quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Faroeste Caboclo? Prefira o Bang-Bang americano.

"O que explica o sucesso de muitas obras é a relação ali encontrada entre a mediocridade das idéias do autor e a mediocridade das idéias do público." - Chamfort

Há uma decisiva e já famosa análise da música Eduardo e Mônica, da Legião Urbana, a circular a internet há uns bons equinócios. Costuma ofender muitos perobos, feministas, pós-punks, menininhas de franjinha e demais criaturas sobejantemente feias da sociedade, haja visto seu autor não cansar sua facúndia exprobando a pau e pedra toda a falta de tato desses indivíduos, porfiados que estão em considerar Renato Russo um gênio alteroso e alumiado, crítico da envilecida classe mídia, preconceituosa e intolerante - e sem atentar para o fato de que seus pueris faniquitos estéticos são os mais ditadores e caga-regras produzidos pela própria Kulturindustrie que criticam...

Mas eis que tergiverso, descumprindo meu pacto de objetividade. O fato consumado é que, por mais caricatural, sexista, boba e frugal que seja a letra de "Eduardo e Mônica", ela só faz por referir aos enfadonhos clichês do pensamento de seu autor. Por outro lado, "Faroeste Caboclo", a mais comprida música que as insuportáveis rádios brasileiras têm coragem de tocar (e a mais comprida que a maioria de seus ouvintes canta by heart), além dos já referidos lugares-comuns, atenta-nos insofismavelmente, através de uma penca de paradoxos, para como Renato Russo era um péssimo escritor. Como todos os pseudo-músicos/poetas que tocam MPB em rádios rock e rock em rádios MPB.

A história é bem conhecida de todos. Um gaudério adolescente em falta de uma bela surra percebe ter envelhecido e vai para Brasília (terra mater Urbanae Legiis). Enceta uma vida mais apascentada na capital federal, apaixona-se por uma anódina fêmea desprovida de qualquer seqüela de personalidade e inteligência, terça armas com um rival traiçoeiro e morre como herói, sem fazer absolutamente nada de invejável ou admirável na vida.

Contudo, embarafustemo-nos mais nos ubérrimos e decorados versos da canção (já de per se nada estésicos, a ponto de "rimar" com lugar, trabalhar com Taguatinga ou, horribilis super omnes, morrer com TV).

Logo de início, há um revelador solecismo indicador da, digamos, postura dúbia que Russo terá com João durante toda a música, quando o último é enviado ao reformatório, "onde aumentou seu ódio diante de tanto terror". Em meio a uma inversão da prosódia e da acentuação que faria Camões se suicidar numa caixa d'água, perguntamos se queremos render loas a um herói com ódio gratuito por tudo que não seja ele mesmo e seu irrefreável instinto para a derrocada. Também se o "terror" impingido é obra dos reformadores ou reformados - mas, para uma criança desordeira, que prescindiu de uma bela cintada nos entrefolhos nus, supor que tamanho horror não seja conseqüência direta de seu próprio desvario é um achincalhe à toda a sabedoria.

Já crescido, Santo Cristo pisa em Salvador e, em mais um momento doidivanas, só conhece a rodoviária. Toma um café com um desconhecido boiadeiro prestes a perder uma viagem para Brasília. João "lhe salva" (?!) tomando-lhe a passagem, enquanto o outro macho ocidental fica sem visitar a filha, ainda agradecido pelo embuste que ele mesmo logrou. João nem pagou pela passagem? Então, como assim "o salvou"?! Aliás, o homem não precisava ser salvo pois ia perder o ônibus? A grande mágica do super-herói João, então, foi sair do bar e conseguir entrar no veículo a tempo?! E o homem ainda ficou feliz, perdendo passagem, dinheiro e deixando a filha na mão?! Se um sujeito desses é assaltado, também agradece de joelhos à Divina Providência pela sorte do dia?!

Em Brasília, após trabalhar como carpinteiro, João prefere a vida de traficante junto a um primo longínquo, Pablo. Começa a roubar "sob uma má influência dos boyzinho (sic) da cidade". Aparentemente, quem rouba em Brasília são os playboys, não os mano... É mesmo um herói. Em pouco tempo, no entanto, João enamora-se por Maria e recomeça uma vida menos desregrada, sem que a letra nos mostre que a moça ofereceu alguma resistência a essa (e a outra) investida.

Mas logo João recebe uma bizarríssima visita de uma espécie de caça-talentos de um grupo terrorista. A proposta inclui deixar bombas em bancas de jornal e colégios infantis, e também "proteger um general". Além de nos perguntarmos onde diabos essa nova personagem secundária descobriu a verve para a violência de Santo Cristo, esta espécie de Fernandinho Beira-Mar, em pleno momento de vida escorreita e antes do advento do Google, também é de se questionar que caralhos de banda podre do Exército nesse país pode auferir algum lucro desmilinguindo jornaleiros e pivetes, além de quem, com um contigente de milicos frondoso como o nosso (e que nunca têm trabalho), precisa escalar um indisciplinado zé-arruela de fora das fileiras fardadas para a labuta suja.

(a visão de Russo far-se-á clara em breve, com mais uma de suas típicas paneleirices contraculturais e "cabeça", atacando a mesma mídia infensa que vendia seus álbuns como pãozinho quente.)

Mas João foi sensível ao encontro com a personagem que some misteriosamente da trama. Russo diz:

"Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro
Trabalhando em seu lugar"

Estava certo?! No quê? Se seu futuro tornou-se incerto, foi justamente por "estar certo". Sem falar que essa é a substituição mais rápida de que se tem notícia, não dando tempo nem para que o pileque transmute-se em ressaca... nem o McDonald's tem um sistema de demissão e contrato tão eficiente!

Santo Cristo volta-se então para Pablo, seu antigo primo cúmplice:

"Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
e Santo
Cristo revendia em Planaltina"

Trata-se, no mínimo, da pior "rima" da história da língua portuguesa, última flor do Lácio, bela e inculta!!! "Armar" rima tão bem com "Planaltina" quanto rima com "Bolívia", perdida na mesma frase। É para obrigar seu autor a engolir uma caixa de cotonete usado, um a um!! Será que alguém é capaz de pronunciar Planaltina de modo a que rime com maracujá?!

Porém, notemos que, além de se escalacrar em sua tentativa de bon vivant, João, não mais que de repente, não volta mais para casa após ficar trêbado!! Deixa todas as suas cuecas para Maria Lúcia lavar (Russo, apesar de ser a bicha mais respeitada do país junto a Caetano Veloso, não deixa de ser barbudo e machista ao construir a insonsa e ultra-submissa personagem Maria) e vai dormir, grogue e a feder, por meses a fio, sabe lá Russo onde.

Como Russo não lera A Origem da Tragédia e todas as suas tentativas de dar suspense até aqui deram com os burros n'água, insurge-nos, sem mais explicação, o brucutu Jeremias, com a única função ontológica de rivalizar com João em tudo ("Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo / E decidiu que com João ele ia acabar"). Não se sabe com que raios de "planos" um traficante fodástico poderia querer acabar (afinal, o grande "plano" de Santo Cristo é ser um muambeiro de merda pra conseguir pagar algumas contas enquanto não toma vergonha na cara de voltar para casa), mas Russo precisava de um vilão a todo custo, que irá comer sua namorada Maria Lúcia (e chega a se casar!!), tardia situação em que o alesmaiado João resolve voltar para casa e dar algo próximo de uma satisfação por sua histeria.

Finalmente, eis que é chegada a hora de um duelo abusivamente sem cabimento em meio a uma favela - e que até a TV anuncia! (alguém mais supos outro canal?) Apesar dos xingamentos desbaratados (João é chamado de "porco traidor", como se tivesse votado nos tucanos, e Maria Lúcia é chamada de "falsa"... por Jeremias) e de poucos tiros, a saraivada de incongruências que aí se sucedem consegue fazer todo o resto da canção parecer tão bem concatenado quanto os Prolegômenos a uma Teoria da Linguagem.

Em mais um abuso de clichês, Russo tenta demonstrar o caráter insidioso de Jeremias fazendo-o atirar pelas costas de João. Aqui se levanta o mais estrepitoso revide a essa música: Que porra de arma João levara para o embate?! Nenhuma!! Isto posto, até um golpe de canivete pela frente e bem avisado é de uma abjeção atroz!

Imaginamos João aproximando-se, milímetro a milímetro, enquanto Jeremias aponta a arma e faz graçolas: "Isso, João, vem cá, vamos ser amigos... isso, só mais um pouquinho... *BANG!* Eheee!!" - será mesmo que Russo precisava de um lugar-comum tão estúpido quanto um tiro nas costas, se esqueceu de armar o desafiado ao menos com uma pedra ou uma ripa com pregos?!

Para piorar, apesar do trânsfuga Jeremias ser capaz de tal ato, também é capaz de observar pacificamente o resplandecente ressurgimento de Maria Lúcia, aguarda Santo Cristo carregar e empunhar a engenhosa carabina Winchester .22 (mesmo ferido mortalmente!) e ainda desferir cinco tiros de espingarda (que se dobra no meio a cada disparo), tudo sem esboçar reação. Muito condizente com quem atira pelas costas... ou deveríamos dizer, condizente com um autor que leva alguém para um duelo sem arma?! (note-se, também, que quem possuía a espingarda era Pablo, e sabe-se lá como ela foi parar nas mãos de Maria Lúcia, a essa altura casada com Jeremias)

Também estranhamos Maria Lúcia "se arrepender" (de ter dado pra quem?!) e morrer junto com (sic) João. Um dos tiros, acaso, teria ricocheteado na sirigaita? Ou João resolveu mesmo descontar o ódio acumulado no reformatório? Quem matou Maria Lúcia? Se foi João, por que diabos ele é "seu protetor"?! Se não foi, caralhos cá que me fodam, ele também não foi seu protetor!!

Para explicar a paranóia de generais terroristas e ameaças invisíveis ao pobre povo (a patuléia massificada que tanto idolatra a Legião Urbana), Russo ainda arranja espaço para cutilar com escarninho quem estava trabalhando e não pôde interromper sua faina para acompanhar tal odisséia: "E a alta burguesia da cidade não acreditou na história que eles viram na TV". Supõe ele que quem assiste a Globo é só a "alta burguesia", e não a dona Serafina? Mais uma rima infeliz e ele teria espezinhado a revista Veja...

Faroeste Caboclo tem tantos versos se contradizendo, ou caindo no mais descucado desatino, que terminamos, junto com a música, a pinçar sua conclusão: "E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter / Ele queria era falar pro presidente, / Pra ajudar toda essa gente / Que só faz sofrer" - mas, afinal, que gente?! E gente que só faz sofrer não precisa de ajuda - precisa de porrada!!

33 pessoas leram e discordaram:

Kerlyn disse...

Hahahahahahahahahahahaha!

(A-D-O-R-E-I!!! deve ser pq sempre achei uma idiotice as letras do Legião, e mais idiotas quem gostava da sua "poesia")

Anonymous disse...

Bom eu até gostei do jeito como eu passei a usar meu Houaiss frequentemente depois de começar a ler seu blog, há exatos dois meses.
Apesar de achar um tanto quanto parnasiano demais, tenho que assumir que melhorou consideravelmente meu vocabulário.
Mas ainda incomodada com essa sua insistência em falar difícil fui buscar as origens de tal mania, e me deparei com seu post de introdução.
Achei você um filho da puta por alguns momentos.
Mas, ao menos tens uma causa nobre.

Beijos!

Flavio Morgenstern disse...

Aah, mas agora eu PAGO pra saber quem é você!! (gargalhadas)

Castello Bianco disse...

E esta ainda é a letra mais "inteligente" dele na minha opinião. "Só" tem tantos buracos porque é grande. As comuns tem muito mais buraco por verso que esta...

Mas de tudo o que você escreveu, a maioria era buraco "pequeno", coisa de pequeno (ou grande) burguês com ódio pela própria classe. Só que uma coisa sempre me intrigou.

Realmente, que PORRA de salvamento ele fez em Salvador? Nunca entendi como ele consegue a passagem. Perguntava-me se ele compra a passagem do sujeito porque aconteceu alguma coisa e ele não pode viajar, então, "perderia a viagem" (na verdade, a passagem). Mas nunca engoli isso muito bem.

E os 5 tiros de espingarda devem ter acontecido porque no primeiro o malvado Jeremias caiu. O resto foi só de maldade. E o João salvou a piranha da ex dele quando mostrou a ela que a troca fora estúpida, provavelmente (do que tenho minhas dúvidas... Traficante por traficante, Jeremias parecia menos idiota)...

Enfim... Essa banda é péssima.

Anonymous disse...

Bem... ia dizer que toda essa logorréia típica de espíritos tão incomensuráveis quanto uma singular ameba comumente leva ao hermetismo, revelando o pedantismo mórbido da criatura. E ia até provar esta minha afirmação detalhadamente, mas apesar de não ser nenhum "legionário", vi que o autor pitecóide admira "My Dying Bride", "Theatre of Tragedy", "Blind Guardian", então não vou doar esse louro.
Entre a "patuléia" adolescente massificada e um péssimo crítico chupa-rola de estrangeiros tão ridículos, desprovidos de talento, fico com os daqui mesmo.

Se tem gente que acha que redundância é sinal de inteligência eu sou um gênio, haja vista que não precisei de dicionário para rir desta palhaçada.

nós disse...

a diferença é que, vinte anos depois, algum anônimo faz um post imenso sobre ele num blog. (:
ninguém nunca disse que renato russo é ou quer ser baudelaire, dostoiévski, kafka.
renato russo nunca procurou rimas ricas, nunca procurou alexandrinos, nunca procurou chaves de ouro.
Realmente, ele tem várias peças de pobre poesia. Mas e daí? Qual o sentido de ficar condenando isso reiteradamente? Qual o sentido de ficar condenando quem gosta?
Aliás, moço, falta de tato me parece que padeceu você no último quarto dessa sua análise. é lógico que o duelo final é metafórico. Não precisava de três ou quatro parágrafos pra observar o absurdo dele, pois o mesmo é conspícuo.

Meu Universo Paralelo disse...

Amigo, boa analise mas você errou num trecho que é exatamente esse: "(João é chamado de "porco traidor", como se tivesse votado nos tucanos, e Maria Lúcia é chamada de "falsa"... por Jeremias)"
"E o Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias prum duelo ele chamou:
-Amanhã as 2horas na ceilândia em frente ao lote 14 é pra lá que eu vou. E você pode escolher as suas arma que eu acabo mesmo com você seu porco traidor. E mato também Maria Lucia aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor."

Na verdade quem faz o desafio para o duelo é o João e portanto é ele quem chama o Jeremias de "porco traidor" e a Maria Lucia de "falsa".
Isso mostra o quanto você é ruim de interpretação de texto.
Quanto ao seu comentário final: "E gente que só faz sofrer não precisa de ajuda - precisa de porrada!!"
Não preciso dizer que isso foi expressão de tamanho preconceito de sua parte para com as pessoas que sobrevivem com menos de um salário minímo nesse país.
Mas...
Boa sorte pra você seu porra louca

Anonymous disse...

Sua escrita é assaz rebuscada e quase causou-me uma síncope.
Seria imensurávelmente agrádavel que se retirasse para terras lusitanas, não mais tornando a está bela terra de pessoas leigas que escrevem de forma gramatical e ortográficamente incorreta porém totalmente compreensível.
Sem mais...
Nem menos

Anonymous disse...

Faço das minhas palavras as anteriores, primeiramente Flávio não vou utilizar a palavra "imaturidade", mas a impressão que me deu ao ler este post foi exatamente essa, não somente pelo fato de vc não conhecer absolutamente NADA da proposta do Renato Russo ao escrever as letras, como também desconhece a cultura do próprio, sinceramente, irrita-me demasiadamente pessoas que se acham porque leem mais livros do que outras, isso parece ser o seu caso, se ao menos vc tivesse a capacidade de imaginar (sejamos mais espertos - PESQUISAR) sobre toda literatura inglesa, russa, portuguesa, vai encontrar em peso a influência do Renato. Criticar alguém que digere Yeats para as massas é fácil...afinal..pessoas inteligentíssimas como vc não se misturam com elas não é mesmo?
Ignorância é um grande buraco..tente sair dela e verá que aos 15 anos o Renato já havia lido muito mais e conhecido muito mais sobre o mundo e sobre a música do que do que sua pretensa "inteligência" pode supôr!
(além de muito mais do que vc fez, ou finge ter feito aos 20 e poucos anos...)
Delmary Kaled

Anonymous disse...

Faço das minhas palavras as anteriores, primeiramente Flávio não vou utilizar a palavra "imaturidade", mas a impressão que me deu ao ler este post foi exatamente essa, não somente pelo fato de vc não conhecer absolutamente NADA da proposta do Renato Russo ao escrever as letras, como também desconhece a cultura do próprio, sinceramente, irrita-me demasiadamente pessoas que se acham porque leem mais livros do que outras, isso parece ser o seu caso, se ao menos vc tivesse a capacidade de imaginar (sejamos mais espertos - PESQUISAR) sobre toda literatura inglesa, russa, portuguesa, vai encontrar em peso a influência do Renato. Criticar alguém que digere Yeats para as massas é fácil...afinal..pessoas inteligentíssimas como vc não se misturam com elas não é mesmo?
Ignorância é um grande buraco..tente sair dela e verá que aos 15 anos o Renato já havia lido muito mais e conhecido muito mais sobre o mundo e sobre a música do que do que sua pretensa "inteligência" pode supôr!
(além de muito mais do que vc fez, ou finge ter feito aos 20 e poucos anos...)
Delmary Kaled

Ana Rafaela disse...

Concordo com os garotos.Seu vocabulário é de difícil compreensão,o que só causa uma certa "repugnância" de nossa parte.
Adoro a música e seus comentários "infelizes" só me fizeram gostar ainda mais.Opte por um vocabulário menos rebuscado.Ser culto não é se mostrar, é saber!
SEU IDIOTA!

Lusca disse...

No geral eu gostei da análise. mto engraçada.=)
mas não vou ficar aqui discutindo o valor artístico de legião urbana, nem mesmo o seu vocabulário meio parnasiano mesmo... não quero criticar nada disso.
o mais legal do post é o bom humor mesmo, e tenho pra mim que a intenção foi mais esculhambar do que analisar...
será q eu entendi certo?

Anonymous disse...

bULLSHIT

Bruna disse...

Lendo essa "análise" só percebi como você é INCULTO E PRECONCEITUOSO. Não sabe nada sobre Legiao e tenta criticar, com argumentos nao convencentes e uma interpretação totalmente fraca e, diria até errada. Não acho Renato Russo um gênio por escrever essa música, e sim por, muitos anos depois de seu lançamento as pessoas ainda comentarem, tentarem entender. Não é como alguns artistas que lançam musicas e depois ficam esquecidos no tempo! Ele é imortal devido aos IDIOTAS como você, que ao o criticarem o eternizam.

Anonymous disse...

Tem muitos erros nessa sua interpretação, como:
1º Não entendi o q tem de mais nisso: "onde aumentou seu ódio diante de tanto terror", ele já era revoltado na vida mesmo, o reformatório só fez piorar.
2º "Dizia ele eu tou indo pra Brasilia/ Nesse país lugar melhor não há/ Tou precisando visitar a minha filha/ Eu fico aqui vc vai no meu lugar" O boiadeiro desiste de viajar PARA visitar a filha, contrário ao q vc afirma. Bom, quanto a preço de passagem aí vc já q detalhe demais, ñ acha q a música já estava muito grande?
3º"Aparentemente, quem rouba em Brasília são os playboys, não os mano..." É tudo a mesma corja, só muda o nome. "João enamora-se por Maria e recomeça uma vida menos desregrada, sem que a letra nos mostre que a moça ofereceu alguma resistência a essa (e a outra) investida", vc q uma música ou um livro???? Mas caso ñ saiba, tem um livro dessa música
4º "o tempo passa e um dia vem na porta um senhor de alta classe com o dinheiro na mão" ... "não boto bomba em banca de jornal e em colégio de criança isso eu não faço não, e ñ protejo general de dez estrelas q fica atrás da mesa com o cu na mão" Tanta gente aí q procura por qm faça o seu trabalho sujo, por isso q foram procurar João( sabiam q ele Fernandinho Beira Mar através disso:"agora o santo cristo era bandido, destemido e temido no DF, ñ tinha nenhum medo de policia, capitão, traficante, playboy ou general"), e o colégio e o jornal é uma ironia quanto a proposta absurda q ele recebeu.
5º"Estava certo?! No quê? Se seu futuro tornou-se incerto" Ora, estava certo quanto a incerteza do seu futuro.


Entre outras q já foram e ainda ñ foram comentadas aqui. Isso significa q vc é PÉSSIMO EM INTERPRETAÇÃO! VC DEVIA PARAR DE ESCREVER BESTEIRAS E LER O LIVRO.

O Blog do Capeta disse...

Um incapacitado pra entender um texto de jornal tentando entender poesia... só pode escrever tanta merda.

m. disse...

falta conhecer um pouco da realidade fora da salinha com iluminação artificial e ar-condicionado, baby.

Taiguara disse...

hahah maravilhosos os comentários. Pedantismo e péssima escrita nesse blog. puro lixo.

Márcio Arnaldo Borges disse...

A genialidade do Renato está justificada quando os pseudointelectuais gastam seu "precioso" tempo assim, tentando analisar o que foi concebido para ser lúdico. Patetas!

Governadoria Castores disse...

Mais ridículo e, por assim dizer, escroto do que o que você escreve, é o modo forçado com que você escreve.
Me indicaram este link e eu já me arrependi amargamente.

Gastou quanto tempo pra escrever esta babaquice? Podia estar estudando física..

Anônimo disse...

Há realmente muitos pontos a se criticar na letra, eu mesmo (fã da banda) já me permiti várias críticas. Mas há certas coisas subentendidas na letra que você ignorou, talvez propositalmente em prol do humor. Mas que podem demonstrar que sua interpretação do texto pode ignorar o que há nas entrelinhas. Talvez para não fugir da métrica, suprimiu-se o "mas" em "[mas] estou precisando visitar a minha filha". Enfim... Pode ser um chute, mas sempre ficou claro para mim que o boiadeiro não poderia viajar pois precisava visitar a filha em Salvador, e daí oferece a passagem, que em nenhum momento é dita ser de graça, e aí subentende-se que João comprou a passagem dele.

Outro ponto que fica subentendido é que Maria Lúcia se arrepende de ter largado João e se mata.

Sim, podem ser furos roteiro e estou certo que sua preocupação era muito mais com o humor e a "trollagem". Mas penso que estes dois pontos findam indo de encontro à sua tese.

Anônimo disse...

o que vale a pena MESMO são os comentários !!!

Regina disse...

Pois é. Ainda adolescente, eu ficava intrigada com as contradições que berravam ali. Mas o maior problema nem é esse. Pra mim, tudo do Renato Russo é deprimente.

Já a "famosa" análise do Adolar Gangorra é o contrário disso, é ÓTIMA. Simples, precisa e muito divertida. Obrigada pelo link.

Julio disse...

Haha, muito boa crítica. Tem alguns errinhos de interpretação sim, mas não deixa de ser válida.

Ás vezes eu até ouço faroeste caboclo, mas nunca me conformei com tamanha idolatria de Renato Russo.

Agora vou ler a análise de Eduardo e Mônica =]

Helder Melo disse...

Tenha-se paciência com os comentaristas! Quer dizer que publicar uma resenha num blog pessoal é ser troll? Ora... Quem é fã de Legião Urbana se sente parte de um círculo que tem acesso à realidade verdadeira, sem os vícios das pessoas que se esforçam para ler livros. Aí se comportam como, veja só, trolls! Falta muito é semancol!
Renato Russo era claramente uma mente revolucionária (não é elogio, viu, fã?). Inverte causa e efeito, agressor e vítima, tudo embalado num populismo sentimetalóide, do qual essa música é o melhor expoente.
Realmente tem algumas brechas na letra que exigem que o cara imagine o que aconteceu, como o caso lá do boiadeiro. Não é culpa do Morgenstern, mas do Russo. Era um autor confuso, uma ou outra invenção dele pode ser original e valiosa, mas em geral, RR era inculto e chauvinista (achava que ser homossexual era ser um tipo superior). Fora a blasfêmia do nome do correria, coisa que ninguém tem condições mais de entender a gravidade.
PS> O general era por causa do Rio centro. O personagem só cometia crimes para o lado ideológico certo.

Sandro "Tandrilion" disse...

Acredito que a letra de Faroeste Caboclo nunca teve esta presunção de ser uma obra prima musical. Entretanto, foi um estilo inovador na época, uma história popular, contada pelo ritmo do rock.

Realmente a letra contém furos, mas imagine a dificuldade de se transformar uma história em forma de música? Com rimas a cada estrofe e mesmo assim sem perder o fio da meada?

Artigo ruim, onde fica evidenciado a arrogância e o rebuscamento exagerado na escrita do crítico.

Rah.Farias disse...

Incrível queria intende pq tanto ódio,renato deixou um obra linda tanto q a juventude curti pakas, renato é eterno,suas musica é sucesso q gera essa discussão a e outra seu texto é incrivel tenta diminuir essas linhas texto é muito cansativo kkkkkk

regueiraneto disse...

O Sr. parece que lê muito. Sugiro que leia então "Preconceito linguistico". Essa sua maneira rebuscada de escrever está em desuso e fora de moda. Ela discrimina e afasta muita gente. Eu mesmo, não volto mais aqui, é a primeira e última, não tenho paciência para ler a sua escrita! Você é um babaca.

Flavio Morgenstern disse...

"Preconceito Lingüístico"? Pois já li, meu caro. Sugiro ESSA leitura: http://www.implicante.org/artigos/preconceito-linguistico-e-coitadismo-linguistico/

Minha, é claro.

Anônimo disse...

Queria entender o duelo metafórico que o "nós" falou. É tipo Dragon Ball?

Anônimo disse...

Tb não acho as letras de Legião essas maravilhas não, mas convenhamos, que textinho mais chato, verborrágico, parnasiano e prolixo esse seu. Parece q concluiu o curso de letras/filosofia/jornalismo ontem e quer se reafirmar. Enfim...

Tenho algumas rimas melhores p/ vc:

Flavio Morgenstern x pedantismo
Flavio Morgenstern x chato p/ caralho
Flavio Morgenstern x Flavio Morgenstern

Lucas disse...

Após ler o teu texto, eu fiquei com a impressão que o Renato Russo tentou fazer um paralelo do João de Santo Cristo com Jesus Cristo ("Pra ajudar toda essa gente / Que só faz sofrer"), o mártir que é morto pelas pessoas que ele tenta ajudar. E se ele tentou isso mesmo, ele falhou miseravelmente, já que em nenhum momento da música ele mostra ou insinua que um dos objetivos do João era salvar toda essa gente que só faz sofrer.

Marvin disse...

Claro, porque Jesus Cristo erá um ótimo traficante ...

Na Boa, Legiótas deveriam guardar os argumentos pra não piorar a narrativa, ela já é ridícula o suficiente e não precisa de ajuda ...

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Faroeste Caboclo? Prefira o Bang-Bang americano.


"O que explica o sucesso de muitas obras é a relação ali encontrada entre a mediocridade das idéias do autor e a mediocridade das idéias do público." - Chamfort

Há uma decisiva e já famosa análise da música Eduardo e Mônica, da Legião Urbana, a circular a internet há uns bons equinócios. Costuma ofender muitos perobos, feministas, pós-punks, menininhas de franjinha e demais criaturas sobejantemente feias da sociedade, haja visto seu autor não cansar sua facúndia exprobando a pau e pedra toda a falta de tato desses indivíduos, porfiados que estão em considerar Renato Russo um gênio alteroso e alumiado, crítico da envilecida classe mídia, preconceituosa e intolerante - e sem atentar para o fato de que seus pueris faniquitos estéticos são os mais ditadores e caga-regras produzidos pela própria Kulturindustrie que criticam...

Mas eis que tergiverso, descumprindo meu pacto de objetividade. O fato consumado é que, por mais caricatural, sexista, boba e frugal que seja a letra de "Eduardo e Mônica", ela só faz por referir aos enfadonhos clichês do pensamento de seu autor. Por outro lado, "Faroeste Caboclo", a mais comprida música que as insuportáveis rádios brasileiras têm coragem de tocar (e a mais comprida que a maioria de seus ouvintes canta by heart), além dos já referidos lugares-comuns, atenta-nos insofismavelmente, através de uma penca de paradoxos, para como Renato Russo era um péssimo escritor. Como todos os pseudo-músicos/poetas que tocam MPB em rádios rock e rock em rádios MPB.

A história é bem conhecida de todos. Um gaudério adolescente em falta de uma bela surra percebe ter envelhecido e vai para Brasília (terra mater Urbanae Legiis). Enceta uma vida mais apascentada na capital federal, apaixona-se por uma anódina fêmea desprovida de qualquer seqüela de personalidade e inteligência, terça armas com um rival traiçoeiro e morre como herói, sem fazer absolutamente nada de invejável ou admirável na vida.

Contudo, embarafustemo-nos mais nos ubérrimos e decorados versos da canção (já de per se nada estésicos, a ponto de "rimar" com lugar, trabalhar com Taguatinga ou, horribilis super omnes, morrer com TV).

Logo de início, há um revelador solecismo indicador da, digamos, postura dúbia que Russo terá com João durante toda a música, quando o último é enviado ao reformatório, "onde aumentou seu ódio diante de tanto terror". Em meio a uma inversão da prosódia e da acentuação que faria Camões se suicidar numa caixa d'água, perguntamos se queremos render loas a um herói com ódio gratuito por tudo que não seja ele mesmo e seu irrefreável instinto para a derrocada. Também se o "terror" impingido é obra dos reformadores ou reformados - mas, para uma criança desordeira, que prescindiu de uma bela cintada nos entrefolhos nus, supor que tamanho horror não seja conseqüência direta de seu próprio desvario é um achincalhe à toda a sabedoria.

Já crescido, Santo Cristo pisa em Salvador e, em mais um momento doidivanas, só conhece a rodoviária. Toma um café com um desconhecido boiadeiro prestes a perder uma viagem para Brasília. João "lhe salva" (?!) tomando-lhe a passagem, enquanto o outro macho ocidental fica sem visitar a filha, ainda agradecido pelo embuste que ele mesmo logrou. João nem pagou pela passagem? Então, como assim "o salvou"?! Aliás, o homem não precisava ser salvo pois ia perder o ônibus? A grande mágica do super-herói João, então, foi sair do bar e conseguir entrar no veículo a tempo?! E o homem ainda ficou feliz, perdendo passagem, dinheiro e deixando a filha na mão?! Se um sujeito desses é assaltado, também agradece de joelhos à Divina Providência pela sorte do dia?!

Em Brasília, após trabalhar como carpinteiro, João prefere a vida de traficante junto a um primo longínquo, Pablo. Começa a roubar "sob uma má influência dos boyzinho (sic) da cidade". Aparentemente, quem rouba em Brasília são os playboys, não os mano... É mesmo um herói. Em pouco tempo, no entanto, João enamora-se por Maria e recomeça uma vida menos desregrada, sem que a letra nos mostre que a moça ofereceu alguma resistência a essa (e a outra) investida.

Mas logo João recebe uma bizarríssima visita de uma espécie de caça-talentos de um grupo terrorista. A proposta inclui deixar bombas em bancas de jornal e colégios infantis, e também "proteger um general". Além de nos perguntarmos onde diabos essa nova personagem secundária descobriu a verve para a violência de Santo Cristo, esta espécie de Fernandinho Beira-Mar, em pleno momento de vida escorreita e antes do advento do Google, também é de se questionar que caralhos de banda podre do Exército nesse país pode auferir algum lucro desmilinguindo jornaleiros e pivetes, além de quem, com um contigente de milicos frondoso como o nosso (e que nunca têm trabalho), precisa escalar um indisciplinado zé-arruela de fora das fileiras fardadas para a labuta suja.

(a visão de Russo far-se-á clara em breve, com mais uma de suas típicas paneleirices contraculturais e "cabeça", atacando a mesma mídia infensa que vendia seus álbuns como pãozinho quente.)

Mas João foi sensível ao encontro com a personagem que some misteriosamente da trama. Russo diz:

"Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro
Trabalhando em seu lugar"

Estava certo?! No quê? Se seu futuro tornou-se incerto, foi justamente por "estar certo". Sem falar que essa é a substituição mais rápida de que se tem notícia, não dando tempo nem para que o pileque transmute-se em ressaca... nem o McDonald's tem um sistema de demissão e contrato tão eficiente!

Santo Cristo volta-se então para Pablo, seu antigo primo cúmplice:

"Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
e Santo
Cristo revendia em Planaltina"

Trata-se, no mínimo, da pior "rima" da história da língua portuguesa, última flor do Lácio, bela e inculta!!! "Armar" rima tão bem com "Planaltina" quanto rima com "Bolívia", perdida na mesma frase। É para obrigar seu autor a engolir uma caixa de cotonete usado, um a um!! Será que alguém é capaz de pronunciar Planaltina de modo a que rime com maracujá?!

Porém, notemos que, além de se escalacrar em sua tentativa de bon vivant, João, não mais que de repente, não volta mais para casa após ficar trêbado!! Deixa todas as suas cuecas para Maria Lúcia lavar (Russo, apesar de ser a bicha mais respeitada do país junto a Caetano Veloso, não deixa de ser barbudo e machista ao construir a insonsa e ultra-submissa personagem Maria) e vai dormir, grogue e a feder, por meses a fio, sabe lá Russo onde.

Como Russo não lera A Origem da Tragédia e todas as suas tentativas de dar suspense até aqui deram com os burros n'água, insurge-nos, sem mais explicação, o brucutu Jeremias, com a única função ontológica de rivalizar com João em tudo ("Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo / E decidiu que com João ele ia acabar"). Não se sabe com que raios de "planos" um traficante fodástico poderia querer acabar (afinal, o grande "plano" de Santo Cristo é ser um muambeiro de merda pra conseguir pagar algumas contas enquanto não toma vergonha na cara de voltar para casa), mas Russo precisava de um vilão a todo custo, que irá comer sua namorada Maria Lúcia (e chega a se casar!!), tardia situação em que o alesmaiado João resolve voltar para casa e dar algo próximo de uma satisfação por sua histeria.

Finalmente, eis que é chegada a hora de um duelo abusivamente sem cabimento em meio a uma favela - e que até a TV anuncia! (alguém mais supos outro canal?) Apesar dos xingamentos desbaratados (João é chamado de "porco traidor", como se tivesse votado nos tucanos, e Maria Lúcia é chamada de "falsa"... por Jeremias) e de poucos tiros, a saraivada de incongruências que aí se sucedem consegue fazer todo o resto da canção parecer tão bem concatenado quanto os Prolegômenos a uma Teoria da Linguagem.

Em mais um abuso de clichês, Russo tenta demonstrar o caráter insidioso de Jeremias fazendo-o atirar pelas costas de João. Aqui se levanta o mais estrepitoso revide a essa música: Que porra de arma João levara para o embate?! Nenhuma!! Isto posto, até um golpe de canivete pela frente e bem avisado é de uma abjeção atroz!

Imaginamos João aproximando-se, milímetro a milímetro, enquanto Jeremias aponta a arma e faz graçolas: "Isso, João, vem cá, vamos ser amigos... isso, só mais um pouquinho... *BANG!* Eheee!!" - será mesmo que Russo precisava de um lugar-comum tão estúpido quanto um tiro nas costas, se esqueceu de armar o desafiado ao menos com uma pedra ou uma ripa com pregos?!

Para piorar, apesar do trânsfuga Jeremias ser capaz de tal ato, também é capaz de observar pacificamente o resplandecente ressurgimento de Maria Lúcia, aguarda Santo Cristo carregar e empunhar a engenhosa carabina Winchester .22 (mesmo ferido mortalmente!) e ainda desferir cinco tiros de espingarda (que se dobra no meio a cada disparo), tudo sem esboçar reação. Muito condizente com quem atira pelas costas... ou deveríamos dizer, condizente com um autor que leva alguém para um duelo sem arma?! (note-se, também, que quem possuía a espingarda era Pablo, e sabe-se lá como ela foi parar nas mãos de Maria Lúcia, a essa altura casada com Jeremias)

Também estranhamos Maria Lúcia "se arrepender" (de ter dado pra quem?!) e morrer junto com (sic) João. Um dos tiros, acaso, teria ricocheteado na sirigaita? Ou João resolveu mesmo descontar o ódio acumulado no reformatório? Quem matou Maria Lúcia? Se foi João, por que diabos ele é "seu protetor"?! Se não foi, caralhos cá que me fodam, ele também não foi seu protetor!!

Para explicar a paranóia de generais terroristas e ameaças invisíveis ao pobre povo (a patuléia massificada que tanto idolatra a Legião Urbana), Russo ainda arranja espaço para cutilar com escarninho quem estava trabalhando e não pôde interromper sua faina para acompanhar tal odisséia: "E a alta burguesia da cidade não acreditou na história que eles viram na TV". Supõe ele que quem assiste a Globo é só a "alta burguesia", e não a dona Serafina? Mais uma rima infeliz e ele teria espezinhado a revista Veja...

Faroeste Caboclo tem tantos versos se contradizendo, ou caindo no mais descucado desatino, que terminamos, junto com a música, a pinçar sua conclusão: "E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter / Ele queria era falar pro presidente, / Pra ajudar toda essa gente / Que só faz sofrer" - mas, afinal, que gente?! E gente que só faz sofrer não precisa de ajuda - precisa de porrada!!

33 pessoas leram e discordaram:

Kerlyn disse...

Hahahahahahahahahahahaha!

(A-D-O-R-E-I!!! deve ser pq sempre achei uma idiotice as letras do Legião, e mais idiotas quem gostava da sua "poesia")

Anonymous disse...

Bom eu até gostei do jeito como eu passei a usar meu Houaiss frequentemente depois de começar a ler seu blog, há exatos dois meses.
Apesar de achar um tanto quanto parnasiano demais, tenho que assumir que melhorou consideravelmente meu vocabulário.
Mas ainda incomodada com essa sua insistência em falar difícil fui buscar as origens de tal mania, e me deparei com seu post de introdução.
Achei você um filho da puta por alguns momentos.
Mas, ao menos tens uma causa nobre.

Beijos!

Flavio Morgenstern on 12 de fevereiro de 2008 21:11 disse...

Aah, mas agora eu PAGO pra saber quem é você!! (gargalhadas)

Castello Bianco on 28 de fevereiro de 2008 15:23 disse...

E esta ainda é a letra mais "inteligente" dele na minha opinião. "Só" tem tantos buracos porque é grande. As comuns tem muito mais buraco por verso que esta...

Mas de tudo o que você escreveu, a maioria era buraco "pequeno", coisa de pequeno (ou grande) burguês com ódio pela própria classe. Só que uma coisa sempre me intrigou.

Realmente, que PORRA de salvamento ele fez em Salvador? Nunca entendi como ele consegue a passagem. Perguntava-me se ele compra a passagem do sujeito porque aconteceu alguma coisa e ele não pode viajar, então, "perderia a viagem" (na verdade, a passagem). Mas nunca engoli isso muito bem.

E os 5 tiros de espingarda devem ter acontecido porque no primeiro o malvado Jeremias caiu. O resto foi só de maldade. E o João salvou a piranha da ex dele quando mostrou a ela que a troca fora estúpida, provavelmente (do que tenho minhas dúvidas... Traficante por traficante, Jeremias parecia menos idiota)...

Enfim... Essa banda é péssima.

Anonymous disse...

Bem... ia dizer que toda essa logorréia típica de espíritos tão incomensuráveis quanto uma singular ameba comumente leva ao hermetismo, revelando o pedantismo mórbido da criatura. E ia até provar esta minha afirmação detalhadamente, mas apesar de não ser nenhum "legionário", vi que o autor pitecóide admira "My Dying Bride", "Theatre of Tragedy", "Blind Guardian", então não vou doar esse louro.
Entre a "patuléia" adolescente massificada e um péssimo crítico chupa-rola de estrangeiros tão ridículos, desprovidos de talento, fico com os daqui mesmo.

Se tem gente que acha que redundância é sinal de inteligência eu sou um gênio, haja vista que não precisei de dicionário para rir desta palhaçada.

nós on 3 de julho de 2008 10:04 disse...

a diferença é que, vinte anos depois, algum anônimo faz um post imenso sobre ele num blog. (:
ninguém nunca disse que renato russo é ou quer ser baudelaire, dostoiévski, kafka.
renato russo nunca procurou rimas ricas, nunca procurou alexandrinos, nunca procurou chaves de ouro.
Realmente, ele tem várias peças de pobre poesia. Mas e daí? Qual o sentido de ficar condenando isso reiteradamente? Qual o sentido de ficar condenando quem gosta?
Aliás, moço, falta de tato me parece que padeceu você no último quarto dessa sua análise. é lógico que o duelo final é metafórico. Não precisava de três ou quatro parágrafos pra observar o absurdo dele, pois o mesmo é conspícuo.

Meu Universo Paralelo on 5 de dezembro de 2008 02:54 disse...

Amigo, boa analise mas você errou num trecho que é exatamente esse: "(João é chamado de "porco traidor", como se tivesse votado nos tucanos, e Maria Lúcia é chamada de "falsa"... por Jeremias)"
"E o Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias prum duelo ele chamou:
-Amanhã as 2horas na ceilândia em frente ao lote 14 é pra lá que eu vou. E você pode escolher as suas arma que eu acabo mesmo com você seu porco traidor. E mato também Maria Lucia aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor."

Na verdade quem faz o desafio para o duelo é o João e portanto é ele quem chama o Jeremias de "porco traidor" e a Maria Lucia de "falsa".
Isso mostra o quanto você é ruim de interpretação de texto.
Quanto ao seu comentário final: "E gente que só faz sofrer não precisa de ajuda - precisa de porrada!!"
Não preciso dizer que isso foi expressão de tamanho preconceito de sua parte para com as pessoas que sobrevivem com menos de um salário minímo nesse país.
Mas...
Boa sorte pra você seu porra louca

Anonymous disse...

Sua escrita é assaz rebuscada e quase causou-me uma síncope.
Seria imensurávelmente agrádavel que se retirasse para terras lusitanas, não mais tornando a está bela terra de pessoas leigas que escrevem de forma gramatical e ortográficamente incorreta porém totalmente compreensível.
Sem mais...
Nem menos

Anonymous disse...

Faço das minhas palavras as anteriores, primeiramente Flávio não vou utilizar a palavra "imaturidade", mas a impressão que me deu ao ler este post foi exatamente essa, não somente pelo fato de vc não conhecer absolutamente NADA da proposta do Renato Russo ao escrever as letras, como também desconhece a cultura do próprio, sinceramente, irrita-me demasiadamente pessoas que se acham porque leem mais livros do que outras, isso parece ser o seu caso, se ao menos vc tivesse a capacidade de imaginar (sejamos mais espertos - PESQUISAR) sobre toda literatura inglesa, russa, portuguesa, vai encontrar em peso a influência do Renato. Criticar alguém que digere Yeats para as massas é fácil...afinal..pessoas inteligentíssimas como vc não se misturam com elas não é mesmo?
Ignorância é um grande buraco..tente sair dela e verá que aos 15 anos o Renato já havia lido muito mais e conhecido muito mais sobre o mundo e sobre a música do que do que sua pretensa "inteligência" pode supôr!
(além de muito mais do que vc fez, ou finge ter feito aos 20 e poucos anos...)
Delmary Kaled

Anonymous disse...

Faço das minhas palavras as anteriores, primeiramente Flávio não vou utilizar a palavra "imaturidade", mas a impressão que me deu ao ler este post foi exatamente essa, não somente pelo fato de vc não conhecer absolutamente NADA da proposta do Renato Russo ao escrever as letras, como também desconhece a cultura do próprio, sinceramente, irrita-me demasiadamente pessoas que se acham porque leem mais livros do que outras, isso parece ser o seu caso, se ao menos vc tivesse a capacidade de imaginar (sejamos mais espertos - PESQUISAR) sobre toda literatura inglesa, russa, portuguesa, vai encontrar em peso a influência do Renato. Criticar alguém que digere Yeats para as massas é fácil...afinal..pessoas inteligentíssimas como vc não se misturam com elas não é mesmo?
Ignorância é um grande buraco..tente sair dela e verá que aos 15 anos o Renato já havia lido muito mais e conhecido muito mais sobre o mundo e sobre a música do que do que sua pretensa "inteligência" pode supôr!
(além de muito mais do que vc fez, ou finge ter feito aos 20 e poucos anos...)
Delmary Kaled

Ana Rafaela disse...

Concordo com os garotos.Seu vocabulário é de difícil compreensão,o que só causa uma certa "repugnância" de nossa parte.
Adoro a música e seus comentários "infelizes" só me fizeram gostar ainda mais.Opte por um vocabulário menos rebuscado.Ser culto não é se mostrar, é saber!
SEU IDIOTA!

Lusca on 8 de maio de 2009 11:25 disse...

No geral eu gostei da análise. mto engraçada.=)
mas não vou ficar aqui discutindo o valor artístico de legião urbana, nem mesmo o seu vocabulário meio parnasiano mesmo... não quero criticar nada disso.
o mais legal do post é o bom humor mesmo, e tenho pra mim que a intenção foi mais esculhambar do que analisar...
será q eu entendi certo?

Anonymous disse...

bULLSHIT

Bruna on 17 de outubro de 2009 16:56 disse...

Lendo essa "análise" só percebi como você é INCULTO E PRECONCEITUOSO. Não sabe nada sobre Legiao e tenta criticar, com argumentos nao convencentes e uma interpretação totalmente fraca e, diria até errada. Não acho Renato Russo um gênio por escrever essa música, e sim por, muitos anos depois de seu lançamento as pessoas ainda comentarem, tentarem entender. Não é como alguns artistas que lançam musicas e depois ficam esquecidos no tempo! Ele é imortal devido aos IDIOTAS como você, que ao o criticarem o eternizam.

Anonymous disse...

Tem muitos erros nessa sua interpretação, como:
1º Não entendi o q tem de mais nisso: "onde aumentou seu ódio diante de tanto terror", ele já era revoltado na vida mesmo, o reformatório só fez piorar.
2º "Dizia ele eu tou indo pra Brasilia/ Nesse país lugar melhor não há/ Tou precisando visitar a minha filha/ Eu fico aqui vc vai no meu lugar" O boiadeiro desiste de viajar PARA visitar a filha, contrário ao q vc afirma. Bom, quanto a preço de passagem aí vc já q detalhe demais, ñ acha q a música já estava muito grande?
3º"Aparentemente, quem rouba em Brasília são os playboys, não os mano..." É tudo a mesma corja, só muda o nome. "João enamora-se por Maria e recomeça uma vida menos desregrada, sem que a letra nos mostre que a moça ofereceu alguma resistência a essa (e a outra) investida", vc q uma música ou um livro???? Mas caso ñ saiba, tem um livro dessa música
4º "o tempo passa e um dia vem na porta um senhor de alta classe com o dinheiro na mão" ... "não boto bomba em banca de jornal e em colégio de criança isso eu não faço não, e ñ protejo general de dez estrelas q fica atrás da mesa com o cu na mão" Tanta gente aí q procura por qm faça o seu trabalho sujo, por isso q foram procurar João( sabiam q ele Fernandinho Beira Mar através disso:"agora o santo cristo era bandido, destemido e temido no DF, ñ tinha nenhum medo de policia, capitão, traficante, playboy ou general"), e o colégio e o jornal é uma ironia quanto a proposta absurda q ele recebeu.
5º"Estava certo?! No quê? Se seu futuro tornou-se incerto" Ora, estava certo quanto a incerteza do seu futuro.


Entre outras q já foram e ainda ñ foram comentadas aqui. Isso significa q vc é PÉSSIMO EM INTERPRETAÇÃO! VC DEVIA PARAR DE ESCREVER BESTEIRAS E LER O LIVRO.

O Blog do Capeta on 4 de dezembro de 2009 14:07 disse...

Um incapacitado pra entender um texto de jornal tentando entender poesia... só pode escrever tanta merda.

m. on 4 de dezembro de 2009 15:38 disse...

falta conhecer um pouco da realidade fora da salinha com iluminação artificial e ar-condicionado, baby.

Taiguara on 6 de dezembro de 2009 04:08 disse...

hahah maravilhosos os comentários. Pedantismo e péssima escrita nesse blog. puro lixo.

Márcio Arnaldo Borges on 13 de abril de 2010 18:40 disse...

A genialidade do Renato está justificada quando os pseudointelectuais gastam seu "precioso" tempo assim, tentando analisar o que foi concebido para ser lúdico. Patetas!

Governadoria Castores on 14 de abril de 2010 08:46 disse...

Mais ridículo e, por assim dizer, escroto do que o que você escreve, é o modo forçado com que você escreve.
Me indicaram este link e eu já me arrependi amargamente.

Gastou quanto tempo pra escrever esta babaquice? Podia estar estudando física..

Anônimo disse...

Há realmente muitos pontos a se criticar na letra, eu mesmo (fã da banda) já me permiti várias críticas. Mas há certas coisas subentendidas na letra que você ignorou, talvez propositalmente em prol do humor. Mas que podem demonstrar que sua interpretação do texto pode ignorar o que há nas entrelinhas. Talvez para não fugir da métrica, suprimiu-se o "mas" em "[mas] estou precisando visitar a minha filha". Enfim... Pode ser um chute, mas sempre ficou claro para mim que o boiadeiro não poderia viajar pois precisava visitar a filha em Salvador, e daí oferece a passagem, que em nenhum momento é dita ser de graça, e aí subentende-se que João comprou a passagem dele.

Outro ponto que fica subentendido é que Maria Lúcia se arrepende de ter largado João e se mata.

Sim, podem ser furos roteiro e estou certo que sua preocupação era muito mais com o humor e a "trollagem". Mas penso que estes dois pontos findam indo de encontro à sua tese.

Anônimo disse...

o que vale a pena MESMO são os comentários !!!

Regina on 13 de julho de 2010 12:35 disse...

Pois é. Ainda adolescente, eu ficava intrigada com as contradições que berravam ali. Mas o maior problema nem é esse. Pra mim, tudo do Renato Russo é deprimente.

Já a "famosa" análise do Adolar Gangorra é o contrário disso, é ÓTIMA. Simples, precisa e muito divertida. Obrigada pelo link.

Julio on 13 de julho de 2010 14:10 disse...

Haha, muito boa crítica. Tem alguns errinhos de interpretação sim, mas não deixa de ser válida.

Ás vezes eu até ouço faroeste caboclo, mas nunca me conformei com tamanha idolatria de Renato Russo.

Agora vou ler a análise de Eduardo e Mônica =]

Helder Melo on 10 de novembro de 2010 04:17 disse...

Tenha-se paciência com os comentaristas! Quer dizer que publicar uma resenha num blog pessoal é ser troll? Ora... Quem é fã de Legião Urbana se sente parte de um círculo que tem acesso à realidade verdadeira, sem os vícios das pessoas que se esforçam para ler livros. Aí se comportam como, veja só, trolls! Falta muito é semancol!
Renato Russo era claramente uma mente revolucionária (não é elogio, viu, fã?). Inverte causa e efeito, agressor e vítima, tudo embalado num populismo sentimetalóide, do qual essa música é o melhor expoente.
Realmente tem algumas brechas na letra que exigem que o cara imagine o que aconteceu, como o caso lá do boiadeiro. Não é culpa do Morgenstern, mas do Russo. Era um autor confuso, uma ou outra invenção dele pode ser original e valiosa, mas em geral, RR era inculto e chauvinista (achava que ser homossexual era ser um tipo superior). Fora a blasfêmia do nome do correria, coisa que ninguém tem condições mais de entender a gravidade.
PS> O general era por causa do Rio centro. O personagem só cometia crimes para o lado ideológico certo.

Sandro "Tandrilion" on 5 de julho de 2011 04:41 disse...

Acredito que a letra de Faroeste Caboclo nunca teve esta presunção de ser uma obra prima musical. Entretanto, foi um estilo inovador na época, uma história popular, contada pelo ritmo do rock.

Realmente a letra contém furos, mas imagine a dificuldade de se transformar uma história em forma de música? Com rimas a cada estrofe e mesmo assim sem perder o fio da meada?

Artigo ruim, onde fica evidenciado a arrogância e o rebuscamento exagerado na escrita do crítico.

Rah.Farias on 15 de agosto de 2011 17:58 disse...

Incrível queria intende pq tanto ódio,renato deixou um obra linda tanto q a juventude curti pakas, renato é eterno,suas musica é sucesso q gera essa discussão a e outra seu texto é incrivel tenta diminuir essas linhas texto é muito cansativo kkkkkk

regueiraneto on 3 de setembro de 2011 08:11 disse...

O Sr. parece que lê muito. Sugiro que leia então "Preconceito linguistico". Essa sua maneira rebuscada de escrever está em desuso e fora de moda. Ela discrimina e afasta muita gente. Eu mesmo, não volto mais aqui, é a primeira e última, não tenho paciência para ler a sua escrita! Você é um babaca.

Flavio Morgenstern on 11 de outubro de 2011 12:17 disse...

"Preconceito Lingüístico"? Pois já li, meu caro. Sugiro ESSA leitura: http://www.implicante.org/artigos/preconceito-linguistico-e-coitadismo-linguistico/

Minha, é claro.

Anônimo disse...

Queria entender o duelo metafórico que o "nós" falou. É tipo Dragon Ball?

Anônimo disse...

Tb não acho as letras de Legião essas maravilhas não, mas convenhamos, que textinho mais chato, verborrágico, parnasiano e prolixo esse seu. Parece q concluiu o curso de letras/filosofia/jornalismo ontem e quer se reafirmar. Enfim...

Tenho algumas rimas melhores p/ vc:

Flavio Morgenstern x pedantismo
Flavio Morgenstern x chato p/ caralho
Flavio Morgenstern x Flavio Morgenstern

Lucas disse...

Após ler o teu texto, eu fiquei com a impressão que o Renato Russo tentou fazer um paralelo do João de Santo Cristo com Jesus Cristo ("Pra ajudar toda essa gente / Que só faz sofrer"), o mártir que é morto pelas pessoas que ele tenta ajudar. E se ele tentou isso mesmo, ele falhou miseravelmente, já que em nenhum momento da música ele mostra ou insinua que um dos objetivos do João era salvar toda essa gente que só faz sofrer.

Marvin on 16 de junho de 2012 02:56 disse...

Claro, porque Jesus Cristo erá um ótimo traficante ...

Na Boa, Legiótas deveriam guardar os argumentos pra não piorar a narrativa, ela já é ridícula o suficiente e não precisa de ajuda ...

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