domingo, 27 de dezembro de 2009

James Cameron e o Counter-Strike amazônico

O Gravataí já está me devendo todo o meu estoque
de Subway neste ano. Como uma dívida a mais não
faz diferença (pra ele), resolveu apostar que a resenha
dele seria melhor do que a minha. Alea jacta est.


Quando um filme, sendo uma bosta ou não, é obra de alguém do porte de um James Cameron (que pode não ser um puta gênio do caralho como Schopenhauer, Dostoiévski ou o cara que descobriu que as ostras são comestíveis, mas é responsável pelo melhor filme do mundo: O Exterminador do Futuro 2), entender esta obra exige um pouco de raciocínio sobre a forma de pensar do homem por trás das câmeras. E o que isso significa?



Avatar tem gráficos nota 11, som arrepiante, jogabilidade fluída e uma idéia que, se não é fantástica, não deixa de ser interessante por detrás, mas é impossível continuar jogando depois da primeira fase. O filme pagou pedágio na fila de clichês e achou que era melhor não trocar de faixa porque havia um tal de Hayao Miyazaki discutindo demoradamente com o caixa dos roteiros surpreendentes.


Sem medo de ser spoiler


Tudo, absolutamente tudo o que Avatar tem são clichês. Macho branco é um pacóvio, mas acordou com uma estrelinha na testa escrito chosen one e tem a sorte de ter o mesmo código genético de seu irmão-gêmeo gênio (science FAIL), a sorte de não levar um ralho após quase matar seu próprio avatar por insistir em se levantar mesmo que uma instalação militar implore contra isso, a sorte de libélulas premeditadoras do futuro indicarem à guerreira de uma tribo que ele é seu salvador branco e americano, a sorte de poder andar de dragão em meio a uma chuva de balas de 800 metralhadoras sem levar na bunda, a sorte de alguém o ter escolhido pra herói do filme.

É o fator Harry Potter: mocinho não faz nada, mas tem seu nome na capa do filme logo, toda a força do vilão, capaz de explodir a floresta amazônica, será tão inútil contra o mocinho como se este vivesse no Acre, mesmo que seus méritos o fizessem reprovar no maternal.

Aliás, seu avatar também é clichê: seres vivos humanóides mais poderosos que humanos, de orelhas pontudas (hey, chega, né?), maiores e imunes a algo ao qual humanos sucumbem, vivem na floresta, amam a natureza, bons selvagens. De Senhor dos Anéis ao MST, todo mundo já viu esse filme.

Sim, o enredo é o mesmo de Dança com Lobos. Sim, o vilão será o coronel com pinta de durão das primeiras cenas. Sim, sua equipe irá virar a casaca a seu favor na última hora. Sim, você irá cavalgar uma lagarta gigante contra naves indestrutíveis e jogá-las todas no buraco. Sim, você irá atravessar uma fileira de homens com metralhadoras armado de um porrete, e todos eles, exatamente naquele momento, não estarão com suas 15 metralhadoras apontadas para você, e nem terão tempo de mirar decentemente, pois coincidentemente estarão apontadas cada uma para um ponto morto no éter enquanto você trafega por entre o tiroteio.

Mas pior que um filme ruim é um filme de idéia boa que é um filme ruim. E pior que um filme de idéia boa que é um filme ruim é um filme de idéia boa e desenhos tecnológicos fodidos e diretor famoso que, ainda assim, é um filme ruim.

O filme é oportuno: trata de questões ambientais (em época de COP15), guerras por recursos naturais (em época de Iraque) e fubangas com os peitos de fora (em época de Fernanda Young).

E óbvio que já vimos tudo isso antes, mas o roteiro de Dança Com Lobos ainda pode faturar algum se você transportá-lo para o Japão feudal com Tom Cruise ou se fizer um filme em 3D para crianças
ou com uma estratégia de marketing que faça qualquer idiota de barba ver o filme e depois falar mal em seu blog.

Valeria uma aula de roteiro o que Cameron fez para destruir uma história batida, porém competente algo, alguma coisa nesse filme tinha de não ser um clichê. Mas não dá pra fugir do padrão de falta de lógica hollywoodiano.

Vejamos:
O tal "avatar" do personagem se perde do resto do grupo fuçando plantas que somem com o toque, enquanto os cientistas gênios, sabendo que o pentelho é uma versão Smurf de Dennis, o Pimentinha, o ignoram solto na floresta mais perigosa do (outro) planeta sem coleira;

Após fugir de monstros que fariam Jurassic Park parecer o cenário dos Teletubbies, escapa de ser flechado por uma tribo de selvagens porque uma das guerreiras viu uma libélula mágica bem no átimo de centésimo em que ia disparar a flecha, o que indica que nosso personagem está com o seu carnê do Baú em dia;

Herói cai nas graças da tribo da floresta, que supõe que podem aprender guerrilha armada com ele (e o que é mesmo que nosso paspalho lhes ensina?);

Camarada que se acostuma com seu novo look azul começa a se apaixonar pela mocinha azul que detestou a idéia de cuidar de seu rabo (já que ele ainda pouco se acostumou a ter um);

Novo selvagem new age só é considerado digno de entrar para a tribo se domar um dragão que tenta comê-lo; após muita briga, eis que este é o começo de uma grande amizade; achei uma pena nosso elfo azul não chamá-lo de Bucéfalo;


Anta desqualificada só se lembra de que está usando o seu avatar, na verdade, para descobrir e indicar a americanos brancos como chegar ao santuário dos seus novos amiguinhos (os únicos que teve em vida, ao que parece) apenas depois de já ter se acostumado a brincar ao vivo de Super Mario, Sonic, Panzer Dragoon e tantas outras cenas roubadas de videogames passados em floresta e, claro, quando é tarde demais para explicar que, na real, é um agente infiltrado e lhes ensinar o refrão de Run to the hills... run for your lives.

Animal de teta, então, percebe que misteriosamente está apaixonado por uma fêmea de cauda azul de 4,5 metros de altura e passa por traidor do movimento hippie por esquecer de avisar seus amiguinhos de que (putz, o que era mesmo?!) eles todos foram traídos e vão morrer (ah, lembrei!);

Sem conseguir adentrar na tribo para pedir desculpas por um genocídio de proporções bushicas, tem uma idéia brilhante: voar por cima do lagarto voador que atemoriza a tribo, saltar sobre sua carcaça e torná-lo um ser do bem, usando seu plug de tomada (o que prova que aquele planeta não é tão índio assim);

Chega na tribo e, mesmo sendo responsável por cadáveres contados às mancheias, prova que... bom, que... que pode cavalgar uma lagarta gigante!! Mocinha imediatamente o perdoa com laivos de "meu herói!" após as bananices do seu herói terem matado o seu pai (como disse a Bárbara Magalhães, essa é a maior maria-gasolina da história do cinema);

Sem armas nucleares para enfrentar a armada americana, nosso tosco protagonista, que começa o filme tímido e amuado, vira um baita discursante, um verdadeiro Trotsky que aprendeu retórica na FFLCH, e convence, é claro, as tribos inimigas a selarem a paz contra um inimigo comum, coisa que os selvagens nunca pensariam em fazer sozinhos e sem discursos de "somos todos irmãos na Terra da Liberdade americana";

Mas a guerra começa, e selvagens usam dragões, arco e flecha e a força do rock'n'roll contra espaçonaves caralhosas. Com este cenário, não é preciso ser spoiler com o caro leitor para lhe informar quem ganha (dica: um dos lados terá ajuda dos seres da floresta apenas no momento oportuno em que alguém estiver prestes a morrer).

Honestamente, tem como ter medo de estragar a graça de um filme o qual você adivinha cada cena alguns segundos antes de ela aparecer na tela?!

O estranho é que, a despeito do 3D, não há uma única cena que já não tenha sido vista antes. Mas uma cena me mostrou o que se passa na cabeça de Cameron além do acima exposto: não é de estranhar que, depois de tantas cenas chupinhadas de videogames (até as cores são as dos jogos de floresta do Playstation), todos os mechs que surjam na batalha final sejam idênticos aos de tantos jogos de tiro, como Halo, Shogo, Mechwarriors e derivados?!


Mas, na última luta (sem estragar a surpresa de ninguém, aquela que acontece depois de o azulão atravessar uma infinidade de artilheiros em posições diversificadas sem levar um tiro, explodir a nave fugindo dela a tempo e caindo de uma altura de alguns quilômetros sem sofrer um arranhão, junto com seu arqui-inimigo da primeira cena), após o Mech perder a metralhadora (foi melhor que o Bruce Lee arrancando sozinho a espada das mãos de um samurai, convenhamos), não atenta contra a inteligência que o grande Mech use... bem, é meio constrangedor mas... saque uma faca em forma de tacape para acabar com o inimigo?!?! Já estou ouvindo os meninos na lan house gritando: "Vai na faca!!"

Não tenham dúvidas, crianças: se algum dia estiverem jogando Counter-Strike em um servidor internacional, e houver no time dos mercenários um jogador com o nick de Terminator, dêem a vida para acertar sua cabeça. Assim, poderão dizer a todos que acabaram com James Cameron no meio de seu vício notívago pós-Linda Hamilton.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ademais - A Semana Revista

"Poso ficar aqui dez anos, aqui tenho meu violão."
— Manuel Zelaya

Esta semana foi concorrida em assuntos a serem comentados, além da morte do Dalborga. À guisa Jack:


Violência na Guerra e na Paz

Dizem que o problema da violência é a "sociedade injusta". Enquanto isso, só no Espírito Santo, um estado minúsculo do Brasil, se mata duas vezes mais do que no Iraque, um país em guerra.

Nota: 70% com envolvimento com tráfico de drogas, também conhecidos por "motivos fúteis". E o que gera violência, é claro, é a sociedade capitalista, e não a estupidez do indivíduo.


Revisionismo Histórico

Uma coisa que a esquerda no Brasil adora fazer é procurar resolução de crimes de 40 anos atrás causados pelos milicos. Porém, a palavra terrorismo nunca acompanha a palavra ditadura em seus pronunciamentos.

Esquerdistas têm uma mania de procurar as ossadas dos desaparecidos. Acharam duas ossadas na semana passada e estavam prestes a soltar fogos. Quando foram ver, eram de dois militares que eles mesmos tinham matado. Vexame que não saiu em quase nenhum veículo burguês e imperialista.

O sargento Mário Abrahim da Silva e o cabo Odilo Cruz Rosa foram mortos à queima-roupa, sem possibilidade de defesa, em emboscadas, e não em campo de batalha. É foram eles que fizeram o que se chama, hoje, de repressão.


Putas 1: O Bordel do Obama

A ACORN, empresa para onde Obama desviou milhões que antes eram das forças armadas, resolveu aprender com a tática brasileira de, em caso de crimes claros, culpar a vítima, de Liana Friedenbach a Geisy Arruda.

James O'Keefe e Hannah Giles fizeram uma investigação para demonstrar as fraudes e desvios de dinheiro da empresa - plano: Giles se disfarçou de prostituta e a dupla gravou informações de funcionários de 5 diferentes jurisdições explicando como criar um bordel com prostitutas menores de idade em El Salvador. E os camaradas explicam direitinho como deve ser feito: se é dinheiro público, pode pedir bastante, né?

O que resta aos criminosos? Processar o mensageiro. E quer apostar que ainda levam nessa, e não é na bunda?


Putas 2: Sobre Túlio Vianna e Punheta

"Dois neocretinos que filosofavam a revolta de maio de 68, Philippe Rivière e Laurent Danchin, propugnavam uma nova educação básica, em que a filosofia e as letras seriam substituídas por informática, marxismo e música
pop."
— Olavo de Carvalho, O Imbecil Coletivo, p. 280

Não é que eu persigo Túlio Vianna. É que me informo pela internet, e onde tem bosta hilária para estravazar sobre a estupidez alheia, tem Túlio Vianna envolvido. Se o cara fosse mais onipresente, seria só digitar "bosta" no Google que você cairia na seção de suas obras completas.

Se gastasse meu tempo lendo livros de esquerdistas, estaria caçando as histrionices de Paulo Arantes e Caetano Veloso, mas é mais rápido e econômico rir de advogados de porta de scrapbook.

Lula pediu caráter de urgência (coisa que só o presidente pode pedir) para que o Congresso aprove logo a medida do Vale Cultura, que dará aos trabalhadores que não são classe média um vale de R$50 para ser gasto com cinema, teatro e outras atividades com que Lula só se preocupou agora, coincidentemente, com o lançamento do seu filme e a campanha de Dilma a todo vapor na TV.

Enquanto o projeto já é satirizado sendo chamado de Bolsa Sinuca, nosso Túlio, se antecipando, lançou um texto explicando (a palavra, aqui, é tomada em sentido viannense) que pornografia é cultura, portanto o dinheiro do Vale Cultura pode ser usado para... bem, vocês sabem.

Desde que a Constituição de 88 (art. 216) definiu como "patrimônio cultural" tudo o que dê testemunho do que se passa nesse país, abstraindo-se qualquer consideração de qualidade, estética, moral ou cognitiva, temos pensadores imbuídos da crença edificante de que sua missão precípua é ecoar — e, se possível, vociferar — as sacrossantas "aspirações do nosso tempo", já decididos de que literatura não é preciso; Chico Buarque é preciso.

Mas quantos deles foram tão subrepticamente baixos, e ainda com o erário?

Claro que não tenho dúvidas de que Engolidoras de Mangalhos, Viagem Ao Céu da Boca e DNA: Dilatando Nossos Anus são verdadeiros testemunhos da qualidade, da estética, da moral e da cognição da cultura brasileira — o que faz com que até mesmo o blog de Túlio Vianna seja "patrimônio cultural", quod erat demonstrandum. Acho que Túlio, quando leu Demóstenes dizendo que veritas est in puteo, não entendeu que a tradução é "nas profundezas"...

Porém, quando foi mesmo que Túlio estava chiando sobre uma frase de Robin Williams, explicando (tomada em sentido williano) como o Rio conseguiu virar sede das Olimpíadas? E... bem, agora entendi qual foi o verdadeiro problema do #lingerieday (já que Túlio só se enrolou pra falar de "objetificação"): foi um evento sedutor (de seducere, "esconder", o contrário de producere, que originalmente era "fazer surgir"), ao invés de uma legítima produção cultural pornográfica!

Mas sobretudo: foi um flash mob de adesão voluntária no Twitter. Faço um apelo público a Gravataí, Morróida e IzzyNobre: para que Túlio Vianna não venha com um mimimi moralizante da próxima vez, além de exigir total ausência de roupas, cobrem por isso. Não só de quem quer ver: tem de ser imposto, de todos, com dinheiro público.

Afinal, pornografia no cu dos outros é refresco estatal.


Dilúvio Paulistano

Choveu o mundo em São Paulo, e o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a Secretaria Municipal de Habitação, a Secretaria Estadual de Saneamento do Estado de São Paulo e a própria Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) — sem falar em sub-prefeituras e afins — não souberam explicar como até um conjunto da CDHU está instalado em áreas de risco.

Minha pergunta é: o que quatro órgãos burocráticos, não facilmente comunicáveis e de tarefa tão específica fazem o dia inteiro, que não cuidar de problemas visíveis a olho seco? Não compensa botar 80% no olho da rua e decidir tudo no palitinho?


Crimes does pay

E além do Bolsa Reclusão, que transfere os impostos dos trabalhadores para as famílias dos criminosos viverem felizes enquanto eles estão presos, agora, no Brasil, tempo de cadeia também garante aposentadoria. E falam em penas muito rigorosas, não é?

Vivemos sob a égide de gente com pensamento quase fascista. Querem aumentar o poder do estado, controlar a mídia (vide a censura ao Estadão, comemorada por aí, mesmo que às espensas de defender Sir Ney), a economia, a liberdade de compra. Quase fascista. Os fascistas também queriam controlar a criminalidade.


A pipa do vovô não sobe mais

Jornalistas deveriam ter mais memória para lembrar de Lula comemorando que o nosso PIB iria subir 5% este ano — grande marolinha. Subiu 1,3% no semestre. Com esta projeção, nossa probabilidade de crescimento é negativa, ou, com sorte, bem próxima do zero absoluto.

Lembrando que a relação de crescimento em relação ao mundo no governo Lula, em 40 anos, só não perdeu para a desastrosa gestão Collor. Vamos falar mal do PSDB, pra variar.


O clima tá esquentando

E depois de Gilberto Gil explicar por que está em Copenhage (sic) — "Gosto destes encontros em que se discute o destino... a natureza em nós" — e da delegação sobre clima contar com Collor, Carlos Minc, o ministro com nome de ministério, só desembarca na Dinamarca hoje.


Três notas de Tutty Vasques

No Estadão:

Encalhada é a...
Uma ação entre amigos de Fernanda Young tenta combater insinuações de que a Playboy dela teria encalhado. Só o Marcelo Tas comprou ontem um lote com 200 revistas.

Upgrade
Fernandinho Beira-Mar vai fazer prova do Enem mirando a carreira de advogado. Ou seja, quer mudar de vida sem trocar de ramo.

Axé 22
Fãs de Daniela Mercury estão preocupados! A cantora anda dizendo que seu novo CD reedita e amplia a Semana de 22. Ou seja, a antropofagia do Pelourinho subiu-lhe à cabeça.


...

Até semana que vem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mais um post politicamente incorreto

Cuidado, leitor, rir de piadas pode ser opressão neoliberal:



Todo mundo fazendo cara de sério, agora!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sobre Direitos Humanos e Mimimi

"...e tem também a classe média, que fala muito palavrão e é sempre do contra."
- Millôr Fernandes


Morreu ontem um dos maiores apóstatas da bandidagem no Brasil, Luiz Carlos Alborghetti:



Alborghetti morreu? Ah, vá descansar em paz, porra!!

Tão logo a notícia vazou, um mimimi com tons disfarçados de comemoração começou a pipocar pelo Twitter. Logo percebi ser mais um serviço sujo daquela famosa quadrilha inimiga dos Super Amigos, a turma dos Direitos Humanos.

A Turma da Humanidade Caridosa (doravante denominada THC) compreende pessoas que odeiam opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência – mas apesar disso, odeiam um pouquinho mais gente que não faz nada disso mas não vota no PT.

Se houver opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência em um caso como o de Champinha, pouco importa: uma pessoa "da zelite" é que foi morta, então viva o opressor, machista, autoritário, injusto e violento que causou estas mortes!

Tal tese se baseia nos famosos pressupostos da "linha de pensamento" em meios jurídicos conhecida por coitadismo penal, visão retardada de Direito defendida aguerridamente por gente da estirpe de Alessandro Baratta, Túlio Vianna, Luís Flávio Gomes, Nilo Batista, Maria Lúcia Karam ou Juarez Cirino dos Santos. Gente versada em Foucault, Gramsci e Marcuse, mas incapaz de unir premissa à conseqüência (apenas para provar que eu sou capaz de unir: se entendessem de lógica, com toda a certeza escolheriam ídolos menos vagabundos).

São pessoas que querem um tratamento digno e humanitário para os cidadãos oprimidos, desde que este cidadão sirva aos seus propósitos de enriquecimento na advocacia, pregação moral ou vote em seus candidatos (cf. o Devil's Dictionary de Ambrose Bierce: "black: noun a nigger that votes our way").

Gente como a gente e como Túlio Vianna, que vai à TV dizer que é um ab-sur-do rir de piadas com gays, pois a piada é a forma do branco continuar oprimindo o negro após o fim da escravidão (conforme qualquer Gregório de Matos é prova, non?) – ou seja, mais uma opressão capitalista. Porém, nunca deu um pio sobre o fato de o homossexualismo ser proibido em Cuba ou na U.R.S.S. – há pouco, o concurso Havana's Gay Contest terminou com a polícia sentando a borracha e botando todo mundo na cadeia. Os gays cubanos ainda estão esperando um pronunciamento de Vianna sobre a opressão machista socialista.

O mesmo Túlio que orquestrara uma semana antes um estrepitoso mimimi no Twitter contra a suposta "objetificação" (nunca definida além de "um sujeito olhar algo como objeto") do #lingerieday, mas quando Roberta Kauffmann, procuradora do DF, que defende a extinção das cotas nas universidades, foi chamada de fascista e teve o seu carro pichado com duas frases: "Loira f. da p." e "O mérito é burrice e você é a maior prova disso", não parece ter se indignado tanto com a objetificação.

Por sinal, o Túlio que afirmou que o #lingerieday seria objetificação das mulheres (mesmo que homens tivessem participado) pois quem o propôs foram homens (mesmo que muita gente tenha se divertido sem nem saber quem cacete havia tido a idéia), e como se elas tivessem sido obrigadas a tal. Na época, afirmei que o próximo #lingerieday poderia ser organizado pelas próprias mulheres. Quando Geisy Arruda foi vaiada na Uniban e propuseram o "Mini-Saia Day", Túlio fora obrigado a sair pela tangente (deve ter engolido minhas palavras como uma sopa de letrinhas apimentada). E o mesmo Túlio que organiza um concurso compulsório "Miss Direito Penal", em que o critério de desempate era a foto mais ousada no perfil do orkut...

O nosso Túlio, que ficou in-dig-na-do com a reação estrábica da Uniban em arbitrariamente expulsar a estudante Geisy Arruda por usar um vestido curto – isto é, o recurso estúpido de culpar a própria vítima. O mesmo recurso estúpido usado duplamente pelo próprio Túlio para defender Champinha por ter destruído brutal e lentamente o corpo de Liana Friedenbach, afirmando que ela era rica (ó pecadora!) e branca (ou seja, judia, um povo que há mais de 3 mil anos foi escravizado, vejam só, por negros, como qualquer estudante de história de colegial urge saber).

Ou pessoas maneiras como Juarez Cirino dos Santos, que, acredita que o crime organizado não existe e defende gente do MST de graça. Enquanto isso, vemos casos como o do garoto Émerson Gomes, de 12 anos. Brincava numa rua de Belém com seu amiguinho de 6 anos quando ouviu tiros. Colocou o seu corpo sobre o do menino mais novo para protegê-lo. Morreu de bala perdida: bandidos atiraram a esmo porque não conseguiram roubar um celular. Falou a mãe do filho morto: "Ele morreu, mas salvou uma vida mais nova." Falam as autoridades [e Juarez]: Falam? (ISTOÉ, 12 ago 2009, ano 32, n. 2074)

Gente honesta ao contrário do seu Zé da padaria, este porco capitalista que devia dar uma função social à sua propriedade – como pagar impostos para financiar o Auxílio Reclusão, que garante verbas para a família de quem está preso, muitas vezes porque, coitados, perderam o lucro auferido com tráfico para financiar sua honesta família que não é de classe média...

(Há alguns anos, em um debate sobre o caso Champinha, alguém usou um exagero retórico para definir esta posição: daqui a pouco, os familiares das vítimas seriam obrigados a pagar uma indenização para o assassino. Há alguns anos, isso foi apenas um exagero retórico.)

É um povo que quer controle de tudo: do mercado, da mídia, das piadas (não posso rir de dois marujos barbudos e gordos de sutiã vestidos de Carmen Miranda porque é preconceito). Mas controlar a criminalidade... não pode!!! Isso é um absurdo! Como vamos viver sob tamanho fascismo?!

Onde essa negada chegou ao poder, a criminalidade aumentou, mas a culpa foi sempre do acaso e da má sorte... Porém, sempre o mais importante: se deixarmos nossas idéias nas mãos desses caras, os nossos direitos humanos estarão garantidos, sobretudo com a proibição das piadas de negros (que é opressão), mas não as de português (o que é ação direta anti-imperialista)!


Vamos brincar de assassinato?

Ontem, enquanto lembrávamos de frases do filósofo Dalborga no Twitter, percebi meu colega @gravz discutindo com um viado aleatório que parecia não gostar do jeito, digamos, "desumano" com que Alborghetti tratava a bandidagem. Intrometendo-me, perguntei ao cidadão, senhor @AlexCastroLLL, se ele defenderia Direitos Humanos para alguém que retalhasse suas filhas.

Ora, foi uma pergunta simples, objetiva e singela para abrir um debate. Não sei o que pode ter de ofensiva. Podem perguntar para mim, que eu, impertérrito e com o mesmo garbo e elegância consuetudinário, replicarei: "De forma alguma, pois julgo em minha tacanha ética que esquartejadores merecem um tratamento um pouco menos almofadado. Isso mesmo que eu não tenha uma filha, mas julgo pouco decoroso que alguém retalhe a filha alheia".

Porém não obtive resposta de tal molde. Pelo contrário: @AlexCastroLLL preferiu, em suas palavras, "zoar": Disse que adoraria que elas fossem retalhadas, uma segunda, outra terça, outra quarta e assim por diante. Ora, este tipo de resposta, além de grosseira, é de extremo desrespeito com tantas vítimas que, infelizmente, sofreram mortes brutais e nunca foram justiçadas mundo afora. Com alguém que faz piadinha com assassinatos brutais, qual a reação natural que move o homem? Perguntar se o camarada quer um suco?

A única saída que o novo membro da THC achou era que eu tinha a obrigação de seguir seria continuar com educação, enquanto o sujeito disparava um mistifório fecal:

A: Boa tarde. O senhor defende o socialismo?

B: Espero que minhas filhas sejam estupradas como Mao fazia com as chinesas.

A: O senhor não vê complicações humanitárias na ditadura do proletariado?

B: Vai tomar no cu, filho cagado de uma jumenta! Sua mãe só não engoliu a merda que deixei na boca dela porque ela não tinha troco pra vinte!

A: Sim, claro. E o senhor não vê problemas num partido único?

B: Enfia os cinco dedos na boceta da sua vó e rasga, arrombado de uma figa! O cu do seu pai é tão grande que cabe um trem dentro!

A: Ah, entendido. Muito obrigado pelas suas respostas e tenha uma boa tarde!


Não tive dúvidas, após consultar minha integridade colhônica: afirmei para o entendido que apenas a THC é capaz de fazer piadas mórbidas com assassinatos, e só por isso ele merecia um belo pau-de-arara. Em sentido bíblico. O trocadalho exige cerca de 4 neurônios para ser devidamente compreendido, mas confiei na força da peruca.

O perobo se ofendeu (sim, ele se ofendeu), e as apostas no Twitter para a briga de blogueiros do dia começaram a rolar.

Fui respondido apenas pela afirmação de que eu seria bobo, feio e chato. Como sua jogada retórica (usar de ironia para dizer que gosta que as filhas sejam retalhadas) foi apenas um uso macabro e primário da ironia, e como eu, um diletante de Dialética, bem-versado em recursos mais complexos como argumentum ab inconvenienti ou captatio benevolentiae (pra não falar em um simples anacoluto), usei da mesma tática e lhe afirmei que, já que ele deveria ser um gênio da argumentação, era melhor que eu fugisse do debate.

Sua "resposta" foi usar um retweet de @moysespintoneto dizendo que o pior eram esses "conservadorezinhos ressentidos destilando ódio contra a esquerda e esbanjando pseudointelectualidade". Curiosamente, pouco antes, havia ganhado uma discussão com meu amigo @franciscorazzo, em que eu havia atacado Roger Scruton, um dos maiores nomes (se não o maior) do "conservadorismo" da atualidade, e comentei isso em minha timeline.

Nosso herói tratou de afirmar e que ele não estava fugindo a debate algum, pelo contrário: apenas prescindia da lógica pois seu único intento era me "zoar" (sic). Mas, como sua torcida clamava por algo mais digno de alguém que passara da terceira série há algum tempo, logrou me responder que Roger Scruton era um escroto (trocadilho bastante complexo, diga-se).

Tão logo percebi que supervalorizei a força da peruca: o estrupício não entendera que eu disse que eu estava fugindo do debate por não conseguir me igualar a alguém capaz de usar um recurso tão complexo quanto a ironia, só aprendida em um Doutorado em Argumentação Jurídica. Mesmo que eu tivesse usado a primeira pessoa, julgou que eu estava falando dele, e cuidou de se redimir. A um só tempo, para me atacar, afirma que quem eu ataquei era um escroto, como se isso fosse me atingir. Será que preciso pintar um alvo em mim mesmo para que Alex Castro descubra quem tem de acertar e conseguir "zoar" a contento, sem parecer que, mesmo que estivesse falando sozinho, o zoado seria ele?

Por Alex Castro ser discípulo de Túlio Vianna, comentei com minha amiga Sofia que o #merdinha havia produzido seus frutos. À simples leitura da palavra "merdinha", Alex gritou "É comigo!" e manifestou seu desejo incontido de dar com a cara no nosso punho. Como lidar com alguém que troca tanto "eu" por "você", que não sabe brincar de "o amigo do meu inimigo" para resolver o sinal das multiplicações e ainda cai num faux pas público deste gabarito?!

Mas para mostrar como estaremos felizes com esta laia a garantir nossos Direitos Humanos, Alex, dizendo sempre que não falava com lógica pois só queria "zoar", disse que Sofia tinha obrigação de dar pra mim, concluindo com uma reiteração do acinte, em meio a mais xingamentos dignos de um marginal de 8 anos.

Expliquei para o pivete que, para "zoar" alguém e praticar bullying adequadamente, era preciso ter pelo menos uma de três coisas em tamanho maior que o oponente – músculos, cérebro ou BENGA – e, ademais, não deveria envolver no mesmo nível de sua pequenez (não sei da primeira, mas certamente das duas últimas coisas) uma dama. Nosso arrombadinho preferiu apenas dizer que hoje chamam de dama qualquer vagabunda, mesmo que ele nem soubesse quem estava a injuriar.

Mas enquanto o menino "ria" por me "zoar", e eu lhe explicava que, quando você precisa explicar que está zoando alguém, na verdade quem está sendo zoado pelo próprio ridículo da situação é você, um seu amiguinho, um tal de @andrepiaui, lhe afirmou, polidamente, que quem "começa o debate falando em retalhar suas filhas e usando a palavra benga merece silêncio".

Como é que é?! Eu faço uma pergunta cuja única resposta lógica possível demonstraria a falta de lógica do cidadão, e eu baixei o nível do debate por isso; eu proponho um diálogo, sou replicado à piadinhas mórbidas, e a baixeza é minha; sou "zoado" ao invés de obtemperado, o desgraçado chama uma amiga minha que ele desconhece de vagabunda que quer dar pra mim e, ao explicar pra ele que é melhor ter cérebro ou estrovenga para tentar humilhar alguém, quem baixa o nível sou eu e mereço silêncio?!

Isso revela uma única coisa: adesão incontesti à THC destrói neurônios e senso de proporção.


Onde os fracos não têm vez

Como concluir um "diálogo" com um pervertido de tal laia? O @Ibere, que me fez notar a existência de Alex Castro, ao ver o caralho comendo solto, foi franciscano em seus votos. Apesar de não ser religioso, concluo da mesma forma, com um acréscimo: Paz na Terra aos homens de boa vontade, e o resto tudo que agonize demoradamente empalados no espeto de Satanás.

Amém!


domingo, 27 de dezembro de 2009

James Cameron e o Counter-Strike amazônico


O Gravataí já está me devendo todo o meu estoque
de Subway neste ano. Como uma dívida a mais não
faz diferença (pra ele), resolveu apostar que a resenha
dele seria melhor do que a minha. Alea jacta est.


Quando um filme, sendo uma bosta ou não, é obra de alguém do porte de um James Cameron (que pode não ser um puta gênio do caralho como Schopenhauer, Dostoiévski ou o cara que descobriu que as ostras são comestíveis, mas é responsável pelo melhor filme do mundo: O Exterminador do Futuro 2), entender esta obra exige um pouco de raciocínio sobre a forma de pensar do homem por trás das câmeras. E o que isso significa?



Avatar tem gráficos nota 11, som arrepiante, jogabilidade fluída e uma idéia que, se não é fantástica, não deixa de ser interessante por detrás, mas é impossível continuar jogando depois da primeira fase. O filme pagou pedágio na fila de clichês e achou que era melhor não trocar de faixa porque havia um tal de Hayao Miyazaki discutindo demoradamente com o caixa dos roteiros surpreendentes.


Sem medo de ser spoiler


Tudo, absolutamente tudo o que Avatar tem são clichês. Macho branco é um pacóvio, mas acordou com uma estrelinha na testa escrito chosen one e tem a sorte de ter o mesmo código genético de seu irmão-gêmeo gênio (science FAIL), a sorte de não levar um ralho após quase matar seu próprio avatar por insistir em se levantar mesmo que uma instalação militar implore contra isso, a sorte de libélulas premeditadoras do futuro indicarem à guerreira de uma tribo que ele é seu salvador branco e americano, a sorte de poder andar de dragão em meio a uma chuva de balas de 800 metralhadoras sem levar na bunda, a sorte de alguém o ter escolhido pra herói do filme.

É o fator Harry Potter: mocinho não faz nada, mas tem seu nome na capa do filme logo, toda a força do vilão, capaz de explodir a floresta amazônica, será tão inútil contra o mocinho como se este vivesse no Acre, mesmo que seus méritos o fizessem reprovar no maternal.

Aliás, seu avatar também é clichê: seres vivos humanóides mais poderosos que humanos, de orelhas pontudas (hey, chega, né?), maiores e imunes a algo ao qual humanos sucumbem, vivem na floresta, amam a natureza, bons selvagens. De Senhor dos Anéis ao MST, todo mundo já viu esse filme.

Sim, o enredo é o mesmo de Dança com Lobos. Sim, o vilão será o coronel com pinta de durão das primeiras cenas. Sim, sua equipe irá virar a casaca a seu favor na última hora. Sim, você irá cavalgar uma lagarta gigante contra naves indestrutíveis e jogá-las todas no buraco. Sim, você irá atravessar uma fileira de homens com metralhadoras armado de um porrete, e todos eles, exatamente naquele momento, não estarão com suas 15 metralhadoras apontadas para você, e nem terão tempo de mirar decentemente, pois coincidentemente estarão apontadas cada uma para um ponto morto no éter enquanto você trafega por entre o tiroteio.

Mas pior que um filme ruim é um filme de idéia boa que é um filme ruim. E pior que um filme de idéia boa que é um filme ruim é um filme de idéia boa e desenhos tecnológicos fodidos e diretor famoso que, ainda assim, é um filme ruim.

O filme é oportuno: trata de questões ambientais (em época de COP15), guerras por recursos naturais (em época de Iraque) e fubangas com os peitos de fora (em época de Fernanda Young).

E óbvio que já vimos tudo isso antes, mas o roteiro de Dança Com Lobos ainda pode faturar algum se você transportá-lo para o Japão feudal com Tom Cruise ou se fizer um filme em 3D para crianças
ou com uma estratégia de marketing que faça qualquer idiota de barba ver o filme e depois falar mal em seu blog.

Valeria uma aula de roteiro o que Cameron fez para destruir uma história batida, porém competente algo, alguma coisa nesse filme tinha de não ser um clichê. Mas não dá pra fugir do padrão de falta de lógica hollywoodiano.

Vejamos:
O tal "avatar" do personagem se perde do resto do grupo fuçando plantas que somem com o toque, enquanto os cientistas gênios, sabendo que o pentelho é uma versão Smurf de Dennis, o Pimentinha, o ignoram solto na floresta mais perigosa do (outro) planeta sem coleira;

Após fugir de monstros que fariam Jurassic Park parecer o cenário dos Teletubbies, escapa de ser flechado por uma tribo de selvagens porque uma das guerreiras viu uma libélula mágica bem no átimo de centésimo em que ia disparar a flecha, o que indica que nosso personagem está com o seu carnê do Baú em dia;

Herói cai nas graças da tribo da floresta, que supõe que podem aprender guerrilha armada com ele (e o que é mesmo que nosso paspalho lhes ensina?);

Camarada que se acostuma com seu novo look azul começa a se apaixonar pela mocinha azul que detestou a idéia de cuidar de seu rabo (já que ele ainda pouco se acostumou a ter um);

Novo selvagem new age só é considerado digno de entrar para a tribo se domar um dragão que tenta comê-lo; após muita briga, eis que este é o começo de uma grande amizade; achei uma pena nosso elfo azul não chamá-lo de Bucéfalo;


Anta desqualificada só se lembra de que está usando o seu avatar, na verdade, para descobrir e indicar a americanos brancos como chegar ao santuário dos seus novos amiguinhos (os únicos que teve em vida, ao que parece) apenas depois de já ter se acostumado a brincar ao vivo de Super Mario, Sonic, Panzer Dragoon e tantas outras cenas roubadas de videogames passados em floresta e, claro, quando é tarde demais para explicar que, na real, é um agente infiltrado e lhes ensinar o refrão de Run to the hills... run for your lives.

Animal de teta, então, percebe que misteriosamente está apaixonado por uma fêmea de cauda azul de 4,5 metros de altura e passa por traidor do movimento hippie por esquecer de avisar seus amiguinhos de que (putz, o que era mesmo?!) eles todos foram traídos e vão morrer (ah, lembrei!);

Sem conseguir adentrar na tribo para pedir desculpas por um genocídio de proporções bushicas, tem uma idéia brilhante: voar por cima do lagarto voador que atemoriza a tribo, saltar sobre sua carcaça e torná-lo um ser do bem, usando seu plug de tomada (o que prova que aquele planeta não é tão índio assim);

Chega na tribo e, mesmo sendo responsável por cadáveres contados às mancheias, prova que... bom, que... que pode cavalgar uma lagarta gigante!! Mocinha imediatamente o perdoa com laivos de "meu herói!" após as bananices do seu herói terem matado o seu pai (como disse a Bárbara Magalhães, essa é a maior maria-gasolina da história do cinema);

Sem armas nucleares para enfrentar a armada americana, nosso tosco protagonista, que começa o filme tímido e amuado, vira um baita discursante, um verdadeiro Trotsky que aprendeu retórica na FFLCH, e convence, é claro, as tribos inimigas a selarem a paz contra um inimigo comum, coisa que os selvagens nunca pensariam em fazer sozinhos e sem discursos de "somos todos irmãos na Terra da Liberdade americana";

Mas a guerra começa, e selvagens usam dragões, arco e flecha e a força do rock'n'roll contra espaçonaves caralhosas. Com este cenário, não é preciso ser spoiler com o caro leitor para lhe informar quem ganha (dica: um dos lados terá ajuda dos seres da floresta apenas no momento oportuno em que alguém estiver prestes a morrer).

Honestamente, tem como ter medo de estragar a graça de um filme o qual você adivinha cada cena alguns segundos antes de ela aparecer na tela?!

O estranho é que, a despeito do 3D, não há uma única cena que já não tenha sido vista antes. Mas uma cena me mostrou o que se passa na cabeça de Cameron além do acima exposto: não é de estranhar que, depois de tantas cenas chupinhadas de videogames (até as cores são as dos jogos de floresta do Playstation), todos os mechs que surjam na batalha final sejam idênticos aos de tantos jogos de tiro, como Halo, Shogo, Mechwarriors e derivados?!


Mas, na última luta (sem estragar a surpresa de ninguém, aquela que acontece depois de o azulão atravessar uma infinidade de artilheiros em posições diversificadas sem levar um tiro, explodir a nave fugindo dela a tempo e caindo de uma altura de alguns quilômetros sem sofrer um arranhão, junto com seu arqui-inimigo da primeira cena), após o Mech perder a metralhadora (foi melhor que o Bruce Lee arrancando sozinho a espada das mãos de um samurai, convenhamos), não atenta contra a inteligência que o grande Mech use... bem, é meio constrangedor mas... saque uma faca em forma de tacape para acabar com o inimigo?!?! Já estou ouvindo os meninos na lan house gritando: "Vai na faca!!"

Não tenham dúvidas, crianças: se algum dia estiverem jogando Counter-Strike em um servidor internacional, e houver no time dos mercenários um jogador com o nick de Terminator, dêem a vida para acertar sua cabeça. Assim, poderão dizer a todos que acabaram com James Cameron no meio de seu vício notívago pós-Linda Hamilton.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ademais - A Semana Revista


"Poso ficar aqui dez anos, aqui tenho meu violão."
— Manuel Zelaya

Esta semana foi concorrida em assuntos a serem comentados, além da morte do Dalborga. À guisa Jack:


Violência na Guerra e na Paz

Dizem que o problema da violência é a "sociedade injusta". Enquanto isso, só no Espírito Santo, um estado minúsculo do Brasil, se mata duas vezes mais do que no Iraque, um país em guerra.

Nota: 70% com envolvimento com tráfico de drogas, também conhecidos por "motivos fúteis". E o que gera violência, é claro, é a sociedade capitalista, e não a estupidez do indivíduo.


Revisionismo Histórico

Uma coisa que a esquerda no Brasil adora fazer é procurar resolução de crimes de 40 anos atrás causados pelos milicos. Porém, a palavra terrorismo nunca acompanha a palavra ditadura em seus pronunciamentos.

Esquerdistas têm uma mania de procurar as ossadas dos desaparecidos. Acharam duas ossadas na semana passada e estavam prestes a soltar fogos. Quando foram ver, eram de dois militares que eles mesmos tinham matado. Vexame que não saiu em quase nenhum veículo burguês e imperialista.

O sargento Mário Abrahim da Silva e o cabo Odilo Cruz Rosa foram mortos à queima-roupa, sem possibilidade de defesa, em emboscadas, e não em campo de batalha. É foram eles que fizeram o que se chama, hoje, de repressão.


Putas 1: O Bordel do Obama

A ACORN, empresa para onde Obama desviou milhões que antes eram das forças armadas, resolveu aprender com a tática brasileira de, em caso de crimes claros, culpar a vítima, de Liana Friedenbach a Geisy Arruda.

James O'Keefe e Hannah Giles fizeram uma investigação para demonstrar as fraudes e desvios de dinheiro da empresa - plano: Giles se disfarçou de prostituta e a dupla gravou informações de funcionários de 5 diferentes jurisdições explicando como criar um bordel com prostitutas menores de idade em El Salvador. E os camaradas explicam direitinho como deve ser feito: se é dinheiro público, pode pedir bastante, né?

O que resta aos criminosos? Processar o mensageiro. E quer apostar que ainda levam nessa, e não é na bunda?


Putas 2: Sobre Túlio Vianna e Punheta

"Dois neocretinos que filosofavam a revolta de maio de 68, Philippe Rivière e Laurent Danchin, propugnavam uma nova educação básica, em que a filosofia e as letras seriam substituídas por informática, marxismo e música
pop."
— Olavo de Carvalho, O Imbecil Coletivo, p. 280

Não é que eu persigo Túlio Vianna. É que me informo pela internet, e onde tem bosta hilária para estravazar sobre a estupidez alheia, tem Túlio Vianna envolvido. Se o cara fosse mais onipresente, seria só digitar "bosta" no Google que você cairia na seção de suas obras completas.

Se gastasse meu tempo lendo livros de esquerdistas, estaria caçando as histrionices de Paulo Arantes e Caetano Veloso, mas é mais rápido e econômico rir de advogados de porta de scrapbook.

Lula pediu caráter de urgência (coisa que só o presidente pode pedir) para que o Congresso aprove logo a medida do Vale Cultura, que dará aos trabalhadores que não são classe média um vale de R$50 para ser gasto com cinema, teatro e outras atividades com que Lula só se preocupou agora, coincidentemente, com o lançamento do seu filme e a campanha de Dilma a todo vapor na TV.

Enquanto o projeto já é satirizado sendo chamado de Bolsa Sinuca, nosso Túlio, se antecipando, lançou um texto explicando (a palavra, aqui, é tomada em sentido viannense) que pornografia é cultura, portanto o dinheiro do Vale Cultura pode ser usado para... bem, vocês sabem.

Desde que a Constituição de 88 (art. 216) definiu como "patrimônio cultural" tudo o que dê testemunho do que se passa nesse país, abstraindo-se qualquer consideração de qualidade, estética, moral ou cognitiva, temos pensadores imbuídos da crença edificante de que sua missão precípua é ecoar — e, se possível, vociferar — as sacrossantas "aspirações do nosso tempo", já decididos de que literatura não é preciso; Chico Buarque é preciso.

Mas quantos deles foram tão subrepticamente baixos, e ainda com o erário?

Claro que não tenho dúvidas de que Engolidoras de Mangalhos, Viagem Ao Céu da Boca e DNA: Dilatando Nossos Anus são verdadeiros testemunhos da qualidade, da estética, da moral e da cognição da cultura brasileira — o que faz com que até mesmo o blog de Túlio Vianna seja "patrimônio cultural", quod erat demonstrandum. Acho que Túlio, quando leu Demóstenes dizendo que veritas est in puteo, não entendeu que a tradução é "nas profundezas"...

Porém, quando foi mesmo que Túlio estava chiando sobre uma frase de Robin Williams, explicando (tomada em sentido williano) como o Rio conseguiu virar sede das Olimpíadas? E... bem, agora entendi qual foi o verdadeiro problema do #lingerieday (já que Túlio só se enrolou pra falar de "objetificação"): foi um evento sedutor (de seducere, "esconder", o contrário de producere, que originalmente era "fazer surgir"), ao invés de uma legítima produção cultural pornográfica!

Mas sobretudo: foi um flash mob de adesão voluntária no Twitter. Faço um apelo público a Gravataí, Morróida e IzzyNobre: para que Túlio Vianna não venha com um mimimi moralizante da próxima vez, além de exigir total ausência de roupas, cobrem por isso. Não só de quem quer ver: tem de ser imposto, de todos, com dinheiro público.

Afinal, pornografia no cu dos outros é refresco estatal.


Dilúvio Paulistano

Choveu o mundo em São Paulo, e o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a Secretaria Municipal de Habitação, a Secretaria Estadual de Saneamento do Estado de São Paulo e a própria Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) — sem falar em sub-prefeituras e afins — não souberam explicar como até um conjunto da CDHU está instalado em áreas de risco.

Minha pergunta é: o que quatro órgãos burocráticos, não facilmente comunicáveis e de tarefa tão específica fazem o dia inteiro, que não cuidar de problemas visíveis a olho seco? Não compensa botar 80% no olho da rua e decidir tudo no palitinho?


Crimes does pay

E além do Bolsa Reclusão, que transfere os impostos dos trabalhadores para as famílias dos criminosos viverem felizes enquanto eles estão presos, agora, no Brasil, tempo de cadeia também garante aposentadoria. E falam em penas muito rigorosas, não é?

Vivemos sob a égide de gente com pensamento quase fascista. Querem aumentar o poder do estado, controlar a mídia (vide a censura ao Estadão, comemorada por aí, mesmo que às espensas de defender Sir Ney), a economia, a liberdade de compra. Quase fascista. Os fascistas também queriam controlar a criminalidade.


A pipa do vovô não sobe mais

Jornalistas deveriam ter mais memória para lembrar de Lula comemorando que o nosso PIB iria subir 5% este ano — grande marolinha. Subiu 1,3% no semestre. Com esta projeção, nossa probabilidade de crescimento é negativa, ou, com sorte, bem próxima do zero absoluto.

Lembrando que a relação de crescimento em relação ao mundo no governo Lula, em 40 anos, só não perdeu para a desastrosa gestão Collor. Vamos falar mal do PSDB, pra variar.


O clima tá esquentando

E depois de Gilberto Gil explicar por que está em Copenhage (sic) — "Gosto destes encontros em que se discute o destino... a natureza em nós" — e da delegação sobre clima contar com Collor, Carlos Minc, o ministro com nome de ministério, só desembarca na Dinamarca hoje.


Três notas de Tutty Vasques

No Estadão:

Encalhada é a...
Uma ação entre amigos de Fernanda Young tenta combater insinuações de que a Playboy dela teria encalhado. Só o Marcelo Tas comprou ontem um lote com 200 revistas.

Upgrade
Fernandinho Beira-Mar vai fazer prova do Enem mirando a carreira de advogado. Ou seja, quer mudar de vida sem trocar de ramo.

Axé 22
Fãs de Daniela Mercury estão preocupados! A cantora anda dizendo que seu novo CD reedita e amplia a Semana de 22. Ou seja, a antropofagia do Pelourinho subiu-lhe à cabeça.


...

Até semana que vem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mais um post politicamente incorreto


Cuidado, leitor, rir de piadas pode ser opressão neoliberal:



Todo mundo fazendo cara de sério, agora!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sobre Direitos Humanos e Mimimi


"...e tem também a classe média, que fala muito palavrão e é sempre do contra."
- Millôr Fernandes


Morreu ontem um dos maiores apóstatas da bandidagem no Brasil, Luiz Carlos Alborghetti:



Alborghetti morreu? Ah, vá descansar em paz, porra!!

Tão logo a notícia vazou, um mimimi com tons disfarçados de comemoração começou a pipocar pelo Twitter. Logo percebi ser mais um serviço sujo daquela famosa quadrilha inimiga dos Super Amigos, a turma dos Direitos Humanos.

A Turma da Humanidade Caridosa (doravante denominada THC) compreende pessoas que odeiam opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência – mas apesar disso, odeiam um pouquinho mais gente que não faz nada disso mas não vota no PT.

Se houver opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência em um caso como o de Champinha, pouco importa: uma pessoa "da zelite" é que foi morta, então viva o opressor, machista, autoritário, injusto e violento que causou estas mortes!

Tal tese se baseia nos famosos pressupostos da "linha de pensamento" em meios jurídicos conhecida por coitadismo penal, visão retardada de Direito defendida aguerridamente por gente da estirpe de Alessandro Baratta, Túlio Vianna, Luís Flávio Gomes, Nilo Batista, Maria Lúcia Karam ou Juarez Cirino dos Santos. Gente versada em Foucault, Gramsci e Marcuse, mas incapaz de unir premissa à conseqüência (apenas para provar que eu sou capaz de unir: se entendessem de lógica, com toda a certeza escolheriam ídolos menos vagabundos).

São pessoas que querem um tratamento digno e humanitário para os cidadãos oprimidos, desde que este cidadão sirva aos seus propósitos de enriquecimento na advocacia, pregação moral ou vote em seus candidatos (cf. o Devil's Dictionary de Ambrose Bierce: "black: noun a nigger that votes our way").

Gente como a gente e como Túlio Vianna, que vai à TV dizer que é um ab-sur-do rir de piadas com gays, pois a piada é a forma do branco continuar oprimindo o negro após o fim da escravidão (conforme qualquer Gregório de Matos é prova, non?) – ou seja, mais uma opressão capitalista. Porém, nunca deu um pio sobre o fato de o homossexualismo ser proibido em Cuba ou na U.R.S.S. – há pouco, o concurso Havana's Gay Contest terminou com a polícia sentando a borracha e botando todo mundo na cadeia. Os gays cubanos ainda estão esperando um pronunciamento de Vianna sobre a opressão machista socialista.

O mesmo Túlio que orquestrara uma semana antes um estrepitoso mimimi no Twitter contra a suposta "objetificação" (nunca definida além de "um sujeito olhar algo como objeto") do #lingerieday, mas quando Roberta Kauffmann, procuradora do DF, que defende a extinção das cotas nas universidades, foi chamada de fascista e teve o seu carro pichado com duas frases: "Loira f. da p." e "O mérito é burrice e você é a maior prova disso", não parece ter se indignado tanto com a objetificação.

Por sinal, o Túlio que afirmou que o #lingerieday seria objetificação das mulheres (mesmo que homens tivessem participado) pois quem o propôs foram homens (mesmo que muita gente tenha se divertido sem nem saber quem cacete havia tido a idéia), e como se elas tivessem sido obrigadas a tal. Na época, afirmei que o próximo #lingerieday poderia ser organizado pelas próprias mulheres. Quando Geisy Arruda foi vaiada na Uniban e propuseram o "Mini-Saia Day", Túlio fora obrigado a sair pela tangente (deve ter engolido minhas palavras como uma sopa de letrinhas apimentada). E o mesmo Túlio que organiza um concurso compulsório "Miss Direito Penal", em que o critério de desempate era a foto mais ousada no perfil do orkut...

O nosso Túlio, que ficou in-dig-na-do com a reação estrábica da Uniban em arbitrariamente expulsar a estudante Geisy Arruda por usar um vestido curto – isto é, o recurso estúpido de culpar a própria vítima. O mesmo recurso estúpido usado duplamente pelo próprio Túlio para defender Champinha por ter destruído brutal e lentamente o corpo de Liana Friedenbach, afirmando que ela era rica (ó pecadora!) e branca (ou seja, judia, um povo que há mais de 3 mil anos foi escravizado, vejam só, por negros, como qualquer estudante de história de colegial urge saber).

Ou pessoas maneiras como Juarez Cirino dos Santos, que, acredita que o crime organizado não existe e defende gente do MST de graça. Enquanto isso, vemos casos como o do garoto Émerson Gomes, de 12 anos. Brincava numa rua de Belém com seu amiguinho de 6 anos quando ouviu tiros. Colocou o seu corpo sobre o do menino mais novo para protegê-lo. Morreu de bala perdida: bandidos atiraram a esmo porque não conseguiram roubar um celular. Falou a mãe do filho morto: "Ele morreu, mas salvou uma vida mais nova." Falam as autoridades [e Juarez]: Falam? (ISTOÉ, 12 ago 2009, ano 32, n. 2074)

Gente honesta ao contrário do seu Zé da padaria, este porco capitalista que devia dar uma função social à sua propriedade – como pagar impostos para financiar o Auxílio Reclusão, que garante verbas para a família de quem está preso, muitas vezes porque, coitados, perderam o lucro auferido com tráfico para financiar sua honesta família que não é de classe média...

(Há alguns anos, em um debate sobre o caso Champinha, alguém usou um exagero retórico para definir esta posição: daqui a pouco, os familiares das vítimas seriam obrigados a pagar uma indenização para o assassino. Há alguns anos, isso foi apenas um exagero retórico.)

É um povo que quer controle de tudo: do mercado, da mídia, das piadas (não posso rir de dois marujos barbudos e gordos de sutiã vestidos de Carmen Miranda porque é preconceito). Mas controlar a criminalidade... não pode!!! Isso é um absurdo! Como vamos viver sob tamanho fascismo?!

Onde essa negada chegou ao poder, a criminalidade aumentou, mas a culpa foi sempre do acaso e da má sorte... Porém, sempre o mais importante: se deixarmos nossas idéias nas mãos desses caras, os nossos direitos humanos estarão garantidos, sobretudo com a proibição das piadas de negros (que é opressão), mas não as de português (o que é ação direta anti-imperialista)!


Vamos brincar de assassinato?

Ontem, enquanto lembrávamos de frases do filósofo Dalborga no Twitter, percebi meu colega @gravz discutindo com um viado aleatório que parecia não gostar do jeito, digamos, "desumano" com que Alborghetti tratava a bandidagem. Intrometendo-me, perguntei ao cidadão, senhor @AlexCastroLLL, se ele defenderia Direitos Humanos para alguém que retalhasse suas filhas.

Ora, foi uma pergunta simples, objetiva e singela para abrir um debate. Não sei o que pode ter de ofensiva. Podem perguntar para mim, que eu, impertérrito e com o mesmo garbo e elegância consuetudinário, replicarei: "De forma alguma, pois julgo em minha tacanha ética que esquartejadores merecem um tratamento um pouco menos almofadado. Isso mesmo que eu não tenha uma filha, mas julgo pouco decoroso que alguém retalhe a filha alheia".

Porém não obtive resposta de tal molde. Pelo contrário: @AlexCastroLLL preferiu, em suas palavras, "zoar": Disse que adoraria que elas fossem retalhadas, uma segunda, outra terça, outra quarta e assim por diante. Ora, este tipo de resposta, além de grosseira, é de extremo desrespeito com tantas vítimas que, infelizmente, sofreram mortes brutais e nunca foram justiçadas mundo afora. Com alguém que faz piadinha com assassinatos brutais, qual a reação natural que move o homem? Perguntar se o camarada quer um suco?

A única saída que o novo membro da THC achou era que eu tinha a obrigação de seguir seria continuar com educação, enquanto o sujeito disparava um mistifório fecal:

A: Boa tarde. O senhor defende o socialismo?

B: Espero que minhas filhas sejam estupradas como Mao fazia com as chinesas.

A: O senhor não vê complicações humanitárias na ditadura do proletariado?

B: Vai tomar no cu, filho cagado de uma jumenta! Sua mãe só não engoliu a merda que deixei na boca dela porque ela não tinha troco pra vinte!

A: Sim, claro. E o senhor não vê problemas num partido único?

B: Enfia os cinco dedos na boceta da sua vó e rasga, arrombado de uma figa! O cu do seu pai é tão grande que cabe um trem dentro!

A: Ah, entendido. Muito obrigado pelas suas respostas e tenha uma boa tarde!


Não tive dúvidas, após consultar minha integridade colhônica: afirmei para o entendido que apenas a THC é capaz de fazer piadas mórbidas com assassinatos, e só por isso ele merecia um belo pau-de-arara. Em sentido bíblico. O trocadalho exige cerca de 4 neurônios para ser devidamente compreendido, mas confiei na força da peruca.

O perobo se ofendeu (sim, ele se ofendeu), e as apostas no Twitter para a briga de blogueiros do dia começaram a rolar.

Fui respondido apenas pela afirmação de que eu seria bobo, feio e chato. Como sua jogada retórica (usar de ironia para dizer que gosta que as filhas sejam retalhadas) foi apenas um uso macabro e primário da ironia, e como eu, um diletante de Dialética, bem-versado em recursos mais complexos como argumentum ab inconvenienti ou captatio benevolentiae (pra não falar em um simples anacoluto), usei da mesma tática e lhe afirmei que, já que ele deveria ser um gênio da argumentação, era melhor que eu fugisse do debate.

Sua "resposta" foi usar um retweet de @moysespintoneto dizendo que o pior eram esses "conservadorezinhos ressentidos destilando ódio contra a esquerda e esbanjando pseudointelectualidade". Curiosamente, pouco antes, havia ganhado uma discussão com meu amigo @franciscorazzo, em que eu havia atacado Roger Scruton, um dos maiores nomes (se não o maior) do "conservadorismo" da atualidade, e comentei isso em minha timeline.

Nosso herói tratou de afirmar e que ele não estava fugindo a debate algum, pelo contrário: apenas prescindia da lógica pois seu único intento era me "zoar" (sic). Mas, como sua torcida clamava por algo mais digno de alguém que passara da terceira série há algum tempo, logrou me responder que Roger Scruton era um escroto (trocadilho bastante complexo, diga-se).

Tão logo percebi que supervalorizei a força da peruca: o estrupício não entendera que eu disse que eu estava fugindo do debate por não conseguir me igualar a alguém capaz de usar um recurso tão complexo quanto a ironia, só aprendida em um Doutorado em Argumentação Jurídica. Mesmo que eu tivesse usado a primeira pessoa, julgou que eu estava falando dele, e cuidou de se redimir. A um só tempo, para me atacar, afirma que quem eu ataquei era um escroto, como se isso fosse me atingir. Será que preciso pintar um alvo em mim mesmo para que Alex Castro descubra quem tem de acertar e conseguir "zoar" a contento, sem parecer que, mesmo que estivesse falando sozinho, o zoado seria ele?

Por Alex Castro ser discípulo de Túlio Vianna, comentei com minha amiga Sofia que o #merdinha havia produzido seus frutos. À simples leitura da palavra "merdinha", Alex gritou "É comigo!" e manifestou seu desejo incontido de dar com a cara no nosso punho. Como lidar com alguém que troca tanto "eu" por "você", que não sabe brincar de "o amigo do meu inimigo" para resolver o sinal das multiplicações e ainda cai num faux pas público deste gabarito?!

Mas para mostrar como estaremos felizes com esta laia a garantir nossos Direitos Humanos, Alex, dizendo sempre que não falava com lógica pois só queria "zoar", disse que Sofia tinha obrigação de dar pra mim, concluindo com uma reiteração do acinte, em meio a mais xingamentos dignos de um marginal de 8 anos.

Expliquei para o pivete que, para "zoar" alguém e praticar bullying adequadamente, era preciso ter pelo menos uma de três coisas em tamanho maior que o oponente – músculos, cérebro ou BENGA – e, ademais, não deveria envolver no mesmo nível de sua pequenez (não sei da primeira, mas certamente das duas últimas coisas) uma dama. Nosso arrombadinho preferiu apenas dizer que hoje chamam de dama qualquer vagabunda, mesmo que ele nem soubesse quem estava a injuriar.

Mas enquanto o menino "ria" por me "zoar", e eu lhe explicava que, quando você precisa explicar que está zoando alguém, na verdade quem está sendo zoado pelo próprio ridículo da situação é você, um seu amiguinho, um tal de @andrepiaui, lhe afirmou, polidamente, que quem "começa o debate falando em retalhar suas filhas e usando a palavra benga merece silêncio".

Como é que é?! Eu faço uma pergunta cuja única resposta lógica possível demonstraria a falta de lógica do cidadão, e eu baixei o nível do debate por isso; eu proponho um diálogo, sou replicado à piadinhas mórbidas, e a baixeza é minha; sou "zoado" ao invés de obtemperado, o desgraçado chama uma amiga minha que ele desconhece de vagabunda que quer dar pra mim e, ao explicar pra ele que é melhor ter cérebro ou estrovenga para tentar humilhar alguém, quem baixa o nível sou eu e mereço silêncio?!

Isso revela uma única coisa: adesão incontesti à THC destrói neurônios e senso de proporção.


Onde os fracos não têm vez

Como concluir um "diálogo" com um pervertido de tal laia? O @Ibere, que me fez notar a existência de Alex Castro, ao ver o caralho comendo solto, foi franciscano em seus votos. Apesar de não ser religioso, concluo da mesma forma, com um acréscimo: Paz na Terra aos homens de boa vontade, e o resto tudo que agonize demoradamente empalados no espeto de Satanás.

Amém!