quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Acabem com a Universidadepúblicagratuitaedequalidade do DCE-USP!

Acontece nesta semana mais uma eleição do DCE da Universidade de São Paulo. Como em todos os anos, a universidade voltará a 1968, com suas chapas que se dividem entre a extrema-esquerda, a extrema-extrema-esquerda e a extrema-extrema-extrema-esquerda. Todas se consideram de oposição, todas negam uma necessidade fundamental: os líderes estudantis da USP precisam, de uma vez por todas, aceitar que o socialismo ruiu, que o investimento privado fará bem à universidade e que invasões no campus são um tipo autoritário de protesto.

Enquanto o mundo discute a crise de 2008, as chapas de DCE discutem o socialismo. Chapas que não conseguem organizar uma festinha intercursos querem conseguir controlar a Cortina de Ferro do séc. XXI. Todas as chapas são contra a Reitoria, todas são contra verbas privadas, todas defendem aguerridas a Universidadepúblicagratuitaedequalidade.

Os bolcheviques mauricinhos acreditam que verbas privadas “sucateiam” o ensino. Essa palavra genérica significa in limine qualquer ato do qual o sindicato discorde. Não aceitam sequer que uma empresa propagandeie seu logotipo em troca de uma reforma nos banheiros. Exigem que o Estado (ou seja, o seu dinheiro) financie até o papel higiênico, sob risco de “vender” a Universidade, que deve ser públicagratuitaedequalidade, para o capital estrangeiro. Temem privatizar até as privadas.

Descabelam-se estes vermelhos por supor que a Universidade é lugar de discussão, e verbas privadas as impedem. O faniquito é estranho em ambos os extremos: por que uma empresa iria investir na Universidade para ter estudantes alienados, e não críticos? Será que, quando precisam parar de viver de mesada e trabalhar, advogam-se néscios e escondem serem da USP no currículo? E, por outro lado, se é palco de discussão, por que cursos de Humanas formam “pensadores” que nunca ouviram falar de intelectuais conservadores, ou mesmo liberais? Preferem deixar de lado o fato de que mais da metade dos prêmios Nobel do mundo vêm de universidades privadas americanas, onde as doações de empresários são uma importante fonte de renda.

A esquerda teme estapafurdiamente o mercado, visto como uma entidade maligna da qual não fazem parte. Teme que cursos sem demanda sejam fechados, o que impediria professores de ganhar por pesquisas inócuas como "Seria Harry Potter um novo conto de fadas?". É a grita desde antes da entrevista do reitor Grandino Rodas à revista Veja (27/10): Os alunos de grego, fenomenologia e fãs de Marx podem ficar tranqüilos: se eles compram esses livros, é porque eles mesmo são parte do "mercado", e então o mercado tem interesse em mantê-los na ativa. Esquecem-se, afinal, de que o próprio Rodas é formado em Letras e Música.

Curioso fenômeno: segundo o IBGE, 59,9% dos estudantes de universidades públicas têm renda entre os 20% mais ricos da população. Por outro lado, os 20% mais pobres ocupam apenas 3,4% do total de vagas. Sugira aos elitistas anti-classe média cobrar R$2,00 por dia de estacionamento na USP e será incitado o caos. Afinal, sendo públicaegratuita, é dever do Estado financiar os gastos com estacionamento dos proletariado.

Os soviéticos da USP levam a sério até mesmo criminosos com idéias afins. Brandão, o líder do Sintusp que conseguiu a façanha de ser um funcionário público demitido por justa causa, foi preso, entre outros motivos, não por cortar o suprimento de comida durante uma greve, e sim por envenenar comida dos "fura-greves" em dois Bandejões. Há chapas defendendo professores como Paulo Arantes, segundo o qual a USP “não pode funcionar um dia sem o Brandão”.

Em plena era da internet, para dar uma impressão de que são maioria, fazem decisões em assembléias, só freqüentadas por alunos pouco freqüentadores de aulas. Se uma invasão não passa em uma assembléia, ela é encerrada e decide-se imediatamente por outra, apenas para rediscutir a invasão. O termo "ocupação" de Reitoria é usado por alunos de Humanas erroneamente: ocupação pode ser militar (de um país, por exemplo), ou por outra via oficial – o que fazem é mesmo invasão. Vídeos no Youtube mostram bem o que acontece durante uma invasão: maconha é o ópio do povo.

Outra quizumba agora é a Univesp, o ensino à distância. não comenta que universidades do porte de Harvard, Cambridge, MIT ou Oxford possuem cursos à distância. Organizaram um plebiscito em que não era preciso nada além de assinar (ou rubricar?) um nome qualquer em uma lista para votar, perguntando: "Você é contra (sic) a Univesp?". Só faltou um "Se você não é contra, justifique". Ao mesmo tempo, difamam com cartazes hórridos a doutora Marli Quadros Leite, uma das maiores lingüistas do Brasil, por assinar um documento da Reitoria pedindo lista de presença nas aulas. Id est: aulas presenciais são mandatórias, mas é proibido exigir a presença do aluno.

Está na hora de o paradigma da “universidade-pública-gratuita-e-de-qualidade” cair com o Guerra Fria. Os universitários precisam descobrir que o Muro de Berlim foi derrubado por cidadãos socialistas loucos para desfrutar da liberdade e das possibilidades do capitalismo do outro lado do muro – o mesmo capitalismo que dá alergia nos bolcheviques mauricinhos da USP.

Um universitário brasileiro, capaz de fazer parte do Show do Milhão, deveria ter a obrigação de saber que quem perdeu a Guerra Fria foi a URSS. A elite intelectual brasileira talvez seja capaz de saber fazer algo além de pedir dinheiro do governo para sobreviver.

Post Scriptum: siga o movimento Chapa América (@america_usp), por uma chapa neoliberal, burguesa e reacionária para o DCE da USP.

8 pessoas leram e discordaram:

Anônimo disse...

você é ridiculo

Flavio Morgenstern disse...

Só aceito esse argumento se passar numa assembléia.

Anônimo disse...

A esquerda no Brasil não dá certo por causa desses intelectualoides de merda. Mas você vai ver, vou arranjar gente séria de esquerda pra trabalhar comigo na Revolução.

Anônimo disse...

os DCEs de usp, unicamp, unesp e brasil a fora são realmente uma vergonha: dizem estar fazendo um movimento estudantil novo, sendo que não lutam a favor de melhorias no ensino ou na infra-estrutura, mas contra qualquer tentativa, boa ou ruim, que eles julgam perigosa. O movimento estudantil será estudantil quando lutar A FAVOR dos estudantes, e não CONTRA quem SUPOSTAMENTE está contra o estudantes.
Aí entra a parte de que, uma chapa "neoliberal, burguesa e reacionária" também não funcionaria; eu duvido que essa lutaria A FAVOR dos estudantes, na busca de melhorias de ensino e infraestrutura, mas com certeza lutaria CONTRA os então "donos" do DCE, que não ficarão parados chorando a derrota. Os extremos se anulam, nenhum dos dois funcionará, e só imbecis arrogantes dos dois lados não percebem isso.

Felipe disse...

Texto impecável. Privatizem meu comentário!!!

Flavio Morgenstern disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavio Morgenstern disse...

Meu caro anônimo, há um ponto não tocado no texto, mas onde discordo fatalmente de ti: eu não acredito sequer no modelo de "representação" proposto.

O DCE é uma piada, e sempre será. Se assim não o fosse, a maioria das chapas não seria dos quatro partidos de extrema-esquerda que não conseguem, juntos, somar nem 0,5% de votos válidos (incluindo, óbvio, os estudantes da USP, que curiosamente votam em gente menos doidivanas nas elelções sérias), mais uns dois movimentos de extrema-esquerda que não têm partido e também por um povo fazendo uma farra. Nesse ano, teve duas chapas sérias, que foram rachadas da Reconquista do ano passado: a Nova USP, que é contra partidos e busca "representação", e a Liberdade, a única claramente de direita e defendendo ideais úteis para a Universidade.

Deve-se não apenas destituir a esquerda do poder: deve-se acabar com o processo que permita com que ela volte para lá, com força redobrada e retórica suína, com evolução pokémon, todo ano.

Flavio Morgenstern disse...

Nesse sentido, é ótimo ter uma chapa que faça troça da esquerda a esse ponto, por dois fatores: em primeiro lugar, escancara o caráter de irrelevância do DCE a todos os que ainda não o perceberam, mesmo que a chapa não precise ser caricata e tratar tudo como uma dicotomia estanque o tempo todo. E também porque mostrará para a extrema-esquerda que ela pode fazer o barulho que for, e falar em "movimento estudantil" um milhão de vezes, a maior parte da Universidade ainda os considera uns parasitas bocós.

Mesmo apenas esteticamente, pode ser útil. E, de toda forma, foi sempre a direita que pôde ser considerada um pilar da democracia representativa, e não um repositário de onde sempre grassa um grupelho que, sob auspícios da representatividade "do povo" (ou "dos estudantes"), sempre tem mais poder até sobre como definir a si próprio do que o resto da população.

Se quiser, leia um texto de 20 páginas de Murray Rothbard chamado "Direita e Esquerda – Perspectivas para a Liberdade" em que ele trata perfeitamente bem do assunto.

Abs.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Acabem com a Universidadepúblicagratuitaedequalidade do DCE-USP!


Acontece nesta semana mais uma eleição do DCE da Universidade de São Paulo. Como em todos os anos, a universidade voltará a 1968, com suas chapas que se dividem entre a extrema-esquerda, a extrema-extrema-esquerda e a extrema-extrema-extrema-esquerda. Todas se consideram de oposição, todas negam uma necessidade fundamental: os líderes estudantis da USP precisam, de uma vez por todas, aceitar que o socialismo ruiu, que o investimento privado fará bem à universidade e que invasões no campus são um tipo autoritário de protesto.

Enquanto o mundo discute a crise de 2008, as chapas de DCE discutem o socialismo. Chapas que não conseguem organizar uma festinha intercursos querem conseguir controlar a Cortina de Ferro do séc. XXI. Todas as chapas são contra a Reitoria, todas são contra verbas privadas, todas defendem aguerridas a Universidadepúblicagratuitaedequalidade.

Os bolcheviques mauricinhos acreditam que verbas privadas “sucateiam” o ensino. Essa palavra genérica significa in limine qualquer ato do qual o sindicato discorde. Não aceitam sequer que uma empresa propagandeie seu logotipo em troca de uma reforma nos banheiros. Exigem que o Estado (ou seja, o seu dinheiro) financie até o papel higiênico, sob risco de “vender” a Universidade, que deve ser públicagratuitaedequalidade, para o capital estrangeiro. Temem privatizar até as privadas.

Descabelam-se estes vermelhos por supor que a Universidade é lugar de discussão, e verbas privadas as impedem. O faniquito é estranho em ambos os extremos: por que uma empresa iria investir na Universidade para ter estudantes alienados, e não críticos? Será que, quando precisam parar de viver de mesada e trabalhar, advogam-se néscios e escondem serem da USP no currículo? E, por outro lado, se é palco de discussão, por que cursos de Humanas formam “pensadores” que nunca ouviram falar de intelectuais conservadores, ou mesmo liberais? Preferem deixar de lado o fato de que mais da metade dos prêmios Nobel do mundo vêm de universidades privadas americanas, onde as doações de empresários são uma importante fonte de renda.

A esquerda teme estapafurdiamente o mercado, visto como uma entidade maligna da qual não fazem parte. Teme que cursos sem demanda sejam fechados, o que impediria professores de ganhar por pesquisas inócuas como "Seria Harry Potter um novo conto de fadas?". É a grita desde antes da entrevista do reitor Grandino Rodas à revista Veja (27/10): Os alunos de grego, fenomenologia e fãs de Marx podem ficar tranqüilos: se eles compram esses livros, é porque eles mesmo são parte do "mercado", e então o mercado tem interesse em mantê-los na ativa. Esquecem-se, afinal, de que o próprio Rodas é formado em Letras e Música.

Curioso fenômeno: segundo o IBGE, 59,9% dos estudantes de universidades públicas têm renda entre os 20% mais ricos da população. Por outro lado, os 20% mais pobres ocupam apenas 3,4% do total de vagas. Sugira aos elitistas anti-classe média cobrar R$2,00 por dia de estacionamento na USP e será incitado o caos. Afinal, sendo públicaegratuita, é dever do Estado financiar os gastos com estacionamento dos proletariado.

Os soviéticos da USP levam a sério até mesmo criminosos com idéias afins. Brandão, o líder do Sintusp que conseguiu a façanha de ser um funcionário público demitido por justa causa, foi preso, entre outros motivos, não por cortar o suprimento de comida durante uma greve, e sim por envenenar comida dos "fura-greves" em dois Bandejões. Há chapas defendendo professores como Paulo Arantes, segundo o qual a USP “não pode funcionar um dia sem o Brandão”.

Em plena era da internet, para dar uma impressão de que são maioria, fazem decisões em assembléias, só freqüentadas por alunos pouco freqüentadores de aulas. Se uma invasão não passa em uma assembléia, ela é encerrada e decide-se imediatamente por outra, apenas para rediscutir a invasão. O termo "ocupação" de Reitoria é usado por alunos de Humanas erroneamente: ocupação pode ser militar (de um país, por exemplo), ou por outra via oficial – o que fazem é mesmo invasão. Vídeos no Youtube mostram bem o que acontece durante uma invasão: maconha é o ópio do povo.

Outra quizumba agora é a Univesp, o ensino à distância. não comenta que universidades do porte de Harvard, Cambridge, MIT ou Oxford possuem cursos à distância. Organizaram um plebiscito em que não era preciso nada além de assinar (ou rubricar?) um nome qualquer em uma lista para votar, perguntando: "Você é contra (sic) a Univesp?". Só faltou um "Se você não é contra, justifique". Ao mesmo tempo, difamam com cartazes hórridos a doutora Marli Quadros Leite, uma das maiores lingüistas do Brasil, por assinar um documento da Reitoria pedindo lista de presença nas aulas. Id est: aulas presenciais são mandatórias, mas é proibido exigir a presença do aluno.

Está na hora de o paradigma da “universidade-pública-gratuita-e-de-qualidade” cair com o Guerra Fria. Os universitários precisam descobrir que o Muro de Berlim foi derrubado por cidadãos socialistas loucos para desfrutar da liberdade e das possibilidades do capitalismo do outro lado do muro – o mesmo capitalismo que dá alergia nos bolcheviques mauricinhos da USP.

Um universitário brasileiro, capaz de fazer parte do Show do Milhão, deveria ter a obrigação de saber que quem perdeu a Guerra Fria foi a URSS. A elite intelectual brasileira talvez seja capaz de saber fazer algo além de pedir dinheiro do governo para sobreviver.

Post Scriptum: siga o movimento Chapa América (@america_usp), por uma chapa neoliberal, burguesa e reacionária para o DCE da USP.

8 pessoas leram e discordaram:

Anônimo disse...

você é ridiculo

Flavio Morgenstern on 3 de dezembro de 2010 11:28 disse...

Só aceito esse argumento se passar numa assembléia.

Anônimo disse...

A esquerda no Brasil não dá certo por causa desses intelectualoides de merda. Mas você vai ver, vou arranjar gente séria de esquerda pra trabalhar comigo na Revolução.

Anônimo disse...

os DCEs de usp, unicamp, unesp e brasil a fora são realmente uma vergonha: dizem estar fazendo um movimento estudantil novo, sendo que não lutam a favor de melhorias no ensino ou na infra-estrutura, mas contra qualquer tentativa, boa ou ruim, que eles julgam perigosa. O movimento estudantil será estudantil quando lutar A FAVOR dos estudantes, e não CONTRA quem SUPOSTAMENTE está contra o estudantes.
Aí entra a parte de que, uma chapa "neoliberal, burguesa e reacionária" também não funcionaria; eu duvido que essa lutaria A FAVOR dos estudantes, na busca de melhorias de ensino e infraestrutura, mas com certeza lutaria CONTRA os então "donos" do DCE, que não ficarão parados chorando a derrota. Os extremos se anulam, nenhum dos dois funcionará, e só imbecis arrogantes dos dois lados não percebem isso.

Felipe on 7 de dezembro de 2010 16:02 disse...

Texto impecável. Privatizem meu comentário!!!

Flavio Morgenstern on 11 de dezembro de 2010 14:02 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavio Morgenstern on 11 de dezembro de 2010 14:02 disse...

Meu caro anônimo, há um ponto não tocado no texto, mas onde discordo fatalmente de ti: eu não acredito sequer no modelo de "representação" proposto.

O DCE é uma piada, e sempre será. Se assim não o fosse, a maioria das chapas não seria dos quatro partidos de extrema-esquerda que não conseguem, juntos, somar nem 0,5% de votos válidos (incluindo, óbvio, os estudantes da USP, que curiosamente votam em gente menos doidivanas nas elelções sérias), mais uns dois movimentos de extrema-esquerda que não têm partido e também por um povo fazendo uma farra. Nesse ano, teve duas chapas sérias, que foram rachadas da Reconquista do ano passado: a Nova USP, que é contra partidos e busca "representação", e a Liberdade, a única claramente de direita e defendendo ideais úteis para a Universidade.

Deve-se não apenas destituir a esquerda do poder: deve-se acabar com o processo que permita com que ela volte para lá, com força redobrada e retórica suína, com evolução pokémon, todo ano.

Flavio Morgenstern on 11 de dezembro de 2010 14:03 disse...

Nesse sentido, é ótimo ter uma chapa que faça troça da esquerda a esse ponto, por dois fatores: em primeiro lugar, escancara o caráter de irrelevância do DCE a todos os que ainda não o perceberam, mesmo que a chapa não precise ser caricata e tratar tudo como uma dicotomia estanque o tempo todo. E também porque mostrará para a extrema-esquerda que ela pode fazer o barulho que for, e falar em "movimento estudantil" um milhão de vezes, a maior parte da Universidade ainda os considera uns parasitas bocós.

Mesmo apenas esteticamente, pode ser útil. E, de toda forma, foi sempre a direita que pôde ser considerada um pilar da democracia representativa, e não um repositário de onde sempre grassa um grupelho que, sob auspícios da representatividade "do povo" (ou "dos estudantes"), sempre tem mais poder até sobre como definir a si próprio do que o resto da população.

Se quiser, leia um texto de 20 páginas de Murray Rothbard chamado "Direita e Esquerda – Perspectivas para a Liberdade" em que ele trata perfeitamente bem do assunto.

Abs.

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