terça-feira, 7 de junho de 2011

É tudo culpa do aquecimento global.

Sou um ecologista radical. Não basta ser vegan, boicotar sacolas de plástico, fumar folhas naturais, trocar o papel higiênico por folhas de bananeira, reciclar os ursos panda e praticar fotossíntese nas horas vagas - temos de fazer a dança da chuva e invocar uma nova era glacial. E isso nem carta de Magic resolve no próximo turno.

Repetiria teclas já batidas por outros se falasse do padrão de vida dos nórdicos. A esquerda diz que é graças ao Welfare State e vota no Lula por isso. A direita acha que é por causa do Cristianismo e lê Weber. Eu digo que é tudo culpa do clima.

Quando foi a última vez que você acordou sob um sol de 50º cozinhando seus neurônios e conseguiu sentar-se abaixo de uma árvore, ler Hawking, Greimas ou a Escola de Frankfurt e calmamente entender o texto, como se nada atrapalhasse sua aquisição de conhecimento, antes que uma maçã acertasse sua cabeça?

A filosofia só pode ter nascido no Inverno. Tudo o que o calor nos legou foi monoteísmo e pernilongos.

frio interior.jpgNão é possível pensar no Verão. É por isso que propaganda de cerveja, no Brasil, sempre fala de Carnaval, praia e vagabunda semi-nua. Enquanto a Polônia exporta cérebros, nós exportamos bunda. O frio, além de priorizar a mente - pois as escolhas pelo sexo oposto são feitas visualmente por estilo de roupas, e não só pela sua pouca quantidade - é mais charmoso. Ou você conhece alguém que não ache cool (!) soltar fumaça visível pela boca sem precisar fumar?!

É por isso que nosso povo se reproduz como baratas, sobretudo em estados de clima quente. Primus, porque apesar de sexo produzir ainda mais calor, as pouca-vergonhas do próximo estão sempre à mostra. Secundus, se não é possível pensar no calor, como fazer o tempo passar, senão com a putaria?!

Sendo o maior neomalthusiano vivo deste planeta, lembro imediatamente que o planeta esquenta pela típica moral cristã-capitalista do "Crescei-vos e multiplicai-vos". Vá lá que o aquecimento global já era problema no período jurássico, com bichos gigantes que peidavam como se não houvesse amanhã, mas o mais fácil é ver gente culpando os EUA pelo aquecimento global. Difícil é ver que a culpa é nossa.

alqaeda.jpgO caso mais óbvio é o do canudo: qualquer copo limpo que te dão vem com canudo. Culpa das empresas? Veja o que acontece quando o funcionário do mês entrega um copo sem canudo para alguém. Nunca vi alguém passar batido e não pedir o dito cujo. Plástico gratuito que não serve pra nada. São as mesmas pessoas que, depois, votarão no Obama e são contra a Guerra do Iraque. Cada canudo representa a sanha por petróleo, mais um iraquiano morto. Sem canudos, não precisamos de Iraque, e poderíamos tê-lo deixado pacificamente nas mãos de Saddam Hussein.

Há também um esforço para a segurança e a saúde que todo político quer tomar para si em seus discursos. Tolice. A culpa é do calor. A saúde na Noruega é exemplar? Também, imagine que mosquito da dengue e caramujo pestilento está por lá!

Mas já que as pessoas só se mobilizam por algo quando a coisa as afeta diretamente, falemos da segurança. O Brasil é um país violento? É porque ele é quente. Há assaltos e assassinatos? Culpa do calor! Pegue alguém que já foi assaltado mais de 5 vezes e pergunte pra ele se estava um frio de rachar e/ou chovendo no momento. Ladrão é tudo vagabundo, e por ser brasileiro, quer viver num mundo de propaganda de cerveja. Nada de pegar no batente se tiver muito frio ou tiver de se queimar!

O calor do sol gera a violência. Desde as moléculas praticando porradaria em vale-tudo até na literatura. Raskolnikov estava em Moscou, mas reclamava da caliça do verão quando matou a velha usurária ("Limpeza como essa é coisa de velhas más"), assim como o protagonista d'O Estrangeiro, de Camus, dá a melhor resposta (uma das mais belas frases da Literatura Universal) quando perguntado por que matou um árabe: "Por causa do Sol". (releiam o livro e me digam: se a porra do sol não estivesse queimando, como diabos o árabe poderia levar os 5 tiros de sua arma?!)

Como prova final disso, digo que moro em um bairro perigoso, preciso atravessar uma linha do trem perto de uma favela para ir para qualquer lugar nessa cidade que julga ter algo de Primeiro Mundo. Já quase fui assaltado pelo mesmo cara 2 vezes no caminho até a faculdade. Sorte que sou estudante de Letras e, apesar de neoliberal, posso passar por sem-terra facilmente quando não faço a barba por 2 dias.

frio caminho.jpgHoje, saindo mais tarde do que o costume para ir jantar, percebi que o clima podia ser descrito como o parágrafo inicial de qualquer livro de Sidney Sheldon: "Era uma noite muito escura e fria, as nuvens faziam a chuva cair sem parar..." Como ainda não chovia quando saí de casa, releguei o guarda-chuva, que nunca gostei de usar. Apesar da escuridão maior no caminho, não dei de encontro com vivalma, pela primeira vez em toda a história de convivência com vagabundos traiçoeiros nas redondezas.

Sorte? Unilateridade? Começou a chover a cântaros, e sem guarda-chuva, despiciendo fazer notar que cheguei em casa mais molhado que a precheca da Silvia Saint quando pegava no batente. E, pra todos viverem felizes para sempre, cheguei em casa sem vontade de matar nenhum árabe e nenhuma velhinha!

Parem de usar canudinho. Nossos árabes agradecem.

11 pessoas leram e discordaram:

Anônimo disse...

Que visão inovadora! Se estudar mais a fundo, pode dar uma boa tese de mestrado/doutorado! (Não é ironia.)

Anônimo disse...

pô, inovadora? isso é determinismo puro.
que merda!

Anônimo disse...

Nossa! É engraçado ver o determinismo, assim, tão vivo... Pense um pouco sobre o renascimento árabe. Acho que falta um pouco mais de crítica nesta tua visão. Nas análises pos festum é muito comum errarmos, ou relevarmos o que não tem relevância.

Matthäus de Souza disse...

Moro em Recife (acho que não preciso explicar como é a temperatura nesse lugar). Como você, também sou um defensor do congelamento global, faço diariamente ao meio dia uma pequena caminhada de 2 km e meus lábios estão totalmente ressecados, enfim a situação está foda. Concordo com toda explanação presente no texto, mas no entando eu fui recentemenre assaltado num dia chuvoso, a situação nesse país é uma bosta só, não tem para onde correr.

100+

Felipe Flexa disse...

Tendo a concordar que Filosofia é coisa pra inverno, mas ela não nasceu nas ilhotas do Mediterrâneo?

Flavio Morgenstern disse...

Felipe Flexa, e ilhota do Mediterrâneo não tem Inverno, e mesmo neve?


Anônimo, http://papodehomem.com.br/metralhando-mitos-e-cliches-2-livre-arbitrio/

alimacz disse...

odeio dizer isso, mas sinto sua falta.

Nelson disse...

Montesquieu afirmou exatamente isso no "Espírito das Leis". :)

Anônimo disse...

Cara, você me ganhou em "Ou você conhece alguém que não ache cool (!) soltar fumaça visível pela boca sem precisar fumar?!"

Sério.

Guedes disse...

Gosto do blog, você tem umas opiniões boas. Mas sua visão de Europa é um tanto estreita, muito típica de quem nunca viveu por lá ou nem mesmo tem notícias do que acontece na região.

Se lá é mais frio, basta um pouco só de calor pra muita gente andar seminua em absolutamente qualquer lugar, mesmo nas cidades. Até porque, lá existe liberdade real, muito diferente do cenário por aqui.

As pessoas tomam banho na fonte da praça. E se trocam na frente de todo mundo. Afinal, qual é o problema?

A visão de que a Europa é um bloco de gelo 365 dias por ano de Portugal a Rússia é um tanto estreita.

E o discurso aqui é naturalismo puro, que até mesmo eu de minha baixa cultura consigo ver.

De tão contraditório, não explica sua alta inteligência vivendo todo esse tempo em terras tão quentes, não acha?

Flavio Morgenstern disse...

Guedes, obrigado pela visita e elogios. Quanto às críticas, notou que esse texto é exagerado de Portugal á Rússia justamente por ser uma piada?

Abs

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terça-feira, 7 de junho de 2011

É tudo culpa do aquecimento global.


Sou um ecologista radical. Não basta ser vegan, boicotar sacolas de plástico, fumar folhas naturais, trocar o papel higiênico por folhas de bananeira, reciclar os ursos panda e praticar fotossíntese nas horas vagas - temos de fazer a dança da chuva e invocar uma nova era glacial. E isso nem carta de Magic resolve no próximo turno.

Repetiria teclas já batidas por outros se falasse do padrão de vida dos nórdicos. A esquerda diz que é graças ao Welfare State e vota no Lula por isso. A direita acha que é por causa do Cristianismo e lê Weber. Eu digo que é tudo culpa do clima.

Quando foi a última vez que você acordou sob um sol de 50º cozinhando seus neurônios e conseguiu sentar-se abaixo de uma árvore, ler Hawking, Greimas ou a Escola de Frankfurt e calmamente entender o texto, como se nada atrapalhasse sua aquisição de conhecimento, antes que uma maçã acertasse sua cabeça?

A filosofia só pode ter nascido no Inverno. Tudo o que o calor nos legou foi monoteísmo e pernilongos.

frio interior.jpgNão é possível pensar no Verão. É por isso que propaganda de cerveja, no Brasil, sempre fala de Carnaval, praia e vagabunda semi-nua. Enquanto a Polônia exporta cérebros, nós exportamos bunda. O frio, além de priorizar a mente - pois as escolhas pelo sexo oposto são feitas visualmente por estilo de roupas, e não só pela sua pouca quantidade - é mais charmoso. Ou você conhece alguém que não ache cool (!) soltar fumaça visível pela boca sem precisar fumar?!

É por isso que nosso povo se reproduz como baratas, sobretudo em estados de clima quente. Primus, porque apesar de sexo produzir ainda mais calor, as pouca-vergonhas do próximo estão sempre à mostra. Secundus, se não é possível pensar no calor, como fazer o tempo passar, senão com a putaria?!

Sendo o maior neomalthusiano vivo deste planeta, lembro imediatamente que o planeta esquenta pela típica moral cristã-capitalista do "Crescei-vos e multiplicai-vos". Vá lá que o aquecimento global já era problema no período jurássico, com bichos gigantes que peidavam como se não houvesse amanhã, mas o mais fácil é ver gente culpando os EUA pelo aquecimento global. Difícil é ver que a culpa é nossa.

alqaeda.jpgO caso mais óbvio é o do canudo: qualquer copo limpo que te dão vem com canudo. Culpa das empresas? Veja o que acontece quando o funcionário do mês entrega um copo sem canudo para alguém. Nunca vi alguém passar batido e não pedir o dito cujo. Plástico gratuito que não serve pra nada. São as mesmas pessoas que, depois, votarão no Obama e são contra a Guerra do Iraque. Cada canudo representa a sanha por petróleo, mais um iraquiano morto. Sem canudos, não precisamos de Iraque, e poderíamos tê-lo deixado pacificamente nas mãos de Saddam Hussein.

Há também um esforço para a segurança e a saúde que todo político quer tomar para si em seus discursos. Tolice. A culpa é do calor. A saúde na Noruega é exemplar? Também, imagine que mosquito da dengue e caramujo pestilento está por lá!

Mas já que as pessoas só se mobilizam por algo quando a coisa as afeta diretamente, falemos da segurança. O Brasil é um país violento? É porque ele é quente. Há assaltos e assassinatos? Culpa do calor! Pegue alguém que já foi assaltado mais de 5 vezes e pergunte pra ele se estava um frio de rachar e/ou chovendo no momento. Ladrão é tudo vagabundo, e por ser brasileiro, quer viver num mundo de propaganda de cerveja. Nada de pegar no batente se tiver muito frio ou tiver de se queimar!

O calor do sol gera a violência. Desde as moléculas praticando porradaria em vale-tudo até na literatura. Raskolnikov estava em Moscou, mas reclamava da caliça do verão quando matou a velha usurária ("Limpeza como essa é coisa de velhas más"), assim como o protagonista d'O Estrangeiro, de Camus, dá a melhor resposta (uma das mais belas frases da Literatura Universal) quando perguntado por que matou um árabe: "Por causa do Sol". (releiam o livro e me digam: se a porra do sol não estivesse queimando, como diabos o árabe poderia levar os 5 tiros de sua arma?!)

Como prova final disso, digo que moro em um bairro perigoso, preciso atravessar uma linha do trem perto de uma favela para ir para qualquer lugar nessa cidade que julga ter algo de Primeiro Mundo. Já quase fui assaltado pelo mesmo cara 2 vezes no caminho até a faculdade. Sorte que sou estudante de Letras e, apesar de neoliberal, posso passar por sem-terra facilmente quando não faço a barba por 2 dias.

frio caminho.jpgHoje, saindo mais tarde do que o costume para ir jantar, percebi que o clima podia ser descrito como o parágrafo inicial de qualquer livro de Sidney Sheldon: "Era uma noite muito escura e fria, as nuvens faziam a chuva cair sem parar..." Como ainda não chovia quando saí de casa, releguei o guarda-chuva, que nunca gostei de usar. Apesar da escuridão maior no caminho, não dei de encontro com vivalma, pela primeira vez em toda a história de convivência com vagabundos traiçoeiros nas redondezas.

Sorte? Unilateridade? Começou a chover a cântaros, e sem guarda-chuva, despiciendo fazer notar que cheguei em casa mais molhado que a precheca da Silvia Saint quando pegava no batente. E, pra todos viverem felizes para sempre, cheguei em casa sem vontade de matar nenhum árabe e nenhuma velhinha!

Parem de usar canudinho. Nossos árabes agradecem.

11 pessoas leram e discordaram:

Anônimo disse...

Que visão inovadora! Se estudar mais a fundo, pode dar uma boa tese de mestrado/doutorado! (Não é ironia.)

Anônimo disse...

pô, inovadora? isso é determinismo puro.
que merda!

Anônimo disse...

Nossa! É engraçado ver o determinismo, assim, tão vivo... Pense um pouco sobre o renascimento árabe. Acho que falta um pouco mais de crítica nesta tua visão. Nas análises pos festum é muito comum errarmos, ou relevarmos o que não tem relevância.

Matthäus de Souza disse...

Moro em Recife (acho que não preciso explicar como é a temperatura nesse lugar). Como você, também sou um defensor do congelamento global, faço diariamente ao meio dia uma pequena caminhada de 2 km e meus lábios estão totalmente ressecados, enfim a situação está foda. Concordo com toda explanação presente no texto, mas no entando eu fui recentemenre assaltado num dia chuvoso, a situação nesse país é uma bosta só, não tem para onde correr.

100+

Felipe Flexa on 13 de junho de 2011 19:07 disse...

Tendo a concordar que Filosofia é coisa pra inverno, mas ela não nasceu nas ilhotas do Mediterrâneo?

Flavio Morgenstern on 18 de junho de 2011 09:20 disse...

Felipe Flexa, e ilhota do Mediterrâneo não tem Inverno, e mesmo neve?


Anônimo, http://papodehomem.com.br/metralhando-mitos-e-cliches-2-livre-arbitrio/

alimacz disse...

odeio dizer isso, mas sinto sua falta.

Nelson on 22 de junho de 2011 12:03 disse...

Montesquieu afirmou exatamente isso no "Espírito das Leis". :)

Anônimo disse...

Cara, você me ganhou em "Ou você conhece alguém que não ache cool (!) soltar fumaça visível pela boca sem precisar fumar?!"

Sério.

Guedes disse...

Gosto do blog, você tem umas opiniões boas. Mas sua visão de Europa é um tanto estreita, muito típica de quem nunca viveu por lá ou nem mesmo tem notícias do que acontece na região.

Se lá é mais frio, basta um pouco só de calor pra muita gente andar seminua em absolutamente qualquer lugar, mesmo nas cidades. Até porque, lá existe liberdade real, muito diferente do cenário por aqui.

As pessoas tomam banho na fonte da praça. E se trocam na frente de todo mundo. Afinal, qual é o problema?

A visão de que a Europa é um bloco de gelo 365 dias por ano de Portugal a Rússia é um tanto estreita.

E o discurso aqui é naturalismo puro, que até mesmo eu de minha baixa cultura consigo ver.

De tão contraditório, não explica sua alta inteligência vivendo todo esse tempo em terras tão quentes, não acha?

Flavio Morgenstern on 1 de agosto de 2011 16:44 disse...

Guedes, obrigado pela visita e elogios. Quanto às críticas, notou que esse texto é exagerado de Portugal á Rússia justamente por ser uma piada?

Abs

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