quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sobre Direitos Humanos e Mimimi

"...e tem também a classe média, que fala muito palavrão e é sempre do contra."
- Millôr Fernandes


Morreu ontem um dos maiores apóstatas da bandidagem no Brasil, Luiz Carlos Alborghetti:



Alborghetti morreu? Ah, vá descansar em paz, porra!!

Tão logo a notícia vazou, um mimimi com tons disfarçados de comemoração começou a pipocar pelo Twitter. Logo percebi ser mais um serviço sujo daquela famosa quadrilha inimiga dos Super Amigos, a turma dos Direitos Humanos.

A Turma da Humanidade Caridosa (doravante denominada THC) compreende pessoas que odeiam opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência – mas apesar disso, odeiam um pouquinho mais gente que não faz nada disso mas não vota no PT.

Se houver opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência em um caso como o de Champinha, pouco importa: uma pessoa "da zelite" é que foi morta, então viva o opressor, machista, autoritário, injusto e violento que causou estas mortes!

Tal tese se baseia nos famosos pressupostos da "linha de pensamento" em meios jurídicos conhecida por coitadismo penal, visão retardada de Direito defendida aguerridamente por gente da estirpe de Alessandro Baratta, Túlio Vianna, Luís Flávio Gomes, Nilo Batista, Maria Lúcia Karam ou Juarez Cirino dos Santos. Gente versada em Foucault, Gramsci e Marcuse, mas incapaz de unir premissa à conseqüência (apenas para provar que eu sou capaz de unir: se entendessem de lógica, com toda a certeza escolheriam ídolos menos vagabundos).

São pessoas que querem um tratamento digno e humanitário para os cidadãos oprimidos, desde que este cidadão sirva aos seus propósitos de enriquecimento na advocacia, pregação moral ou vote em seus candidatos (cf. o Devil's Dictionary de Ambrose Bierce: "black: noun a nigger that votes our way").

Gente como a gente e como Túlio Vianna, que vai à TV dizer que é um ab-sur-do rir de piadas com gays, pois a piada é a forma do branco continuar oprimindo o negro após o fim da escravidão (conforme qualquer Gregório de Matos é prova, non?) – ou seja, mais uma opressão capitalista. Porém, nunca deu um pio sobre o fato de o homossexualismo ser proibido em Cuba ou na U.R.S.S. – há pouco, o concurso Havana's Gay Contest terminou com a polícia sentando a borracha e botando todo mundo na cadeia. Os gays cubanos ainda estão esperando um pronunciamento de Vianna sobre a opressão machista socialista.

O mesmo Túlio que orquestrara uma semana antes um estrepitoso mimimi no Twitter contra a suposta "objetificação" (nunca definida além de "um sujeito olhar algo como objeto") do #lingerieday, mas quando Roberta Kauffmann, procuradora do DF, que defende a extinção das cotas nas universidades, foi chamada de fascista e teve o seu carro pichado com duas frases: "Loira f. da p." e "O mérito é burrice e você é a maior prova disso", não parece ter se indignado tanto com a objetificação.

Por sinal, o Túlio que afirmou que o #lingerieday seria objetificação das mulheres (mesmo que homens tivessem participado) pois quem o propôs foram homens (mesmo que muita gente tenha se divertido sem nem saber quem cacete havia tido a idéia), e como se elas tivessem sido obrigadas a tal. Na época, afirmei que o próximo #lingerieday poderia ser organizado pelas próprias mulheres. Quando Geisy Arruda foi vaiada na Uniban e propuseram o "Mini-Saia Day", Túlio fora obrigado a sair pela tangente (deve ter engolido minhas palavras como uma sopa de letrinhas apimentada). E o mesmo Túlio que organiza um concurso compulsório "Miss Direito Penal", em que o critério de desempate era a foto mais ousada no perfil do orkut...

O nosso Túlio, que ficou in-dig-na-do com a reação estrábica da Uniban em arbitrariamente expulsar a estudante Geisy Arruda por usar um vestido curto – isto é, o recurso estúpido de culpar a própria vítima. O mesmo recurso estúpido usado duplamente pelo próprio Túlio para defender Champinha por ter destruído brutal e lentamente o corpo de Liana Friedenbach, afirmando que ela era rica (ó pecadora!) e branca (ou seja, judia, um povo que há mais de 3 mil anos foi escravizado, vejam só, por negros, como qualquer estudante de história de colegial urge saber).

Ou pessoas maneiras como Juarez Cirino dos Santos, que, acredita que o crime organizado não existe e defende gente do MST de graça. Enquanto isso, vemos casos como o do garoto Émerson Gomes, de 12 anos. Brincava numa rua de Belém com seu amiguinho de 6 anos quando ouviu tiros. Colocou o seu corpo sobre o do menino mais novo para protegê-lo. Morreu de bala perdida: bandidos atiraram a esmo porque não conseguiram roubar um celular. Falou a mãe do filho morto: "Ele morreu, mas salvou uma vida mais nova." Falam as autoridades [e Juarez]: Falam? (ISTOÉ, 12 ago 2009, ano 32, n. 2074)

Gente honesta ao contrário do seu Zé da padaria, este porco capitalista que devia dar uma função social à sua propriedade – como pagar impostos para financiar o Auxílio Reclusão, que garante verbas para a família de quem está preso, muitas vezes porque, coitados, perderam o lucro auferido com tráfico para financiar sua honesta família que não é de classe média...

(Há alguns anos, em um debate sobre o caso Champinha, alguém usou um exagero retórico para definir esta posição: daqui a pouco, os familiares das vítimas seriam obrigados a pagar uma indenização para o assassino. Há alguns anos, isso foi apenas um exagero retórico.)

É um povo que quer controle de tudo: do mercado, da mídia, das piadas (não posso rir de dois marujos barbudos e gordos de sutiã vestidos de Carmen Miranda porque é preconceito). Mas controlar a criminalidade... não pode!!! Isso é um absurdo! Como vamos viver sob tamanho fascismo?!

Onde essa negada chegou ao poder, a criminalidade aumentou, mas a culpa foi sempre do acaso e da má sorte... Porém, sempre o mais importante: se deixarmos nossas idéias nas mãos desses caras, os nossos direitos humanos estarão garantidos, sobretudo com a proibição das piadas de negros (que é opressão), mas não as de português (o que é ação direta anti-imperialista)!


Vamos brincar de assassinato?

Ontem, enquanto lembrávamos de frases do filósofo Dalborga no Twitter, percebi meu colega @gravz discutindo com um viado aleatório que parecia não gostar do jeito, digamos, "desumano" com que Alborghetti tratava a bandidagem. Intrometendo-me, perguntei ao cidadão, senhor @AlexCastroLLL, se ele defenderia Direitos Humanos para alguém que retalhasse suas filhas.

Ora, foi uma pergunta simples, objetiva e singela para abrir um debate. Não sei o que pode ter de ofensiva. Podem perguntar para mim, que eu, impertérrito e com o mesmo garbo e elegância consuetudinário, replicarei: "De forma alguma, pois julgo em minha tacanha ética que esquartejadores merecem um tratamento um pouco menos almofadado. Isso mesmo que eu não tenha uma filha, mas julgo pouco decoroso que alguém retalhe a filha alheia".

Porém não obtive resposta de tal molde. Pelo contrário: @AlexCastroLLL preferiu, em suas palavras, "zoar": Disse que adoraria que elas fossem retalhadas, uma segunda, outra terça, outra quarta e assim por diante. Ora, este tipo de resposta, além de grosseira, é de extremo desrespeito com tantas vítimas que, infelizmente, sofreram mortes brutais e nunca foram justiçadas mundo afora. Com alguém que faz piadinha com assassinatos brutais, qual a reação natural que move o homem? Perguntar se o camarada quer um suco?

A única saída que o novo membro da THC achou era que eu tinha a obrigação de seguir seria continuar com educação, enquanto o sujeito disparava um mistifório fecal:

A: Boa tarde. O senhor defende o socialismo?

B: Espero que minhas filhas sejam estupradas como Mao fazia com as chinesas.

A: O senhor não vê complicações humanitárias na ditadura do proletariado?

B: Vai tomar no cu, filho cagado de uma jumenta! Sua mãe só não engoliu a merda que deixei na boca dela porque ela não tinha troco pra vinte!

A: Sim, claro. E o senhor não vê problemas num partido único?

B: Enfia os cinco dedos na boceta da sua vó e rasga, arrombado de uma figa! O cu do seu pai é tão grande que cabe um trem dentro!

A: Ah, entendido. Muito obrigado pelas suas respostas e tenha uma boa tarde!


Não tive dúvidas, após consultar minha integridade colhônica: afirmei para o entendido que apenas a THC é capaz de fazer piadas mórbidas com assassinatos, e só por isso ele merecia um belo pau-de-arara. Em sentido bíblico. O trocadalho exige cerca de 4 neurônios para ser devidamente compreendido, mas confiei na força da peruca.

O perobo se ofendeu (sim, ele se ofendeu), e as apostas no Twitter para a briga de blogueiros do dia começaram a rolar.

Fui respondido apenas pela afirmação de que eu seria bobo, feio e chato. Como sua jogada retórica (usar de ironia para dizer que gosta que as filhas sejam retalhadas) foi apenas um uso macabro e primário da ironia, e como eu, um diletante de Dialética, bem-versado em recursos mais complexos como argumentum ab inconvenienti ou captatio benevolentiae (pra não falar em um simples anacoluto), usei da mesma tática e lhe afirmei que, já que ele deveria ser um gênio da argumentação, era melhor que eu fugisse do debate.

Sua "resposta" foi usar um retweet de @moysespintoneto dizendo que o pior eram esses "conservadorezinhos ressentidos destilando ódio contra a esquerda e esbanjando pseudointelectualidade". Curiosamente, pouco antes, havia ganhado uma discussão com meu amigo @franciscorazzo, em que eu havia atacado Roger Scruton, um dos maiores nomes (se não o maior) do "conservadorismo" da atualidade, e comentei isso em minha timeline.

Nosso herói tratou de afirmar e que ele não estava fugindo a debate algum, pelo contrário: apenas prescindia da lógica pois seu único intento era me "zoar" (sic). Mas, como sua torcida clamava por algo mais digno de alguém que passara da terceira série há algum tempo, logrou me responder que Roger Scruton era um escroto (trocadilho bastante complexo, diga-se).

Tão logo percebi que supervalorizei a força da peruca: o estrupício não entendera que eu disse que eu estava fugindo do debate por não conseguir me igualar a alguém capaz de usar um recurso tão complexo quanto a ironia, só aprendida em um Doutorado em Argumentação Jurídica. Mesmo que eu tivesse usado a primeira pessoa, julgou que eu estava falando dele, e cuidou de se redimir. A um só tempo, para me atacar, afirma que quem eu ataquei era um escroto, como se isso fosse me atingir. Será que preciso pintar um alvo em mim mesmo para que Alex Castro descubra quem tem de acertar e conseguir "zoar" a contento, sem parecer que, mesmo que estivesse falando sozinho, o zoado seria ele?

Por Alex Castro ser discípulo de Túlio Vianna, comentei com minha amiga Sofia que o #merdinha havia produzido seus frutos. À simples leitura da palavra "merdinha", Alex gritou "É comigo!" e manifestou seu desejo incontido de dar com a cara no nosso punho. Como lidar com alguém que troca tanto "eu" por "você", que não sabe brincar de "o amigo do meu inimigo" para resolver o sinal das multiplicações e ainda cai num faux pas público deste gabarito?!

Mas para mostrar como estaremos felizes com esta laia a garantir nossos Direitos Humanos, Alex, dizendo sempre que não falava com lógica pois só queria "zoar", disse que Sofia tinha obrigação de dar pra mim, concluindo com uma reiteração do acinte, em meio a mais xingamentos dignos de um marginal de 8 anos.

Expliquei para o pivete que, para "zoar" alguém e praticar bullying adequadamente, era preciso ter pelo menos uma de três coisas em tamanho maior que o oponente – músculos, cérebro ou BENGA – e, ademais, não deveria envolver no mesmo nível de sua pequenez (não sei da primeira, mas certamente das duas últimas coisas) uma dama. Nosso arrombadinho preferiu apenas dizer que hoje chamam de dama qualquer vagabunda, mesmo que ele nem soubesse quem estava a injuriar.

Mas enquanto o menino "ria" por me "zoar", e eu lhe explicava que, quando você precisa explicar que está zoando alguém, na verdade quem está sendo zoado pelo próprio ridículo da situação é você, um seu amiguinho, um tal de @andrepiaui, lhe afirmou, polidamente, que quem "começa o debate falando em retalhar suas filhas e usando a palavra benga merece silêncio".

Como é que é?! Eu faço uma pergunta cuja única resposta lógica possível demonstraria a falta de lógica do cidadão, e eu baixei o nível do debate por isso; eu proponho um diálogo, sou replicado à piadinhas mórbidas, e a baixeza é minha; sou "zoado" ao invés de obtemperado, o desgraçado chama uma amiga minha que ele desconhece de vagabunda que quer dar pra mim e, ao explicar pra ele que é melhor ter cérebro ou estrovenga para tentar humilhar alguém, quem baixa o nível sou eu e mereço silêncio?!

Isso revela uma única coisa: adesão incontesti à THC destrói neurônios e senso de proporção.


Onde os fracos não têm vez

Como concluir um "diálogo" com um pervertido de tal laia? O @Ibere, que me fez notar a existência de Alex Castro, ao ver o caralho comendo solto, foi franciscano em seus votos. Apesar de não ser religioso, concluo da mesma forma, com um acréscimo: Paz na Terra aos homens de boa vontade, e o resto tudo que agonize demoradamente empalados no espeto de Satanás.

Amém!


8 pessoas leram e discordaram:

André Gonçalves disse...

Flávio,

não lhe conheço. "Conheci" ontem, em meio à sua discussão com Alex. Não conheço Alex, a não ser pelos textos dele na Internet. Não sou "amiguinho" dele, apesar de compartilhar de várias das opiniões que ele já expôs no blog dele (e discordar de algumas) e, sinceramente, até admitir que gostaria de tê-lo (Alex) como amigo, o que me fez segui-lo no twitter. Você não sabe nada sobre mim. E eu não lhe faltei com o respeito. Apenas afirmei que alguém que entra em um debate com as expressões "benga", "retalhar suas filhas", "arrombadinho" e semelhantes, é alguém com o qual não se consegue debater. Eu até gostaria de bater papo (debater) com você, saber suas opiniões, contradizê-las e, eventualmente, até concordar com elas. Porque não? Mas, convenhamos: ao encerrar seu post com uma frase destas: "Paz na Terra aos homens de boa vontade, e o resto tudo que agonize demoradamente empalados pelo cu no espeto ardente de Satanás" você apaga qualquer possibilidade de argumentação minimamente lógica. Mas sigamos, sou até certo ponto insistente. Adoraria conversar também com você, debater, trocar ideias, desde que sem esse tipo de argumentação pequena, leviana, inútil e grosseira. Porque realmente temos pontos de vista bem distintos sobre as questões levantadas. E não é preciso você me perguntar "o que aconteceria se tivesse sua irmã retalhada". Não lhe devo satisfações, mas tive um irmão mnais novo assassinado a tiros há poucos anos e, mesmo assim, não apenas mantive minhas convicções como as reforcei. Isso seria, no mínimo, uma boa oportunidade de ambos trocarmos ideias em cima de fatos reais e de sentimentos vividos. Quem sabe poderiamos compreender um pouco mais um ao outro e aprendermos um pouco mais sobre a vida. Isso seria, sim, um bom debate, que poderia "elevar" o espírito de ambos. De qualquer maneira, espero não ser mais "um tal de andrepiaui". Meu nome é André Gonçalves, e estou aberto a conversar e debater com você sobre qualquer assunto. Com a civilidade e elegância que devem nortear qualquer debate. Pode ser que mude minha opinião (um tanto pecipitada pelos fatos) que formei a seu respeito, e idem você em relação a mim. Ontem, você pisou na bola. Talvez até Alex também, who knows? Mas sempre é tempo de crescer. Abraço.

Flavio disse...

Eu falto com a lógica porque RESPONDO a alguém fazendo piadinha mórbida sobre retalhamento mandando o caboclo ir pro inferno.

Jura mesmo que isso é ilógico? Segundo qual ordem lógica?

Chamar uma amiga minha de vagabunda significa que "talvez até Alex também" tenha "pisado na bola". Agora eu, definitivamente, perdi as estribeiras ao treplicar alguém. Claro, senhor André.

Meu blog, meu Twitter e tudo o que eu penso estão abertos ao senhor. De fato, podemos ter a conversa que for, e pode ter certeza que não fico apenas querendo "zoar" como certas pessoas que, apenas "talvez" mereçam silêncio.

Abs.

Charles Fernando disse...

Mostrou que o cara pode ter um sentimento de direita, ser são em meio à baboseira ideológica que ele aprendeu, ele temeu e surtou.. simples... ninguém quer se tornar aquilo que odeia... especialmente quando tem gente olhando.

Glaucia disse...

Flávio, você não acha que as raízes da violência e o que leva uma pessoa a cometer atrocidades(furtos, homicídios etc) são questões tão complexas e de causas mil as quais nós, possivelmente, temos uma parcela de culpa, haja vista certa rendição a conformismos cínicos perantes desmandos políticos/econômicos/sociais? Você acredita que as raízes da violência tem pressupostos unicamente genéticos? Como você vê a influência de um ambiente no qual a pessoa substiste e lega valores ao longo de sua vida? Assim como você questionou a reação do sujeito acima perante a situação de retalhamento da própria irmã, pergunto a você, o que tu farias caso vivesse em total miséria e extrema inanição por legar um status social carente de oportunidades, amor, mas torpedeado pelo preconceito e violência transposta em diversas facetas?

gosto do seu blog.

Carol disse...

Eu definitivamente preciso trabalhar menos.

Perdi o bafo do ano no Twitter.

Sobre o Alex: algumas coisas no blog dele são legais. Mas ele não sustenta opinião nenhuma. É muito nebuloso e esse "não assumo nada" é uma postura que não costumo admirar.

Bj

Augusto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavio Morgenstern disse...

Glaucia,

Até mesmo psicólogos sociais americanos entendem que essa história de "a sociedade é que faz o crime, o criminoso só o comete" é colóquio flácido para acalentar bovino. O maior jurista do Brasil (e um dos maiores filósofos), Miguel Reale, demonstrou, em sua teoria tríplice do Direito, como essa confusão se dá, sobretudo, porque, por séculos, confudiu-se o conceito de "garantia" com o de "direito", no âmbito jurídico.

A sociedade não tem como ser "mais justa" ou "menos justa", se isso é uma característica dos indivíduos, e não de uma abstração formada pelo todo. Desse ponto, como posso me sentir culpado pela criminalidade? O que foi que fiz? Meu vizinho suborna policiais, e EU também sou culpado por não acertá-lo com um taco de beisebol? É isso que diminuiria a violência?

Flavio Morgenstern disse...

Culpar o laxismo com os políticos nada tem a ver com estupros, homicídios, seqüestros. São crimes violentos, o tratamento é completamente diferente, em qualquer sociedade humana que já existiu.

Por outro lado, é claro que um ambiente violento favorece a violência. Qualquer behaviorista sabe disso. Mas isso não justifica a violência: apenas mostra como não coibir as soluções fáceis pode recair na morbidez, no caso de pessoas sem uma conhecimento de um modo melhor de vida (e que justifique um comportamento de acordo com as regras da sociedade).

Então, devemos fazer as regras da sociedade funcionarem MELHOR para poder garantir que as pessoas vão seguir o que deve ser feito. Passar a mão na cabecinha de criminoso violento é o exato oposto. No Brasil, o crime compensa, pura e simplesmente.

Devemos, sim, retirar as pessoas da miséria e diminuir os preconceitos. Porém, que crime violento se justifica por isso?

Isso continua sendo individual, e não social. Do contrário, toda a classe pobre seria criminosa, e os políticos milionários não.

Ademais, qualquer bandido sabe diferenciar a violência que vem do vizinho do monopólio da violência vindo do Estado, ao contrário do que dizem nossos intelectuais de 140 caracteres e das bandas de rap.

Obrigado pelo elogio e pelo comentário!

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sobre Direitos Humanos e Mimimi


"...e tem também a classe média, que fala muito palavrão e é sempre do contra."
- Millôr Fernandes


Morreu ontem um dos maiores apóstatas da bandidagem no Brasil, Luiz Carlos Alborghetti:



Alborghetti morreu? Ah, vá descansar em paz, porra!!

Tão logo a notícia vazou, um mimimi com tons disfarçados de comemoração começou a pipocar pelo Twitter. Logo percebi ser mais um serviço sujo daquela famosa quadrilha inimiga dos Super Amigos, a turma dos Direitos Humanos.

A Turma da Humanidade Caridosa (doravante denominada THC) compreende pessoas que odeiam opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência – mas apesar disso, odeiam um pouquinho mais gente que não faz nada disso mas não vota no PT.

Se houver opressão, machismo, autoritarismo, injustiça e violência em um caso como o de Champinha, pouco importa: uma pessoa "da zelite" é que foi morta, então viva o opressor, machista, autoritário, injusto e violento que causou estas mortes!

Tal tese se baseia nos famosos pressupostos da "linha de pensamento" em meios jurídicos conhecida por coitadismo penal, visão retardada de Direito defendida aguerridamente por gente da estirpe de Alessandro Baratta, Túlio Vianna, Luís Flávio Gomes, Nilo Batista, Maria Lúcia Karam ou Juarez Cirino dos Santos. Gente versada em Foucault, Gramsci e Marcuse, mas incapaz de unir premissa à conseqüência (apenas para provar que eu sou capaz de unir: se entendessem de lógica, com toda a certeza escolheriam ídolos menos vagabundos).

São pessoas que querem um tratamento digno e humanitário para os cidadãos oprimidos, desde que este cidadão sirva aos seus propósitos de enriquecimento na advocacia, pregação moral ou vote em seus candidatos (cf. o Devil's Dictionary de Ambrose Bierce: "black: noun a nigger that votes our way").

Gente como a gente e como Túlio Vianna, que vai à TV dizer que é um ab-sur-do rir de piadas com gays, pois a piada é a forma do branco continuar oprimindo o negro após o fim da escravidão (conforme qualquer Gregório de Matos é prova, non?) – ou seja, mais uma opressão capitalista. Porém, nunca deu um pio sobre o fato de o homossexualismo ser proibido em Cuba ou na U.R.S.S. – há pouco, o concurso Havana's Gay Contest terminou com a polícia sentando a borracha e botando todo mundo na cadeia. Os gays cubanos ainda estão esperando um pronunciamento de Vianna sobre a opressão machista socialista.

O mesmo Túlio que orquestrara uma semana antes um estrepitoso mimimi no Twitter contra a suposta "objetificação" (nunca definida além de "um sujeito olhar algo como objeto") do #lingerieday, mas quando Roberta Kauffmann, procuradora do DF, que defende a extinção das cotas nas universidades, foi chamada de fascista e teve o seu carro pichado com duas frases: "Loira f. da p." e "O mérito é burrice e você é a maior prova disso", não parece ter se indignado tanto com a objetificação.

Por sinal, o Túlio que afirmou que o #lingerieday seria objetificação das mulheres (mesmo que homens tivessem participado) pois quem o propôs foram homens (mesmo que muita gente tenha se divertido sem nem saber quem cacete havia tido a idéia), e como se elas tivessem sido obrigadas a tal. Na época, afirmei que o próximo #lingerieday poderia ser organizado pelas próprias mulheres. Quando Geisy Arruda foi vaiada na Uniban e propuseram o "Mini-Saia Day", Túlio fora obrigado a sair pela tangente (deve ter engolido minhas palavras como uma sopa de letrinhas apimentada). E o mesmo Túlio que organiza um concurso compulsório "Miss Direito Penal", em que o critério de desempate era a foto mais ousada no perfil do orkut...

O nosso Túlio, que ficou in-dig-na-do com a reação estrábica da Uniban em arbitrariamente expulsar a estudante Geisy Arruda por usar um vestido curto – isto é, o recurso estúpido de culpar a própria vítima. O mesmo recurso estúpido usado duplamente pelo próprio Túlio para defender Champinha por ter destruído brutal e lentamente o corpo de Liana Friedenbach, afirmando que ela era rica (ó pecadora!) e branca (ou seja, judia, um povo que há mais de 3 mil anos foi escravizado, vejam só, por negros, como qualquer estudante de história de colegial urge saber).

Ou pessoas maneiras como Juarez Cirino dos Santos, que, acredita que o crime organizado não existe e defende gente do MST de graça. Enquanto isso, vemos casos como o do garoto Émerson Gomes, de 12 anos. Brincava numa rua de Belém com seu amiguinho de 6 anos quando ouviu tiros. Colocou o seu corpo sobre o do menino mais novo para protegê-lo. Morreu de bala perdida: bandidos atiraram a esmo porque não conseguiram roubar um celular. Falou a mãe do filho morto: "Ele morreu, mas salvou uma vida mais nova." Falam as autoridades [e Juarez]: Falam? (ISTOÉ, 12 ago 2009, ano 32, n. 2074)

Gente honesta ao contrário do seu Zé da padaria, este porco capitalista que devia dar uma função social à sua propriedade – como pagar impostos para financiar o Auxílio Reclusão, que garante verbas para a família de quem está preso, muitas vezes porque, coitados, perderam o lucro auferido com tráfico para financiar sua honesta família que não é de classe média...

(Há alguns anos, em um debate sobre o caso Champinha, alguém usou um exagero retórico para definir esta posição: daqui a pouco, os familiares das vítimas seriam obrigados a pagar uma indenização para o assassino. Há alguns anos, isso foi apenas um exagero retórico.)

É um povo que quer controle de tudo: do mercado, da mídia, das piadas (não posso rir de dois marujos barbudos e gordos de sutiã vestidos de Carmen Miranda porque é preconceito). Mas controlar a criminalidade... não pode!!! Isso é um absurdo! Como vamos viver sob tamanho fascismo?!

Onde essa negada chegou ao poder, a criminalidade aumentou, mas a culpa foi sempre do acaso e da má sorte... Porém, sempre o mais importante: se deixarmos nossas idéias nas mãos desses caras, os nossos direitos humanos estarão garantidos, sobretudo com a proibição das piadas de negros (que é opressão), mas não as de português (o que é ação direta anti-imperialista)!


Vamos brincar de assassinato?

Ontem, enquanto lembrávamos de frases do filósofo Dalborga no Twitter, percebi meu colega @gravz discutindo com um viado aleatório que parecia não gostar do jeito, digamos, "desumano" com que Alborghetti tratava a bandidagem. Intrometendo-me, perguntei ao cidadão, senhor @AlexCastroLLL, se ele defenderia Direitos Humanos para alguém que retalhasse suas filhas.

Ora, foi uma pergunta simples, objetiva e singela para abrir um debate. Não sei o que pode ter de ofensiva. Podem perguntar para mim, que eu, impertérrito e com o mesmo garbo e elegância consuetudinário, replicarei: "De forma alguma, pois julgo em minha tacanha ética que esquartejadores merecem um tratamento um pouco menos almofadado. Isso mesmo que eu não tenha uma filha, mas julgo pouco decoroso que alguém retalhe a filha alheia".

Porém não obtive resposta de tal molde. Pelo contrário: @AlexCastroLLL preferiu, em suas palavras, "zoar": Disse que adoraria que elas fossem retalhadas, uma segunda, outra terça, outra quarta e assim por diante. Ora, este tipo de resposta, além de grosseira, é de extremo desrespeito com tantas vítimas que, infelizmente, sofreram mortes brutais e nunca foram justiçadas mundo afora. Com alguém que faz piadinha com assassinatos brutais, qual a reação natural que move o homem? Perguntar se o camarada quer um suco?

A única saída que o novo membro da THC achou era que eu tinha a obrigação de seguir seria continuar com educação, enquanto o sujeito disparava um mistifório fecal:

A: Boa tarde. O senhor defende o socialismo?

B: Espero que minhas filhas sejam estupradas como Mao fazia com as chinesas.

A: O senhor não vê complicações humanitárias na ditadura do proletariado?

B: Vai tomar no cu, filho cagado de uma jumenta! Sua mãe só não engoliu a merda que deixei na boca dela porque ela não tinha troco pra vinte!

A: Sim, claro. E o senhor não vê problemas num partido único?

B: Enfia os cinco dedos na boceta da sua vó e rasga, arrombado de uma figa! O cu do seu pai é tão grande que cabe um trem dentro!

A: Ah, entendido. Muito obrigado pelas suas respostas e tenha uma boa tarde!


Não tive dúvidas, após consultar minha integridade colhônica: afirmei para o entendido que apenas a THC é capaz de fazer piadas mórbidas com assassinatos, e só por isso ele merecia um belo pau-de-arara. Em sentido bíblico. O trocadalho exige cerca de 4 neurônios para ser devidamente compreendido, mas confiei na força da peruca.

O perobo se ofendeu (sim, ele se ofendeu), e as apostas no Twitter para a briga de blogueiros do dia começaram a rolar.

Fui respondido apenas pela afirmação de que eu seria bobo, feio e chato. Como sua jogada retórica (usar de ironia para dizer que gosta que as filhas sejam retalhadas) foi apenas um uso macabro e primário da ironia, e como eu, um diletante de Dialética, bem-versado em recursos mais complexos como argumentum ab inconvenienti ou captatio benevolentiae (pra não falar em um simples anacoluto), usei da mesma tática e lhe afirmei que, já que ele deveria ser um gênio da argumentação, era melhor que eu fugisse do debate.

Sua "resposta" foi usar um retweet de @moysespintoneto dizendo que o pior eram esses "conservadorezinhos ressentidos destilando ódio contra a esquerda e esbanjando pseudointelectualidade". Curiosamente, pouco antes, havia ganhado uma discussão com meu amigo @franciscorazzo, em que eu havia atacado Roger Scruton, um dos maiores nomes (se não o maior) do "conservadorismo" da atualidade, e comentei isso em minha timeline.

Nosso herói tratou de afirmar e que ele não estava fugindo a debate algum, pelo contrário: apenas prescindia da lógica pois seu único intento era me "zoar" (sic). Mas, como sua torcida clamava por algo mais digno de alguém que passara da terceira série há algum tempo, logrou me responder que Roger Scruton era um escroto (trocadilho bastante complexo, diga-se).

Tão logo percebi que supervalorizei a força da peruca: o estrupício não entendera que eu disse que eu estava fugindo do debate por não conseguir me igualar a alguém capaz de usar um recurso tão complexo quanto a ironia, só aprendida em um Doutorado em Argumentação Jurídica. Mesmo que eu tivesse usado a primeira pessoa, julgou que eu estava falando dele, e cuidou de se redimir. A um só tempo, para me atacar, afirma que quem eu ataquei era um escroto, como se isso fosse me atingir. Será que preciso pintar um alvo em mim mesmo para que Alex Castro descubra quem tem de acertar e conseguir "zoar" a contento, sem parecer que, mesmo que estivesse falando sozinho, o zoado seria ele?

Por Alex Castro ser discípulo de Túlio Vianna, comentei com minha amiga Sofia que o #merdinha havia produzido seus frutos. À simples leitura da palavra "merdinha", Alex gritou "É comigo!" e manifestou seu desejo incontido de dar com a cara no nosso punho. Como lidar com alguém que troca tanto "eu" por "você", que não sabe brincar de "o amigo do meu inimigo" para resolver o sinal das multiplicações e ainda cai num faux pas público deste gabarito?!

Mas para mostrar como estaremos felizes com esta laia a garantir nossos Direitos Humanos, Alex, dizendo sempre que não falava com lógica pois só queria "zoar", disse que Sofia tinha obrigação de dar pra mim, concluindo com uma reiteração do acinte, em meio a mais xingamentos dignos de um marginal de 8 anos.

Expliquei para o pivete que, para "zoar" alguém e praticar bullying adequadamente, era preciso ter pelo menos uma de três coisas em tamanho maior que o oponente – músculos, cérebro ou BENGA – e, ademais, não deveria envolver no mesmo nível de sua pequenez (não sei da primeira, mas certamente das duas últimas coisas) uma dama. Nosso arrombadinho preferiu apenas dizer que hoje chamam de dama qualquer vagabunda, mesmo que ele nem soubesse quem estava a injuriar.

Mas enquanto o menino "ria" por me "zoar", e eu lhe explicava que, quando você precisa explicar que está zoando alguém, na verdade quem está sendo zoado pelo próprio ridículo da situação é você, um seu amiguinho, um tal de @andrepiaui, lhe afirmou, polidamente, que quem "começa o debate falando em retalhar suas filhas e usando a palavra benga merece silêncio".

Como é que é?! Eu faço uma pergunta cuja única resposta lógica possível demonstraria a falta de lógica do cidadão, e eu baixei o nível do debate por isso; eu proponho um diálogo, sou replicado à piadinhas mórbidas, e a baixeza é minha; sou "zoado" ao invés de obtemperado, o desgraçado chama uma amiga minha que ele desconhece de vagabunda que quer dar pra mim e, ao explicar pra ele que é melhor ter cérebro ou estrovenga para tentar humilhar alguém, quem baixa o nível sou eu e mereço silêncio?!

Isso revela uma única coisa: adesão incontesti à THC destrói neurônios e senso de proporção.


Onde os fracos não têm vez

Como concluir um "diálogo" com um pervertido de tal laia? O @Ibere, que me fez notar a existência de Alex Castro, ao ver o caralho comendo solto, foi franciscano em seus votos. Apesar de não ser religioso, concluo da mesma forma, com um acréscimo: Paz na Terra aos homens de boa vontade, e o resto tudo que agonize demoradamente empalados no espeto de Satanás.

Amém!


8 pessoas leram e discordaram:

André Gonçalves on 10 de dezembro de 2009 12:16 disse...

Flávio,

não lhe conheço. "Conheci" ontem, em meio à sua discussão com Alex. Não conheço Alex, a não ser pelos textos dele na Internet. Não sou "amiguinho" dele, apesar de compartilhar de várias das opiniões que ele já expôs no blog dele (e discordar de algumas) e, sinceramente, até admitir que gostaria de tê-lo (Alex) como amigo, o que me fez segui-lo no twitter. Você não sabe nada sobre mim. E eu não lhe faltei com o respeito. Apenas afirmei que alguém que entra em um debate com as expressões "benga", "retalhar suas filhas", "arrombadinho" e semelhantes, é alguém com o qual não se consegue debater. Eu até gostaria de bater papo (debater) com você, saber suas opiniões, contradizê-las e, eventualmente, até concordar com elas. Porque não? Mas, convenhamos: ao encerrar seu post com uma frase destas: "Paz na Terra aos homens de boa vontade, e o resto tudo que agonize demoradamente empalados pelo cu no espeto ardente de Satanás" você apaga qualquer possibilidade de argumentação minimamente lógica. Mas sigamos, sou até certo ponto insistente. Adoraria conversar também com você, debater, trocar ideias, desde que sem esse tipo de argumentação pequena, leviana, inútil e grosseira. Porque realmente temos pontos de vista bem distintos sobre as questões levantadas. E não é preciso você me perguntar "o que aconteceria se tivesse sua irmã retalhada". Não lhe devo satisfações, mas tive um irmão mnais novo assassinado a tiros há poucos anos e, mesmo assim, não apenas mantive minhas convicções como as reforcei. Isso seria, no mínimo, uma boa oportunidade de ambos trocarmos ideias em cima de fatos reais e de sentimentos vividos. Quem sabe poderiamos compreender um pouco mais um ao outro e aprendermos um pouco mais sobre a vida. Isso seria, sim, um bom debate, que poderia "elevar" o espírito de ambos. De qualquer maneira, espero não ser mais "um tal de andrepiaui". Meu nome é André Gonçalves, e estou aberto a conversar e debater com você sobre qualquer assunto. Com a civilidade e elegância que devem nortear qualquer debate. Pode ser que mude minha opinião (um tanto pecipitada pelos fatos) que formei a seu respeito, e idem você em relação a mim. Ontem, você pisou na bola. Talvez até Alex também, who knows? Mas sempre é tempo de crescer. Abraço.

Flavio on 10 de dezembro de 2009 12:25 disse...

Eu falto com a lógica porque RESPONDO a alguém fazendo piadinha mórbida sobre retalhamento mandando o caboclo ir pro inferno.

Jura mesmo que isso é ilógico? Segundo qual ordem lógica?

Chamar uma amiga minha de vagabunda significa que "talvez até Alex também" tenha "pisado na bola". Agora eu, definitivamente, perdi as estribeiras ao treplicar alguém. Claro, senhor André.

Meu blog, meu Twitter e tudo o que eu penso estão abertos ao senhor. De fato, podemos ter a conversa que for, e pode ter certeza que não fico apenas querendo "zoar" como certas pessoas que, apenas "talvez" mereçam silêncio.

Abs.

Charles Fernando on 10 de dezembro de 2009 14:20 disse...

Mostrou que o cara pode ter um sentimento de direita, ser são em meio à baboseira ideológica que ele aprendeu, ele temeu e surtou.. simples... ninguém quer se tornar aquilo que odeia... especialmente quando tem gente olhando.

Glaucia on 14 de dezembro de 2009 18:16 disse...

Flávio, você não acha que as raízes da violência e o que leva uma pessoa a cometer atrocidades(furtos, homicídios etc) são questões tão complexas e de causas mil as quais nós, possivelmente, temos uma parcela de culpa, haja vista certa rendição a conformismos cínicos perantes desmandos políticos/econômicos/sociais? Você acredita que as raízes da violência tem pressupostos unicamente genéticos? Como você vê a influência de um ambiente no qual a pessoa substiste e lega valores ao longo de sua vida? Assim como você questionou a reação do sujeito acima perante a situação de retalhamento da própria irmã, pergunto a você, o que tu farias caso vivesse em total miséria e extrema inanição por legar um status social carente de oportunidades, amor, mas torpedeado pelo preconceito e violência transposta em diversas facetas?

gosto do seu blog.

Carol on 18 de dezembro de 2009 05:22 disse...

Eu definitivamente preciso trabalhar menos.

Perdi o bafo do ano no Twitter.

Sobre o Alex: algumas coisas no blog dele são legais. Mas ele não sustenta opinião nenhuma. É muito nebuloso e esse "não assumo nada" é uma postura que não costumo admirar.

Bj

Augusto on 20 de dezembro de 2009 13:30 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavio Morgenstern on 21 de dezembro de 2009 16:25 disse...

Glaucia,

Até mesmo psicólogos sociais americanos entendem que essa história de "a sociedade é que faz o crime, o criminoso só o comete" é colóquio flácido para acalentar bovino. O maior jurista do Brasil (e um dos maiores filósofos), Miguel Reale, demonstrou, em sua teoria tríplice do Direito, como essa confusão se dá, sobretudo, porque, por séculos, confudiu-se o conceito de "garantia" com o de "direito", no âmbito jurídico.

A sociedade não tem como ser "mais justa" ou "menos justa", se isso é uma característica dos indivíduos, e não de uma abstração formada pelo todo. Desse ponto, como posso me sentir culpado pela criminalidade? O que foi que fiz? Meu vizinho suborna policiais, e EU também sou culpado por não acertá-lo com um taco de beisebol? É isso que diminuiria a violência?

Flavio Morgenstern on 21 de dezembro de 2009 16:33 disse...

Culpar o laxismo com os políticos nada tem a ver com estupros, homicídios, seqüestros. São crimes violentos, o tratamento é completamente diferente, em qualquer sociedade humana que já existiu.

Por outro lado, é claro que um ambiente violento favorece a violência. Qualquer behaviorista sabe disso. Mas isso não justifica a violência: apenas mostra como não coibir as soluções fáceis pode recair na morbidez, no caso de pessoas sem uma conhecimento de um modo melhor de vida (e que justifique um comportamento de acordo com as regras da sociedade).

Então, devemos fazer as regras da sociedade funcionarem MELHOR para poder garantir que as pessoas vão seguir o que deve ser feito. Passar a mão na cabecinha de criminoso violento é o exato oposto. No Brasil, o crime compensa, pura e simplesmente.

Devemos, sim, retirar as pessoas da miséria e diminuir os preconceitos. Porém, que crime violento se justifica por isso?

Isso continua sendo individual, e não social. Do contrário, toda a classe pobre seria criminosa, e os políticos milionários não.

Ademais, qualquer bandido sabe diferenciar a violência que vem do vizinho do monopólio da violência vindo do Estado, ao contrário do que dizem nossos intelectuais de 140 caracteres e das bandas de rap.

Obrigado pelo elogio e pelo comentário!

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