domingo, 14 de novembro de 2010

Em defesa da estudante Mayara

por Janaína Conceição Paschoal*, na Folha


Não parece justo que Mayara seja demonizada como paulista racista, quando o mote da campanha eleitoral foi o da oposição entre as regiões.

Sou neta de nordestinos, que vieram para São Paulo e trabalharam muito para que, hoje, eu e outros familiares da mesma geração sejamos profissionais felizes com sua vida neste grande Estado brasileiro.

É muito triste ler a frase da estudante de direito Mayara Petruso, supostamente convocando paulistas a afogar nordestinos.

Também é bastante triste constatar a reação de alguns nordestinos, que generalizam a frase de Mayara a todos os paulistas.

Igualmente triste a rejeição sofrida pelo candidato da oposição à Presidência da República, muito em função de ele ser paulista. Todos ouvimos manifestações no sentido de que, tivesse sido Aécio Neves o candidato, Dilma teria tido mais trabalho para se eleger.

Independentemente da tristeza que as manifestações ofensivas suscitam, e mais do que tentar verificar se a frase da jovem se “enquadraria” em qualquer crime, parece ser urgente denunciar que Mayara é um resultado da política separatista há anos incentivada pelo governo federal.

É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo.

Ultrapassado o processo eleitoral, que, infelizmente, aceitou todo tipo de promessas, muitas das quais, pelo que já se anuncia, não serão cumpridas, é hora de chamar o Brasil para uma reflexão. Talvez o caso Mayara seja o catalisador para tanto.

O Brasil sempre foi exemplo de união. Apesar das dimensões continentais, falamos a mesma língua.

Por mais popular que seja um líder político, não é possível permitir que essa união, que a União, seja maculada sob o pretexto de se criarem falsos inimigos, falsas elites, pretensos descontentes com as benesses conferidas aos pobres e aos necessitados.

São Paulo, é fato, é fonte de grande parte dos benefícios distribuídos no restante do país. São Paulo, é fato, revela-se o Estado mais nordestino da Federação.

Nós, brasileiros, não podemos permitir que a desunião impere. Tal desunião finda por fomentar o populismo, tão deletério às instituições no país.

Não há que se falar em governo para pobres ou para ricos. Pouco após a eleição, a futura presidente já anunciou o antes negado retorno da CPMF e adiou o prometido aumento no salário mínimo. Não é exagero lembrar que Getulio Vargas era conhecido como pai dos pobres e mãe dos ricos.

Não precisamos de pais ou mães. Não precisamos de mais vitimização. Precisamos apenas de governantes com responsabilidade.

Se, para garantir a permanência no poder, foi necessário fomentar a cisão, é preciso ter a decência de governar pela e para a União.

Quanto a Mayara, entendo que errou, mas não parece justo que seja demonizada como paulista racista, quando o mote dado na campanha eleitoral foi justamente o da oposição entre as regiões.

Se não dermos um basta a esse estratagema para manutenção no poder, várias Mayaras surgirão, em São Paulo, em Pernambuco, por todo o Brasil, e corremos o risco de perder o que temos de mais característico, a tolerância. Em nome de meu saudoso avô pernambucano, peço aos brasileiros que se mantenham unidos e fortes!

*JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, advogada, é professora associada de direito penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.


Comento:

O excelente texto da doutora Janaína Conceição Paschoal, que foi orientadora da minha namorada, deveria ter sido extremamente divulgado por todas as redes, como aconteceu com o texto de Leandro Narloch [Sim, eu tenho preconceito!] na mesma Folha, na última quinta [11/10].

As reações extravazadas às palavras de Narloch confirmaram a própria tese que ele defende, a saber, que nada exige a tolerância política com quem tem orgulho de sua falta de educação e, mesmo assim (e, hoje em dia, exatamente por isso) acha que pode governar um país. Mais do que isso, nada torna essa tolerância algo salutar para a democracia. Já o texto da professora Janaína aponta para a inversão do preconceito que corrói (como todo preconceito) o sadio tráfego de sinapses sem engarrafamentos paulistanos.

A campanha política desse ano foi pautada em um discurso estrábico e contraditório, de molde a criticar as privatizações, ao mesmo passo em que enaltece o aumento de consumo e bens acessíveis aos pobres, só possíveis graças a elas; o enaltecimento das virtudes democráticas e de liberdade de expressão só proporcionados por Lula, enquanto jornalistas foram quase expulsos do país, a imprensa é ameçada de censura (disfarçada de controle da mídia) e sempre tachada de golpista, enquanto a maior censura possível é feita escancaradamente – o fomento de pasquins governistas com dinheiro do contribuinte, sob alegação de “publicidade”; o Nordeste cresceu economicamente mais do que as outras regiões, mas ainda se culpe o Sul por seu atraso, entre outros tantos.

O fato, apontado pela doutora Janaína, é que o discurso do PT é pré-fabricado em linhas de produção do ABC paulista, mistifório vazio e manjado que tem sempre explicações e inimigos prontos para receberem a culpa que o governo quiser lhes impingir.

A culpa é sempre deles. De uma coletividade abstrata, dificilmente distinguida homogeneamente no mundo real, que, por sua constituição escorregadia, pode sempre ser sempre formalmente acusada de toda a sorte de crimes e calúnias sem nunca poder se defender – visto que inexiste. A elite branca, a classe média (sempre, paradoxalmente, mesclada à primeira), a mídia golpista, as corporações, os empresários, os paulistas.

Qual é o piso salarial de um operário do ABC? Muito provavelmente um deles negaria, mas contando-se todos os benefícios trabalhistas que recebe após anos de greves e piquetes, dificilmente um deles ganha menos de R$5.000,00 por mês. É essa turma que se considera “a classe trabalhadora”. Já se alguém se formar numa faculdade e virar trainee de publicitário para coletar mensalmente um michê fixo de R$1.800,00, este explorador será considerado “burguês” pelo “proletariado” ali atrás. Como deixa claro a doutora Janaína, para ser “operário”, basta se considerar pobre, ou defensor deles enquanto viaja por Paris; para ser “elite dominante”, basta não votar no PT.

A levar esta tese às estribeiras, o PT deveria ser mesmo considerado o melhor partido político do mundo: o Brasil agora tem só 56,05% de “operários trabalhadores”, enquanto tem uma “elite dominante” de simplesmente 43,95% da população.

Já afirmei antes: Mayara deveria sofrer punições não por racismo, mas por ser uma imbecil em níveis sociopatas. Mesmo porque, qualquer analista do discurso sabe, levar suas afirmações ao pé-da-letra seria outra atitude de mão-única levada a cabo por essa elite de operários. Quando a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, admite escancaradamente que fez greve com fins políticos (crime que ignoraram), e convoca os professores a “acabar com o partido [PSDB]”, para concluir: "Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”, imediatamente seu palavrório é encarado como pura metáfora, e não um chamado às armas e à violência pelo fim da pluralidade política (mesmo que saiba-se do caráter socialista desses sindicatos). Já se Mayara idiotamente diz para se “afogar um nordestino”, a intelligentsia esquerdista, aquela mesma que defendeu Polanski e finge que não sabe quem é Sakineh até hoje, pediu “linchamento”, como se o mesmo crime não fosse.

Séculos de preconceito mais contra pobres do que contra nordestinos (visto que a tal “elite” adora Ivete Sangalo e passar férias em Fortaleza), como afirma a professora, não serão desfeitos com vitimismo, que também existe há séculos (e, portanto, já deveria ter causado alguma mudança na balança). No entanto, o PT, em sua campanha presidencial (e deve ter sido a menor de suas falcatruas), declarou com todas as letras o preconceito contra São Paulo [cf. o blog da Dilma: ZÉ PEDÁGIO PENSA QUE NORDESTINOS SÃO BESTAS COMO OS PAULISTAS, depois corrigido às pressas, mas que ainda deixou as pegadas do título original no link], culpou “a elite” (e ela, se existisse da mesma forma como é representada, não teria direitos democráticos?) e a própria Dilma afirmou que brasileiros que moram no exterior não são dignos de confiança.

Novamente, até o número de votos da própria candidata eleita confirma que a realidade é bem outra. Mas segundo a patrulha ideológica progressista, só é possível ter o NOVO preconceito. O preconceito do progresso, o preconceito mais correto: o preconceito do vitimismo fofurete, o culpismo de qualquer pessoa que tenha dinheiro – ou que não vote no PT, visto que eles mesmos têm dinheiro e precisam se “desculpar” por isso, enquanto culpam os pobres que não gostam desse partido de mal-intencionados, ou de burgueses ricos com interesses espúrios.

A doutora Janaína está correta como Søren Kierkegaard: “Defende-se a liberdade de expressão para se defender a liberdade de pensamento, da qual quase nunca fazem uso.”

1 pessoas leram e discordaram:

Anônimo disse...

Por que você diz que esquerdistas defenderam Polanski e fingem desconhecer a iraniana?

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domingo, 14 de novembro de 2010

Em defesa da estudante Mayara


por Janaína Conceição Paschoal*, na Folha


Não parece justo que Mayara seja demonizada como paulista racista, quando o mote da campanha eleitoral foi o da oposição entre as regiões.

Sou neta de nordestinos, que vieram para São Paulo e trabalharam muito para que, hoje, eu e outros familiares da mesma geração sejamos profissionais felizes com sua vida neste grande Estado brasileiro.

É muito triste ler a frase da estudante de direito Mayara Petruso, supostamente convocando paulistas a afogar nordestinos.

Também é bastante triste constatar a reação de alguns nordestinos, que generalizam a frase de Mayara a todos os paulistas.

Igualmente triste a rejeição sofrida pelo candidato da oposição à Presidência da República, muito em função de ele ser paulista. Todos ouvimos manifestações no sentido de que, tivesse sido Aécio Neves o candidato, Dilma teria tido mais trabalho para se eleger.

Independentemente da tristeza que as manifestações ofensivas suscitam, e mais do que tentar verificar se a frase da jovem se “enquadraria” em qualquer crime, parece ser urgente denunciar que Mayara é um resultado da política separatista há anos incentivada pelo governo federal.

É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo.

Ultrapassado o processo eleitoral, que, infelizmente, aceitou todo tipo de promessas, muitas das quais, pelo que já se anuncia, não serão cumpridas, é hora de chamar o Brasil para uma reflexão. Talvez o caso Mayara seja o catalisador para tanto.

O Brasil sempre foi exemplo de união. Apesar das dimensões continentais, falamos a mesma língua.

Por mais popular que seja um líder político, não é possível permitir que essa união, que a União, seja maculada sob o pretexto de se criarem falsos inimigos, falsas elites, pretensos descontentes com as benesses conferidas aos pobres e aos necessitados.

São Paulo, é fato, é fonte de grande parte dos benefícios distribuídos no restante do país. São Paulo, é fato, revela-se o Estado mais nordestino da Federação.

Nós, brasileiros, não podemos permitir que a desunião impere. Tal desunião finda por fomentar o populismo, tão deletério às instituições no país.

Não há que se falar em governo para pobres ou para ricos. Pouco após a eleição, a futura presidente já anunciou o antes negado retorno da CPMF e adiou o prometido aumento no salário mínimo. Não é exagero lembrar que Getulio Vargas era conhecido como pai dos pobres e mãe dos ricos.

Não precisamos de pais ou mães. Não precisamos de mais vitimização. Precisamos apenas de governantes com responsabilidade.

Se, para garantir a permanência no poder, foi necessário fomentar a cisão, é preciso ter a decência de governar pela e para a União.

Quanto a Mayara, entendo que errou, mas não parece justo que seja demonizada como paulista racista, quando o mote dado na campanha eleitoral foi justamente o da oposição entre as regiões.

Se não dermos um basta a esse estratagema para manutenção no poder, várias Mayaras surgirão, em São Paulo, em Pernambuco, por todo o Brasil, e corremos o risco de perder o que temos de mais característico, a tolerância. Em nome de meu saudoso avô pernambucano, peço aos brasileiros que se mantenham unidos e fortes!

*JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, advogada, é professora associada de direito penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.


Comento:

O excelente texto da doutora Janaína Conceição Paschoal, que foi orientadora da minha namorada, deveria ter sido extremamente divulgado por todas as redes, como aconteceu com o texto de Leandro Narloch [Sim, eu tenho preconceito!] na mesma Folha, na última quinta [11/10].

As reações extravazadas às palavras de Narloch confirmaram a própria tese que ele defende, a saber, que nada exige a tolerância política com quem tem orgulho de sua falta de educação e, mesmo assim (e, hoje em dia, exatamente por isso) acha que pode governar um país. Mais do que isso, nada torna essa tolerância algo salutar para a democracia. Já o texto da professora Janaína aponta para a inversão do preconceito que corrói (como todo preconceito) o sadio tráfego de sinapses sem engarrafamentos paulistanos.

A campanha política desse ano foi pautada em um discurso estrábico e contraditório, de molde a criticar as privatizações, ao mesmo passo em que enaltece o aumento de consumo e bens acessíveis aos pobres, só possíveis graças a elas; o enaltecimento das virtudes democráticas e de liberdade de expressão só proporcionados por Lula, enquanto jornalistas foram quase expulsos do país, a imprensa é ameçada de censura (disfarçada de controle da mídia) e sempre tachada de golpista, enquanto a maior censura possível é feita escancaradamente – o fomento de pasquins governistas com dinheiro do contribuinte, sob alegação de “publicidade”; o Nordeste cresceu economicamente mais do que as outras regiões, mas ainda se culpe o Sul por seu atraso, entre outros tantos.

O fato, apontado pela doutora Janaína, é que o discurso do PT é pré-fabricado em linhas de produção do ABC paulista, mistifório vazio e manjado que tem sempre explicações e inimigos prontos para receberem a culpa que o governo quiser lhes impingir.

A culpa é sempre deles. De uma coletividade abstrata, dificilmente distinguida homogeneamente no mundo real, que, por sua constituição escorregadia, pode sempre ser sempre formalmente acusada de toda a sorte de crimes e calúnias sem nunca poder se defender – visto que inexiste. A elite branca, a classe média (sempre, paradoxalmente, mesclada à primeira), a mídia golpista, as corporações, os empresários, os paulistas.

Qual é o piso salarial de um operário do ABC? Muito provavelmente um deles negaria, mas contando-se todos os benefícios trabalhistas que recebe após anos de greves e piquetes, dificilmente um deles ganha menos de R$5.000,00 por mês. É essa turma que se considera “a classe trabalhadora”. Já se alguém se formar numa faculdade e virar trainee de publicitário para coletar mensalmente um michê fixo de R$1.800,00, este explorador será considerado “burguês” pelo “proletariado” ali atrás. Como deixa claro a doutora Janaína, para ser “operário”, basta se considerar pobre, ou defensor deles enquanto viaja por Paris; para ser “elite dominante”, basta não votar no PT.

A levar esta tese às estribeiras, o PT deveria ser mesmo considerado o melhor partido político do mundo: o Brasil agora tem só 56,05% de “operários trabalhadores”, enquanto tem uma “elite dominante” de simplesmente 43,95% da população.

Já afirmei antes: Mayara deveria sofrer punições não por racismo, mas por ser uma imbecil em níveis sociopatas. Mesmo porque, qualquer analista do discurso sabe, levar suas afirmações ao pé-da-letra seria outra atitude de mão-única levada a cabo por essa elite de operários. Quando a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, admite escancaradamente que fez greve com fins políticos (crime que ignoraram), e convoca os professores a “acabar com o partido [PSDB]”, para concluir: "Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”, imediatamente seu palavrório é encarado como pura metáfora, e não um chamado às armas e à violência pelo fim da pluralidade política (mesmo que saiba-se do caráter socialista desses sindicatos). Já se Mayara idiotamente diz para se “afogar um nordestino”, a intelligentsia esquerdista, aquela mesma que defendeu Polanski e finge que não sabe quem é Sakineh até hoje, pediu “linchamento”, como se o mesmo crime não fosse.

Séculos de preconceito mais contra pobres do que contra nordestinos (visto que a tal “elite” adora Ivete Sangalo e passar férias em Fortaleza), como afirma a professora, não serão desfeitos com vitimismo, que também existe há séculos (e, portanto, já deveria ter causado alguma mudança na balança). No entanto, o PT, em sua campanha presidencial (e deve ter sido a menor de suas falcatruas), declarou com todas as letras o preconceito contra São Paulo [cf. o blog da Dilma: ZÉ PEDÁGIO PENSA QUE NORDESTINOS SÃO BESTAS COMO OS PAULISTAS, depois corrigido às pressas, mas que ainda deixou as pegadas do título original no link], culpou “a elite” (e ela, se existisse da mesma forma como é representada, não teria direitos democráticos?) e a própria Dilma afirmou que brasileiros que moram no exterior não são dignos de confiança.

Novamente, até o número de votos da própria candidata eleita confirma que a realidade é bem outra. Mas segundo a patrulha ideológica progressista, só é possível ter o NOVO preconceito. O preconceito do progresso, o preconceito mais correto: o preconceito do vitimismo fofurete, o culpismo de qualquer pessoa que tenha dinheiro – ou que não vote no PT, visto que eles mesmos têm dinheiro e precisam se “desculpar” por isso, enquanto culpam os pobres que não gostam desse partido de mal-intencionados, ou de burgueses ricos com interesses espúrios.

A doutora Janaína está correta como Søren Kierkegaard: “Defende-se a liberdade de expressão para se defender a liberdade de pensamento, da qual quase nunca fazem uso.”

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Anônimo disse...

Por que você diz que esquerdistas defenderam Polanski e fingem desconhecer a iraniana?

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