domingo, 18 de julho de 2010

Mataremos por um Nobel da Paz!

A maior petulância do Homo brasilis é seu vezo em considerar que mora no próprio Eldorado – a terra nova, recém-descoberta, que é, na verdade, a filial terrestre do Paraíso. Envidando esforços estafantes para provar a si próprio que vive no melhor dos mundos (uma síndrome de Pollyana incompleta, visto que ninguém leu o livro), o brasileiro cega-se para a realidade de viver em um país periférico, longe até geograficamente da qualidade de pensamento que deu pasto à civilização ocidental, e conclui, para salvaguarda de sua vitória desprovida de esforços, que é o Ocidente que não conhece as perfeições da Terra brasilis. Assim, não consegue sequer ser uma filial sul-americana de Portugal.

Tudo o que é enaltecido no Brasil são ações que prescindem de esforço, de reflexão, de competição (atividade proibida pelo governo local). O carnaval, a música popular de ziriguidum, a manifestação de massa nas ruas dirigida por algum analfabeto orquestrador de turbas enfurecidas, a inércia sob o calor e a libido vulgar das praias – tudo aquilo que gera propagandas descerebradas de cervejas aguadas, todas elas com o mesmo gosto.

Apenas por estes fatores é que recauchutam a lenga-lenga do orgulho nacional. Isso, e claro, as bundas e o pentacampeonato. É curioso que tudo que é passível de orgulhar o terrestre brasileiro sejam coisas que lhe foram dadas de graça. Assim, qual seria o óbice, além da litania politicamente correta, para que um cidadão tenha orgulho de ser hetero? De ser rico? De ser branco? Foram coisas lhes entregue tão gratuitamente quanto o seu RG.

Pouco afeito e acostumado com a concorrência fainosa que caracteriza os prêmios internacionais, o Brasil corre à margem das engrenagens que permitem o progresso (e todas as liberdades e facilidades) do Ocidente.

O orgulho do brasileiro não é por ser residente no mesmo país de Miguel Reale, Mário Ferreira dos Santos (o homem que mais estudou dialética no planeta), Augusto dos Anjos, Guimarães Rosa – orgulho este que exige esforço individual no contato com as obras, o que implicaria concorrência e desigualdade no entendimento e interpretação. Mais fácil é ter orgulho de "ser pentacampeão", como se algum brasileiro tivesse se esforçado no campo por isso – e, claro, acirrar conflitos geográficos desconhecendo suas origens, como a tensão com a Argentina (esta pentacampeã em Prêmios Nobel e em Oscars de melhor filme).

A carência de Prêmios Nobel faz mais falta ao Brasil do que as aparências demonstram. Basta ver como nossa intelligentsia foi aguerrida na defesa de José Saramago, único laureado com o Nobel de Literatura escrevendo em língua portuguesa. Imediatamente esquecem-se de séculos fazendo piadas com a burrice portuguesa e praticamente tomam para si esta conquista lusitana, como um prêmio de consolação por falarem (mal) a última flor do Lácio, bela e inculta. É como uma prova de que ainda chegaremos lá um dia, a despeito de nossa Academia Brasileira de Letras (composta por 39 imortais e um morto rotativo, segundo Millôr) ter cadeira para Sarney e Paulo Coelho.

Não é sem pesar que se nota como o tupiniquim culto e urbano desconhece completamente os meandros e maquinações envolvidas em tais prêmios. Descostumado a ler os grandes da literatura mundial que vivem arriscados a ganhar tal prêmio (de Philip Roth a Carlos Fuentes), ou mesmo a obra dos próprios nobelizados na mesma época de Saramago (de Nadine Gordimer a Herta Müller, apenas Coetze e Pamuk tiveram alguma fama por aqui), há uma crença tácita na completa averiguação imparcial da qualidade do autor por parte da Academia – ou há agora, já que antes sabia-se que o maior gênio da literatura nunca ganharia um prêmio se escrevesse em português (é o discurso que defende Drummond e Cabral até hoje).

Enquanto isso, o mundo sabe da intensa politização do Prêmio, sobretudo nas últimas décadas, que preferiu laurear quase sempre escritores aliados à extrema-esquerda e defensores massivos de ditadores sanguinolentos que sobreviveram à queda do Muro de Berlim (Dario Fo, Günther Grass, Harold Pinter, Elfried Jelinek e o próprio Saramago são exemplos notáveis).

Também sabem que o prêmio dado a Saramago foi fruto de uma intensa campanha de marketing que o promoveu na Suécia. A Wiki, em seu próprio verbete, mostra uma cronologia dos eventos que culminaram no Prêmio:

Setembro de 1997 - A agência publicitária sueca, Jerry Bergström AB, de Estocolmo, contratada pelo ICEP - (órgão estatal português para a promoção do comércio e turismo nacional), organizou uma visita de José Saramago a Estocolmo, incluindo:
  • Um seminário na Hedengrens, a principal cadeia de livrarias sueca
  • Discurso na Universidade de Estocolmo
  • Várias entrevistas a jornais, revistas e rádios suecas
  • Nesses mesmos dias, a televisão estatal sueca produziu um programa especial dedicado a Saramago
  • Outubro de 1997 - A Feira Internacional do Livro de Frankfurt tem neste ano Portugal como país em destaque
  • 10 de Dezembro de 1998 - Saramago recebe o Prémio Nobel em Estocolmo
Segundo o "Diário de Notícias", o diretor da empresa sueca Jerry Bergström AB afirmou: "Portugal nunca tinha tido um Prémio Nobel da literatura e uma parte da nossa missão consistia em mudar essa situação".

Com tudo isso à vista do mundo, ainda é fácil para nossos discurseiros padrão, aqueles que criticam facilmente a credibilidade da Wikipedia e confiam em Marilena Chaui, afirmar que as críticas a Saramago são fruto apenas de discordâncias políticas, e que, não tendo seus críticos um Nobel em mãos, deveriam se calar, inclusive para comentar seu "discutível" apoio a Fidel Castro e seu anti-semitismo pouco disfarçado.

(Argumento não despiciendo a ser levado em questão é que, dos escritores que mais desenvolveram a literatura no século XX, a saber: Marcel Proust, James Joyce, Franz Kafka, Joseph Konrad, Jorge Luis Borges, Paul Celan, Virginia Woolf, Julio Cortázar, Rabindranath Tagore, W. B. Yeats, Samuel Beckett e Thomas Mann, apenas estes quatro últimos foram agraciados.)

Mas o desconhecimento brasileiro não é fruto apenas da ignorância de um país periférico, mas de ufanismo perigoso e preconceituoso, que quer simplesmente negar a História assim que a descobre, com medo de sair de sua zona de conforto e encarar uma realidade menos cor-de-rosa ou verde-e-amarela (vide a quizumba gerada pelo Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch).

O fato mais recente dessa ignorância seletiva foi a calamitosa interferência de Lula no programa nuclear iraniano. Setores petistas da intelligentsia brasileira (com o perdão do triplo oxímoro) bradaram o tempo todo que Lula tinha tudo para conquistar o Prêmio Nobel da Paz deste ano.

É verdade. Um assassino em massa como Yasser Arafat o conquistou. Barack Obama, prometendo aumentar o efetivo de soldados no Afeganistão, também (sabe-se bem o que ocorreria se George W. Bush prometesse o mesmo). Até Jimmy Carter, o pior presidente da história dos EUA, também o conquistou.

O curioso é ver como a petistada encara um desastre diplomático como um ganho enorme para o seu candidato (ninguém discorda que Dilma apenas é a candidata do Lula). E como se fosse a primeira vez em que a diplomacia fez algo que presta (e, curiosamente, bem quando ela cometeu sua maior cagada, tomando pitos de todos os jornais que adoravam elogiar o presidente).

Desde o chanceler Horácio Lafer, que guiou a política externa para o desenvolvimento, tivemos vários momentos em que o Brasil mereceu panegíricos internacionais por suas ações.

Azeredo da Silveira manteve o país nos eixos em uma época razoavelmente conturbada como a Guerra Fria, livrando o país da influência cubana e, mesmo assim, foram as primeiras relações "diagonais" com África e China que o Brasil já teve (o que é um furo no mote do "nunca antes na história deste país").

Luiz Felipe Lampréia, seu colaborador e "substituto" nos anos FHC, acabou com uma possível corrida nuclear entre Brasil e Argentina, que poderia causar conflitos sérios na região, numa época em que os dois países brigavam por fatias comerciais e influência na região pelo controle do incipiente Mercosul (que ainda tinha a Alca como grande "vilã"). Foi por sua mão que o Brasil assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que já visava o Irã como ameaça para as décadas seguintes. Também afastou a influência de Castro do regime de Bouterse no Suriname, além de ter sido o mediador da paz (alcançada) no conflito entre Peru e Equador.

É claro que nossos gênios podem simplesmente ignorar o que eles mesmos disseram tão logo seus leitores esqueçam – ademais, estes blogueiros antenados com o progresso que hoje torcem por um Prêmio Nobel da Paz para Lula são as mesmas que, na década de 90, tentavam impedir a globalização... e quem se lembra dessa palhaçada?

Não é demais também saber que os jornais que elogiam Lula mundo afora sempre o fazem por manter a política de seu antecessor, e por se manter dentro da lei, num continente em que poucos presidentes parecem muito inclinados a tal (até mesmo Álvaro Uribe deu para trás neste mister) – ou seja, exatamente pelo contrário das razões que os petistas encontram para adulá-lo.

Para nossos palpiteiros sem história (já que nunca aconteceu nada neste país antes de 2002), é claro que o PT é o único partido capaz de trazer a paz para o globo inteiro. Mas é curioso ver estes torcedores acharem que facilitar urânio enriquecido para um fascista, ditador, apedrejador de mulheres, fanático religioso, negador do Holocausto e incentivador do varrimento de Israel do mapa (para não prolongar demais sua ficha corrida), e que teima a qualquer custo que precisa ter esse urânio, seja uma ação merecedora de um Nobel da Paz.

Ainda é melhor para o Brasil entender de como obter novos prêmios na Copa do Mundo – e esperar pelo hexacampeonato sem sair do sofá.

1 pessoas leram e discordaram:

Filipe disse...

"aqueles que criticam facilmente a credibilidade da Wikipedia e confiam em Marilena Chaui"

Verdade foda. Não que eu bote a mão pela Wikipedia, mas tem coisa mais fácil de achar e melhor explicada que muito "site oficial".

E essa Marilena Chauí, hein? Minha professora de Fundamentos da Educação enchia a boca pra falar dessa mulher, e tudo que ela falava era "certo". O que era estranho, já que nas próprias aulas a professora pedia pra gente "contestar a nossa maneira de ensinar" e etc...

P.S: Além de Sarney e Paulo Coelho, temos MARCOS MACIEL... O Sr. Burns pernambucano...

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domingo, 18 de julho de 2010

Mataremos por um Nobel da Paz!


A maior petulância do Homo brasilis é seu vezo em considerar que mora no próprio Eldorado – a terra nova, recém-descoberta, que é, na verdade, a filial terrestre do Paraíso. Envidando esforços estafantes para provar a si próprio que vive no melhor dos mundos (uma síndrome de Pollyana incompleta, visto que ninguém leu o livro), o brasileiro cega-se para a realidade de viver em um país periférico, longe até geograficamente da qualidade de pensamento que deu pasto à civilização ocidental, e conclui, para salvaguarda de sua vitória desprovida de esforços, que é o Ocidente que não conhece as perfeições da Terra brasilis. Assim, não consegue sequer ser uma filial sul-americana de Portugal.

Tudo o que é enaltecido no Brasil são ações que prescindem de esforço, de reflexão, de competição (atividade proibida pelo governo local). O carnaval, a música popular de ziriguidum, a manifestação de massa nas ruas dirigida por algum analfabeto orquestrador de turbas enfurecidas, a inércia sob o calor e a libido vulgar das praias – tudo aquilo que gera propagandas descerebradas de cervejas aguadas, todas elas com o mesmo gosto.

Apenas por estes fatores é que recauchutam a lenga-lenga do orgulho nacional. Isso, e claro, as bundas e o pentacampeonato. É curioso que tudo que é passível de orgulhar o terrestre brasileiro sejam coisas que lhe foram dadas de graça. Assim, qual seria o óbice, além da litania politicamente correta, para que um cidadão tenha orgulho de ser hetero? De ser rico? De ser branco? Foram coisas lhes entregue tão gratuitamente quanto o seu RG.

Pouco afeito e acostumado com a concorrência fainosa que caracteriza os prêmios internacionais, o Brasil corre à margem das engrenagens que permitem o progresso (e todas as liberdades e facilidades) do Ocidente.

O orgulho do brasileiro não é por ser residente no mesmo país de Miguel Reale, Mário Ferreira dos Santos (o homem que mais estudou dialética no planeta), Augusto dos Anjos, Guimarães Rosa – orgulho este que exige esforço individual no contato com as obras, o que implicaria concorrência e desigualdade no entendimento e interpretação. Mais fácil é ter orgulho de "ser pentacampeão", como se algum brasileiro tivesse se esforçado no campo por isso – e, claro, acirrar conflitos geográficos desconhecendo suas origens, como a tensão com a Argentina (esta pentacampeã em Prêmios Nobel e em Oscars de melhor filme).

A carência de Prêmios Nobel faz mais falta ao Brasil do que as aparências demonstram. Basta ver como nossa intelligentsia foi aguerrida na defesa de José Saramago, único laureado com o Nobel de Literatura escrevendo em língua portuguesa. Imediatamente esquecem-se de séculos fazendo piadas com a burrice portuguesa e praticamente tomam para si esta conquista lusitana, como um prêmio de consolação por falarem (mal) a última flor do Lácio, bela e inculta. É como uma prova de que ainda chegaremos lá um dia, a despeito de nossa Academia Brasileira de Letras (composta por 39 imortais e um morto rotativo, segundo Millôr) ter cadeira para Sarney e Paulo Coelho.

Não é sem pesar que se nota como o tupiniquim culto e urbano desconhece completamente os meandros e maquinações envolvidas em tais prêmios. Descostumado a ler os grandes da literatura mundial que vivem arriscados a ganhar tal prêmio (de Philip Roth a Carlos Fuentes), ou mesmo a obra dos próprios nobelizados na mesma época de Saramago (de Nadine Gordimer a Herta Müller, apenas Coetze e Pamuk tiveram alguma fama por aqui), há uma crença tácita na completa averiguação imparcial da qualidade do autor por parte da Academia – ou há agora, já que antes sabia-se que o maior gênio da literatura nunca ganharia um prêmio se escrevesse em português (é o discurso que defende Drummond e Cabral até hoje).

Enquanto isso, o mundo sabe da intensa politização do Prêmio, sobretudo nas últimas décadas, que preferiu laurear quase sempre escritores aliados à extrema-esquerda e defensores massivos de ditadores sanguinolentos que sobreviveram à queda do Muro de Berlim (Dario Fo, Günther Grass, Harold Pinter, Elfried Jelinek e o próprio Saramago são exemplos notáveis).

Também sabem que o prêmio dado a Saramago foi fruto de uma intensa campanha de marketing que o promoveu na Suécia. A Wiki, em seu próprio verbete, mostra uma cronologia dos eventos que culminaram no Prêmio:

Setembro de 1997 - A agência publicitária sueca, Jerry Bergström AB, de Estocolmo, contratada pelo ICEP - (órgão estatal português para a promoção do comércio e turismo nacional), organizou uma visita de José Saramago a Estocolmo, incluindo:
  • Um seminário na Hedengrens, a principal cadeia de livrarias sueca
  • Discurso na Universidade de Estocolmo
  • Várias entrevistas a jornais, revistas e rádios suecas
  • Nesses mesmos dias, a televisão estatal sueca produziu um programa especial dedicado a Saramago
  • Outubro de 1997 - A Feira Internacional do Livro de Frankfurt tem neste ano Portugal como país em destaque
  • 10 de Dezembro de 1998 - Saramago recebe o Prémio Nobel em Estocolmo
Segundo o "Diário de Notícias", o diretor da empresa sueca Jerry Bergström AB afirmou: "Portugal nunca tinha tido um Prémio Nobel da literatura e uma parte da nossa missão consistia em mudar essa situação".

Com tudo isso à vista do mundo, ainda é fácil para nossos discurseiros padrão, aqueles que criticam facilmente a credibilidade da Wikipedia e confiam em Marilena Chaui, afirmar que as críticas a Saramago são fruto apenas de discordâncias políticas, e que, não tendo seus críticos um Nobel em mãos, deveriam se calar, inclusive para comentar seu "discutível" apoio a Fidel Castro e seu anti-semitismo pouco disfarçado.

(Argumento não despiciendo a ser levado em questão é que, dos escritores que mais desenvolveram a literatura no século XX, a saber: Marcel Proust, James Joyce, Franz Kafka, Joseph Konrad, Jorge Luis Borges, Paul Celan, Virginia Woolf, Julio Cortázar, Rabindranath Tagore, W. B. Yeats, Samuel Beckett e Thomas Mann, apenas estes quatro últimos foram agraciados.)

Mas o desconhecimento brasileiro não é fruto apenas da ignorância de um país periférico, mas de ufanismo perigoso e preconceituoso, que quer simplesmente negar a História assim que a descobre, com medo de sair de sua zona de conforto e encarar uma realidade menos cor-de-rosa ou verde-e-amarela (vide a quizumba gerada pelo Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch).

O fato mais recente dessa ignorância seletiva foi a calamitosa interferência de Lula no programa nuclear iraniano. Setores petistas da intelligentsia brasileira (com o perdão do triplo oxímoro) bradaram o tempo todo que Lula tinha tudo para conquistar o Prêmio Nobel da Paz deste ano.

É verdade. Um assassino em massa como Yasser Arafat o conquistou. Barack Obama, prometendo aumentar o efetivo de soldados no Afeganistão, também (sabe-se bem o que ocorreria se George W. Bush prometesse o mesmo). Até Jimmy Carter, o pior presidente da história dos EUA, também o conquistou.

O curioso é ver como a petistada encara um desastre diplomático como um ganho enorme para o seu candidato (ninguém discorda que Dilma apenas é a candidata do Lula). E como se fosse a primeira vez em que a diplomacia fez algo que presta (e, curiosamente, bem quando ela cometeu sua maior cagada, tomando pitos de todos os jornais que adoravam elogiar o presidente).

Desde o chanceler Horácio Lafer, que guiou a política externa para o desenvolvimento, tivemos vários momentos em que o Brasil mereceu panegíricos internacionais por suas ações.

Azeredo da Silveira manteve o país nos eixos em uma época razoavelmente conturbada como a Guerra Fria, livrando o país da influência cubana e, mesmo assim, foram as primeiras relações "diagonais" com África e China que o Brasil já teve (o que é um furo no mote do "nunca antes na história deste país").

Luiz Felipe Lampréia, seu colaborador e "substituto" nos anos FHC, acabou com uma possível corrida nuclear entre Brasil e Argentina, que poderia causar conflitos sérios na região, numa época em que os dois países brigavam por fatias comerciais e influência na região pelo controle do incipiente Mercosul (que ainda tinha a Alca como grande "vilã"). Foi por sua mão que o Brasil assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que já visava o Irã como ameaça para as décadas seguintes. Também afastou a influência de Castro do regime de Bouterse no Suriname, além de ter sido o mediador da paz (alcançada) no conflito entre Peru e Equador.

É claro que nossos gênios podem simplesmente ignorar o que eles mesmos disseram tão logo seus leitores esqueçam – ademais, estes blogueiros antenados com o progresso que hoje torcem por um Prêmio Nobel da Paz para Lula são as mesmas que, na década de 90, tentavam impedir a globalização... e quem se lembra dessa palhaçada?

Não é demais também saber que os jornais que elogiam Lula mundo afora sempre o fazem por manter a política de seu antecessor, e por se manter dentro da lei, num continente em que poucos presidentes parecem muito inclinados a tal (até mesmo Álvaro Uribe deu para trás neste mister) – ou seja, exatamente pelo contrário das razões que os petistas encontram para adulá-lo.

Para nossos palpiteiros sem história (já que nunca aconteceu nada neste país antes de 2002), é claro que o PT é o único partido capaz de trazer a paz para o globo inteiro. Mas é curioso ver estes torcedores acharem que facilitar urânio enriquecido para um fascista, ditador, apedrejador de mulheres, fanático religioso, negador do Holocausto e incentivador do varrimento de Israel do mapa (para não prolongar demais sua ficha corrida), e que teima a qualquer custo que precisa ter esse urânio, seja uma ação merecedora de um Nobel da Paz.

Ainda é melhor para o Brasil entender de como obter novos prêmios na Copa do Mundo – e esperar pelo hexacampeonato sem sair do sofá.

1 pessoas leram e discordaram:

Filipe on 18 de julho de 2010 16:11 disse...

"aqueles que criticam facilmente a credibilidade da Wikipedia e confiam em Marilena Chaui"

Verdade foda. Não que eu bote a mão pela Wikipedia, mas tem coisa mais fácil de achar e melhor explicada que muito "site oficial".

E essa Marilena Chauí, hein? Minha professora de Fundamentos da Educação enchia a boca pra falar dessa mulher, e tudo que ela falava era "certo". O que era estranho, já que nas próprias aulas a professora pedia pra gente "contestar a nossa maneira de ensinar" e etc...

P.S: Além de Sarney e Paulo Coelho, temos MARCOS MACIEL... O Sr. Burns pernambucano...

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