quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Túlio Vianna quer que você seja feliz

"AFRICAN, n. A nigger that votes our way."
— Ambrose Bierce, The Devil's Dictionary

O Brasil é um país rabugento, mal-humorado, resignado, rude, xenófobo e com regras de etiqueta absurdas, o que é a perfeita descrição que o brasileiro médio faria da Suíça ou da Dinamarca. Os brasileiros que já ouviram falar de Suíça ou Dinamarca, é claro.

O Homo brasilis padrão, o brasileiro com cultura brasileira, é tão familiarizado com humor quanto Paris Hilton é familiarizada com a Teoria do Campo Unificado.

Existem alguns fatores que podem indicar o grau civilizatório de uma população. Cito os óbvios: vasto domínio da Antigüidade clássica e fenomenologia alemã, manipulação de DNA, língua grega, literatura americana, pornografia russa e pena de morte podem ser pedras de toque para diferenciar o Canadá de Serra Leoa. Não obstante, nada pode definir melhor a evolução de um povo do que o humor. Simplesmente porque o humor, in essentia, não passa de uma maneira elegante de sermos cruéis.

Não foi o próprio Freud quem disse que o primeiro humano que insultou o seu inimigo, em vez de atirar-lhe uma pedra, inaugurou a civilização?

Escrevi, semana passada, no blog-boteco do meu amigo Gabriel Moura, um texto sobre os ataques de pelanca éxibidos pelo Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna (tão felizes agora?), arauto-espadachim do politicamente correto, do patrulhamento ideológico, preocupadíssimo com a objetificação das mulheres no flash mob #lingerieday, no Twitter. O mesmo Túlio Vianna que se aproveitou de uma das maiores tragédias do estado de SP para fazer proselitismo pro domo sua.

Túlio Vianna prefere maneiras pouco elegantes de sermos cruéis.


Ontem (para padrões notívagos), Túlio estava no programa
MTV Debate, deblaterando em meio a uma bazófia levada a cabo por Mr. Manson, do extinto Cocadaboa (nome politicamente incorreto o suficiente?); o humorista Maurício Meirelles; o advogado Paulo Rossi; Humberto Adami, da Secretaria de Igualdade Racial; e Tiago Lopes, um cabeleireiro gay aleatório admitindo que ri de piada de gay e mandando cada um cuidar da sua vida e parar de encher o saco. Tudo não seria uma algaravia com a afinação de um coro multitudinário sem que o debate fosse "mediado" por ninguém menos do que Lobão. É algo como oferecer migalhas para conter um buraco negro.

Todo o busílis foi causado por um arremedo de piada de preto propalado por Danilo Gentili, do CQC, que participou do programa por telefone. Podemos exercitar nossa crueldade praticando uma vivissecção da homiziada.


Ridendo castigat mores et monstrat caries

O humor, assim como os filmes de terror, por definição, é extremamente moralista. Por moral, não se deve entender que deve seguir as mesmas regras da educação moral e cívica, ou das aulinhas de religião, muito menos do clube da vigilância sanitária politicamente correta. A moral encontrada em Aquino, Kant ou Habermas funciona por congraçamento de investigações teleológicas a respeito do dever-fazer. O humor, a própria roupa do Rei, aproveita a moral para fazer o contrário: põe o homem a nu, sozinho, com o máximo de público possível, para expor o ridículo do resultado do fazer-errado.

O humorista não deve se vestir como um padre, nem ter o recato de um paladino (esse é o traje da patrulha). Esse profissional da prostituição social tem como maior realização na vida se alegrar por viver num mundo imperfeito. É um ser condenado ao inferno por excelência. Um humorista, como ser moral, não tem a qualidade da sua piada medida pelo quanto conseguiu agregar, pelo tanto de inclusão social provoca, como se precisasse de cotas raciais. Pelo contrário, o humorista tem seu valor medido por pH.

O palhaço Sr. Frango, interpretado por Dalmo Latini, se despediu dizendo: "O palhaço é a única pessoa no mundo que ri da própria desgraça". Confirmando o que nunca falhou em toda a história, um palhaço tem a ensinar a um jurista toda a moral que falta a este último. Rir da própria desgraça!, e já temos um império de "relações de poder e opressão" supostamente enxergado por Foucault ruindo como se botássemos fogo no circo.

O brasileiro, que se considera o povo mais despojado, alegre e humorado do planeta, acredita piamente nisso por viver num país sem regras,
o que significa falta de seriedade. Não é sinônimo de humor. O humorista tem método. Ele tem o dever de expor o lado ruim do homem. Mas também o lado ruim do destino. O lado ruim da vida. Como cínico, vê as coisas como são, não como deveriam ser.

O humor no Brasil é um humor Casseta & Planeta, pré-fabricado e confortável. É algo como: "Hey, você, telespectador! Observe eu fazendo uma paródia dele!" — e segue um sarrozinho com o político, o jogador de futebol, a celebridade... a exceção.

Toda a comédia, desde Aristófanes, não é confortável, não é auto-defensiva. Ela sacaneia o político, mas botando a culpa em quem o deixou ali. Seu alvo é o político, mas também o próprio humorista e, coisa proibidíssima no Brasil, a própria platéia. Se no Brasil um humorista pede desculpas por fazer uma piada de vegetarianos numa churrascaria, em qualquer país civilizado as piadas de negros são feitas por negros no gueto, assim como as de judeu.

Woopy Goldberg, Woody Allen, Charles Chaplin, W. C. Fields, Karl Krauss, Ambrose Bierce, Henny Youngman, Fran Lebowitz, O Gordo e
O Magro, Os Três Patetas, Monty Python... dá para encontrar quem fuja à regra?

Não há conforto no trabalho do humorista. O contraste é que ele busca. O abjeto com o que deveria ser certo — e, se o fosse, não seria engraçado. Quem já leu A Divina Comédia, adorou o Inferno e parou antes do terceiro ciclo do Paraíso conhece bem a regra. Toda, toda pessoa que tem ódio de Diogo Mainardi sabe bem o que é o desconforto de alguém rindo da própria condição de Paulo Francis piorado, embora no fundo concorde com cada linha do que ele escreve. Se quer conforto, pode ler auto-ajuda ou Paulo Coelho. Só invente de ler Dostoiévski, Kafka ou Montaigne se quiser se sentir mal. Coragem, ó covardes ignaros!


Túlio Vianna, nosso Grande Irmão

Há atos que merecem encômios, outros que merecem desmembramento. O Sr. Dr. Prof. Túlio Vianna vive num mundo aparte da realidade, em que um desmembramento provocado por um psicopata merece carinho da sociedade, um elogio carinhoso de homens a mulheres talvez mereça um de
smembramento.

Nesse mundo sagrado de Direitos Humanos, Túlio força e expreme a realidade para se encaixar em sua ótica doidivanas. Como para ele tudo o que existe são relações de poder, palhaços não existem, profissionais liberais sem patrão não recebem mais-valia e se alimentam via fotossíntese e, claro, toda piada que exponha alguém ao ridículo é opressão.

Talvez seja de bom tom perguntar ao Sr. Prof. Dr. Túlio o que ele acha que são as relações de poder Vigiar e Punir Law & Order de um vídeo do humorista negro Chris Rock comentando para a comunidade negra, justam
ente, sobre a violência policial...



A verdade é que, a exemplo do Big Brother de George Orwell, Túlio Vianna quer que sejamos felizes. Se ele considera algo opressão, politicamente incorreto, esse algo deve ser censurado. E assim se constrói sua ditadura do "Eu luto pela sua felicidade, logo, me obedeça". É sempre uma suposta rinha entre mais fortes e mais fracos. Se um psicopata pobre destrói o corpo
de uma menina rica, é politicamente correto. Se um branco faz piada de negro, é opressão.

Tudo se resume a assumir Vigiar e Punir como verdade dogmática:


Túlio, que passou a semana passada falando sobre objetificação da mulher, não soube responder no debate se o humor é objetivo ou subjetivo (quando você está sendo corrigido reiteradamente por Lobão, a coisa está, digamos, preta pro seu lado). Disse que é "social". E isso é objetivo ou subjetivo, doutor?

Mr. Manson, que já sofreu com a patrulha, comentou sobre a falta de liberdade em fazer qualquer piada agora. Túlio obtemperou: "Mas há a patrulha da patrulha". Entenderam? Hay que censurar, pero sin sofrer las criticas, jamas! — do contrário, do que o advogadozinho viverá? Trabalho honesto e burguês, para deixar Slavoj Žižek louco?!

Batendo na mesma tecla o tempo todo e sendo firmemente refutado mesmo em suas frases interrompidas (ainda acho que o convidam para tantos debates simplesmente porque alguém precisa levar uma sova em público defendendo uma idiotia, e ele é um homem sem concorrência), Túlio apela para seu clichê fácil e sempre disponível: brancos oprimiram negros. Logo, toda correção política é pouca. Cotas para humoristas negros já!

O negro, "subjugado historicamente" (será que Túlio Vianna faz idéia de quem é que iniciou a escravidão na África? Quem escravizou judeus no Egito?), é sempre uma vítima, numa relação com o branco. Mesmo quando rouba, mata, estupra, tortura. Para ser caudatário de tamanha estultícia, Túlio inventa de estro próprio uma teoria absurda: o branco oprimiu o negro na escravatura, e depois da abolição, surgiu a piada de negro, para o branco "se manter" em sua "superioridade"!

Qualquer chimpanzé desqualificado (fica livre a interpretação) pode conhecer os versos de Gregório de Matos para perguntar quando fizeram a primeira piada com negros no Brasil...

Mais que tudo, pergunto-me se o doutor sabe que o racismo europeu, muitas vezes, surgiu não por opressão e sentimento de superioridade, mas sim por medo. Hitler mesmo é capaz de falar das capacidades superiores dos judeus em lidar com a economia. Que tal ler Carpeaux, Houellebecq, Bachelard, Bordieu?

E os judeus (que chamam os gentios de goyim, que originariamente significava "gado"), que foram escravizados por negros? Quando Champinha estupra Liana Friedenbach, pela regra de "subjugamento histórico", está se vingando ou confirmando a exploração?

Para Túlio, além de toda a psicologia se resumir a "sujeito" versus "objeto", tudo se resume a uma luta social, uma forma de opressão. Um skinhead espancando um negro ou um gay é força de opressores sobre oprimidos. Chamar um amigo negro de "azulão" é... bem, é claro, a força de opressores sobre oprimidos. É denegrir. Não tem escapatória. É tudo a mesma coisa.

Por outro lado, fazer piada de português é, digamos, emancipação, pois nos vingamos dos colonizadores. Mesmo que sejamos seus descendentes. É a mesma regra que diz que um negro assaltando, estuprando ou o que for está sempre autorizado. É isso que Túlio chama de justiça.

O problema do humor, para Túlio, é justamente esse: no deboche, o homem é exposto a nu, sozinho, na solidão da sua consciência, naquele seu fundo insubornável de que falava Ortega y Gasset. Sem nenhum "contexto histórico", marxismo ou teoria histeriforme de quinta categoria para mantê-lo na confortável posição de coitado e perseguido político.

A twitteira SrtaT admoestou: "o dia em que você não puder fazer uma piada sem correr o risco de ser interpelado pelo ministério público, será fascismo. Minoria my ass. eu é que sou a minoria mais aviltada ultimamente sendo fumante."

Restam algumas dúvidas: nessas "relações" de poder, chamar Lula de analfabeto constitui preconceito ou não? E piada de argentino (que, por sua vez, nos chamam de macaquitos)? E o que é chamar Champinha de psicopata?

E como disse o Morroida, posso chamar Obama,
que é o chefe do maior império do mundo e portanto "superior", de preto, macaco e nigger que não vai dar nada?

Concluo: e chamar esse merdinha desse Túlio Vianna de mula-sem-cabeça é preconceito? É degradante?

É claro, refiro-me às mulas.

23 pessoas leram e discordaram:

Taina disse...

Acolho tuas palavras. É exatamente isso que, muitas vezes, quero exprimir.

Gael González disse...

Logo se vê que Tulio Vianna é a muleta da vez pras suas tentativas fracassadas de chamar algum tipo de atenção, no, Flavito?
 
O mais engraçado é você se achar o foda quando os caras simplesmente te ignoram. Isso sim é humor!
 
Beijos, hermano.

Srta.T disse...

Matou a pau novamente. Eu tô montando aqui uma linha de lógica para escrever um texto sobre o tema também, mas vai demorar. Ah, essa fala minha, na verdade, foi fala do meu namorado. Estávamos conversando durante o debate e ele soltou essa, mas como ele não tem twitter, me outorgou poderes para falar por si.
Engraçado que estou lendo 1984 agora e ontem de manhã me veio esse insight, da relação politicamente correto e Big Brother. Até postei algumas coisas no Twitter, inclusive um trecho de um texto na Wikipédia (a "mãe dos burros" contemporânea):

"O Estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua. Os especialistas do Ministério da Verdade criaram a Novilíngua, uma língua ainda em construção, que quando estivesse finalmente completa impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao regime."

E dá-lhe Thought Police.

Flavio Morgenstern disse...

Gael Gonzáles, você me conhece tão bem que sabe que, digamos, eu gosto de idéias mais do que de pessoas.

Que Túlio me serve apenas de mula, digo, muleta, não é novidade alguma. Estou tranqüilo aqui do meu posto de urubuservação dos Imbecis Coletivos que teimam em arrotar carniça por aí.

Agora defina que "caras simplesmente me ignoram". Porque tratar um doutorzinho por "merdinha" não é querer que ele preste atenção em mim, visto que não o considero mais do que uma mula incapaz de aprender o que precisa comigo.

Do MEU público eu morro de orgulho. Não são muitos os que escrevem tão bem, profunda e complexamente e conseguem ser tão lidos no território da escrita fácil e rápida que é a internet. E ainda é 10 da manhã, não?

Por que sumiste, afinal?

Flavio Morgenstern disse...

Srta. T, acabei me lembrando de Orwell também por suas citações.

De toda forma, o que me dói é como pessoas como o nosso doutorzinho fazem a sua panfletagem: através dos cargos que obtêm.

Se alguém se advoga tão defensor dos marginais, dos oprimidos, do politicamente correto, precisa nadar tanto contra a corrente? O pensamento dele não deveria já ser o natural que as pessoas pensam num país democrático, católico e com tendências ao socialismo de butique?

Não, o doutor se esgarça para policiar os outros, mas só consegue algo devido a... ser um doutor. Num país em que você pode ler dois livro de 300 páginas Foucault para fazer Doutorado, mas ninguém te obriga a ler um de 100 destruindo cada caquinho do que o cara escreveu.

Cadê que ele se preocupa em argumentar, ao invés de simplesmente dizer que gays, negros, pobres e professores desqualificados são oprimidos?

Sofia disse...

Interessante que o Sr. Gael González afirme que você seja ignorado pelo público quando o próprio se dá ao trabalho de ler cada linha que você escreveu e ainda dedica parte do seu tempo para te criticar. Se isso não é audiência, o que é então?

Embora o Sr. Gael González me divirta, TV me diverte mais. E seu texto mais ainda.

Viva o humor branco! (Porque o negro é politicamente incorreto, né?)

Abraços!

PS: Preciso dizer que você escreve bem, Morning?

Gael González disse...

Não disse que é ignorado pelo público, Flavete, ahn, Sofia. Disse que foi ignorado por todos que tentou criticar, até pelo próprio Tulio, mesmo twittando pra ele.

E isso é um barato, eu quero que continue. Um dia dá certo.

Mas bom, só vim parar aqui por causa de um malicious link. Duas lidas já é exagero.

Beijo a todos.

aline disse...

Gostei muito desse texto. Demais mesmo. Pela inteligência, pela ironia, pela riqueza dele. Era tudo o que eu gostaria de ter escrito. Foi um prazer enorme lê-lo.

Parabéns.

abraço

Emerson disse...

Bom texto. Em que pese o emaranhado sociológico, mostrou bem sobre o quê de acidez precisamos todos a fim de desnudar nossos conceitos prévios.
A piada do Gentilli é até fraca para o texto. Porque foi uma piada ruim. Alguns humoristas e candidatos já deviam ter se tocado que alguns arquétipos em vez de polêmicos, são na verdade chatíssimos. Vide Pãnico e o Rubinho. Gentili e os Paraíbas etc.
Chamar o carinha lá de Grande Irmão, achei fraco. Depois que descobri que a CIA bancava o Orwell, confirmei que a obra dele era além de fraquinha, vendida.
E, sobre o humor em si, vale mesmo para qualquer um. Até pra os operadores do humor, que devem rie-se de tantos "colegas" servindo de aparelho ideológico estatal, como diria bem Gramsci, mormente os que misturam à política diretrizes oportunistas de terceiros, travestindo o que seria um deboche oportuno, num jabazinho oportunista, custe o que custar :)

Rodrigo disse...

Eu concordo com as críticas ao Tulio, mas eu sou um tanto politicamente correto.
Acho que há um problema em estabelecer o que é exatamente esse politicamente correto.
O Túlio é um idiota que ligou o modo "se ofender por tudo" e não para pra distinguir as coisas.
Por outro lado, não se pode ligar o modo "vou falar o que eu quiser" e não esperar que, bem, algumas pessoas vão sinceramente se ofender e se machucar e elas não estão necessariamente erradas ou sendo só mal-humoradas.

Os Estados Unidos de fato estão muito mais avançados que nós em matéria de comediantes, mas olha os que você citou e nenhum deles é racista, eles dão risada dos racistas. Esse vídeo do Chris Rock que você colocou é o exemplo perfeito disso. O personagem principal do vídeo é um negro comum que apanha da polícia porque não tem um amigo branco dentro do carro.
O alvo da piada não é o negro, são os policiais racistas.
Mesmo uma Sarah Silverman que faz piadas racistas tem toda uma preparação pra passar a si própria como uma pessoa burra. Olha um stand up da Sarah Silverman, o engraçado não é a piada racista dela, o engraçado é que ela jura que não está sendo racista quando qualquer um pode ver que ela está sendo.

E em ambos os casos, há o riso de si próprio, como você menciona no texto. O Chris Rock faz piada também do tipo de negro "gangsta" que pula catraca com uma arma e um baseado ou que xinga o policial e a Sarah Silverman, afinal, está fazendo piada de gente como o Gentili, que é um branco racista que jura que não é.
Sarah Silverman faz como piada o que o Gentili é sério. Ela é um personagem racista cuja graça é que ela não se percebe como racista. Ele é um racista que não se percebe como racista.

Então acho que tem que ter bom senso pra separar as coisas.
Uma coisa é um freak doido como o Vianna obcecado em sei lá que obsessão que ele tem.
Outra coisa é achar que todo mundo que se ofende com uma piada é um mal humorado que não sabe rir de si próprio. Algumas coisas sinceramente machucam. Aí o que se faz? Finge que não pra te agradar? É complicado.

Não defendo censura e ministério público, etc; mas apontar um idiota racista e dizer "você é um idiota racista" não é patrulhamento, é fazer um idiota que diz o que quer ouvir o que não quer. Algo que ele deveria ter aprendido quando criança, mas enfim...

Manoel Leonam disse...

Excelente artigo. Infelizmente não assisti a esse programa (vou ficar atento as reprises), de qualquer modo, para dar uma pequena contribuição a discussão cito uma frase de Henri Bergson de seu livro O riso: "Parece que a comicidade só poderá produzir comoção se cair sobre um superfície d'alma serena e tranquila. A indiferença é seu meio natural. O riso não tem maior inimigo que a emoção."
De fato, acredito eu, o riso guarda uma certa agressividade, seria impossível rir se estivéssemos sempre preocupados com as emoções alheias, isto é, uma velha escorregando na casca de banana só pode ser engraçado se houver um distanciamento emocional, se a velha em questão for, p.ex., a avó de alguém, essa pessoa talvez não ache muita graça. O humor é uma atividade tipicamente da razão. Não digo que todo o riso seja um riso racional, existe o riso histérico e outras formas nervosas, mas esses não são o riso cômico, o riso cômico é sempre cruel e "mental", ele exige um distanciamento emocional do alvo do ridículo. Talvez por isso se diga que ri de si mesmo seja um passo para superar problemas, ri de si mesmo exige um afastamento dos sentimentalismo que distorcem a visão e proporciona um olhar mais sereno (ou frio, se preferir) e racional sobre o problema em questão.
Claro que pessoas que se sintam muito emocionalmente ligadas a determinados movimentos ou segmentos da sociedade se sintam ofendidas com certas piadas. Mas isso não pode servir de critério para condenar a piada ou o comediante. Piadas podem ser usadas para reafirmar preconceitos ou combatelos. A questão é que a qualidade da uma tirada cômica não pode ser julgada apenas pelos sentimentos de quem se ofendeu. Se assim fosse não seria possível rir de mais nada!
Novamente, falando como Bergson, "num mundo de inteligências puras, talvez já não houvesse motivo para chorar, mas ainda haveria razão para se rir."

(desculpe o tamanho do comentário)

Sofia disse...

Gael, não fique com ciúmes do Flávio porque ele tem quem o admire. Produza alguma coisa ao invés de criticar apenas e, quem sabe, você não ganha umas "gaeletes", hein?

Ah, e o Túlio não ignorou os comentários do Flávio. Ele simplesmente não conseguiu refutá-los e apelou para a ofensa gratuita chamando seus opositores de "cachorrada".

Sem mais. O fato de você ter vindo aqui novamente fala por si.

Aguardo sua réplica, ok? (e não precisa pôr a culpa no link.)

Vitor disse...

Ótimo texto!
Só uma pequena correção, "goyim" em hebraico, significa "nação" ou "povo", e não "gado".
Se você puder corrigir, seria legal!

Flavio Morgenstern disse...

Al... Gael e Sofia:

Num "debate", podemos presumir que, quando um dos lados é massacrado, ele acabe se calando.

O que devo comemorar: se Túlio Vianna escrever uma réplica debilóide, ou o fato de ele fingir que foi cagar e nem apresentar um mísero argumento?

Todos sabem que um doutor que passa o dia no Twitter e trabalha com Direito de internet leu isso, ainda mais com o texto sendo repassado por um amigo dele. Você acha que ele não responde por "falta de tempo", já que fica no Twitter, ou por ter sido esmagado e ter medinho de confirmar tudo?

Tenho uma prova disso. Sabe qual é?

VOCÊ, meu caro Gael!

Devo comemorar mais o fato de você vir aqui reclamar de um texto fresquinho, ou o fato de eu te dar um fora nos comentários do outro texto e você delicadamente sumir? :)

Amplexos.

Flavio Morgenstern disse...

Rodrigo, é óbvio que concordo com suas palavras, mas é um comentário inútil.

Não defendo piada racista, muito menos humorista racista. E esse Danilo Gentili é um humoristazinho de quinta categoria, não é engraçado e sua piada nem merece esse título, pois não foi humor, foi só uma tirada racista e infeliz (com o perdão da tautologia) achando que alguém ia rir.

Boa mesmo foi a resposta do Helio de la Peña: o problema não é fazer piada de preto, é fazer piada sem graça. Foi o que fez Gentili.

O que Túlio vai dizer de um negro que não tem medo de fazer piada de negro? Dizer que a opinião de la Peña não vale, porque ele é um crioulo de olhos verdes e, segundo Marcelo Madureira, o único crioulo de pinto pequeno que existe?

Flavio Morgenstern disse...

Vitor, não disse que originariamente significa gado (uma palavra mais específica do que "rebanho"), mas já especifico isso no texto!

Obrigado!

Flavio Morgenstern disse...

Manoel, quando Mr. Manson foi alv da patrulha, eu mesmo fui citar um trecho desse livro no blog do cara da AOL que o chamava de "fascista".

Diga-me: quem leva a vida completamente a sério, um país civilizado, como foi a Grécia e o Império Romano, ou uma teocracia islâmica, pra ficar em exemplos óbvios?

Aí nós rimos da cara dos patrulhadores e eles acham feio. Vão fazer o quê? Nos processar?

Enfrenta-se um humor ácido com mais acidez. Como diz Nietzsche, é o riso que mata, não o ódio.

E completando o que disse acima, se ofendeu? Que tal escrever algo melhor em resposta? Como disse o Diogo Mainardi (que pecado citá-lo, não?), só um jornalista maricas processa outro jornalista. Um jornalista profissional escreve outro artigo e acaba com a carreira do infeliz.

Hugo Jales disse...

Li o texto do seu blog e lembrei do Thomas Sowell, negro e ferrenho opositor das políticas de "ações afirmativas" americanas. Isto é o tipo de coisa que não entra cabeça de um Túlio Viana.


http://freebooks.commentary.net/freebooks/docs/a_pdfs/newslet/preface/13pref.pdf

Gael González disse...

Sofia, você é só a Flavete da vez. Pobrecita, toda animada com um cargo desses... Sua opinião é desprezível, devido ao seu posto. Além do mais, a resposta "faz melhor, então" não deixa bom o que é ruim. Ninguém precisa saber pilotar um carro de formula 1 pra saber que o Rubinho é péssimo. Argumento de quinta série.

Mas enfim, o que quero dizer é que o texto não é dos piores - pelo contrário, concordo com muito do que foi exposto nele.

O problema é a insistência em colocar o Tulio Vianna no meio SÓ pra tentar obter "ibope", e o hilariante fato de que isso não dá certo é o que me diverte.

Sim, a discussão no programa da MTV precisava de um saco de pancadas... mas pra quê mencionar doentiamente o saco de pancadas, já que o texto é sobre "idéias" e feito porquem escreve "bem, de forma profunda e complexa"? E ainda com outra remessa ao caso do Champinha? Fica muito na cara que PRECISA ter um nome "famoso" no meio, pra ver se chama alguma atenção.

Tá, no do #lingerieday era até importante esculachar o Tulio, porque foi ele quem esperneou. Mas essa do racismo no humor por causa da piada do Gentile originou paunocuzisse generalizada. Prova maior foi o debate chegar à MTV. Escolheam o Tulio pra participar do programa porque, concordo, é divertido vê-lo apanhando. Só por isso.

Só que xingar gente "importante" dificilmente vai fazer alguém ficar famoso.

E quando essa tentativa é sutil, vá lá... mas como idéia fixa, dá nas bolas.

Flavio Morgenstern disse...

Hugo Jales, exigir que uma pessoa fanática leia uma mísera crítica de 3 linhas às suas crenças é como querer que um crente criacionista explique a reprodução de uma bactéria antes de atacar Darwin e Dawkins.

Que dirá querer que um doutorzinho desses tenha cultura suficiente para ler um livro que jogue suas idéias toscas por água-abaixo...

Flavio Morgenstern disse...

A função do Estado pode até não ser promover a eugenia, mas também não vi em lugar nenhum que sua função é dar hotel de luxo a esquartejador. Que crime pode ser pior que esse, afinal? E se a função do Estado é fazer justiça, o mínimo que deve fazer é manter Champinha vivo até os 100 anos, sendo torturado da pior forma possível que ainda mantenha seu organismo (e, mais importante, seus 2 sistemas nervosos) ativos. Reparou que essa é a coisa mais cruel que o Estado pode fazer (que horror, já estamos "segregando" este pobre coitado, onde já se viu?!), e nem mesmo isso fará com que sequem as lágrimas dos que sentem a falta das pessoas inocentes que um culpado matou? Nem mesmo isso igualará o fato de que a mutilação corporal sofrida por Liana (ah, ela não foi "segregada", havia me esquecido, minhas desculpas) não tenha resultado numa morte horrível?!

E, tadinho, ele só foi considerado doente mental para mantê-lo longe da sociedade! Que sociedade eugenista, não é mesmo? Para sua informação, ele passou por DOIS laudos, só um deles dizendo essa barbeiragem de que ele estava indo bem nas aulas de matemática na FEBEM (?!). Já o outro atestou o óbvio. Ora, veja! Você nem precisou ver um corpo esquartejado para tirar suas dúvidas, e ainda está insistindo nessa bazófia?! E entre Spa 5 estrelas, rua ou cemitério, preferia que ele fosse pra rua. Com local, dia e hora marcados. Que tal? Garanto que muita gente faria muuuuuita coisa ressocializante com ele antes de mandá-lo num caixão para 7 palmos debaixo da Terra num cemitério. É claro, vivo, ainda.

O Chimbinha foi considerado um dos 20 maiores gênios do Brasil pela Galileu. Bem, num país que considera Túlio Vianna jurista, só podia, mesmo. Mas, veja, para você, o Estado não pode julgar quem vive e quem morre. Champinha e Túlio Vianna, sim. Fodam-se Felipe e Liana, não é mesmo? O que importa é atacar o capitalismo. Nem que seja enaltecendo um estuprador como símbolo.

Que tal mandar Túlio Vianna para o STF (como ele mesmo pretende, e, afinal, sendo jurista, é meio non sense lhe outorgar cargos no alto Executivo) e Champinha para presidente?!

De toda forma, você conhece Túlio Vianna muito bem, mas me conhece melhor ainda. Por que tal emérito professor NUNCA argumenta, mas tem um boy de recados?

Ou será que Túlio Vianna é capaz de determinar a causa de um crime, julgar um estuprador, torturador, seqüestrador e degolador inocente, mas além de não ser homem pra ver as conseqüências de seu julgamento, não é homem sequer pra debater com um estudantezinho de Letras?

No fim, continuo ganhando. Eu ganho público argumentando e recebendo elogios. Túlio ganha público... sendo zoado.

E você quer que eu sinta a minha imagem sendo manchada?

Flavio Morgenstern disse...

Gael Gonzáles, é plausível ter quais dúvidas? a dúvida se Champinha matou porque quis foi tirada por ele mesmo, no Tribunal (ele disse isso no Tribunal sob tortura?). E aí sigo à sua próxima tiradinha genial: se você tem mesmo alguma dúvida sobre a saúde mental de Champinha, que tal, afinal, ir reconhecer o corpo destroçado de Liana no IML? Será que alguém em sã consciência, precisando apenas de "umas palmadinhas" na mão para correção, é capaz de fazer aquilo por prazer, para passar o resto da sua vida comentando isso com orgulho toda vez que vê uma mulher?!

Isso por si já bastaria para responder sua pergunta a respeito desses covardes que são capazes de afirmar categoricamente quais são as causas de um crime que mal conhecem, apenas para se aproveitar morbidamente de uma tragédia para discursar pro domo sua, defendendo que é tudo culpa "do Estado" (?!), que não fez não sei o que (você sabe?) para tornar Champinha num verdadeiro doutor, como Túlio Vianna. E, claro, ignorando a dor que este monstro causou. Talvez até mesmo a comemorando...

Mas aí segue-se: e outro esquartejador, Hildebrando Pascoal? Não "é plausível ter dúvidas"? Que tal lhe dar uma palmadinha na mão por se divertir assistindo e participando de rituais de morte com uma serra elétrica? Não podemos afirmar se ele é um doente!! Porém, ele é um rico seringueiro e era filiado ao PFL. Opa! Esquartejar alguém é passível de dúvida quanto à saúde mental do psicopata, mas aposto que ser rico e do PFL já é prova irrefutável de alguém não estar em sã consciência, aposto!!

E se o meu discurso é por demais repetido, é por covardes não terem coragem sequer de olhar (só uma olhadinha! não vai matar ninguém) as conseqüências de quem defendem, advogando saber de todas as razões que dominam a mente desses homicidas. E o seu discurso, não é repetido, não? Acho que já ouvi isso de tantos genocidas de neurônios: Foucault, Gramsci, o mestre débil mental de Túlio Vianna, o professor Juarez Cyrino dos Santos... que cheiro de naftalina!

Sofia disse...

Gael, dear, por acaso sabes o quê faço da vida além de ser a Flavete da vez? (fato que por sinal parece lhe causar extremo incômodo.) Não, você não sabe. Assim sendo, não pense que minhas palavras são motivadas pelo posto(?) que ocupo.
Ao contrário de você, que parece conhecer apenas o Tulio Viana virtual, eu sei muito bem quem ele é e conheço as pessoas cujos sacos ele precisou puxar para ser professor da PUC.
Acredite, ele é motivo de piada no próprio meio acadêmico. Isso começou na época em que ele era apenas um graduando da UFMG e já tentava chamar atenção do populacho e, desde então, não parou mais. O mestrado que ele fez, também na UFMG, era conhecido pelo caráter de pessoalidade que ali imperava, tanto que foi suspenso pelo MEC durante alguns anos para apuração dessas irregularidades. Só para não faltar a cereja do bolo, registre-se que o orientador do Mestrado em Ciências Penais de então era famoso também pelo tratamento especial que concedia aos seus queridos pupilos...
Quando o MEC acabou com a festa, seu adorado Tulio foi em busca de novos ares e fez seu doutorado na UFPR. Sobre isso também há algumas teorias no meio acadêmico, especialmente no que tange ao critério seletivo adotado pelos penalistas desta instituição, que não escondem o fato de serem simpatizantes de determinadas teorias, por sinal, muito parecidas com aquelas defendidas pelo seu ídolo.
Alguns juristas (os bons) fazem sua fama através de suas obras. Outros, entretanto, na falta de traquejo com ideias e palavras, apelam para meios mais "modernos" de comunicação, em que a fama do autor é diretamente proporcional ao tamanho da merda publicada. Prova disso, além do próprio TV, são as pseudo-celebridades instantâneas que fazem sucesso ao defender a Xuxa através de um vídeo caseiro tosco postado no YouTube.
Realmente Tulio Viana dá IBOPE, assim como Davis Reimberg. Agora, não vá dizer que você sinceramente acredita existir algum mérito nisso, porque aí a pobrecita, ops, o pobrecito, nesse caso, é você. A menos, é claro, que você admita o que o resto de nós já sabe: que TV está mais preocupado em ser famoso, nem que seja à custa do ridículo, do que ser um jurista sério e renomado.
Sim, caro Gael, desculpe acabar com sua ilusão de que o Tulio é importante. Falta muito para que ele se torne alguém, em primeiro lugar. Tornar-se importante por causa de sua suposta inteligência, então, é uma missão quase impossível. Para tanto, ele precisaria se livrar do estigma do ridículo e começar a escrever alguma coisa que alguém de fato leia. (dissertação publicada não vale, isso é algo que todo mundo faz e ninguém lê.)
Ah, sim, volto a usar meu argumento de 5ª série: quem quer provar que é algo além de um merdinha tem sim que fazer melhor. Se o alvo a ser batido é ruim, fazer melhor não pode ser tão difícil, né?
Ser do contra é a maneira mais fácil de se fazer notar e esta é a estratégia que o TV usa. Tenta chocar sua plateia apenas contrariando o que dizem os demais. A diferença é que os demais usam fundamentos para defender suas teses, enquanto o do contra se limita a discordar, sem acrescentar nada ao debate; figurando ali apenas porque alguém tem que fazer o papel do idiota e somente alguém suficientemente idiota aceita essa função de bom grado: Tulio. E você mesmo admitiu que ele só foi convidado pela MTV porque é divertido vê-lo apanhando. Ou seja, ele é a escolha perfeita quando se trata de representar o palhaço. E mesmo assim você ainda se dá ao trabalho de defendê-lo?
E mais: defendê-lo da opinião "desprezível" de alguém como eu.
Agora me responda: quem é mais desprezível nessa história? A pessoa cuja opinião você supostamente despreza, ou você, que dedica seu tempo debatendo com ela?
Se você quer ser coerente, aprenda: don't feed the tr00l. Mas se fizer, tente se manter no nível do debate, porque eu não estou disposta a me rebaixar ao seu, ok?

Besitos pra ti, enTulhete.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Túlio Vianna quer que você seja feliz


"AFRICAN, n. A nigger that votes our way."
— Ambrose Bierce, The Devil's Dictionary

O Brasil é um país rabugento, mal-humorado, resignado, rude, xenófobo e com regras de etiqueta absurdas, o que é a perfeita descrição que o brasileiro médio faria da Suíça ou da Dinamarca. Os brasileiros que já ouviram falar de Suíça ou Dinamarca, é claro.

O Homo brasilis padrão, o brasileiro com cultura brasileira, é tão familiarizado com humor quanto Paris Hilton é familiarizada com a Teoria do Campo Unificado.

Existem alguns fatores que podem indicar o grau civilizatório de uma população. Cito os óbvios: vasto domínio da Antigüidade clássica e fenomenologia alemã, manipulação de DNA, língua grega, literatura americana, pornografia russa e pena de morte podem ser pedras de toque para diferenciar o Canadá de Serra Leoa. Não obstante, nada pode definir melhor a evolução de um povo do que o humor. Simplesmente porque o humor, in essentia, não passa de uma maneira elegante de sermos cruéis.

Não foi o próprio Freud quem disse que o primeiro humano que insultou o seu inimigo, em vez de atirar-lhe uma pedra, inaugurou a civilização?

Escrevi, semana passada, no blog-boteco do meu amigo Gabriel Moura, um texto sobre os ataques de pelanca éxibidos pelo Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna (tão felizes agora?), arauto-espadachim do politicamente correto, do patrulhamento ideológico, preocupadíssimo com a objetificação das mulheres no flash mob #lingerieday, no Twitter. O mesmo Túlio Vianna que se aproveitou de uma das maiores tragédias do estado de SP para fazer proselitismo pro domo sua.

Túlio Vianna prefere maneiras pouco elegantes de sermos cruéis.


Ontem (para padrões notívagos), Túlio estava no programa
MTV Debate, deblaterando em meio a uma bazófia levada a cabo por Mr. Manson, do extinto Cocadaboa (nome politicamente incorreto o suficiente?); o humorista Maurício Meirelles; o advogado Paulo Rossi; Humberto Adami, da Secretaria de Igualdade Racial; e Tiago Lopes, um cabeleireiro gay aleatório admitindo que ri de piada de gay e mandando cada um cuidar da sua vida e parar de encher o saco. Tudo não seria uma algaravia com a afinação de um coro multitudinário sem que o debate fosse "mediado" por ninguém menos do que Lobão. É algo como oferecer migalhas para conter um buraco negro.

Todo o busílis foi causado por um arremedo de piada de preto propalado por Danilo Gentili, do CQC, que participou do programa por telefone. Podemos exercitar nossa crueldade praticando uma vivissecção da homiziada.


Ridendo castigat mores et monstrat caries

O humor, assim como os filmes de terror, por definição, é extremamente moralista. Por moral, não se deve entender que deve seguir as mesmas regras da educação moral e cívica, ou das aulinhas de religião, muito menos do clube da vigilância sanitária politicamente correta. A moral encontrada em Aquino, Kant ou Habermas funciona por congraçamento de investigações teleológicas a respeito do dever-fazer. O humor, a própria roupa do Rei, aproveita a moral para fazer o contrário: põe o homem a nu, sozinho, com o máximo de público possível, para expor o ridículo do resultado do fazer-errado.

O humorista não deve se vestir como um padre, nem ter o recato de um paladino (esse é o traje da patrulha). Esse profissional da prostituição social tem como maior realização na vida se alegrar por viver num mundo imperfeito. É um ser condenado ao inferno por excelência. Um humorista, como ser moral, não tem a qualidade da sua piada medida pelo quanto conseguiu agregar, pelo tanto de inclusão social provoca, como se precisasse de cotas raciais. Pelo contrário, o humorista tem seu valor medido por pH.

O palhaço Sr. Frango, interpretado por Dalmo Latini, se despediu dizendo: "O palhaço é a única pessoa no mundo que ri da própria desgraça". Confirmando o que nunca falhou em toda a história, um palhaço tem a ensinar a um jurista toda a moral que falta a este último. Rir da própria desgraça!, e já temos um império de "relações de poder e opressão" supostamente enxergado por Foucault ruindo como se botássemos fogo no circo.

O brasileiro, que se considera o povo mais despojado, alegre e humorado do planeta, acredita piamente nisso por viver num país sem regras,
o que significa falta de seriedade. Não é sinônimo de humor. O humorista tem método. Ele tem o dever de expor o lado ruim do homem. Mas também o lado ruim do destino. O lado ruim da vida. Como cínico, vê as coisas como são, não como deveriam ser.

O humor no Brasil é um humor Casseta & Planeta, pré-fabricado e confortável. É algo como: "Hey, você, telespectador! Observe eu fazendo uma paródia dele!" — e segue um sarrozinho com o político, o jogador de futebol, a celebridade... a exceção.

Toda a comédia, desde Aristófanes, não é confortável, não é auto-defensiva. Ela sacaneia o político, mas botando a culpa em quem o deixou ali. Seu alvo é o político, mas também o próprio humorista e, coisa proibidíssima no Brasil, a própria platéia. Se no Brasil um humorista pede desculpas por fazer uma piada de vegetarianos numa churrascaria, em qualquer país civilizado as piadas de negros são feitas por negros no gueto, assim como as de judeu.

Woopy Goldberg, Woody Allen, Charles Chaplin, W. C. Fields, Karl Krauss, Ambrose Bierce, Henny Youngman, Fran Lebowitz, O Gordo e
O Magro, Os Três Patetas, Monty Python... dá para encontrar quem fuja à regra?

Não há conforto no trabalho do humorista. O contraste é que ele busca. O abjeto com o que deveria ser certo — e, se o fosse, não seria engraçado. Quem já leu A Divina Comédia, adorou o Inferno e parou antes do terceiro ciclo do Paraíso conhece bem a regra. Toda, toda pessoa que tem ódio de Diogo Mainardi sabe bem o que é o desconforto de alguém rindo da própria condição de Paulo Francis piorado, embora no fundo concorde com cada linha do que ele escreve. Se quer conforto, pode ler auto-ajuda ou Paulo Coelho. Só invente de ler Dostoiévski, Kafka ou Montaigne se quiser se sentir mal. Coragem, ó covardes ignaros!


Túlio Vianna, nosso Grande Irmão

Há atos que merecem encômios, outros que merecem desmembramento. O Sr. Dr. Prof. Túlio Vianna vive num mundo aparte da realidade, em que um desmembramento provocado por um psicopata merece carinho da sociedade, um elogio carinhoso de homens a mulheres talvez mereça um de
smembramento.

Nesse mundo sagrado de Direitos Humanos, Túlio força e expreme a realidade para se encaixar em sua ótica doidivanas. Como para ele tudo o que existe são relações de poder, palhaços não existem, profissionais liberais sem patrão não recebem mais-valia e se alimentam via fotossíntese e, claro, toda piada que exponha alguém ao ridículo é opressão.

Talvez seja de bom tom perguntar ao Sr. Prof. Dr. Túlio o que ele acha que são as relações de poder Vigiar e Punir Law & Order de um vídeo do humorista negro Chris Rock comentando para a comunidade negra, justam
ente, sobre a violência policial...



A verdade é que, a exemplo do Big Brother de George Orwell, Túlio Vianna quer que sejamos felizes. Se ele considera algo opressão, politicamente incorreto, esse algo deve ser censurado. E assim se constrói sua ditadura do "Eu luto pela sua felicidade, logo, me obedeça". É sempre uma suposta rinha entre mais fortes e mais fracos. Se um psicopata pobre destrói o corpo
de uma menina rica, é politicamente correto. Se um branco faz piada de negro, é opressão.

Tudo se resume a assumir Vigiar e Punir como verdade dogmática:


Túlio, que passou a semana passada falando sobre objetificação da mulher, não soube responder no debate se o humor é objetivo ou subjetivo (quando você está sendo corrigido reiteradamente por Lobão, a coisa está, digamos, preta pro seu lado). Disse que é "social". E isso é objetivo ou subjetivo, doutor?

Mr. Manson, que já sofreu com a patrulha, comentou sobre a falta de liberdade em fazer qualquer piada agora. Túlio obtemperou: "Mas há a patrulha da patrulha". Entenderam? Hay que censurar, pero sin sofrer las criticas, jamas! — do contrário, do que o advogadozinho viverá? Trabalho honesto e burguês, para deixar Slavoj Žižek louco?!

Batendo na mesma tecla o tempo todo e sendo firmemente refutado mesmo em suas frases interrompidas (ainda acho que o convidam para tantos debates simplesmente porque alguém precisa levar uma sova em público defendendo uma idiotia, e ele é um homem sem concorrência), Túlio apela para seu clichê fácil e sempre disponível: brancos oprimiram negros. Logo, toda correção política é pouca. Cotas para humoristas negros já!

O negro, "subjugado historicamente" (será que Túlio Vianna faz idéia de quem é que iniciou a escravidão na África? Quem escravizou judeus no Egito?), é sempre uma vítima, numa relação com o branco. Mesmo quando rouba, mata, estupra, tortura. Para ser caudatário de tamanha estultícia, Túlio inventa de estro próprio uma teoria absurda: o branco oprimiu o negro na escravatura, e depois da abolição, surgiu a piada de negro, para o branco "se manter" em sua "superioridade"!

Qualquer chimpanzé desqualificado (fica livre a interpretação) pode conhecer os versos de Gregório de Matos para perguntar quando fizeram a primeira piada com negros no Brasil...

Mais que tudo, pergunto-me se o doutor sabe que o racismo europeu, muitas vezes, surgiu não por opressão e sentimento de superioridade, mas sim por medo. Hitler mesmo é capaz de falar das capacidades superiores dos judeus em lidar com a economia. Que tal ler Carpeaux, Houellebecq, Bachelard, Bordieu?

E os judeus (que chamam os gentios de goyim, que originariamente significava "gado"), que foram escravizados por negros? Quando Champinha estupra Liana Friedenbach, pela regra de "subjugamento histórico", está se vingando ou confirmando a exploração?

Para Túlio, além de toda a psicologia se resumir a "sujeito" versus "objeto", tudo se resume a uma luta social, uma forma de opressão. Um skinhead espancando um negro ou um gay é força de opressores sobre oprimidos. Chamar um amigo negro de "azulão" é... bem, é claro, a força de opressores sobre oprimidos. É denegrir. Não tem escapatória. É tudo a mesma coisa.

Por outro lado, fazer piada de português é, digamos, emancipação, pois nos vingamos dos colonizadores. Mesmo que sejamos seus descendentes. É a mesma regra que diz que um negro assaltando, estuprando ou o que for está sempre autorizado. É isso que Túlio chama de justiça.

O problema do humor, para Túlio, é justamente esse: no deboche, o homem é exposto a nu, sozinho, na solidão da sua consciência, naquele seu fundo insubornável de que falava Ortega y Gasset. Sem nenhum "contexto histórico", marxismo ou teoria histeriforme de quinta categoria para mantê-lo na confortável posição de coitado e perseguido político.

A twitteira SrtaT admoestou: "o dia em que você não puder fazer uma piada sem correr o risco de ser interpelado pelo ministério público, será fascismo. Minoria my ass. eu é que sou a minoria mais aviltada ultimamente sendo fumante."

Restam algumas dúvidas: nessas "relações" de poder, chamar Lula de analfabeto constitui preconceito ou não? E piada de argentino (que, por sua vez, nos chamam de macaquitos)? E o que é chamar Champinha de psicopata?

E como disse o Morroida, posso chamar Obama,
que é o chefe do maior império do mundo e portanto "superior", de preto, macaco e nigger que não vai dar nada?

Concluo: e chamar esse merdinha desse Túlio Vianna de mula-sem-cabeça é preconceito? É degradante?

É claro, refiro-me às mulas.

23 pessoas leram e discordaram:

Taina on 6 de agosto de 2009 04:31 disse...

Acolho tuas palavras. É exatamente isso que, muitas vezes, quero exprimir.

Gael González on 6 de agosto de 2009 04:41 disse...

Logo se vê que Tulio Vianna é a muleta da vez pras suas tentativas fracassadas de chamar algum tipo de atenção, no, Flavito?
 
O mais engraçado é você se achar o foda quando os caras simplesmente te ignoram. Isso sim é humor!
 
Beijos, hermano.

Srta.T on 6 de agosto de 2009 05:36 disse...

Matou a pau novamente. Eu tô montando aqui uma linha de lógica para escrever um texto sobre o tema também, mas vai demorar. Ah, essa fala minha, na verdade, foi fala do meu namorado. Estávamos conversando durante o debate e ele soltou essa, mas como ele não tem twitter, me outorgou poderes para falar por si.
Engraçado que estou lendo 1984 agora e ontem de manhã me veio esse insight, da relação politicamente correto e Big Brother. Até postei algumas coisas no Twitter, inclusive um trecho de um texto na Wikipédia (a "mãe dos burros" contemporânea):

"O Estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua. Os especialistas do Ministério da Verdade criaram a Novilíngua, uma língua ainda em construção, que quando estivesse finalmente completa impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao regime."

E dá-lhe Thought Police.

Flavio Morgenstern on 6 de agosto de 2009 06:34 disse...

Gael Gonzáles, você me conhece tão bem que sabe que, digamos, eu gosto de idéias mais do que de pessoas.

Que Túlio me serve apenas de mula, digo, muleta, não é novidade alguma. Estou tranqüilo aqui do meu posto de urubuservação dos Imbecis Coletivos que teimam em arrotar carniça por aí.

Agora defina que "caras simplesmente me ignoram". Porque tratar um doutorzinho por "merdinha" não é querer que ele preste atenção em mim, visto que não o considero mais do que uma mula incapaz de aprender o que precisa comigo.

Do MEU público eu morro de orgulho. Não são muitos os que escrevem tão bem, profunda e complexamente e conseguem ser tão lidos no território da escrita fácil e rápida que é a internet. E ainda é 10 da manhã, não?

Por que sumiste, afinal?

Flavio Morgenstern on 6 de agosto de 2009 06:40 disse...

Srta. T, acabei me lembrando de Orwell também por suas citações.

De toda forma, o que me dói é como pessoas como o nosso doutorzinho fazem a sua panfletagem: através dos cargos que obtêm.

Se alguém se advoga tão defensor dos marginais, dos oprimidos, do politicamente correto, precisa nadar tanto contra a corrente? O pensamento dele não deveria já ser o natural que as pessoas pensam num país democrático, católico e com tendências ao socialismo de butique?

Não, o doutor se esgarça para policiar os outros, mas só consegue algo devido a... ser um doutor. Num país em que você pode ler dois livro de 300 páginas Foucault para fazer Doutorado, mas ninguém te obriga a ler um de 100 destruindo cada caquinho do que o cara escreveu.

Cadê que ele se preocupa em argumentar, ao invés de simplesmente dizer que gays, negros, pobres e professores desqualificados são oprimidos?

Sofia on 6 de agosto de 2009 08:11 disse...

Interessante que o Sr. Gael González afirme que você seja ignorado pelo público quando o próprio se dá ao trabalho de ler cada linha que você escreveu e ainda dedica parte do seu tempo para te criticar. Se isso não é audiência, o que é então?

Embora o Sr. Gael González me divirta, TV me diverte mais. E seu texto mais ainda.

Viva o humor branco! (Porque o negro é politicamente incorreto, né?)

Abraços!

PS: Preciso dizer que você escreve bem, Morning?

Gael González on 6 de agosto de 2009 09:16 disse...

Não disse que é ignorado pelo público, Flavete, ahn, Sofia. Disse que foi ignorado por todos que tentou criticar, até pelo próprio Tulio, mesmo twittando pra ele.

E isso é um barato, eu quero que continue. Um dia dá certo.

Mas bom, só vim parar aqui por causa de um malicious link. Duas lidas já é exagero.

Beijo a todos.

aline on 6 de agosto de 2009 12:10 disse...

Gostei muito desse texto. Demais mesmo. Pela inteligência, pela ironia, pela riqueza dele. Era tudo o que eu gostaria de ter escrito. Foi um prazer enorme lê-lo.

Parabéns.

abraço

Emerson on 6 de agosto de 2009 14:34 disse...

Bom texto. Em que pese o emaranhado sociológico, mostrou bem sobre o quê de acidez precisamos todos a fim de desnudar nossos conceitos prévios.
A piada do Gentilli é até fraca para o texto. Porque foi uma piada ruim. Alguns humoristas e candidatos já deviam ter se tocado que alguns arquétipos em vez de polêmicos, são na verdade chatíssimos. Vide Pãnico e o Rubinho. Gentili e os Paraíbas etc.
Chamar o carinha lá de Grande Irmão, achei fraco. Depois que descobri que a CIA bancava o Orwell, confirmei que a obra dele era além de fraquinha, vendida.
E, sobre o humor em si, vale mesmo para qualquer um. Até pra os operadores do humor, que devem rie-se de tantos "colegas" servindo de aparelho ideológico estatal, como diria bem Gramsci, mormente os que misturam à política diretrizes oportunistas de terceiros, travestindo o que seria um deboche oportuno, num jabazinho oportunista, custe o que custar :)

Rodrigo on 6 de agosto de 2009 14:56 disse...

Eu concordo com as críticas ao Tulio, mas eu sou um tanto politicamente correto.
Acho que há um problema em estabelecer o que é exatamente esse politicamente correto.
O Túlio é um idiota que ligou o modo "se ofender por tudo" e não para pra distinguir as coisas.
Por outro lado, não se pode ligar o modo "vou falar o que eu quiser" e não esperar que, bem, algumas pessoas vão sinceramente se ofender e se machucar e elas não estão necessariamente erradas ou sendo só mal-humoradas.

Os Estados Unidos de fato estão muito mais avançados que nós em matéria de comediantes, mas olha os que você citou e nenhum deles é racista, eles dão risada dos racistas. Esse vídeo do Chris Rock que você colocou é o exemplo perfeito disso. O personagem principal do vídeo é um negro comum que apanha da polícia porque não tem um amigo branco dentro do carro.
O alvo da piada não é o negro, são os policiais racistas.
Mesmo uma Sarah Silverman que faz piadas racistas tem toda uma preparação pra passar a si própria como uma pessoa burra. Olha um stand up da Sarah Silverman, o engraçado não é a piada racista dela, o engraçado é que ela jura que não está sendo racista quando qualquer um pode ver que ela está sendo.

E em ambos os casos, há o riso de si próprio, como você menciona no texto. O Chris Rock faz piada também do tipo de negro "gangsta" que pula catraca com uma arma e um baseado ou que xinga o policial e a Sarah Silverman, afinal, está fazendo piada de gente como o Gentili, que é um branco racista que jura que não é.
Sarah Silverman faz como piada o que o Gentili é sério. Ela é um personagem racista cuja graça é que ela não se percebe como racista. Ele é um racista que não se percebe como racista.

Então acho que tem que ter bom senso pra separar as coisas.
Uma coisa é um freak doido como o Vianna obcecado em sei lá que obsessão que ele tem.
Outra coisa é achar que todo mundo que se ofende com uma piada é um mal humorado que não sabe rir de si próprio. Algumas coisas sinceramente machucam. Aí o que se faz? Finge que não pra te agradar? É complicado.

Não defendo censura e ministério público, etc; mas apontar um idiota racista e dizer "você é um idiota racista" não é patrulhamento, é fazer um idiota que diz o que quer ouvir o que não quer. Algo que ele deveria ter aprendido quando criança, mas enfim...

Manoel Leonam on 6 de agosto de 2009 15:50 disse...

Excelente artigo. Infelizmente não assisti a esse programa (vou ficar atento as reprises), de qualquer modo, para dar uma pequena contribuição a discussão cito uma frase de Henri Bergson de seu livro O riso: "Parece que a comicidade só poderá produzir comoção se cair sobre um superfície d'alma serena e tranquila. A indiferença é seu meio natural. O riso não tem maior inimigo que a emoção."
De fato, acredito eu, o riso guarda uma certa agressividade, seria impossível rir se estivéssemos sempre preocupados com as emoções alheias, isto é, uma velha escorregando na casca de banana só pode ser engraçado se houver um distanciamento emocional, se a velha em questão for, p.ex., a avó de alguém, essa pessoa talvez não ache muita graça. O humor é uma atividade tipicamente da razão. Não digo que todo o riso seja um riso racional, existe o riso histérico e outras formas nervosas, mas esses não são o riso cômico, o riso cômico é sempre cruel e "mental", ele exige um distanciamento emocional do alvo do ridículo. Talvez por isso se diga que ri de si mesmo seja um passo para superar problemas, ri de si mesmo exige um afastamento dos sentimentalismo que distorcem a visão e proporciona um olhar mais sereno (ou frio, se preferir) e racional sobre o problema em questão.
Claro que pessoas que se sintam muito emocionalmente ligadas a determinados movimentos ou segmentos da sociedade se sintam ofendidas com certas piadas. Mas isso não pode servir de critério para condenar a piada ou o comediante. Piadas podem ser usadas para reafirmar preconceitos ou combatelos. A questão é que a qualidade da uma tirada cômica não pode ser julgada apenas pelos sentimentos de quem se ofendeu. Se assim fosse não seria possível rir de mais nada!
Novamente, falando como Bergson, "num mundo de inteligências puras, talvez já não houvesse motivo para chorar, mas ainda haveria razão para se rir."

(desculpe o tamanho do comentário)

Sofia on 6 de agosto de 2009 18:59 disse...

Gael, não fique com ciúmes do Flávio porque ele tem quem o admire. Produza alguma coisa ao invés de criticar apenas e, quem sabe, você não ganha umas "gaeletes", hein?

Ah, e o Túlio não ignorou os comentários do Flávio. Ele simplesmente não conseguiu refutá-los e apelou para a ofensa gratuita chamando seus opositores de "cachorrada".

Sem mais. O fato de você ter vindo aqui novamente fala por si.

Aguardo sua réplica, ok? (e não precisa pôr a culpa no link.)

Vitor disse...

Ótimo texto!
Só uma pequena correção, "goyim" em hebraico, significa "nação" ou "povo", e não "gado".
Se você puder corrigir, seria legal!

Flavio Morgenstern on 7 de agosto de 2009 12:59 disse...

Al... Gael e Sofia:

Num "debate", podemos presumir que, quando um dos lados é massacrado, ele acabe se calando.

O que devo comemorar: se Túlio Vianna escrever uma réplica debilóide, ou o fato de ele fingir que foi cagar e nem apresentar um mísero argumento?

Todos sabem que um doutor que passa o dia no Twitter e trabalha com Direito de internet leu isso, ainda mais com o texto sendo repassado por um amigo dele. Você acha que ele não responde por "falta de tempo", já que fica no Twitter, ou por ter sido esmagado e ter medinho de confirmar tudo?

Tenho uma prova disso. Sabe qual é?

VOCÊ, meu caro Gael!

Devo comemorar mais o fato de você vir aqui reclamar de um texto fresquinho, ou o fato de eu te dar um fora nos comentários do outro texto e você delicadamente sumir? :)

Amplexos.

Flavio Morgenstern on 7 de agosto de 2009 16:40 disse...

Rodrigo, é óbvio que concordo com suas palavras, mas é um comentário inútil.

Não defendo piada racista, muito menos humorista racista. E esse Danilo Gentili é um humoristazinho de quinta categoria, não é engraçado e sua piada nem merece esse título, pois não foi humor, foi só uma tirada racista e infeliz (com o perdão da tautologia) achando que alguém ia rir.

Boa mesmo foi a resposta do Helio de la Peña: o problema não é fazer piada de preto, é fazer piada sem graça. Foi o que fez Gentili.

O que Túlio vai dizer de um negro que não tem medo de fazer piada de negro? Dizer que a opinião de la Peña não vale, porque ele é um crioulo de olhos verdes e, segundo Marcelo Madureira, o único crioulo de pinto pequeno que existe?

Flavio Morgenstern on 7 de agosto de 2009 16:46 disse...

Vitor, não disse que originariamente significa gado (uma palavra mais específica do que "rebanho"), mas já especifico isso no texto!

Obrigado!

Flavio Morgenstern on 7 de agosto de 2009 16:46 disse...

Manoel, quando Mr. Manson foi alv da patrulha, eu mesmo fui citar um trecho desse livro no blog do cara da AOL que o chamava de "fascista".

Diga-me: quem leva a vida completamente a sério, um país civilizado, como foi a Grécia e o Império Romano, ou uma teocracia islâmica, pra ficar em exemplos óbvios?

Aí nós rimos da cara dos patrulhadores e eles acham feio. Vão fazer o quê? Nos processar?

Enfrenta-se um humor ácido com mais acidez. Como diz Nietzsche, é o riso que mata, não o ódio.

E completando o que disse acima, se ofendeu? Que tal escrever algo melhor em resposta? Como disse o Diogo Mainardi (que pecado citá-lo, não?), só um jornalista maricas processa outro jornalista. Um jornalista profissional escreve outro artigo e acaba com a carreira do infeliz.

Hugo Jales on 9 de agosto de 2009 11:19 disse...

Li o texto do seu blog e lembrei do Thomas Sowell, negro e ferrenho opositor das políticas de "ações afirmativas" americanas. Isto é o tipo de coisa que não entra cabeça de um Túlio Viana.


http://freebooks.commentary.net/freebooks/docs/a_pdfs/newslet/preface/13pref.pdf

Gael González on 13 de agosto de 2009 11:47 disse...

Sofia, você é só a Flavete da vez. Pobrecita, toda animada com um cargo desses... Sua opinião é desprezível, devido ao seu posto. Além do mais, a resposta "faz melhor, então" não deixa bom o que é ruim. Ninguém precisa saber pilotar um carro de formula 1 pra saber que o Rubinho é péssimo. Argumento de quinta série.

Mas enfim, o que quero dizer é que o texto não é dos piores - pelo contrário, concordo com muito do que foi exposto nele.

O problema é a insistência em colocar o Tulio Vianna no meio SÓ pra tentar obter "ibope", e o hilariante fato de que isso não dá certo é o que me diverte.

Sim, a discussão no programa da MTV precisava de um saco de pancadas... mas pra quê mencionar doentiamente o saco de pancadas, já que o texto é sobre "idéias" e feito porquem escreve "bem, de forma profunda e complexa"? E ainda com outra remessa ao caso do Champinha? Fica muito na cara que PRECISA ter um nome "famoso" no meio, pra ver se chama alguma atenção.

Tá, no do #lingerieday era até importante esculachar o Tulio, porque foi ele quem esperneou. Mas essa do racismo no humor por causa da piada do Gentile originou paunocuzisse generalizada. Prova maior foi o debate chegar à MTV. Escolheam o Tulio pra participar do programa porque, concordo, é divertido vê-lo apanhando. Só por isso.

Só que xingar gente "importante" dificilmente vai fazer alguém ficar famoso.

E quando essa tentativa é sutil, vá lá... mas como idéia fixa, dá nas bolas.

Flavio Morgenstern on 27 de agosto de 2009 15:22 disse...

Hugo Jales, exigir que uma pessoa fanática leia uma mísera crítica de 3 linhas às suas crenças é como querer que um crente criacionista explique a reprodução de uma bactéria antes de atacar Darwin e Dawkins.

Que dirá querer que um doutorzinho desses tenha cultura suficiente para ler um livro que jogue suas idéias toscas por água-abaixo...

Flavio Morgenstern on 27 de agosto de 2009 15:25 disse...

A função do Estado pode até não ser promover a eugenia, mas também não vi em lugar nenhum que sua função é dar hotel de luxo a esquartejador. Que crime pode ser pior que esse, afinal? E se a função do Estado é fazer justiça, o mínimo que deve fazer é manter Champinha vivo até os 100 anos, sendo torturado da pior forma possível que ainda mantenha seu organismo (e, mais importante, seus 2 sistemas nervosos) ativos. Reparou que essa é a coisa mais cruel que o Estado pode fazer (que horror, já estamos "segregando" este pobre coitado, onde já se viu?!), e nem mesmo isso fará com que sequem as lágrimas dos que sentem a falta das pessoas inocentes que um culpado matou? Nem mesmo isso igualará o fato de que a mutilação corporal sofrida por Liana (ah, ela não foi "segregada", havia me esquecido, minhas desculpas) não tenha resultado numa morte horrível?!

E, tadinho, ele só foi considerado doente mental para mantê-lo longe da sociedade! Que sociedade eugenista, não é mesmo? Para sua informação, ele passou por DOIS laudos, só um deles dizendo essa barbeiragem de que ele estava indo bem nas aulas de matemática na FEBEM (?!). Já o outro atestou o óbvio. Ora, veja! Você nem precisou ver um corpo esquartejado para tirar suas dúvidas, e ainda está insistindo nessa bazófia?! E entre Spa 5 estrelas, rua ou cemitério, preferia que ele fosse pra rua. Com local, dia e hora marcados. Que tal? Garanto que muita gente faria muuuuuita coisa ressocializante com ele antes de mandá-lo num caixão para 7 palmos debaixo da Terra num cemitério. É claro, vivo, ainda.

O Chimbinha foi considerado um dos 20 maiores gênios do Brasil pela Galileu. Bem, num país que considera Túlio Vianna jurista, só podia, mesmo. Mas, veja, para você, o Estado não pode julgar quem vive e quem morre. Champinha e Túlio Vianna, sim. Fodam-se Felipe e Liana, não é mesmo? O que importa é atacar o capitalismo. Nem que seja enaltecendo um estuprador como símbolo.

Que tal mandar Túlio Vianna para o STF (como ele mesmo pretende, e, afinal, sendo jurista, é meio non sense lhe outorgar cargos no alto Executivo) e Champinha para presidente?!

De toda forma, você conhece Túlio Vianna muito bem, mas me conhece melhor ainda. Por que tal emérito professor NUNCA argumenta, mas tem um boy de recados?

Ou será que Túlio Vianna é capaz de determinar a causa de um crime, julgar um estuprador, torturador, seqüestrador e degolador inocente, mas além de não ser homem pra ver as conseqüências de seu julgamento, não é homem sequer pra debater com um estudantezinho de Letras?

No fim, continuo ganhando. Eu ganho público argumentando e recebendo elogios. Túlio ganha público... sendo zoado.

E você quer que eu sinta a minha imagem sendo manchada?

Flavio Morgenstern on 27 de agosto de 2009 15:25 disse...

Gael Gonzáles, é plausível ter quais dúvidas? a dúvida se Champinha matou porque quis foi tirada por ele mesmo, no Tribunal (ele disse isso no Tribunal sob tortura?). E aí sigo à sua próxima tiradinha genial: se você tem mesmo alguma dúvida sobre a saúde mental de Champinha, que tal, afinal, ir reconhecer o corpo destroçado de Liana no IML? Será que alguém em sã consciência, precisando apenas de "umas palmadinhas" na mão para correção, é capaz de fazer aquilo por prazer, para passar o resto da sua vida comentando isso com orgulho toda vez que vê uma mulher?!

Isso por si já bastaria para responder sua pergunta a respeito desses covardes que são capazes de afirmar categoricamente quais são as causas de um crime que mal conhecem, apenas para se aproveitar morbidamente de uma tragédia para discursar pro domo sua, defendendo que é tudo culpa "do Estado" (?!), que não fez não sei o que (você sabe?) para tornar Champinha num verdadeiro doutor, como Túlio Vianna. E, claro, ignorando a dor que este monstro causou. Talvez até mesmo a comemorando...

Mas aí segue-se: e outro esquartejador, Hildebrando Pascoal? Não "é plausível ter dúvidas"? Que tal lhe dar uma palmadinha na mão por se divertir assistindo e participando de rituais de morte com uma serra elétrica? Não podemos afirmar se ele é um doente!! Porém, ele é um rico seringueiro e era filiado ao PFL. Opa! Esquartejar alguém é passível de dúvida quanto à saúde mental do psicopata, mas aposto que ser rico e do PFL já é prova irrefutável de alguém não estar em sã consciência, aposto!!

E se o meu discurso é por demais repetido, é por covardes não terem coragem sequer de olhar (só uma olhadinha! não vai matar ninguém) as conseqüências de quem defendem, advogando saber de todas as razões que dominam a mente desses homicidas. E o seu discurso, não é repetido, não? Acho que já ouvi isso de tantos genocidas de neurônios: Foucault, Gramsci, o mestre débil mental de Túlio Vianna, o professor Juarez Cyrino dos Santos... que cheiro de naftalina!

Sofia on 28 de agosto de 2009 07:51 disse...

Gael, dear, por acaso sabes o quê faço da vida além de ser a Flavete da vez? (fato que por sinal parece lhe causar extremo incômodo.) Não, você não sabe. Assim sendo, não pense que minhas palavras são motivadas pelo posto(?) que ocupo.
Ao contrário de você, que parece conhecer apenas o Tulio Viana virtual, eu sei muito bem quem ele é e conheço as pessoas cujos sacos ele precisou puxar para ser professor da PUC.
Acredite, ele é motivo de piada no próprio meio acadêmico. Isso começou na época em que ele era apenas um graduando da UFMG e já tentava chamar atenção do populacho e, desde então, não parou mais. O mestrado que ele fez, também na UFMG, era conhecido pelo caráter de pessoalidade que ali imperava, tanto que foi suspenso pelo MEC durante alguns anos para apuração dessas irregularidades. Só para não faltar a cereja do bolo, registre-se que o orientador do Mestrado em Ciências Penais de então era famoso também pelo tratamento especial que concedia aos seus queridos pupilos...
Quando o MEC acabou com a festa, seu adorado Tulio foi em busca de novos ares e fez seu doutorado na UFPR. Sobre isso também há algumas teorias no meio acadêmico, especialmente no que tange ao critério seletivo adotado pelos penalistas desta instituição, que não escondem o fato de serem simpatizantes de determinadas teorias, por sinal, muito parecidas com aquelas defendidas pelo seu ídolo.
Alguns juristas (os bons) fazem sua fama através de suas obras. Outros, entretanto, na falta de traquejo com ideias e palavras, apelam para meios mais "modernos" de comunicação, em que a fama do autor é diretamente proporcional ao tamanho da merda publicada. Prova disso, além do próprio TV, são as pseudo-celebridades instantâneas que fazem sucesso ao defender a Xuxa através de um vídeo caseiro tosco postado no YouTube.
Realmente Tulio Viana dá IBOPE, assim como Davis Reimberg. Agora, não vá dizer que você sinceramente acredita existir algum mérito nisso, porque aí a pobrecita, ops, o pobrecito, nesse caso, é você. A menos, é claro, que você admita o que o resto de nós já sabe: que TV está mais preocupado em ser famoso, nem que seja à custa do ridículo, do que ser um jurista sério e renomado.
Sim, caro Gael, desculpe acabar com sua ilusão de que o Tulio é importante. Falta muito para que ele se torne alguém, em primeiro lugar. Tornar-se importante por causa de sua suposta inteligência, então, é uma missão quase impossível. Para tanto, ele precisaria se livrar do estigma do ridículo e começar a escrever alguma coisa que alguém de fato leia. (dissertação publicada não vale, isso é algo que todo mundo faz e ninguém lê.)
Ah, sim, volto a usar meu argumento de 5ª série: quem quer provar que é algo além de um merdinha tem sim que fazer melhor. Se o alvo a ser batido é ruim, fazer melhor não pode ser tão difícil, né?
Ser do contra é a maneira mais fácil de se fazer notar e esta é a estratégia que o TV usa. Tenta chocar sua plateia apenas contrariando o que dizem os demais. A diferença é que os demais usam fundamentos para defender suas teses, enquanto o do contra se limita a discordar, sem acrescentar nada ao debate; figurando ali apenas porque alguém tem que fazer o papel do idiota e somente alguém suficientemente idiota aceita essa função de bom grado: Tulio. E você mesmo admitiu que ele só foi convidado pela MTV porque é divertido vê-lo apanhando. Ou seja, ele é a escolha perfeita quando se trata de representar o palhaço. E mesmo assim você ainda se dá ao trabalho de defendê-lo?
E mais: defendê-lo da opinião "desprezível" de alguém como eu.
Agora me responda: quem é mais desprezível nessa história? A pessoa cuja opinião você supostamente despreza, ou você, que dedica seu tempo debatendo com ela?
Se você quer ser coerente, aprenda: don't feed the tr00l. Mas se fizer, tente se manter no nível do debate, porque eu não estou disposta a me rebaixar ao seu, ok?

Besitos pra ti, enTulhete.

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