quinta-feira, 28 de maio de 2009

Resposta paulista a Luis Nassif

"(...) abriu-se portanto solenemente entre intelectuais e artistas o debate do que parece ser a grande, a suprema, a única questão cultural brasileira: Quanto cada um leva?"
— Olavo de Carvalho, O Imbecil Coletivo


Luis Nassif, em seu novo blog no IG (portal famoso por ser uma míriade de recursos inesgotável para petistas), após ser demitido da Folha por chantagear um Secretário de Segurança do governo paulista lhe pedindo dinheiro para "conferências", parece querer se vingar novamente no seu post do dia 23/05/2009.

Reproduzo-o abaixo e o comento a seguir:


Ser paulista

Abro a discussão sobre o “ser paulista” recomendando não se ceder às visões preconcebidas. São Paulo não é um, são muitos, é um mundo extremamente diversificado que não pode ser interpretado apenas a partir dos olhos da mídia paulista.
Por Hilano Carvalho

Rodrigo Medeiros,

“O problema é que os paulistas, não todos, se consideram desenvolvidos e por isso consideraram natural a adesão ao neoliberalismo, ou seja, ao fim da história”

É exatamente isso: trata-se de um auto-engano social. Os paulistas, talvez encarnando as figuras sanguinárias dos Bandeirantes do passado, sendo que, a rigor, boa parte deles nem sequer poderia reivindicar tal ascendência, pois a grande massa colonizadora de SP, não se esqueçam, tem origem italiana e espanhola, que remonta aos séculos XIX e XX, tem uma visão colonialista do resto do Brasil. Muitos vêem de fato o Brasil como um resto no sentido mais pejorativo da palavra. Dito isso, parte dos paulistas-nativos, não todos, mas a grande maioria, até mesmo sem querer, influenciados por uma cultura autoritária e servil, nem se reconhecem no “ser brasileiro” para si, se os outros assim se vêem desta maneira, ou para os outros, na medida em que se consideram superiores por apresentarem indicadores financeiro-econômicos mais favoráveis, construídos, tal como muito bem exposto aqui, pela exploração do meio ambiente e de mão de obra barata.

Creio ser este um paradigma de sociabilidade que necessita de uma reflexão crítica mais contundente por parte dos paulistas. Infelizmente, diante do aceite e do alinhamento ao pensamento PSDBista neoliberalizante, avesso ao pensar crítico, totalmente tomado por um instrumentalismo pragmático e, portanto, da desubjetivação do próprio sujeito, como ser que não reflete a si mesmo e não se reconhece nos outros, não vejo muita esperança nesse ponto.

Talvez as grandes universidades paulistas, a USP, a UNICAMP, a UNESP teriam papéis preponderantes nesse sentido. Mas o que acontece é que, em certa medida, elas mesmas estão tomadas por tal forma de pensar.
Enviado por: luisnassif -

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/05/23/ser-paulista/#comment-663125


RESPOSTA

"...parte dos paulistas-nativos, não todos, mas a grande maioria, até mesmo sem querer, influenciados por uma cultura autoritária e servil"

— Isso aí, nós, paulistas, somos herdeiros de uma cultura "autoritária e servil". Quem entende mesmo de algo diferente do Feudalismo são os nordestinos que amam ACM, Sarney e acham que Lula é Deus (não por acaso, os dois donos do Nordeste apoiaram o atual dono do Brasil).


"...nem se reconhecem no “ser brasileiro” para si, se os outros assim se vêem desta maneira, ou para os outros, na medida em que se consideram superiores por apresentarem indicadores financeiro-econômicos mais favoráveis, construídos, tal como muito bem exposto aqui, pela exploração do meio ambiente e de mão de obra barata."

— Por Deus, essa frase só tem um sentido: o Brasil precisa de Educação! Comecemos pela gramática, do contrário, ninguém além do próprio Nassif (ou do desconhecido a quem dá voz) será capaz de entender o sentido oculto dessa algaravia...

Mas enfim, Talvez os paulistas não se considerem brasileiros "para si", mesmo. Talvez por terem algumas das melhores escolas do país e boa parte da produção científica, não são servis e fazem parte de uma massa homogênea pedindo dinheiro da Petrobras e depois enaltecendo Lula.


"Creio ser este um paradigma de sociabilidade que necessita de uma reflexão crítica mais contundente por parte dos paulistas."

— Conforme falou a voz da sabedoria, vamos criar uma cátedra na USP para discutir "por que somos diferentes e precisamos nos sociabilizar com regimes menos autoritários e lulistas, como o Maranhão".


"Infelizmente, diante do aceite e do alinhamento ao pensamento PSDBista neoliberalizante, avesso ao pensar crítico, totalmente tomado por um instrumentalismo pragmático e, portanto, da desubjetivação do próprio sujeito, como ser que não reflete a si mesmo e não se reconhece nos outros, não vejo muita esperança nesse ponto."

— Vindo de Luis Nassif, poderia haver chave de ouro melhor?

Por partes:

— Se o PSDB é neoliberal, exijo que um ressarcimento de quase tudo o que paguei de impostos desde 95. Afinal, Hong Kong tem uma carga tributária de 3% e é uma ilha de prosperidade em meio á pobreza. FHC, por outro lado, deixou mais de 40% de Estado tungando nossas economias, taxa essa ainda aumentada sobremaneira por Lula, que seguiu um modelo econômico com diferença nenhuma de seu predecessor, à exceção de programas assistencialistas tomando o lugar de investimento em infra-estrutura e discurso anti-americano vulgar, eivado em política externa baseada no eixo sul-sul.

Caso não consiga este ressarcimento, gostaria de saber se Nassif poderia efetuar tal depósito de seu próprio bolso. Assim, provaria alguma espécie de "neoliberalismo" da parte do tucanato (salvaguardando algum caráter oculto que ainda possa permear seus textos), não feriria o erário público e ainda usaria o dinheiro que recebe do governo através do IG para praticar uma "distribuição de renda".

— Se o neoliberalismo não é crítico, posso presumir que deva ser um regime monopartidário, em que o Estado domine cada camada de pensamento em toda a população através de forte censura, os livros sejam proibidos e toda a imprensa só cuide de falar bem do partido que está governando. Estranhamente, essa descrição é familiar até aos esquerdistas como um retrato verossímil e verdadeiro do lado de lá da Cortina de Ferro.

— O pragmatismo, filosofia de Peirce, William James, Dewey, Rorty e Davidson, para ficar em seus maiores pensadores, para Nassif (alguém mais notou uma certa pendência da balança extrapolando as raias do ridículo?), é uma "desubjetivação do próprio sujeito". Estranhamente, é uma filosofia defensora da democracia, pela contribuição individual que os homens podem á sociedade, adequada ao liberalismo, onde o homem pode produzir com liberdade, e avessa a um Estado-monstro que retire sua individualidade.

Para Nassif, o que não é "desubjetivação do próprio sujeito"? Se Nassif fosse mesmo um pensador e leitor afinado com as maiores teorias políticas do século, poderíamos crer que ele propõe alguma forma nova de social-democracia cujos entes que perfazem o todo encontrem um novo horizonte de significação do ser-no-mundo por uma nova releitura da intramundanidade ôntica do ser simplesmente dado... mas sabemos que não é isso: Nassif apenas diz que um sujeito só é sujeito se defende o PT. Provavelmente porque, assim, consiga levar o seu, talvez por dentro, quiçá por fora.

— Todos os homens podem se reconhecer nos outros, desde que reconheçam aquilo que têm em comum, e não se considerem todos iguais. Se a reflexão (no sentido mais espelhado do termo) pretende que nos tornemos todos iguais, mais alguns mais iguais do que os outros, seremos apenas engrenagens idênticas da mesma grande máquina, que pode ser trocada sem precisar de nenhum ajuste.

Mas novamente recomendo a Nassif: pode começar se "refletindo" em depósito, para talvez reconhecer um pouco de mim nele próprio. Em números absolutos.

2 pessoas leram e discordaram:

Gumicheletti disse...

Pô, Morning, achei que esse ano fosse passar em branco; o post anterior já tava quase fazendo aniversário, só ganhando em neulich/further (aproveitando que eu não acho um termo em português pra isso) do seu heterônimo Pascucci, que não faz nada de novo no front desde março do ano passado. Enfim, tome cuidado, pois vc criticou a sintaxe do Nassif, mas cometeu umas cagadas com a falta de revisão. No mais ich bin damit einverstanden. Abarso

Júlio Bueno disse...

Gozado o Brasil inteiro nos odeia,porém não abre mão de "abiscoitar" nossas riquezas.

--Brasil o que há?O que sempre houve--

São Paulo,marchemos a separação!

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Resposta paulista a Luis Nassif


"(...) abriu-se portanto solenemente entre intelectuais e artistas o debate do que parece ser a grande, a suprema, a única questão cultural brasileira: Quanto cada um leva?"
— Olavo de Carvalho, O Imbecil Coletivo


Luis Nassif, em seu novo blog no IG (portal famoso por ser uma míriade de recursos inesgotável para petistas), após ser demitido da Folha por chantagear um Secretário de Segurança do governo paulista lhe pedindo dinheiro para "conferências", parece querer se vingar novamente no seu post do dia 23/05/2009.

Reproduzo-o abaixo e o comento a seguir:


Ser paulista

Abro a discussão sobre o “ser paulista” recomendando não se ceder às visões preconcebidas. São Paulo não é um, são muitos, é um mundo extremamente diversificado que não pode ser interpretado apenas a partir dos olhos da mídia paulista.
Por Hilano Carvalho

Rodrigo Medeiros,

“O problema é que os paulistas, não todos, se consideram desenvolvidos e por isso consideraram natural a adesão ao neoliberalismo, ou seja, ao fim da história”

É exatamente isso: trata-se de um auto-engano social. Os paulistas, talvez encarnando as figuras sanguinárias dos Bandeirantes do passado, sendo que, a rigor, boa parte deles nem sequer poderia reivindicar tal ascendência, pois a grande massa colonizadora de SP, não se esqueçam, tem origem italiana e espanhola, que remonta aos séculos XIX e XX, tem uma visão colonialista do resto do Brasil. Muitos vêem de fato o Brasil como um resto no sentido mais pejorativo da palavra. Dito isso, parte dos paulistas-nativos, não todos, mas a grande maioria, até mesmo sem querer, influenciados por uma cultura autoritária e servil, nem se reconhecem no “ser brasileiro” para si, se os outros assim se vêem desta maneira, ou para os outros, na medida em que se consideram superiores por apresentarem indicadores financeiro-econômicos mais favoráveis, construídos, tal como muito bem exposto aqui, pela exploração do meio ambiente e de mão de obra barata.

Creio ser este um paradigma de sociabilidade que necessita de uma reflexão crítica mais contundente por parte dos paulistas. Infelizmente, diante do aceite e do alinhamento ao pensamento PSDBista neoliberalizante, avesso ao pensar crítico, totalmente tomado por um instrumentalismo pragmático e, portanto, da desubjetivação do próprio sujeito, como ser que não reflete a si mesmo e não se reconhece nos outros, não vejo muita esperança nesse ponto.

Talvez as grandes universidades paulistas, a USP, a UNICAMP, a UNESP teriam papéis preponderantes nesse sentido. Mas o que acontece é que, em certa medida, elas mesmas estão tomadas por tal forma de pensar.
Enviado por: luisnassif -

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/05/23/ser-paulista/#comment-663125


RESPOSTA

"...parte dos paulistas-nativos, não todos, mas a grande maioria, até mesmo sem querer, influenciados por uma cultura autoritária e servil"

— Isso aí, nós, paulistas, somos herdeiros de uma cultura "autoritária e servil". Quem entende mesmo de algo diferente do Feudalismo são os nordestinos que amam ACM, Sarney e acham que Lula é Deus (não por acaso, os dois donos do Nordeste apoiaram o atual dono do Brasil).


"...nem se reconhecem no “ser brasileiro” para si, se os outros assim se vêem desta maneira, ou para os outros, na medida em que se consideram superiores por apresentarem indicadores financeiro-econômicos mais favoráveis, construídos, tal como muito bem exposto aqui, pela exploração do meio ambiente e de mão de obra barata."

— Por Deus, essa frase só tem um sentido: o Brasil precisa de Educação! Comecemos pela gramática, do contrário, ninguém além do próprio Nassif (ou do desconhecido a quem dá voz) será capaz de entender o sentido oculto dessa algaravia...

Mas enfim, Talvez os paulistas não se considerem brasileiros "para si", mesmo. Talvez por terem algumas das melhores escolas do país e boa parte da produção científica, não são servis e fazem parte de uma massa homogênea pedindo dinheiro da Petrobras e depois enaltecendo Lula.


"Creio ser este um paradigma de sociabilidade que necessita de uma reflexão crítica mais contundente por parte dos paulistas."

— Conforme falou a voz da sabedoria, vamos criar uma cátedra na USP para discutir "por que somos diferentes e precisamos nos sociabilizar com regimes menos autoritários e lulistas, como o Maranhão".


"Infelizmente, diante do aceite e do alinhamento ao pensamento PSDBista neoliberalizante, avesso ao pensar crítico, totalmente tomado por um instrumentalismo pragmático e, portanto, da desubjetivação do próprio sujeito, como ser que não reflete a si mesmo e não se reconhece nos outros, não vejo muita esperança nesse ponto."

— Vindo de Luis Nassif, poderia haver chave de ouro melhor?

Por partes:

— Se o PSDB é neoliberal, exijo que um ressarcimento de quase tudo o que paguei de impostos desde 95. Afinal, Hong Kong tem uma carga tributária de 3% e é uma ilha de prosperidade em meio á pobreza. FHC, por outro lado, deixou mais de 40% de Estado tungando nossas economias, taxa essa ainda aumentada sobremaneira por Lula, que seguiu um modelo econômico com diferença nenhuma de seu predecessor, à exceção de programas assistencialistas tomando o lugar de investimento em infra-estrutura e discurso anti-americano vulgar, eivado em política externa baseada no eixo sul-sul.

Caso não consiga este ressarcimento, gostaria de saber se Nassif poderia efetuar tal depósito de seu próprio bolso. Assim, provaria alguma espécie de "neoliberalismo" da parte do tucanato (salvaguardando algum caráter oculto que ainda possa permear seus textos), não feriria o erário público e ainda usaria o dinheiro que recebe do governo através do IG para praticar uma "distribuição de renda".

— Se o neoliberalismo não é crítico, posso presumir que deva ser um regime monopartidário, em que o Estado domine cada camada de pensamento em toda a população através de forte censura, os livros sejam proibidos e toda a imprensa só cuide de falar bem do partido que está governando. Estranhamente, essa descrição é familiar até aos esquerdistas como um retrato verossímil e verdadeiro do lado de lá da Cortina de Ferro.

— O pragmatismo, filosofia de Peirce, William James, Dewey, Rorty e Davidson, para ficar em seus maiores pensadores, para Nassif (alguém mais notou uma certa pendência da balança extrapolando as raias do ridículo?), é uma "desubjetivação do próprio sujeito". Estranhamente, é uma filosofia defensora da democracia, pela contribuição individual que os homens podem á sociedade, adequada ao liberalismo, onde o homem pode produzir com liberdade, e avessa a um Estado-monstro que retire sua individualidade.

Para Nassif, o que não é "desubjetivação do próprio sujeito"? Se Nassif fosse mesmo um pensador e leitor afinado com as maiores teorias políticas do século, poderíamos crer que ele propõe alguma forma nova de social-democracia cujos entes que perfazem o todo encontrem um novo horizonte de significação do ser-no-mundo por uma nova releitura da intramundanidade ôntica do ser simplesmente dado... mas sabemos que não é isso: Nassif apenas diz que um sujeito só é sujeito se defende o PT. Provavelmente porque, assim, consiga levar o seu, talvez por dentro, quiçá por fora.

— Todos os homens podem se reconhecer nos outros, desde que reconheçam aquilo que têm em comum, e não se considerem todos iguais. Se a reflexão (no sentido mais espelhado do termo) pretende que nos tornemos todos iguais, mais alguns mais iguais do que os outros, seremos apenas engrenagens idênticas da mesma grande máquina, que pode ser trocada sem precisar de nenhum ajuste.

Mas novamente recomendo a Nassif: pode começar se "refletindo" em depósito, para talvez reconhecer um pouco de mim nele próprio. Em números absolutos.

2 pessoas leram e discordaram:

Gumicheletti on 5 de junho de 2009 21:51 disse...

Pô, Morning, achei que esse ano fosse passar em branco; o post anterior já tava quase fazendo aniversário, só ganhando em neulich/further (aproveitando que eu não acho um termo em português pra isso) do seu heterônimo Pascucci, que não faz nada de novo no front desde março do ano passado. Enfim, tome cuidado, pois vc criticou a sintaxe do Nassif, mas cometeu umas cagadas com a falta de revisão. No mais ich bin damit einverstanden. Abarso

Júlio Bueno on 30 de outubro de 2009 11:43 disse...

Gozado o Brasil inteiro nos odeia,porém não abre mão de "abiscoitar" nossas riquezas.

--Brasil o que há?O que sempre houve--

São Paulo,marchemos a separação!

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