segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Perder não só o amigo com a piada

"Bad humor is an evasion of reality; good humor is an acceptance of it."
— Malcolm Muggeridge


Dou mais valor à idéias do que aos corpos que as sustentam, com exceções notáveis (Luana Piovani, exempli gratia). Mas acontece que piada é importante: tentativas propositalmente mal-sucedidas de perpetuação da espécie são fundamentais.

Duas vezes em que demonstrei que, ainda assim, havia aderido ao pensamento sex is overrated foram dignas de nota. Uma foi quando uma linda loira entrou no meu vagão vazio do metrô e eu, ao invés de olhar pras suas pernas, analisei a reação dos machos ocidentais no vagão à sua entrada.

A outra foi tão poética que mostrou que não perdi só uma piada.

Paquerava descaradamente uma amiga há "aquela quantidade de tempo que nunca sabemos se são duas semanas ou cinco meses". Mas nunca sabemos em definitivo se uma mulher está nos dando bola ou só brincando de ser elogiada. Marcamos um dia para sair e tivemos aquela tarde mais do que maravilhosa.

Rimos, e rimos, e rimos. E rimos mesmo sem precisar de mais cantadas à queima-roupa. Em um dia que marcou o quanto sabíamos nos divertir de jogar altas gargalhadas contra o rosto um do outro, não precisava bancar o Don Juan e caminhar de mãos dadas ou outras coisas para sentir que o clima havia atingido 100%.

Mas chegou o fatídico momento da despedida, em que, num primeiro encontro depois de semanas (ou meses?) de contra-cantadas, define não só se nós dois vamos passar da linha de tiro, como até se haverá outro encontro como esse.

E, naquele instante, segurei queixo acariciando suas bochechas, disse o quanto aquele dia havia sido alegre e aproximei meu rosto do dela, imóvel e entregue. E beijei seus olhos já fechados.

Ela os abriu fingindo não estar espantada, e eu apenas disse: "Não estranhe, você não teria oferecido nenhuma resistência", tendo como resposta um dos sorrisos mais profundos e auto-suficientes que já vi.

Perdi um segundo encontro, que naquele momento já sabia que nunca aconteceria, e perdi um beijo. Mas não perdi a chance de dizer uma frase que não ficou encrustrada apenas na minha memória para todo o sempre.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Perder não só o amigo com a piada


"Bad humor is an evasion of reality; good humor is an acceptance of it."
— Malcolm Muggeridge


Dou mais valor à idéias do que aos corpos que as sustentam, com exceções notáveis (Luana Piovani, exempli gratia). Mas acontece que piada é importante: tentativas propositalmente mal-sucedidas de perpetuação da espécie são fundamentais.

Duas vezes em que demonstrei que, ainda assim, havia aderido ao pensamento sex is overrated foram dignas de nota. Uma foi quando uma linda loira entrou no meu vagão vazio do metrô e eu, ao invés de olhar pras suas pernas, analisei a reação dos machos ocidentais no vagão à sua entrada.

A outra foi tão poética que mostrou que não perdi só uma piada.

Paquerava descaradamente uma amiga há "aquela quantidade de tempo que nunca sabemos se são duas semanas ou cinco meses". Mas nunca sabemos em definitivo se uma mulher está nos dando bola ou só brincando de ser elogiada. Marcamos um dia para sair e tivemos aquela tarde mais do que maravilhosa.

Rimos, e rimos, e rimos. E rimos mesmo sem precisar de mais cantadas à queima-roupa. Em um dia que marcou o quanto sabíamos nos divertir de jogar altas gargalhadas contra o rosto um do outro, não precisava bancar o Don Juan e caminhar de mãos dadas ou outras coisas para sentir que o clima havia atingido 100%.

Mas chegou o fatídico momento da despedida, em que, num primeiro encontro depois de semanas (ou meses?) de contra-cantadas, define não só se nós dois vamos passar da linha de tiro, como até se haverá outro encontro como esse.

E, naquele instante, segurei queixo acariciando suas bochechas, disse o quanto aquele dia havia sido alegre e aproximei meu rosto do dela, imóvel e entregue. E beijei seus olhos já fechados.

Ela os abriu fingindo não estar espantada, e eu apenas disse: "Não estranhe, você não teria oferecido nenhuma resistência", tendo como resposta um dos sorrisos mais profundos e auto-suficientes que já vi.

Perdi um segundo encontro, que naquele momento já sabia que nunca aconteceria, e perdi um beijo. Mas não perdi a chance de dizer uma frase que não ficou encrustrada apenas na minha memória para todo o sempre.

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