conquistas importantes das mulheres em uma sociedade preconceituosa. Não há razão pra pânico: o horror maior é comer toda a carga de marxismo de Victoria's Secret junto.

A levar essa idéia a rigor, defender direitos dos homens (lato sensu, ou seja, só os direitos que atingem a população masculina, como acesso à pornografia públicagratuitaedequalidade, filmes de muay thai e divisórias mais ortodoxas em mictórios) não seria machismo? Ninguém diria isso, mesmo que o signo faça crer que é assim mesmo. Mas no caso de machismo, todos já estão suficientemente crescidos e bem alimentados com farinha láctea e Biotônico Fontoura para não cair nessa esparrela do significante. Machismo é um termo cunhado para a opressão à mulher (nem que seja uma inocente piadinha machista). Por que não admitir logo que o feminismo é uma idéia marxista, e não a defesa das mulheres? Nenhum uso do termo feminismo permite que o signo seja usado sem esse contexto. A Igreja Católica que o diga.

A taxonomia, Saussure e a Playboy da Letícia Birkheuer agradecem.

10 pessoas leram e discordaram:

Anônimo disse...

Como leigo em linguística, achei o texto bastante esclarecedor em vários pontos, ainda que eu tivesse certa noção não formalizada do que os termos direita, esquerda, agnosticismo, gnosticismo, ateísmo, feminismo ou machismo são.

Pergunto, na linha do termo "feminismo" passando a falsa idéia de "defesa das mulheres", segue o termo "progressista" passando a falsa idéia de que fazem lá muito progresso?

"Por que não admitir logo que o feminismo é uma idéia marxista, e não a defesa das mulheres?"
Muito bom!

Matthäus de Souza disse...

Já estava ansioso a espera de uma nova postagem, com a MDCEH tão estática quanto puta desdentada, me vi carente de um bagulho mais elaborado. Gostei de toda explanação e a rara "clareza" presente nesse texto e debates desse tipo com "estudantes" carentes de encéfalo são cansativos (eu já ouvi fulano dizer que o Corão é uma obra magnífica) Enfim, queria ver essa bagaça mais ativa, de menos acrescentaria aos direitos dos homens, videogames mais baratos.

Alexandre disse...

Texto bastante claro. As pessoas deveriam escrever mais assim.

Só faltou fechar um parêntese no último parágrafo.

Flavio Morgenstern disse...

Anônimo, obrigado pela mensagem.

De fato, "progressista" foi um termo talvez inventado pelo mesmo Washington Olivetto da lexicografia. Depois de o Muro de Berlim caiu, é simplesmente ridículo defender algo com "social" no nome. O jeito foi agrupar tudo em um rótulo completamente novo, criado ad hoc para substituir o fracasso socialista.

Já escrevi em mais detalhes sobre o assunto aqui: http://urubudsman.blogspot.com/2011/02/os-conservadores-e-o-big-brother.html

Curiosamente, quem mais fez o mundo progredir foram "reacionários" que criaram meios novos de atingir mercados que antes eram inatingíveis (justamente por terem pouco dinheiro), justamente na iniciativa privada, e não tentando criar "progresso" por via estatal. Thomas Sowell, o maior economista vivo do mundo, explica bem nessas duas páginas, que fazem qualquer esquerdista abandonar totalmente a esquerda assim que termina de ler: http://www.nationalreview.com/articles/229862/real-public-service/thomas-sowell

Flavio Morgenstern disse...

Matthäus de Souza, tenho tentado manter maior freqüência nos blogs, já que o orkut está morto e o Facebook não possui fóruns para arranca-Habermas. Mas sabe como é, faculdade, trabalho e sobretudo preguiça impedem-me de ser bonzinho com meus leitores e arrepiar o cabelo dos meus detratores com muita freqüência...


Alexandre, curiosamente, antes de ver os comentários aqui, estava pensando justamente que sempre corrigem meus textos no Implicante, mas aqui não tenho revisor. Nem mesmo meus amigos que peço para darem uma olhada no texto no MSN. Acredite-me, estava com muito mais erros do que só o parêntese... mas agradeço pelo trabalho de urubudsman!

Anônimo disse...

O seu blog está comprometendo seriamente a minha produtividade no trabalho, seu maldito. Eu quero escrever como você quando crescer.

Falando em revisor: acho que o correto é "o barbudão dizia *haver* classes sociais" ("haver" no sentido de existir é impessoal).

-lia- disse...

então quer dizer que toda a sua análise do feminismo se baseia na etimologia da palavra?

e ainda usa o santo nome do saussure pra justificar isso?

"Não existem feministas que não sejam marxistas."

Me passa essa cartilha do que a pessoa tem que fazer, ler, ser para ser feminista porque eu não conheço. Tem link?

Jana disse...

Flávio, esse é justamente o tipo de ideia que muitas feministas querem passar, ou seja, só é possível defender que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens dentro do pensamento de esquerda, da ideologia marxista. Isso é o mesmo que dizer que toda a direita é contra a liberdade e a igualdade para mulheres, gays, negros etc.

Um grande engodo, porque todas as conquistas alcançadas nesse sentido foram promovidas pelo ideal liberal e democrático. Inclusive, mulheres, negros e gays foram excluídos de toda ação política nos países comunistas. Prova que esse discurso só serve para enganar os trouxas antes da revolução.

O avanço desse mal só se dá porque temos como oposição política um movimento idiota, que ataca a liberdade de gays e mulheres, não tem discurso econômico e parece porta-voz dos grupos religiosos mais radicais. Onde está a direita democrática e liberal, Flávio?

Anônimo disse...

muito limitado

Questão disse...

Ola devo dizer que eu gostei muito de seu texto,sou um cara comum e achei ele na internet ao acaso,sempre vejo texto de feministas,religiosos,ateus e todo o tipo de coisa achando que são superiores uns aos outros,sendo que todos sucumbem na mesma armadilha que você colocou aqui,eu era ateu e hoje sou evangelico,mas tenho um profundo respeito pelo movimento ateista bem como demais movimentos,mas a grande maioria parece ter caido no modismo que você cita aqui,desculpe pelos meus possiveis erros ortograficos ou de exposição de ideias como disse antes sou um cara comum

sou evangelico,pró aborto(mesmo eu por mim mesmo nunca faria aborto) entre outras coisas polemicas,poderia me se classificar se quiser como "direita democratica liberal",mesmo eu tendo uma profunda admiração pelo marxismo,está na hora de todos largarem os rotulos inclusive os que se dizem "liberais"

continue com os bons textos

um grande abraço

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Feminismo: a sedução do signo


Certa manhã, enquanto dividia minha atenção entre uma partida de poker online, um cappuccino empelotado e o glorioso ensaio filosófico da Letícia Birkheuer na Playboy, uma discussão na comunidade da USP do orkut me chamou a atenção: segundo um dos discursantes, o que pode ser chamado no espectro político de "direita" é um termo relativo, estando sempre em oposição à "esquerda". Para o cidadão, tudo depende da composição que se tem em um país. Assim, alguém de direita pode ser de esquerda, sob outro ponto de vista. Ou não. Desta forma, poderia-se definir se um caboclo é de direita ou de esquerda por algo como sua defesa da pena de morte, e justamente por essa bandeira ter sido ora de um lado, ora de outro, isso os tornaria "relativos".

isso tudo porque "o signo é arbitrário".

Imediatamente larguei a partida de poker, mesmo com um Ás e uma Rainha em mãos, cuspi o cappuccino e, bom, deixei o ensaio filosófico da Birkheuer por perto para casos de necessidade.

Estava plenamente acostumado, por anos de discussões inúteis na internet, a lidar com este tipo ignóbil de falácia, em que se tenta classificar de estro próprio o que é um lado e o que é outro, podendo-se a qualquer momento (via de regra quando se está ridiculamente perto de se perder uma discussão) subverter as regras e inverter as proposições ao bel prazer do autor. Com tal técnica, pode-se defender até o nazismo, e alegar que as câmaras de gás não eram bem uma coisa nazista, pois isso é relativo (não seria preciso criar campos de concentração depois que todos os judeus já estivessem mortos, por exemplo). O que havia de novo é que o reclamante em questão citava ninguém menos do que Saussure para justificar seu método.

saussure.jpgA lingüística, por séculos, não foi muito além das questões históricas envolvendo o desenvolvimento das palavras dentro das línguas, com disciplinas como a filologia e a etimologia (que, por razões políticas, foram simplesmente limadas do curso de Letras, nowadays). Foi o mestre suiço Ferdinand de Saussure (1857-1913) quem lhe deu novo estatuto científico, propondo um objeto específico de estudo (a língua, ou lange, em posição à palavra), tendo cunhado justamente por isso a frase "O ponto de vista cria o objeto".

Para Saussure, um signo lingüístico não possui significado por si, mas sim em oposição a outros signos. Quando se diz "alface", nitidamente não se quererá ter dito "abobrinha", nem "trator" e nem "Nicolau dos Santos Neto".

Desenvolvendo essa idéia, Saussure determina que os signos são arbitrários, ou, em outras palavras, ao contrário do que se fazia pensar anteriormente, o significado do signo não possui correlação alguma com o seu significante (com os sons que são produzidos para expor um conceito). Assim, uma mesa não precisa ser parecida com a palavra "mesa" (mesmo porque pode ser completamente diferente em outra língua), assim como a expressão "puta que me pariu, caralho!" não costuma ter como significado a própria mãe do falante (mãe esta que cobra por sexo), seguida de uma genitália masculina hirta e com veias piscantes no vocativo.

Simples, no mamita? Seria, se alguém entendesse o que disso se deduz.

Meu herói, taxonomia não dói.

Quando um novo conceito surge por determinada circunstância histórica, é comum se criar uma nova palavra para exprimi-lo, geralmente usando o próprio léxico da língua. Vai ser difícil uma palavra como mzenski pegar para exprimir um novo conceito em português, enquanto seria bem comum em russo. Algumas regras também devem ser observadas: sufixos como pre- ou pos- possuem uma carga de sentido própria que não prescinde da temporalidade.

O problema é que nem sempre usam essas palavras que, mesmo sem ser necessário pesquisar a fundo o contexto de sua gênese, ainda assim pode-se auferir seu significado. Kakuzo Okakura, ao tentar explicitar em inglês o que significava a cerimônia do chá na sociedade japonesa para um Ocidente que ainda não entendia lhufas de Oriente, usou o neologismo "chaísmo" (teaism) para definir que há uma verdadeira cultura por detrás apenas do chá, uma verdadeira defesa de um ideal naquela cerimônia, embora ainda não constituísse uma religião à parte. O termo não pegou, mas ninguém precisa procurar um dicionário para tentar descobrir seu significado. Mas e quando a Revolução Francesa criou os termos "direita" e "esquerda"?

Os termos, no caso, dizem respeito a uma divisão funcional, e não ideológica, de quem lutava para manter privilégios antigos e quem buscava novos direitos nas Assembléias dos Estados Gerais. A sua carga ideológica veio posteriormente. Não é à toa que não havia como classificar ideologias anteriores à Revolução como "de direita" ou "de esquerda" (Maquiavel, que em sua época foi um empedernido defensor do regime, foi muito mais útil à esquerda do que a direita, por exemplo). Também não é à toa que a maioria dos bons pensadores desse tempo não se identificaram muito bem nem com um lado, nem com outro.

esquerda-direita.jpgMas é bem aqui que a porca de Saussure começa a torcer o rabo. Os termos usados, direita e esquerda, dão a impressão de serem apenas isso: o lado "da direita" e o lado "da esquerda" de um Congresso, onde se discutem temas políticos. Assim, onde houver discussão política, fatalmente haveria uma "esquerda" e uma "direita". Como se, nessa mesma época, houvesse xoguns de direita contra samurais de esquerda, ou sultões de direita contra califas de esquerda. Como se Cícero fosse de esquerda, e César fosse de direita.

Isso é derivado de algo que chamaria de crença no significante . Quando se dá de cara com um significante novo, ou, pior ainda, um signficante antigo usado em novo contexto, a tendência é aferrar-se ao seguro terreno do já conhecido e tentar atribuir significado ao signo baseando-se no que já se conhece do significante.

Se toda sala possui um lado "direito" e um "esquerdo", parece claro que numa sala de discussão política sempre haverá uma direita e uma esquerda. Se há uma ideologia política criada nessa mesma época que, através do sufixmo -ismo (bastante adequado a ideologias), foi chamada "conservadorismo", basta que o intelectual de extrema-Humanas que não faz idéia de quem sejam as pessoas conservadoras, e muito menos o que elas defendam, apenas conclua: "quem defende o conservadorismo é quem quer conservar a sociedade" - o que nos deixaria numa esquizofrênica situação se um conservador subisse ao poder logo após uma grande revolução, pois o conservador, automaticamente, teria de ser um "revolucionário" para colocar tudo da forma como prentede colocar.

O próprio termo statu quo (e não status quo, como costuma ser erroneamente usado) reflete essa pendenga: faz parte da expressão in statu quo [ante], ou seja, o estado em que as coisas estavam antes de uma grande catástrofe (peste, guerra, fome et cætera). Hoje, quem defende o statu quo é quem... quer manter o estado presente, não o passado.

Russell_Kirk.jpgAssim, a arbitrariedade do signo de Saussure vai pro caralho. O significado deixa de ser completamente independente do significante, passando a ser apenas um derivado deste. Isso é bastante comum com termos criados para se defender uma idéia usando-se mecanismos já existentes em uma língua, como o sufixo -ismo e sua carga de sentido própria do exemplo. Aferra-se ao que já se sabe, e força-se um significado que o novo conceito, que apenas escolheu uma palavra do léxico para representá-lo, não tem (o conservadorismo, por exemplo, poderia se chamar moralizantismo, e toda a patranha de "conservador é quem conserva" cairia por terra, sem mudar uma vírgula no conceito).

Por isso é doloroso ver um estudante da USP defender que os conceitos mudam ao (seu) bel-prazer porque são arbitrários. Arbitrário diz respeito justamente a depender apenas da vontade do proferidor para significar o que significa. Justamente por isso, não podemos trocar o significado dos signos já devidamente catalogados, apenas para facilitar nossas colocações ideológicas sobre eles (basta pensar na palhaçada que o termo "liberal" gera no Brasil).

Não é senão por isso é importante ainda trabalharmos com taxonomia, ou seja, termos uma lista de palavras (um dicionário) em que elas possam significar a mesma coisa tanto para o falante quanto para o ouvinte. Do contrário, os profissionais da comunicação serão os primeiros a misturar alhos com caralhos e nunca mais permitir a comunicação clara e sem ruídos de uma idéia pelo espaço entre uma boca e uma orelha.

A religião (e a falta dela) também sofrem

A mesma muafa se dá entre os termos "ateu" e "agnóstico". Na visão de bípedes comuns, ateu é o caboclo que não acredita em Deus. Agnóstico, o que não sabe se existe, então se comporta como um ateu, sem afirmar nem negar nada.

Porém, se queremos discutir filosofia bonito, vejamos a escorregada que está por trás desses termos: agnóstico diz respeito à possibilidade de conhecimento (usado basicamente, óbvio, a respeito de religião). Ateu já diz respeito ao caboclo "negar" a existência de Deus (afinal, não acreditar e "negar", nesse caso, praticamente se confundem). O termo "agnóstico" foi cunhado pelo biólogo Thomas H. Huxley, baseando-se em Hume e Kant.

ateus.jpegIsso nos deixa numa situação curiosa: em termos fiosóficos (que nada têm a ver com os termos correntes usados por aí), dá pra ser um ateu agnóstico (aquele que não acredita em Deus, porque não, digamos, "consegue" acreditar, dada a falta de evidências), ou um ateu "gnóstico" (aquele que julga ser possível ter algum conhecimento sobre a Providência, mas também julga que há "provas" da inexistência de Deus). O mesmo, aliás, se daria com o homem de fé: há quem julgue que seja possível obter conhecimento a respeito de Deus (como Santo Agostinho, São Tomás e toda essa ala da patrística/escolástica/espiritualismo que vai resultar num Olavo de Carvalho, René Guénon e derivados) e aqueles que julgam que, no fim, é tudo matéria de fé (por exemplo, um Kierkegaard, cuja dialética só como último ato coloca Deus como "solução" do problema do desespero).

Mas aí há um problema. Não podemos usar palavras com o seu sentido etimológico achando que dá pra se livrar de sua carga histórica, e do que significou historicamente. "Gnósticos", por exemplo, foram caras que julgaram que dava para o homem ter total conhecimento a respeito do divino e encaminhar sua existência por si. Foram seitas hereges, e também algumas sociedades que existem até hoje (como os maçons). Nesse caso, por exemplo, poderíamos considerar os marxistas "gnósticos", porque julgam ter um método que defina o que devem saber do divino (ou seja, que é uma fábula de controle social) e de como se dá tudo na Terra (e assim explicam desde a literatura até a psicologia pelo método do materialismo histórico dialético).

Fica então complicado dizer que um indivíduo ateu ou cristão que julga possuir informações sólidas para sustentar suas convicções seja "gnóstico", já que estes, apesar da etimologia, são um grupo bem definido e diferenciado dos outros.

O complicado da linguagem filosófica é esse: não dá para pegar uma palavra com sentido X e querer que ela só tenha esse sentido X, porque ela pode já ter sido usada por um grupo Y e, assim, além de X, ela vai também significar Y a contragosto.

É bem por isso que geralmente se considera que todo agnóstico um ateu ainda no armário: eles se comportam como ateus, concordam com as mesmas coisas que ateus, acreditam e seguem os mesmos princípios de ateus. Mas um está preocupado com a possibilidade de conhecimento, o outro já acha que é possível possuí-lo, mas chegou à mesma conclusão anterior: não há algo além da matéria bruta.

Feminismo não significa "defender mulheres".

Exatamente por essa ideologia na formulação dos significados é que alguns signos são feitos maneira muito mais efetiva do que outros, conseguindo fazer pegar um significado praticamente tão somente pelo significante, deixando Saussure de cabelos em pé.

Não há melhor exemplo do que o termo feminismo. Um termo que só pode ter sido criado por um Washington Olivetto da lexicologia.

marxismo feminismo.jpgA idéia do feminismo é uma idéia de aplicação do marxismo em um novo âmbito: se o barbudão dizia haverem "classes sociais" que estavam "em luta", algumas pensadoras (na verdade, não só mulheres) concluíram que a desigualdade de gênero em uma sociedade marcada pelos privilégios masculinos poderia ser interpretada como essa mesma luta - não mais de "classes socias", mas entre os gêneros.

feminismo-marxista.jpgA despeito de muita água ter corrido por este moinho e de fato várias conquistas terem sido obtidas para as mulheres como um todo, não é possível dissociar o termo de seu caráter marxista. Não existem feministas que não sejam marxistas. Não existem feministas contrárias à idéia de uma luta travada entre os gêneros (feministas que se opuseram a essa idéia, como Camille Paglia e Christina Sommers, foram escorraçadas a pontapés do movimento). Outras importantes pensadoras das novas conquistas das mulheres na sociedade, mesmo em questões de sexualidade, que não fossem rigorosamente marxistas, como Ayn Rand e Martha Nussbaum, nunca foram consideradas feministas, por não estarem bradando contra o macho branco ocidental (como diriam os discípulos de Derrida), megafone em uma mão e barbeador na outra.

O problema está no significante. A idéia é que qualquer defesa da mulher, da "fêmea", é feminismo. Não é. Se assim o fosse, as críticas da Igreja Católica ao apedrejamento de mulheres no irã, mutilações e deformações com óleo seria feminismo. Alguém considera a Igreja Católica feminista? Nem eu. Terrorismo ácido shahnaz bibi.jpgO significado do signo feminista engana pelo significante: alguns têm medo de não serem feministas por não serem contra direitos e conquistas importantes das mulheres em uma sociedade preconceituosa. Não há razão pra pânico: o horror maior é comer toda a carga de marxismo de Victoria's Secret junto.

A levar essa idéia a rigor, defender direitos dos homens (lato sensu, ou seja, só os direitos que atingem a população masculina, como acesso à pornografia públicagratuitaedequalidade, filmes de muay thai e divisórias mais ortodoxas em mictórios) não seria machismo? Ninguém diria isso, mesmo que o signo faça crer que é assim mesmo. Mas no caso de machismo, todos já estão suficientemente crescidos e bem alimentados com farinha láctea e Biotônico Fontoura para não cair nessa esparrela do significante. Machismo é um termo cunhado para a opressão à mulher (nem que seja uma inocente piadinha machista). Por que não admitir logo que o feminismo é uma idéia marxista, e não a defesa das mulheres? Nenhum uso do termo feminismo permite que o signo seja usado sem esse contexto. A Igreja Católica que o diga.

A taxonomia, Saussure e a Playboy da Letícia Birkheuer agradecem.

10 pessoas leram e discordaram:

Anônimo disse...

Como leigo em linguística, achei o texto bastante esclarecedor em vários pontos, ainda que eu tivesse certa noção não formalizada do que os termos direita, esquerda, agnosticismo, gnosticismo, ateísmo, feminismo ou machismo são.

Pergunto, na linha do termo "feminismo" passando a falsa idéia de "defesa das mulheres", segue o termo "progressista" passando a falsa idéia de que fazem lá muito progresso?

"Por que não admitir logo que o feminismo é uma idéia marxista, e não a defesa das mulheres?"
Muito bom!

Matthäus de Souza disse...

Já estava ansioso a espera de uma nova postagem, com a MDCEH tão estática quanto puta desdentada, me vi carente de um bagulho mais elaborado. Gostei de toda explanação e a rara "clareza" presente nesse texto e debates desse tipo com "estudantes" carentes de encéfalo são cansativos (eu já ouvi fulano dizer que o Corão é uma obra magnífica) Enfim, queria ver essa bagaça mais ativa, de menos acrescentaria aos direitos dos homens, videogames mais baratos.

Alexandre disse...

Texto bastante claro. As pessoas deveriam escrever mais assim.

Só faltou fechar um parêntese no último parágrafo.

Flavio Morgenstern on 3 de junho de 2011 12:52 disse...

Anônimo, obrigado pela mensagem.

De fato, "progressista" foi um termo talvez inventado pelo mesmo Washington Olivetto da lexicografia. Depois de o Muro de Berlim caiu, é simplesmente ridículo defender algo com "social" no nome. O jeito foi agrupar tudo em um rótulo completamente novo, criado ad hoc para substituir o fracasso socialista.

Já escrevi em mais detalhes sobre o assunto aqui: http://urubudsman.blogspot.com/2011/02/os-conservadores-e-o-big-brother.html

Curiosamente, quem mais fez o mundo progredir foram "reacionários" que criaram meios novos de atingir mercados que antes eram inatingíveis (justamente por terem pouco dinheiro), justamente na iniciativa privada, e não tentando criar "progresso" por via estatal. Thomas Sowell, o maior economista vivo do mundo, explica bem nessas duas páginas, que fazem qualquer esquerdista abandonar totalmente a esquerda assim que termina de ler: http://www.nationalreview.com/articles/229862/real-public-service/thomas-sowell

Flavio Morgenstern on 3 de junho de 2011 12:55 disse...

Matthäus de Souza, tenho tentado manter maior freqüência nos blogs, já que o orkut está morto e o Facebook não possui fóruns para arranca-Habermas. Mas sabe como é, faculdade, trabalho e sobretudo preguiça impedem-me de ser bonzinho com meus leitores e arrepiar o cabelo dos meus detratores com muita freqüência...


Alexandre, curiosamente, antes de ver os comentários aqui, estava pensando justamente que sempre corrigem meus textos no Implicante, mas aqui não tenho revisor. Nem mesmo meus amigos que peço para darem uma olhada no texto no MSN. Acredite-me, estava com muito mais erros do que só o parêntese... mas agradeço pelo trabalho de urubudsman!

Anônimo disse...

O seu blog está comprometendo seriamente a minha produtividade no trabalho, seu maldito. Eu quero escrever como você quando crescer.

Falando em revisor: acho que o correto é "o barbudão dizia *haver* classes sociais" ("haver" no sentido de existir é impessoal).

-lia- on 3 de novembro de 2011 10:00 disse...

então quer dizer que toda a sua análise do feminismo se baseia na etimologia da palavra?

e ainda usa o santo nome do saussure pra justificar isso?

"Não existem feministas que não sejam marxistas."

Me passa essa cartilha do que a pessoa tem que fazer, ler, ser para ser feminista porque eu não conheço. Tem link?

Jana disse...

Flávio, esse é justamente o tipo de ideia que muitas feministas querem passar, ou seja, só é possível defender que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens dentro do pensamento de esquerda, da ideologia marxista. Isso é o mesmo que dizer que toda a direita é contra a liberdade e a igualdade para mulheres, gays, negros etc.

Um grande engodo, porque todas as conquistas alcançadas nesse sentido foram promovidas pelo ideal liberal e democrático. Inclusive, mulheres, negros e gays foram excluídos de toda ação política nos países comunistas. Prova que esse discurso só serve para enganar os trouxas antes da revolução.

O avanço desse mal só se dá porque temos como oposição política um movimento idiota, que ataca a liberdade de gays e mulheres, não tem discurso econômico e parece porta-voz dos grupos religiosos mais radicais. Onde está a direita democrática e liberal, Flávio?

Anônimo disse...

muito limitado

Questão on 20 de janeiro de 2012 12:27 disse...

Ola devo dizer que eu gostei muito de seu texto,sou um cara comum e achei ele na internet ao acaso,sempre vejo texto de feministas,religiosos,ateus e todo o tipo de coisa achando que são superiores uns aos outros,sendo que todos sucumbem na mesma armadilha que você colocou aqui,eu era ateu e hoje sou evangelico,mas tenho um profundo respeito pelo movimento ateista bem como demais movimentos,mas a grande maioria parece ter caido no modismo que você cita aqui,desculpe pelos meus possiveis erros ortograficos ou de exposição de ideias como disse antes sou um cara comum

sou evangelico,pró aborto(mesmo eu por mim mesmo nunca faria aborto) entre outras coisas polemicas,poderia me se classificar se quiser como "direita democratica liberal",mesmo eu tendo uma profunda admiração pelo marxismo,está na hora de todos largarem os rotulos inclusive os que se dizem "liberais"

continue com os bons textos

um grande abraço

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