quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Morte ao acadêmico de 140 caracteres!!

"Em geral, estudantes e estudiosos (...) têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informação sobre tudo, (...), sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. (...) Diante da imponente erudição de tais sabichões, às vezes digo para mim mesmo: Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco, para ter lido tanto.' É mais ou menos o que ocorre com muitos cursos, em que o aluno tem pouco tempo para ler e meditar sobre a bibliografia extensa e sagrada que lhe é imposta. Sobrariam horas diárias para os nossos aprendizes de feiticeiro pensarem sobre o que estão lendo?"
— Arthur Schopenhauer, Sobre a Leitura e os Livros


A discussão hodierna da internet é sobre a fama sem fortuna que o Twitter nos proporciona. Tema ainda desprovido de uma cátedra acadêmica, surge uma nova especíe de... ahn... profissional da área: o analista de mídias sociais. Ou coisa que o valha. Título auto-atribuído e auto-indulgente com a profissionalização da vagabundagem. inobstante, esta falta de tirocínio especializado gerou uma outra classe de filoprofissional que agora infecta a nossa classe de anônimos ignorantes proto-famosos: o acadêmico de 140 caracteres.

Conforme afirmei no último texto, este ser habita uma região limítrofe entre a putice e a viadagem, unindo o colega engraçadinho que faz piadas bobas no churrasco da faculdade com a imagem do professor que venceu na vida por ter feito um mestrado no gato, o acadêmico de 140 caracteres (A140C) é o cara que não fala nada com nada no Twitter mas pode ostentar um documento que prova que, não importa quão idiota sejam suas palavras, ele já as formatou com as normas da ABNT.

São doutores. São intelectuais. Eles podem peitar a grande mídia. Passam o dia a falar mal do que sai nos jornais, como se soubessem impingir moral e conteúdo se fossem editores-chefes de alguma publicação. Para corroborar seus faniquitos, não esquecem de passar o dia inteiro a lembrar: Eu sou doutor. Sou filósofo. Sou escritor. Sou jornalista. Sou advogado. (Um publicitário, é claro, nunca cometeria um erro tão frugal.)

"Bom dia, twitteiros! Vamos discutir filosofia?"

Tal espécime bárbara é aquela que está acostumada a ser chamada de doutor por seus alunos com cérebro de minhoca recém-saídos do cursinho e com cultura tendendo entre o zero absoluto e a anti-matéria e também pelo seu Tinoco da padaria:

"Ô doutor! É o pingado de sempre, chefia? Com adoçante, campeão? Vai também o misto aí, fera? Pode deixar, patrão! Eu ponho na conta, amizade!"

Assim como a verdadeira "celebridade" (ou, ao menos, aquela anta que realmente ficou famosa por algum motivo metafísico através da Globo ou da MTV) vai ao Twitter e demonstra um comportamento menos tolerável que o de uma araponga na menopausa, este "intelectual" padronizado também vai ao Twitter para perder o respeito que tem dos seus alunos e expor-se ao ridículo em público.

O curioso é que os verdadeiros filósofos, jornalistas, escritores e demais profissionais de Humanas que conheço nunca precisam afirmar isso a cada frase que proferem. Isso transparece tão-somente pela sua cultura. É curioso que muitas pessoas nem sabem que porra eu faço - e devido a fatos recentes, acham que sou advogado, justamente por eu não ter essa insonsa mania. Na verdade, além de ter perdido a amizade com colegas que conheceram a seita da psicanálise na faculdade (e começam a te analisar e perguntar da sua mãe cada vez que você reclama de um problema entre duas cabeças humanas), todos os filósofos que conheço só vem falar comigo sobre RPG ou me convidar para entorpecer os cornos com alguma substância alcoólica.

A Completa Lei de Murphy inclui em seus axiomas de escritório que um especialista é um cara que veio de fora. Esse senhor deslocado, que deveria passar as tardes ou corrigindo provas sobre Cícero, ou trocando fraldas (já que tem vergonha própria de assistir Gugu em feudais relações familiares) está deslocado no Twitter e se orgulha disso. Como se sua vetusta falta de garbo e elegância fosse mote para a auto-vaidade tão contumaz à raça.

Mas também sabemos: especialista é um cara que sabe muito sobre nada. Um super-especialista é um cara que sabe detalhadamente tudo sobre absolutamente porra nenhuma. Tal é o A140C. É o cara que fez uma monografia sobre um filósofo, um sociólogo, um psicólogo, um agitador pós-moderno desqualificado ao gosto das massas, e resume e exprime tudo para encaixar a realidade em seus preconceitos. Falar sobre aquecimento global ou um novo filme com o cara é uma oportunidade para ele arrotar Lacans e Negris como as finas flores da sabedoria ocidental.

Não é preciso lembrar que, para dar uma suposta bafejada de verdade nas suas aleivosias, nossos A140C se formaram mega especializando-se em um autor ou dois, e nunca passaram os olhos por um autor "da oposição". Assim é, afinal, que alguém pode defender patavinas soviéticas como Lukács ou medicinas medievais como a psicanálise por toda a vida e, afinal, nunca levarem uma bifa na orelha por isso. Pelo contrário: o professor, ou dir-se-á, orientador não irá modificar a cabeça de jerico do aspirante a blogueiro famoso em nome da não-intervenção, e logo teremos um professor com cabeça de jerico orientando um futuro aluno ainda mais descerebrado.

É como o caso de uma famosa filósofa, defendida aguerridamente por vários A140C, petista roxa, que é considera por eles como a maior especialista do mundo em Espinoza (talvez algum filósofo desconhecido, de algum parentesco aportuguesado e abigodado com Baruch de Spinoza). Tais A140C soltam sua fúria por todos os orifícios se alguém ousa discordar de uma autoridade mundial:

"Mas como se atreve?!?! Marilena Chaui possui um currículo INFINITAMENTE SUPERIOR ao seu!! O que você é?! Alguém que por acaso já fez com que estudiosos de 4 línguas procurassem estudar português para ler sua obra?!?!"

Ora, é claro que não, meus caros intelectuais: apenas sei que as pessoas que fizeram isso, sendo algumas delas falantes de francês, não precisariam recorrer a tanto: José Guilherme Merchior acusou e provou, por a+b, que grande parte do o livro Cultura e Democracia da nossa petista era mera tradução de um texto de Claude Lefort... e algum intelectual resolveu refutar a acusação? Marilena Chaui não tem Twitter, mas falando tanto sobre mídia, influenciou bastante o pensamento de nossos A140C: se você tem um título qualquer, pode usá-lo como prova de qualquer coisa em Humanas.

O que é uma subversão interessante do próprio conceito de "ciências" humanas: áreas tão pouco sólidas que os físicos preferem chamá-las de soft science, em comparação ao sólido arcabouço de uma hard science como a deles. Mas até mesmo físicos caem no pau, como as teorias das super-cordas e outras tentativas de integração entre conceitos mutuamente excludentes, como a mecânica quântica e a teoria da relatividade. Enquanto isso, nossos intelectuerdas formados em orkut fogem de qualquer arranca-Habermas simplesmente invocando: "Eu sou formado em Sociologia no Mackenzie, logo, minha opinião deve ser respeitada... quem é que pode supor julgar que eu errei?!"

Por certo que não ocorre a estes mesmos respeitáveis filósofos blogueiros, jornalistas de mídia social e advogados de porta de scrapbook como é que 2 filósofos com os mesmos títulos poderiam concordar entre si - e, portanto, o que um título qualquer em Humanidades "prova" qualquer coisa - como se Marx e Friedman, Hegel e Schopenhauer, Heidegger e Wittgenstein, Pound e Gramsci, Freud e Biswanger fossem inventar de chegar a uma mesma e óbvia verdade, conquistada depois da fase da água e do TCC contra o último chefão.

E o que resta a nós, pobres desprovidos do diploma da Verdade Alumiada do microblog?! Ora, podemos nos proibir de testar a validade das informações de nossos orquestradores de bruzundrangas reptílicas (porque o A140C passa o dia todo usando as palavras "razão", "lógica", "ciência" e "filosofia" no Twitter, mas quando encontra uma opinião diversa, imediatamente estará sem tempo para discutir com desprovidos de diploma de orkut) ou, caso a situação fique grave, nem sequer ler pessoas inteligentes que destróem as besteiras ditas por filosofetas do mainstream acadêmico, que nunca conseguiram uma "prova" de nenhuma das suas patifarias (claro, eu sei que a ciência, atividade dialética par excellence, prescinde de "meios de prova", tendo como escopo "meios de descoberta"; mas assim que vocês me mostrarem um intelectual formado em Foucault que conheça os Analíticos Anteriores e Posteriores de Aristóteles, ou, sei lá, um método científico de Charles S. Peirce, favor depositarem uns 2 barões na minha conta).

"Mas, senhor filósofo-com-diploma, o senhor diz que não posso ousar discordar das paneleirices cometidas por Foucault e Freud, mas tendo Umberto Eco e Nobokov esmigalhado as torpezas dessa dupla, como o senhor quer que eu ouse discordar destes e não daqueles?!"

O apelo à autoridade é o mais comum meio de prova entre os Acadêmicos de 140 Caracteres, pois um nome pomposo de algum baitola envolvido com Maio de 68 cabe em um tweet, ao passo que um capítulo de Imposturas Intelectuais não cabe nem em meus longos posts no blog. Essa dialética de professor recém-saído do mestrado não tem nada de dialética, nada de fenomenológica, nada de pragmática, nada de positivista, nada de empiriocriticismo, nada de instrumentalismo. Apenas se parece com alguma forma desmiolada de escolástica.

Com a diferença de que os escolásticos faziam apelos a autoridades inexistentes, enquanto o intelectual pós-moderno apela a uma "autoridade" de quinta categoria, que só é autoridade para ele e o seu Tinoco da padaria.

6 pessoas leram e discordaram:

Rodrigo disse...

Certo, tá em crise existencial, filho?

Danilo Pingado disse...

Esse trecho não está nA Arte de Escrever?

Bruno Ruder disse...

Pingado, A Arte de Escrever é o título dado na edição brasileira ao conjunto de alguns capítulos selecionados de Parerga e Paralipomena (que são uma caralhada, diga-se), entre eles "Sobre a leitura e os livros".

abrasos

Flavio disse...

Eu (L) meus guarda-costas.

Bruno Ruder disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno Ruder disse...

(VTNC)

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Morte ao acadêmico de 140 caracteres!!


"Em geral, estudantes e estudiosos (...) têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informação sobre tudo, (...), sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. (...) Diante da imponente erudição de tais sabichões, às vezes digo para mim mesmo: Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco, para ter lido tanto.' É mais ou menos o que ocorre com muitos cursos, em que o aluno tem pouco tempo para ler e meditar sobre a bibliografia extensa e sagrada que lhe é imposta. Sobrariam horas diárias para os nossos aprendizes de feiticeiro pensarem sobre o que estão lendo?"
— Arthur Schopenhauer, Sobre a Leitura e os Livros


A discussão hodierna da internet é sobre a fama sem fortuna que o Twitter nos proporciona. Tema ainda desprovido de uma cátedra acadêmica, surge uma nova especíe de... ahn... profissional da área: o analista de mídias sociais. Ou coisa que o valha. Título auto-atribuído e auto-indulgente com a profissionalização da vagabundagem. inobstante, esta falta de tirocínio especializado gerou uma outra classe de filoprofissional que agora infecta a nossa classe de anônimos ignorantes proto-famosos: o acadêmico de 140 caracteres.

Conforme afirmei no último texto, este ser habita uma região limítrofe entre a putice e a viadagem, unindo o colega engraçadinho que faz piadas bobas no churrasco da faculdade com a imagem do professor que venceu na vida por ter feito um mestrado no gato, o acadêmico de 140 caracteres (A140C) é o cara que não fala nada com nada no Twitter mas pode ostentar um documento que prova que, não importa quão idiota sejam suas palavras, ele já as formatou com as normas da ABNT.

São doutores. São intelectuais. Eles podem peitar a grande mídia. Passam o dia a falar mal do que sai nos jornais, como se soubessem impingir moral e conteúdo se fossem editores-chefes de alguma publicação. Para corroborar seus faniquitos, não esquecem de passar o dia inteiro a lembrar: Eu sou doutor. Sou filósofo. Sou escritor. Sou jornalista. Sou advogado. (Um publicitário, é claro, nunca cometeria um erro tão frugal.)

"Bom dia, twitteiros! Vamos discutir filosofia?"

Tal espécime bárbara é aquela que está acostumada a ser chamada de doutor por seus alunos com cérebro de minhoca recém-saídos do cursinho e com cultura tendendo entre o zero absoluto e a anti-matéria e também pelo seu Tinoco da padaria:

"Ô doutor! É o pingado de sempre, chefia? Com adoçante, campeão? Vai também o misto aí, fera? Pode deixar, patrão! Eu ponho na conta, amizade!"

Assim como a verdadeira "celebridade" (ou, ao menos, aquela anta que realmente ficou famosa por algum motivo metafísico através da Globo ou da MTV) vai ao Twitter e demonstra um comportamento menos tolerável que o de uma araponga na menopausa, este "intelectual" padronizado também vai ao Twitter para perder o respeito que tem dos seus alunos e expor-se ao ridículo em público.

O curioso é que os verdadeiros filósofos, jornalistas, escritores e demais profissionais de Humanas que conheço nunca precisam afirmar isso a cada frase que proferem. Isso transparece tão-somente pela sua cultura. É curioso que muitas pessoas nem sabem que porra eu faço - e devido a fatos recentes, acham que sou advogado, justamente por eu não ter essa insonsa mania. Na verdade, além de ter perdido a amizade com colegas que conheceram a seita da psicanálise na faculdade (e começam a te analisar e perguntar da sua mãe cada vez que você reclama de um problema entre duas cabeças humanas), todos os filósofos que conheço só vem falar comigo sobre RPG ou me convidar para entorpecer os cornos com alguma substância alcoólica.

A Completa Lei de Murphy inclui em seus axiomas de escritório que um especialista é um cara que veio de fora. Esse senhor deslocado, que deveria passar as tardes ou corrigindo provas sobre Cícero, ou trocando fraldas (já que tem vergonha própria de assistir Gugu em feudais relações familiares) está deslocado no Twitter e se orgulha disso. Como se sua vetusta falta de garbo e elegância fosse mote para a auto-vaidade tão contumaz à raça.

Mas também sabemos: especialista é um cara que sabe muito sobre nada. Um super-especialista é um cara que sabe detalhadamente tudo sobre absolutamente porra nenhuma. Tal é o A140C. É o cara que fez uma monografia sobre um filósofo, um sociólogo, um psicólogo, um agitador pós-moderno desqualificado ao gosto das massas, e resume e exprime tudo para encaixar a realidade em seus preconceitos. Falar sobre aquecimento global ou um novo filme com o cara é uma oportunidade para ele arrotar Lacans e Negris como as finas flores da sabedoria ocidental.

Não é preciso lembrar que, para dar uma suposta bafejada de verdade nas suas aleivosias, nossos A140C se formaram mega especializando-se em um autor ou dois, e nunca passaram os olhos por um autor "da oposição". Assim é, afinal, que alguém pode defender patavinas soviéticas como Lukács ou medicinas medievais como a psicanálise por toda a vida e, afinal, nunca levarem uma bifa na orelha por isso. Pelo contrário: o professor, ou dir-se-á, orientador não irá modificar a cabeça de jerico do aspirante a blogueiro famoso em nome da não-intervenção, e logo teremos um professor com cabeça de jerico orientando um futuro aluno ainda mais descerebrado.

É como o caso de uma famosa filósofa, defendida aguerridamente por vários A140C, petista roxa, que é considera por eles como a maior especialista do mundo em Espinoza (talvez algum filósofo desconhecido, de algum parentesco aportuguesado e abigodado com Baruch de Spinoza). Tais A140C soltam sua fúria por todos os orifícios se alguém ousa discordar de uma autoridade mundial:

"Mas como se atreve?!?! Marilena Chaui possui um currículo INFINITAMENTE SUPERIOR ao seu!! O que você é?! Alguém que por acaso já fez com que estudiosos de 4 línguas procurassem estudar português para ler sua obra?!?!"

Ora, é claro que não, meus caros intelectuais: apenas sei que as pessoas que fizeram isso, sendo algumas delas falantes de francês, não precisariam recorrer a tanto: José Guilherme Merchior acusou e provou, por a+b, que grande parte do o livro Cultura e Democracia da nossa petista era mera tradução de um texto de Claude Lefort... e algum intelectual resolveu refutar a acusação? Marilena Chaui não tem Twitter, mas falando tanto sobre mídia, influenciou bastante o pensamento de nossos A140C: se você tem um título qualquer, pode usá-lo como prova de qualquer coisa em Humanas.

O que é uma subversão interessante do próprio conceito de "ciências" humanas: áreas tão pouco sólidas que os físicos preferem chamá-las de soft science, em comparação ao sólido arcabouço de uma hard science como a deles. Mas até mesmo físicos caem no pau, como as teorias das super-cordas e outras tentativas de integração entre conceitos mutuamente excludentes, como a mecânica quântica e a teoria da relatividade. Enquanto isso, nossos intelectuerdas formados em orkut fogem de qualquer arranca-Habermas simplesmente invocando: "Eu sou formado em Sociologia no Mackenzie, logo, minha opinião deve ser respeitada... quem é que pode supor julgar que eu errei?!"

Por certo que não ocorre a estes mesmos respeitáveis filósofos blogueiros, jornalistas de mídia social e advogados de porta de scrapbook como é que 2 filósofos com os mesmos títulos poderiam concordar entre si - e, portanto, o que um título qualquer em Humanidades "prova" qualquer coisa - como se Marx e Friedman, Hegel e Schopenhauer, Heidegger e Wittgenstein, Pound e Gramsci, Freud e Biswanger fossem inventar de chegar a uma mesma e óbvia verdade, conquistada depois da fase da água e do TCC contra o último chefão.

E o que resta a nós, pobres desprovidos do diploma da Verdade Alumiada do microblog?! Ora, podemos nos proibir de testar a validade das informações de nossos orquestradores de bruzundrangas reptílicas (porque o A140C passa o dia todo usando as palavras "razão", "lógica", "ciência" e "filosofia" no Twitter, mas quando encontra uma opinião diversa, imediatamente estará sem tempo para discutir com desprovidos de diploma de orkut) ou, caso a situação fique grave, nem sequer ler pessoas inteligentes que destróem as besteiras ditas por filosofetas do mainstream acadêmico, que nunca conseguiram uma "prova" de nenhuma das suas patifarias (claro, eu sei que a ciência, atividade dialética par excellence, prescinde de "meios de prova", tendo como escopo "meios de descoberta"; mas assim que vocês me mostrarem um intelectual formado em Foucault que conheça os Analíticos Anteriores e Posteriores de Aristóteles, ou, sei lá, um método científico de Charles S. Peirce, favor depositarem uns 2 barões na minha conta).

"Mas, senhor filósofo-com-diploma, o senhor diz que não posso ousar discordar das paneleirices cometidas por Foucault e Freud, mas tendo Umberto Eco e Nobokov esmigalhado as torpezas dessa dupla, como o senhor quer que eu ouse discordar destes e não daqueles?!"

O apelo à autoridade é o mais comum meio de prova entre os Acadêmicos de 140 Caracteres, pois um nome pomposo de algum baitola envolvido com Maio de 68 cabe em um tweet, ao passo que um capítulo de Imposturas Intelectuais não cabe nem em meus longos posts no blog. Essa dialética de professor recém-saído do mestrado não tem nada de dialética, nada de fenomenológica, nada de pragmática, nada de positivista, nada de empiriocriticismo, nada de instrumentalismo. Apenas se parece com alguma forma desmiolada de escolástica.

Com a diferença de que os escolásticos faziam apelos a autoridades inexistentes, enquanto o intelectual pós-moderno apela a uma "autoridade" de quinta categoria, que só é autoridade para ele e o seu Tinoco da padaria.

6 pessoas leram e discordaram:

Rodrigo on 8 de janeiro de 2010 04:45 disse...

Certo, tá em crise existencial, filho?

Danilo Pingado on 8 de janeiro de 2010 12:28 disse...

Esse trecho não está nA Arte de Escrever?

Bruno Ruder on 9 de janeiro de 2010 22:47 disse...

Pingado, A Arte de Escrever é o título dado na edição brasileira ao conjunto de alguns capítulos selecionados de Parerga e Paralipomena (que são uma caralhada, diga-se), entre eles "Sobre a leitura e os livros".

abrasos

Flavio on 10 de janeiro de 2010 12:14 disse...

Eu (L) meus guarda-costas.

Bruno Ruder on 11 de janeiro de 2010 11:33 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno Ruder on 11 de janeiro de 2010 11:36 disse...

(VTNC)

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