quarta-feira, 21 de julho de 2010

Palmas para a lei! (opa, não pode mais...)

Instado que sou, com freqüência atávica, a me pronunciar sobre casos recentes de porradaria, foi-me irrecusável denegrir de meus próprios princípios e aceitar, sofregamente, o debate da semana – seria permitido um progenitor de família, ao testemunhar delitos de pirraça em flagrante, preparar os ossos da mão anatomicamente desenvolvida por bilhões de anos de evolução dirigida, para pousá-los com claque percussivo em uma bunda infantil esculpida artisticamente para este exato mister?

Meus leitores, sempre informadíssimos da minha postura ilibada, podem presumir que encontraria maneiras menos irreais para atingir algo irreal como a paz mundial, não obstante o debate ter se subdivido mais do que a planificação intelectual permitiria, criando assim um grupo de palmadistas (como o Gravataí) e lulistas paz e amor (como o Doni, que é lacaniano, mas é meu amigo).

Toda a minha vasta erudição e a cota de bucetas que tocou-me perfurar em minha passagem por este vale de lágrimas foram conquistas por anos sob uma jurisdição espartana, pois todos sabem que a maior vantagem de ter pais violentos é que eles não têm aquela mania irritante de entrar no nosso quarto sem bater. Eles batem antes de entrar, depois que entram e saem batendo.

Como um verdadeiro conservador secular, é meu dever zelar por milênios de cultura pedagógica que criaram nossa civilização, enquanto viadices pós-modernas apenas cuidaram de criar televangelistas vociferando contra comportamentos bem assentados no programa da Ana Maria Braga. Ora, Esparta foi próspera em punir ferozmente crianças roubando (não por roubarem, mas por se deixarem serem flagradas). Crianças muçulmanas, a maioria por devoção própria, se auto-flagelam até com navalhas em festivais dedicados a Husayn ibn Ali, que sofreu uma morte violenta para que elas possam ter a honra de existir agora. Os astecas puniam com flechadas quem ia mal na escola, em Mexican...

Enquanto isso, temos pregadores modernosos e cabeça buscando renovar nossos preconceitos proibindo a boa e velha palmadinha educadora. Você já viu um desses intelectuerdas definir a civilização de um lado do globo? Construir uma pirâmide? Deixar o maior império do planeta (autor do mote no pain, no gain) de joelhos? Isso já seria argumento o sobejante para cobrir de palmadas a la Avaiana de Pau cada fanático disposto a morrer e matar por seu Nobel da Paz, mas o caso merece uma análise mais perfunctória.

Como em qualquer desastre não-natural que não seja o Godzilla ou o Monstro do Lago Ness, pode-se encontrar sem demora a culpa em três entidades: os comunistas, os psicanalistas e os blogueiros. A idéia partiu de uma petista. Há trabalhos psicanalistas que a defendem. Alguns blogueiros aplaudiram. Só pode dar merda.

A desculpa é aquela aleivosia engana-trouxa de Rousseau: o indivíduo nasce justo, é a sociedade que o corrompe. Sempre essa tal sociedade. Em pleno século XXI e nenhum mangrebino se dignou a perguntar quem, na pureza primordial, teria dado a primeira palmada! Não é sem razão que Rousseau doou seus filhos para um orfanato – percebeu que sairia mais fácil educar um Ocidente de pais desmiolados do que um par de rebentos.

A farândola de psicanalistas ávidos em culpar os pais por tudo foi a primeira a entrar na jogada. Rapidamente tratou de bradar palavras de ordem sobre direitos humanos de crianças – quando todos sabem que crianças são apenas larvas com o design melhorado. É parte da mesma idiotia que diz que temos um tal "complexo de Édipo" pois todos temos fantasias sexuais ocultas com nossas mães desde o berço – quando qualquer macho ocidental que relegou a punheta a um passatempo para as segundas e quintas sabe que muito mais importantes para a iniciação sexual hodierna não são as mães, são as primas.

Também falta uma categorização mais factual ao açoite. Afinal, um tapinha, uma violenta coerção verbal, um castigo como deixar sem sobremesa e sem viagem pra Disney, um pisão, uma voadora ninjutsu ou cortar as pálpebras com uma tesoura encaixam-se todos na mesma categoria? Se diferenciamos furto de assalto, como faremos com os violentos pais de violentas crianças, para encaixá-los no Código Penal, Civil e em pelo menos metade do ECA?

A punição é o cúmulo do horror: obrigar os pais a se submeter a acompanhamento psicológico ou programas de proteção à família. A própria estatização da família, a aplicação do monopólio da violência pelo Estado em relação até aos discursos maçantes a que crianças têm de ouvir.

Mas também há complicações de ordem prática nesta lei. Saberão os púberes vítimas de fascismo doméstico ligar para a polícia para interromper a surra dos pais? Haverá desenhos educativos patrocinados pelo Ministério da Educação e pela Sudene explicando o processo? Deverá a versão local da S.W.A.T. chutar a porta, granadas e fuzis em punho, olhar nos olhos do palmadista pego em flagrante e rilhar: "Você é a doença, eu sou a cura!"? 80% da pauta do programa do Datena tornar-se-á averiguação de casos de agressão a de menores, com tão poucos crimes que temos a punir? Meu amigo Doni diz que toda forma de dor física é uma agressão. Mas e se os pais tiverem revidando crianças lhes batendo? E se estiver acontecendo uma rixa (artigo 137 do Código Penal)?

E quanto aos irmãos mais velhos, mas ainda de menores, que praticarem uma sevícia de fim-de-semana aos mais fracos? Poderão os pais se usar destes para praticar a terceirização da chinelada – ou usando os filhos dos vizinhos, para o caso de precisar punir o mais forte da cadeia chinelar?

Na sala de justiça, o Gravataí diz que quem não tem filhos não pode comentar sobre os usufrutos e empecilhos da pancadaria na educação de rebentos. Ora, o mesmo caso dos psicanalistas rousseaunianos aplica-se aqui: qualquer pagador de impostos que já teve de aturar uma criança alheia em uma fila de banco, cinema ou ônibus lotado sabe muito bem que filho da puta não deveria ter filho. E quem tem amigos com filho? E quem tem vizinhos com filho? E quem sai na rua? E quem é assaltado pelo filho da puta do próximo? E não é apenas culpa da educação, como afirma Doni (que diz que só se desfere a disciplinar cacetada quando se falha na educação). É porque é da natureza das crianças serem pentelhas pra caralho. Vou presentear o Gravata com uns priminhos.

Quando se apela para este expediente, ignora-se o atavismo mais ululantemente óbvio: pais que não descem a espada de São Jorge nos seus filhos têm filhos calmos... porque têm pais calmos, quietões, de falar manso e que não descumprem regras. Será que essa turminha antenada e progressista nunca ouviu falar em Mendel, em anelos Azão e azinho, colocados na forma de AA x aa no jogo da velha?

É uma visão romântica e cafona esta a exigir que hoje os de menores não brinquem na terra para não se sujar e não se cortar, que todos os seus brinquedos sejam almofadados, pois a castimônia de infantis deva sair impertérrita da vida, sem um único arranhão, neste lindo mundinho em que vivemos.

Se a realidade fosse como querem a Associação das Senhoras Católicas e os psicanalistas (estranhamente lutando por um ideal comum), skate teria cinto de segurança, sorvete só existira nos sabores quiabo e jiló e lual só aconteceria em lugar fechado, que é pra ninguém pegar sereno.

É sabida a inocência de um púbere em nosso mundinho pós-Nabokov, nosso mundinho idílico e bucólico. Adolescentes de 15 anos não estão desesperados pra poder dirigir no ano seguinte, nem cogitam beber até vomitar e fumar bagulho feito uma caipora – e nem engravidam como boi (e vaca) reprodutor – prontos, ademais, para ter seus próprios rebentos palmatáveis. Aliás, nenhum desses inocentíssimos e infantis de menores ousa já possuir a verdadeira solução dos problemas mundiais – e nenhum deles vota no PT quando atinge os 16.

Não há o que se preocupar: nenhum deles se reunirá em comunidades no orkut para descobrir como se livrar dos progenitores chatos os mandando para grupos de ajuda de Palmadistas Anônimos e podendo usar a cama de casal dos financiadores a seu bel-prazer.

Mas eu proponho uma solução.

Ou algumas. Em primeiro lugar, crianças chatas que só um cacete fazendo arte poderiam ser vendidas como escravas. É o primeiro passo para que nos livremos da violência doméstica, abolindo-as dessa vidinha traumatizante, lhes dando uma ocupação longe de todo aquele ambiente opressor e ainda as educando – de lambuja, também ficamos mais próximos de conseguir nossa própria pirâmide em terras tupiniquins.


Também urge proibir pais de levantar a mão de vez contra os filhos: todos estes últimos usarão coleirinhas inquebráveis com potência para descarga de choques acionados por controle remoto pelos pais, a exemplo do que já foi mostrado em Battle Royale, The Running Man e sugerido por um certo professor de Direito da UFMG (peguei vocês).

Por fim, devemos botar a tropa de elite da polícia local para invadir com pezada na porta as casas dessas psicanalistas (quase todas mulheres, todas gordas e mal-comidas que nunca viram uma criança, um episódio de Super Nanny ou uma caralha disposta a nelas se adentrar) e lhes jogarem numa cela não-acolchoada abarrotada de meliantes que nunca levaram um tapinha na bunda. Creio que será um valioso estudo de caso para o valor da palmada corretiva, sem que tenhamos de despediçar uma geração inteira de impúberes sem ter um estudo analítico e uma resposta para este dilema.

Espero que estas considerações adiantem já o estado da discussão para o próximo debate juvenil que sacudirá o país – a liberação do aborto, como clarividenciado pelo Gravataí. E que fique claro: sou a favor da liberação do aborto antes dos 3 meses de gestação pois são apenas fetos, e também antes de se atingir 80 anos – porque mais sem valor do que um feto, só mesmo um ser humano.


(Post Scriptum: Para quem ficou com preguiça de ler todo este mistifório, posso resumir o busílis em um único argumento: A lei foi proposta por Maria do Rosário (PT-RS). Esta mesma senhora que chamou Champinha de "uma criança", como se crianças fossem capazes de estupro, tortura, seqüestro, degolamento e necrofilia. Obtemperada por Jair Bolsonaro (PP-RJ), que a sugeriu contratá-lo para motorista dos seus filhos, causou uma azáfama por falta de resposta tentando cassar o mandato do cordado senador. Segundo Maria do Rosário, o intuito da lei é a prevenção: "queremos apenas que as pessoas estejam alertas para as conseqüências desse tipo de ato". Resta saber como nossa salvadora irá prevenir as próprias crianças das conseqüências de seus atos – e das desastrosas conseqüências de se ter filhos.)

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Toe_Jam disse...
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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Palmas para a lei! (opa, não pode mais...)


Instado que sou, com freqüência atávica, a me pronunciar sobre casos recentes de porradaria, foi-me irrecusável denegrir de meus próprios princípios e aceitar, sofregamente, o debate da semana – seria permitido um progenitor de família, ao testemunhar delitos de pirraça em flagrante, preparar os ossos da mão anatomicamente desenvolvida por bilhões de anos de evolução dirigida, para pousá-los com claque percussivo em uma bunda infantil esculpida artisticamente para este exato mister?

Meus leitores, sempre informadíssimos da minha postura ilibada, podem presumir que encontraria maneiras menos irreais para atingir algo irreal como a paz mundial, não obstante o debate ter se subdivido mais do que a planificação intelectual permitiria, criando assim um grupo de palmadistas (como o Gravataí) e lulistas paz e amor (como o Doni, que é lacaniano, mas é meu amigo).

Toda a minha vasta erudição e a cota de bucetas que tocou-me perfurar em minha passagem por este vale de lágrimas foram conquistas por anos sob uma jurisdição espartana, pois todos sabem que a maior vantagem de ter pais violentos é que eles não têm aquela mania irritante de entrar no nosso quarto sem bater. Eles batem antes de entrar, depois que entram e saem batendo.

Como um verdadeiro conservador secular, é meu dever zelar por milênios de cultura pedagógica que criaram nossa civilização, enquanto viadices pós-modernas apenas cuidaram de criar televangelistas vociferando contra comportamentos bem assentados no programa da Ana Maria Braga. Ora, Esparta foi próspera em punir ferozmente crianças roubando (não por roubarem, mas por se deixarem serem flagradas). Crianças muçulmanas, a maioria por devoção própria, se auto-flagelam até com navalhas em festivais dedicados a Husayn ibn Ali, que sofreu uma morte violenta para que elas possam ter a honra de existir agora. Os astecas puniam com flechadas quem ia mal na escola, em Mexican...

Enquanto isso, temos pregadores modernosos e cabeça buscando renovar nossos preconceitos proibindo a boa e velha palmadinha educadora. Você já viu um desses intelectuerdas definir a civilização de um lado do globo? Construir uma pirâmide? Deixar o maior império do planeta (autor do mote no pain, no gain) de joelhos? Isso já seria argumento o sobejante para cobrir de palmadas a la Avaiana de Pau cada fanático disposto a morrer e matar por seu Nobel da Paz, mas o caso merece uma análise mais perfunctória.

Como em qualquer desastre não-natural que não seja o Godzilla ou o Monstro do Lago Ness, pode-se encontrar sem demora a culpa em três entidades: os comunistas, os psicanalistas e os blogueiros. A idéia partiu de uma petista. Há trabalhos psicanalistas que a defendem. Alguns blogueiros aplaudiram. Só pode dar merda.

A desculpa é aquela aleivosia engana-trouxa de Rousseau: o indivíduo nasce justo, é a sociedade que o corrompe. Sempre essa tal sociedade. Em pleno século XXI e nenhum mangrebino se dignou a perguntar quem, na pureza primordial, teria dado a primeira palmada! Não é sem razão que Rousseau doou seus filhos para um orfanato – percebeu que sairia mais fácil educar um Ocidente de pais desmiolados do que um par de rebentos.

A farândola de psicanalistas ávidos em culpar os pais por tudo foi a primeira a entrar na jogada. Rapidamente tratou de bradar palavras de ordem sobre direitos humanos de crianças – quando todos sabem que crianças são apenas larvas com o design melhorado. É parte da mesma idiotia que diz que temos um tal "complexo de Édipo" pois todos temos fantasias sexuais ocultas com nossas mães desde o berço – quando qualquer macho ocidental que relegou a punheta a um passatempo para as segundas e quintas sabe que muito mais importantes para a iniciação sexual hodierna não são as mães, são as primas.

Também falta uma categorização mais factual ao açoite. Afinal, um tapinha, uma violenta coerção verbal, um castigo como deixar sem sobremesa e sem viagem pra Disney, um pisão, uma voadora ninjutsu ou cortar as pálpebras com uma tesoura encaixam-se todos na mesma categoria? Se diferenciamos furto de assalto, como faremos com os violentos pais de violentas crianças, para encaixá-los no Código Penal, Civil e em pelo menos metade do ECA?

A punição é o cúmulo do horror: obrigar os pais a se submeter a acompanhamento psicológico ou programas de proteção à família. A própria estatização da família, a aplicação do monopólio da violência pelo Estado em relação até aos discursos maçantes a que crianças têm de ouvir.

Mas também há complicações de ordem prática nesta lei. Saberão os púberes vítimas de fascismo doméstico ligar para a polícia para interromper a surra dos pais? Haverá desenhos educativos patrocinados pelo Ministério da Educação e pela Sudene explicando o processo? Deverá a versão local da S.W.A.T. chutar a porta, granadas e fuzis em punho, olhar nos olhos do palmadista pego em flagrante e rilhar: "Você é a doença, eu sou a cura!"? 80% da pauta do programa do Datena tornar-se-á averiguação de casos de agressão a de menores, com tão poucos crimes que temos a punir? Meu amigo Doni diz que toda forma de dor física é uma agressão. Mas e se os pais tiverem revidando crianças lhes batendo? E se estiver acontecendo uma rixa (artigo 137 do Código Penal)?

E quanto aos irmãos mais velhos, mas ainda de menores, que praticarem uma sevícia de fim-de-semana aos mais fracos? Poderão os pais se usar destes para praticar a terceirização da chinelada – ou usando os filhos dos vizinhos, para o caso de precisar punir o mais forte da cadeia chinelar?

Na sala de justiça, o Gravataí diz que quem não tem filhos não pode comentar sobre os usufrutos e empecilhos da pancadaria na educação de rebentos. Ora, o mesmo caso dos psicanalistas rousseaunianos aplica-se aqui: qualquer pagador de impostos que já teve de aturar uma criança alheia em uma fila de banco, cinema ou ônibus lotado sabe muito bem que filho da puta não deveria ter filho. E quem tem amigos com filho? E quem tem vizinhos com filho? E quem sai na rua? E quem é assaltado pelo filho da puta do próximo? E não é apenas culpa da educação, como afirma Doni (que diz que só se desfere a disciplinar cacetada quando se falha na educação). É porque é da natureza das crianças serem pentelhas pra caralho. Vou presentear o Gravata com uns priminhos.

Quando se apela para este expediente, ignora-se o atavismo mais ululantemente óbvio: pais que não descem a espada de São Jorge nos seus filhos têm filhos calmos... porque têm pais calmos, quietões, de falar manso e que não descumprem regras. Será que essa turminha antenada e progressista nunca ouviu falar em Mendel, em anelos Azão e azinho, colocados na forma de AA x aa no jogo da velha?

É uma visão romântica e cafona esta a exigir que hoje os de menores não brinquem na terra para não se sujar e não se cortar, que todos os seus brinquedos sejam almofadados, pois a castimônia de infantis deva sair impertérrita da vida, sem um único arranhão, neste lindo mundinho em que vivemos.

Se a realidade fosse como querem a Associação das Senhoras Católicas e os psicanalistas (estranhamente lutando por um ideal comum), skate teria cinto de segurança, sorvete só existira nos sabores quiabo e jiló e lual só aconteceria em lugar fechado, que é pra ninguém pegar sereno.

É sabida a inocência de um púbere em nosso mundinho pós-Nabokov, nosso mundinho idílico e bucólico. Adolescentes de 15 anos não estão desesperados pra poder dirigir no ano seguinte, nem cogitam beber até vomitar e fumar bagulho feito uma caipora – e nem engravidam como boi (e vaca) reprodutor – prontos, ademais, para ter seus próprios rebentos palmatáveis. Aliás, nenhum desses inocentíssimos e infantis de menores ousa já possuir a verdadeira solução dos problemas mundiais – e nenhum deles vota no PT quando atinge os 16.

Não há o que se preocupar: nenhum deles se reunirá em comunidades no orkut para descobrir como se livrar dos progenitores chatos os mandando para grupos de ajuda de Palmadistas Anônimos e podendo usar a cama de casal dos financiadores a seu bel-prazer.

Mas eu proponho uma solução.

Ou algumas. Em primeiro lugar, crianças chatas que só um cacete fazendo arte poderiam ser vendidas como escravas. É o primeiro passo para que nos livremos da violência doméstica, abolindo-as dessa vidinha traumatizante, lhes dando uma ocupação longe de todo aquele ambiente opressor e ainda as educando – de lambuja, também ficamos mais próximos de conseguir nossa própria pirâmide em terras tupiniquins.


Também urge proibir pais de levantar a mão de vez contra os filhos: todos estes últimos usarão coleirinhas inquebráveis com potência para descarga de choques acionados por controle remoto pelos pais, a exemplo do que já foi mostrado em Battle Royale, The Running Man e sugerido por um certo professor de Direito da UFMG (peguei vocês).

Por fim, devemos botar a tropa de elite da polícia local para invadir com pezada na porta as casas dessas psicanalistas (quase todas mulheres, todas gordas e mal-comidas que nunca viram uma criança, um episódio de Super Nanny ou uma caralha disposta a nelas se adentrar) e lhes jogarem numa cela não-acolchoada abarrotada de meliantes que nunca levaram um tapinha na bunda. Creio que será um valioso estudo de caso para o valor da palmada corretiva, sem que tenhamos de despediçar uma geração inteira de impúberes sem ter um estudo analítico e uma resposta para este dilema.

Espero que estas considerações adiantem já o estado da discussão para o próximo debate juvenil que sacudirá o país – a liberação do aborto, como clarividenciado pelo Gravataí. E que fique claro: sou a favor da liberação do aborto antes dos 3 meses de gestação pois são apenas fetos, e também antes de se atingir 80 anos – porque mais sem valor do que um feto, só mesmo um ser humano.


(Post Scriptum: Para quem ficou com preguiça de ler todo este mistifório, posso resumir o busílis em um único argumento: A lei foi proposta por Maria do Rosário (PT-RS). Esta mesma senhora que chamou Champinha de "uma criança", como se crianças fossem capazes de estupro, tortura, seqüestro, degolamento e necrofilia. Obtemperada por Jair Bolsonaro (PP-RJ), que a sugeriu contratá-lo para motorista dos seus filhos, causou uma azáfama por falta de resposta tentando cassar o mandato do cordado senador. Segundo Maria do Rosário, o intuito da lei é a prevenção: "queremos apenas que as pessoas estejam alertas para as conseqüências desse tipo de ato". Resta saber como nossa salvadora irá prevenir as próprias crianças das conseqüências de seus atos – e das desastrosas conseqüências de se ter filhos.)

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Toe_Jam on 21 de setembro de 2011 21:43 disse...
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