segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Notas de um crítico literário mal humorado

Quase tudo o que sei devo aos livros. Incluo importante apotegma: há poucos livros a serem lidos, pouquíssimos a serem relidos e a maioria tem usufruto melhor como lenha, arma de dano por contusão ou mote contra o desmatamento.

god of war.jpgDespiciendo fazer notar que a leitura de determinadas obras são singulares ritos de passagem, diferenciando crianças de fazedores de crianças, incautos de profissionais registrados em carteira e os só levemente boiolas dos possivelmente escoceses. É como tentar conceber (no sentido de imaginar, não no de furunfar até vir à luz) alguém que não esteja sequer familiarizado com as hidrofobias da Ilíada e da Odisséia. No mínimo, essas pessoas não são ocidentais o suficiente. Se até Marx as citava no original em grego, qualquer paspalho tem, no mínimo, a obrigação de fazer o mesmo.

ubermensch.jpgSe não é possível conhecer uma pessoa através de sua biblioteca, fatalmente será possível conhecê-la através de suas impressões sobre os livros. Achou Nietzsche depressivo? É uma patricinha afrescalhada precisando levar uma surra com um gato morto. Se ofendeu com uma chatice como Madame Bovary? Só pode ser da Opus Dei. Chorou com a morte de Edwiges? Nunca viu sangue na vida. Leu Heidegger e sobreviveu? Não entendeu picas.

Porém, notemos melhor o que significa haver poucos livros a serem lidos. Não quer dizer que esses cartapácios sejam obras pequenas, de forma alguma. O Homem sem Qualidades pode ser usado como haltere, e ao terminar de ler Em Busca do Tempo Perdido, você se sente com a mesma sensação do título.

Ora, presumindo que a chusma de escritores estróinas também leia alguma coisa (o que já é um superfaturamento do otimismo), seria também de sofismar que esses matungos, egressos de revistas vagabundas, não abusassem do relógio e da bolsa escrotal do leitor, procurando escrever apenas aquilo que merecesse concorrer com Proust, Novalis ou Kierkegaard, dedicando o seu tempo sem inspiração para ler estes mesmos autores, jogar pedras no lago ou praticar a modalidade de esgarçamento moral conhecida como especulação financeira. Ledo engano! A camorra de depauperados usa o tempo sem inspiração para... escrever sobre sua falta de inspiração.

É o encaralhamento de toda a sapiência estarmos debruçados sobre o cânone ocidental, a escavar uma míriade de referências que nunca entenderemos, para alguns escritores fazerem fama, incluindo na Academia, com textículos cuja resposta automática padrão é: "Piadão, hein?", e competindo em nossa aquisição de cultura com um Poe, um Céline, as irmãs Brontë.

Acaso é lícito espatifar a sintaxe para vê-la reconstruída por emaconhados embusteiros, cujos dislates chegam a (o exemplo é real, de uma monografia): "No último terceto do soneto, primeiro verso, le rouge et le noir.jpghá aliteração da oclusiva /k/, o que sugere o ritmo da batida do coração, quando eterniza a música, a canção, enquanto a assonância da vogal /a/ sugere um sentimento de alegria do 'eu' lírico"?!

Claro, não é preciso apenas ler Ovídio, Dante e Milton, mesmo porque autores consagrados e muito lidos, como Dostoiévski, Stendhal, Tolstói, Pessoa ou Goethe acabam sendo lidos para que se diga que foram lidos. É só perguntar sobre as desventuras de Julien Sorel para qualquer um que tenha terminado Le Rouge et le Noir. A resposta será: "Cara, que livro bom! As idéias, a força dos personagens, o enredo... as tramóias na Corte, o mosteiro, as mulheres... não entendi nada do que se tanto discute sobre o livro, mas... genial!"

Por outro lado, por que se deve perder um tempo precioso (que poderia ser jogado fora de maneira mais útil lendo o caderno de Economia do jornal ou se masturbando feito um chimpanzé) com coisas como chico buarque budapeste.jpgAlain Robbe-Grillet e seu nouveau roman ("novo romance"), movimento de vanguarda francês que nos anos 50 e 60 reuniu Marguerite Duras, Nathalie Sarraute e Michel Butor, entre outros autores que, hoje, ninguém mais lê? As bases deste movimento foram lançadas pelo manifesto Pour un Nouveau Roman, de 1963, no qual Robbie-Grillet declarava seu desprezo pela ideologia, pela psicologia dos personagens e por qualquer coisa que pudesse provocar o mínimo interesse do leitor. Coerente com seus postulados, o autor escreveu romances putaqueopariumente chatos como Le Voyeur e filmes arrastados como O Ano Passado em Marienbad. No Brasil, autores como Chico Buarque souberam imitá-lo com total sucesso.

Enquanto isso, todas as minhas peças de Shakespeare continuam acumulando pó na estante, já que meus professores fazem de tudo para me impedir de lê-las, e antes de algumas eras fritando no Inferno, não conseguirei encostar um dedo em qualquer um de seus papéis já bastante consumidos pelo tempo, o mais antigo dos assassinos.

bukowski.jpgSem dúvida há a poesia. Aquela que você lê sem se preocupar com coisas arcaicas como gramática ou sintaxe. O problema, aqui, é que até uma criança é capaz de escrever um bom verso, emotivo, quiçá com certa complexidade, para ser usado como frase de efeito desprovida de efeito pelo elucutor, como "Deus está morto!" ou "Penso, logo existo". Já a prosa, assim como a música, a engenharia e os grandes seqüestros, é tarefa para poucos homens. E nossos intelectuerdas cada vez mais se preocupam em escrever como um beócio - talvez já entendendo qual o nível psicológico e cultural de seu público pagante, esses escritores com fins lucrativos...

De que adianta ser culto, quando a nossa própria cultura, ao invés de ser uma cultura intelectual pra caralho, é uma cultura intelectual de merda?!

7 pessoas leram e discordaram:

Guilherme Semionato disse...

duh.

Anônimo disse...

Mergulhei de novo no texto... posso depois comentar ? @sulain

Gustavo Micheletti disse...

Por que eu acho que já conheço esse texto?

Rodrigo disse...

Bukowski deve estar se revirando no túmulo preocupado com o que vc acha dessa merda toda..não sei pq não peguei uma cerveja gelada..um cigarro barato e fui ler o teu texto cagando no meu vaso receptor de merda..seria a adaptação ao adequado..merda com cheiro de merda..pena as páginas não reproduzirem nenhum cheiro..não sei o q seria mais fétido..minha bosta ou a merda do teu texto..seria apenas impressão minha ou realmentes temos um menino plagiador q não consegue dormir perseguido pelos medos de passar pela vida ser deixar nada que cheire bem e possa se tornar atemporal...

Daniel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavio Morgenstern disse...

Rodrigo, sua capacidade de interpretar textos críticos e encontrar verminosos vitupérios contra Charles Bukowski, escritor sequer citado no texto, prova que o senhor pode até não saber ler (e muito menos escrever, como atesta esse seu dialeto que muito lembra o português), mas ao menos soube ver as figuras muito bem.

Mas nada melhor do que um quase anônimo me chamando de plagiador sem apontar alguém que minimamente tenha um resquício de inspiração pra plágio, enquanto usa uma intestinal cópia simiesca de missiva enviada para a redação da revista MAD no afã de tentar me dessqualificar.

Tome cuidado com essa familiaridade toda com a coprofagia, pois ao menos na escrita, já está vomitando bosta que pode te deixar com um hálito bem pouco produtivo para quem busca algum dia possuir uma vida sexual que não seja uma página em branco.

Nelson disse...

Só não sou mais culto, porque não tenho dinheiro que baste para comprar os livros que quero. #proletáriodadepressão

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Notas de um crítico literário mal humorado


Quase tudo o que sei devo aos livros. Incluo importante apotegma: há poucos livros a serem lidos, pouquíssimos a serem relidos e a maioria tem usufruto melhor como lenha, arma de dano por contusão ou mote contra o desmatamento.

god of war.jpgDespiciendo fazer notar que a leitura de determinadas obras são singulares ritos de passagem, diferenciando crianças de fazedores de crianças, incautos de profissionais registrados em carteira e os só levemente boiolas dos possivelmente escoceses. É como tentar conceber (no sentido de imaginar, não no de furunfar até vir à luz) alguém que não esteja sequer familiarizado com as hidrofobias da Ilíada e da Odisséia. No mínimo, essas pessoas não são ocidentais o suficiente. Se até Marx as citava no original em grego, qualquer paspalho tem, no mínimo, a obrigação de fazer o mesmo.

ubermensch.jpgSe não é possível conhecer uma pessoa através de sua biblioteca, fatalmente será possível conhecê-la através de suas impressões sobre os livros. Achou Nietzsche depressivo? É uma patricinha afrescalhada precisando levar uma surra com um gato morto. Se ofendeu com uma chatice como Madame Bovary? Só pode ser da Opus Dei. Chorou com a morte de Edwiges? Nunca viu sangue na vida. Leu Heidegger e sobreviveu? Não entendeu picas.

Porém, notemos melhor o que significa haver poucos livros a serem lidos. Não quer dizer que esses cartapácios sejam obras pequenas, de forma alguma. O Homem sem Qualidades pode ser usado como haltere, e ao terminar de ler Em Busca do Tempo Perdido, você se sente com a mesma sensação do título.

Ora, presumindo que a chusma de escritores estróinas também leia alguma coisa (o que já é um superfaturamento do otimismo), seria também de sofismar que esses matungos, egressos de revistas vagabundas, não abusassem do relógio e da bolsa escrotal do leitor, procurando escrever apenas aquilo que merecesse concorrer com Proust, Novalis ou Kierkegaard, dedicando o seu tempo sem inspiração para ler estes mesmos autores, jogar pedras no lago ou praticar a modalidade de esgarçamento moral conhecida como especulação financeira. Ledo engano! A camorra de depauperados usa o tempo sem inspiração para... escrever sobre sua falta de inspiração.

É o encaralhamento de toda a sapiência estarmos debruçados sobre o cânone ocidental, a escavar uma míriade de referências que nunca entenderemos, para alguns escritores fazerem fama, incluindo na Academia, com textículos cuja resposta automática padrão é: "Piadão, hein?", e competindo em nossa aquisição de cultura com um Poe, um Céline, as irmãs Brontë.

Acaso é lícito espatifar a sintaxe para vê-la reconstruída por emaconhados embusteiros, cujos dislates chegam a (o exemplo é real, de uma monografia): "No último terceto do soneto, primeiro verso, le rouge et le noir.jpghá aliteração da oclusiva /k/, o que sugere o ritmo da batida do coração, quando eterniza a música, a canção, enquanto a assonância da vogal /a/ sugere um sentimento de alegria do 'eu' lírico"?!

Claro, não é preciso apenas ler Ovídio, Dante e Milton, mesmo porque autores consagrados e muito lidos, como Dostoiévski, Stendhal, Tolstói, Pessoa ou Goethe acabam sendo lidos para que se diga que foram lidos. É só perguntar sobre as desventuras de Julien Sorel para qualquer um que tenha terminado Le Rouge et le Noir. A resposta será: "Cara, que livro bom! As idéias, a força dos personagens, o enredo... as tramóias na Corte, o mosteiro, as mulheres... não entendi nada do que se tanto discute sobre o livro, mas... genial!"

Por outro lado, por que se deve perder um tempo precioso (que poderia ser jogado fora de maneira mais útil lendo o caderno de Economia do jornal ou se masturbando feito um chimpanzé) com coisas como chico buarque budapeste.jpgAlain Robbe-Grillet e seu nouveau roman ("novo romance"), movimento de vanguarda francês que nos anos 50 e 60 reuniu Marguerite Duras, Nathalie Sarraute e Michel Butor, entre outros autores que, hoje, ninguém mais lê? As bases deste movimento foram lançadas pelo manifesto Pour un Nouveau Roman, de 1963, no qual Robbie-Grillet declarava seu desprezo pela ideologia, pela psicologia dos personagens e por qualquer coisa que pudesse provocar o mínimo interesse do leitor. Coerente com seus postulados, o autor escreveu romances putaqueopariumente chatos como Le Voyeur e filmes arrastados como O Ano Passado em Marienbad. No Brasil, autores como Chico Buarque souberam imitá-lo com total sucesso.

Enquanto isso, todas as minhas peças de Shakespeare continuam acumulando pó na estante, já que meus professores fazem de tudo para me impedir de lê-las, e antes de algumas eras fritando no Inferno, não conseguirei encostar um dedo em qualquer um de seus papéis já bastante consumidos pelo tempo, o mais antigo dos assassinos.

bukowski.jpgSem dúvida há a poesia. Aquela que você lê sem se preocupar com coisas arcaicas como gramática ou sintaxe. O problema, aqui, é que até uma criança é capaz de escrever um bom verso, emotivo, quiçá com certa complexidade, para ser usado como frase de efeito desprovida de efeito pelo elucutor, como "Deus está morto!" ou "Penso, logo existo". Já a prosa, assim como a música, a engenharia e os grandes seqüestros, é tarefa para poucos homens. E nossos intelectuerdas cada vez mais se preocupam em escrever como um beócio - talvez já entendendo qual o nível psicológico e cultural de seu público pagante, esses escritores com fins lucrativos...

De que adianta ser culto, quando a nossa própria cultura, ao invés de ser uma cultura intelectual pra caralho, é uma cultura intelectual de merda?!

7 pessoas leram e discordaram:

Guilherme Semionato on 27 de dezembro de 2010 20:13 disse...

duh.

Anônimo disse...

Mergulhei de novo no texto... posso depois comentar ? @sulain

Gustavo Micheletti on 29 de dezembro de 2010 19:45 disse...

Por que eu acho que já conheço esse texto?

Rodrigo disse...

Bukowski deve estar se revirando no túmulo preocupado com o que vc acha dessa merda toda..não sei pq não peguei uma cerveja gelada..um cigarro barato e fui ler o teu texto cagando no meu vaso receptor de merda..seria a adaptação ao adequado..merda com cheiro de merda..pena as páginas não reproduzirem nenhum cheiro..não sei o q seria mais fétido..minha bosta ou a merda do teu texto..seria apenas impressão minha ou realmentes temos um menino plagiador q não consegue dormir perseguido pelos medos de passar pela vida ser deixar nada que cheire bem e possa se tornar atemporal...

Daniel on 4 de janeiro de 2011 06:45 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavio Morgenstern on 10 de janeiro de 2011 20:00 disse...

Rodrigo, sua capacidade de interpretar textos críticos e encontrar verminosos vitupérios contra Charles Bukowski, escritor sequer citado no texto, prova que o senhor pode até não saber ler (e muito menos escrever, como atesta esse seu dialeto que muito lembra o português), mas ao menos soube ver as figuras muito bem.

Mas nada melhor do que um quase anônimo me chamando de plagiador sem apontar alguém que minimamente tenha um resquício de inspiração pra plágio, enquanto usa uma intestinal cópia simiesca de missiva enviada para a redação da revista MAD no afã de tentar me dessqualificar.

Tome cuidado com essa familiaridade toda com a coprofagia, pois ao menos na escrita, já está vomitando bosta que pode te deixar com um hálito bem pouco produtivo para quem busca algum dia possuir uma vida sexual que não seja uma página em branco.

Nelson disse...

Só não sou mais culto, porque não tenho dinheiro que baste para comprar os livros que quero. #proletáriodadepressão

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