sábado, 4 de agosto de 2007

A Mulher Fria

ouvindo: Theatre of Tragedy - ...a Distance there is...
frase do dia: "Não ter sido popular no Ensino Médio não é desculpa para publicar um livro." - Fran Lebowitz


Três coisas que odeio: comida caseira de restaurante, nazistas com o horrendo sotaque suábio e feministas recalcadas. Parece que, infelizmente, é um ponto em que eu e Freud concordamos com algo. Para se defender uma alta dose de sexismo, urge primeiramente pertencer a um gênero humano definível com razoável facilidade. Nada me parece mais grotesco do que queimar um sutiã, exibindo rebaixados seios tipo mochila (aqueles que dá pra jogar nas costas) enquanto se brada palavras de ordem femistas com voz de um rottweiller.São as novas vitimizadas pelo "branco ocidental", que vai de Shakespeare a Harold Bloom, sempre prontas a entrar numa guerra em que não se necessite de um uniforme - preferem banheiros limpinhos, onde possam trocar o absorvente e se barbear com conforto e segurança.

Contudo, há feministas de que gosto. Ironicamente, a maioria são homens. Um deles é Henry-Louis Mencken, um dos homens que mais entendeu as mulheres nesse planeta (junto com Kierkegaard, Bocage, Schopenhauer, Oscar Wilde). Já me contradizendo com o parágrafo anterior, devo dizer que os feministas que admiro parecem mais pertencer ao sexo masculino que ao feminino - pelo menos, parecem apreciar as mulheres e suas características feminis, e não agir com faniquitos histéricos que só poderiam ter aprendido com os piores tipos de macho.

Creio que nunca deixei um texto alheio nesse blog. Não obstante, H. L. Mencken merece ser mais lido nesse país. É um grande ídolo da Zelite pensante. Uma pena que seus motejos venenosos só nos cheguem por colunistas sociais podres de ricos, que são admirados sem nunca se conhecer a verdadeira fonte. Eis um maravilhoso texto seu, do livro Menckeneana: A Schimpflexikon, traduzido sem muitas chorumelas como O Livro dos Insultos.


A Mulher Fria

O talento feminino para esconder a emoção é provavelmente o maior responsável pela convicção de tantos americanos do sexo masculino de que as mulheres são vazias de paixão, e é por isto que eles contemplam suas manifestações do mesmo tipo no macho quase que com horror. Este talento feminino fica ainda mais à vista quando se sabe que poucos observadores, nas raras ocasiões em que pensam no assunto, são propícios a uma observação científica.

A verdade é que não há razão alguma para se acreditar que a mulher normal é frígida, ou que a minoria de mulheres inquestionavelmente o são tenham algum peso na balança. É a vaidade dos homens que dá tanto valor às mulheres do tipo virginal, o que faz com que este tipo tenda a crescer pela seleção sexual – mas, apesar disto, está longe de superar a mulher normal, tão realistamente descrita pelos teólogos e publicistas da Idade Média.

Seria apressado, no entanto, concluir que esta seleção longa e contínua não se faz sentir, mesmo no tipo normal. Seu principal efeito talvez tenha sido o de tornar mais fácil para a mulher conquistar e ocultas suas emoções do que para um homem. Mas este é um mero reforço de uma qualidade inata ou que, pelo menos, antecipou de muito a ascensão daquela curiosa preferência já mencionada.

Esta preferência obviamente deve a sua origem ao conceito da propriedade privada e é mais evidente nos países em que a maior concentração de propriedades está nas mãos dos homens – i. e., em que a casta dos proprietários conseguiu descer ao mais baixo estrato dos néscios e dos tapados.

O homem de baixo nível nunca tem total confiança em sua mulher, a menos que seja convencido de que ela é totalmente desprovida de suscetibilidade amorosa. Ele fica inquieto quando ela dá algum sinal de que ela responde à altura às suas maneiras elefantinas, e fica mais desconfiado ainda quando ela reage com chama ao que deveria ser um casto beijo conjugal. Se ele conseguisse se livrar de tais suspeitas, haveria menos tagarelice pública a respeito de mulheres assexuadas, menos livros seriam escritos por charlatões propondo esta ou aquela “cura”, e muito menos formalismo e monotonia no recesso do lar.

Tenho a impressão de que esta espécie de marido está prestando a si mesmo um péssimo favor, e que ele não gosta de ficar consciente disto. Tendo capturado uma mulher segundo as conveniências do seu gosto austero, ele logo descobre que ela o deprime – que sua vaidade foi quase tão penosamente atingida pela inércia emocional dela como o teria sido por um espírito mais provocante e hedonista.

Pois o que mais delicia um homem é ver uma mulher atravessar a barreira da solene submissão, em direito à potência afrodisíaca do seu grande amor – ou seja, o contraste agudo e envaidecedor entre a reserva que ela mentem na presença de outros homens e sua absoluta entrega a ele na intimidade. Isto faz cócegas em sua vaidade. Ao resto do mundo, ela parece remota e inabordável; para ele, ela é dócil, palpitante, efervescente, e até mesmo abandonada. Quanto maior o contraste entre os dois fronts da moça, maior a satisfação dele – até o ponto em que isto levanta as suspeitas do paspalhão.

No momento em que ela diminui um pouquinho este contraste em público – ao sorrir para um ator atraente, ao dizer uma palavra a mais a um maître que lhe deu atenção, ao segurar a mão do padre nas despedidas ou ao piscar de brincadeira para o marido de sua irmã --, imediatamente o matuto começa a procurar por bilhetes clandestinos,contrata detetives particulares ou passa a examinar atentamente os olhos, orelhas, narizes e o cabelo de seus filhos com dúvidas vergonhosas. Isto explica muitas catástrofes domésticas.

3 pessoas leram e discordaram:

Anonymous disse...

Não sou virginal. Não consigo...
Sou ardente, queimo. Desejo, luto e me lambuzo.
Provoco, desestabilizo.
Beijos,
Fã.

Kerlyn disse...

Uau! Eu costumava ser mais ardente, "queimar" como a colega ae de cima, rs... mas enfim.. os homens se comportam como sempre, e como a velha e adorada igreja, qnt mais ignorante, burra, estúpida, imbecil, tapada, rss.. melhor pra eles, mais fácil de se dominar... mulheres que mostram o q sentem, sexualmente eu digo, q falam e demonsrtam o quão insatisfeitas estão, na cama, (pode ser na cozinha tbm, no banheiro, na sala.. rs) dão medo, digo pelo oq vejo e ouço dos meus adorados homens... (amigos, conhecidos e afins... rs) ADORAM vagabundas, pervertidas, mas nunca, NUNCA teriam [b]coragem[/b] de assumi-las!

Min disse...

Brilliant!

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sábado, 4 de agosto de 2007

A Mulher Fria


ouvindo: Theatre of Tragedy - ...a Distance there is...
frase do dia: "Não ter sido popular no Ensino Médio não é desculpa para publicar um livro." - Fran Lebowitz


Três coisas que odeio: comida caseira de restaurante, nazistas com o horrendo sotaque suábio e feministas recalcadas. Parece que, infelizmente, é um ponto em que eu e Freud concordamos com algo. Para se defender uma alta dose de sexismo, urge primeiramente pertencer a um gênero humano definível com razoável facilidade. Nada me parece mais grotesco do que queimar um sutiã, exibindo rebaixados seios tipo mochila (aqueles que dá pra jogar nas costas) enquanto se brada palavras de ordem femistas com voz de um rottweiller.São as novas vitimizadas pelo "branco ocidental", que vai de Shakespeare a Harold Bloom, sempre prontas a entrar numa guerra em que não se necessite de um uniforme - preferem banheiros limpinhos, onde possam trocar o absorvente e se barbear com conforto e segurança.

Contudo, há feministas de que gosto. Ironicamente, a maioria são homens. Um deles é Henry-Louis Mencken, um dos homens que mais entendeu as mulheres nesse planeta (junto com Kierkegaard, Bocage, Schopenhauer, Oscar Wilde). Já me contradizendo com o parágrafo anterior, devo dizer que os feministas que admiro parecem mais pertencer ao sexo masculino que ao feminino - pelo menos, parecem apreciar as mulheres e suas características feminis, e não agir com faniquitos histéricos que só poderiam ter aprendido com os piores tipos de macho.

Creio que nunca deixei um texto alheio nesse blog. Não obstante, H. L. Mencken merece ser mais lido nesse país. É um grande ídolo da Zelite pensante. Uma pena que seus motejos venenosos só nos cheguem por colunistas sociais podres de ricos, que são admirados sem nunca se conhecer a verdadeira fonte. Eis um maravilhoso texto seu, do livro Menckeneana: A Schimpflexikon, traduzido sem muitas chorumelas como O Livro dos Insultos.


A Mulher Fria

O talento feminino para esconder a emoção é provavelmente o maior responsável pela convicção de tantos americanos do sexo masculino de que as mulheres são vazias de paixão, e é por isto que eles contemplam suas manifestações do mesmo tipo no macho quase que com horror. Este talento feminino fica ainda mais à vista quando se sabe que poucos observadores, nas raras ocasiões em que pensam no assunto, são propícios a uma observação científica.

A verdade é que não há razão alguma para se acreditar que a mulher normal é frígida, ou que a minoria de mulheres inquestionavelmente o são tenham algum peso na balança. É a vaidade dos homens que dá tanto valor às mulheres do tipo virginal, o que faz com que este tipo tenda a crescer pela seleção sexual – mas, apesar disto, está longe de superar a mulher normal, tão realistamente descrita pelos teólogos e publicistas da Idade Média.

Seria apressado, no entanto, concluir que esta seleção longa e contínua não se faz sentir, mesmo no tipo normal. Seu principal efeito talvez tenha sido o de tornar mais fácil para a mulher conquistar e ocultas suas emoções do que para um homem. Mas este é um mero reforço de uma qualidade inata ou que, pelo menos, antecipou de muito a ascensão daquela curiosa preferência já mencionada.

Esta preferência obviamente deve a sua origem ao conceito da propriedade privada e é mais evidente nos países em que a maior concentração de propriedades está nas mãos dos homens – i. e., em que a casta dos proprietários conseguiu descer ao mais baixo estrato dos néscios e dos tapados.

O homem de baixo nível nunca tem total confiança em sua mulher, a menos que seja convencido de que ela é totalmente desprovida de suscetibilidade amorosa. Ele fica inquieto quando ela dá algum sinal de que ela responde à altura às suas maneiras elefantinas, e fica mais desconfiado ainda quando ela reage com chama ao que deveria ser um casto beijo conjugal. Se ele conseguisse se livrar de tais suspeitas, haveria menos tagarelice pública a respeito de mulheres assexuadas, menos livros seriam escritos por charlatões propondo esta ou aquela “cura”, e muito menos formalismo e monotonia no recesso do lar.

Tenho a impressão de que esta espécie de marido está prestando a si mesmo um péssimo favor, e que ele não gosta de ficar consciente disto. Tendo capturado uma mulher segundo as conveniências do seu gosto austero, ele logo descobre que ela o deprime – que sua vaidade foi quase tão penosamente atingida pela inércia emocional dela como o teria sido por um espírito mais provocante e hedonista.

Pois o que mais delicia um homem é ver uma mulher atravessar a barreira da solene submissão, em direito à potência afrodisíaca do seu grande amor – ou seja, o contraste agudo e envaidecedor entre a reserva que ela mentem na presença de outros homens e sua absoluta entrega a ele na intimidade. Isto faz cócegas em sua vaidade. Ao resto do mundo, ela parece remota e inabordável; para ele, ela é dócil, palpitante, efervescente, e até mesmo abandonada. Quanto maior o contraste entre os dois fronts da moça, maior a satisfação dele – até o ponto em que isto levanta as suspeitas do paspalhão.

No momento em que ela diminui um pouquinho este contraste em público – ao sorrir para um ator atraente, ao dizer uma palavra a mais a um maître que lhe deu atenção, ao segurar a mão do padre nas despedidas ou ao piscar de brincadeira para o marido de sua irmã --, imediatamente o matuto começa a procurar por bilhetes clandestinos,contrata detetives particulares ou passa a examinar atentamente os olhos, orelhas, narizes e o cabelo de seus filhos com dúvidas vergonhosas. Isto explica muitas catástrofes domésticas.

3 pessoas leram e discordaram:

Anonymous disse...

Não sou virginal. Não consigo...
Sou ardente, queimo. Desejo, luto e me lambuzo.
Provoco, desestabilizo.
Beijos,
Fã.

Kerlyn disse...

Uau! Eu costumava ser mais ardente, "queimar" como a colega ae de cima, rs... mas enfim.. os homens se comportam como sempre, e como a velha e adorada igreja, qnt mais ignorante, burra, estúpida, imbecil, tapada, rss.. melhor pra eles, mais fácil de se dominar... mulheres que mostram o q sentem, sexualmente eu digo, q falam e demonsrtam o quão insatisfeitas estão, na cama, (pode ser na cozinha tbm, no banheiro, na sala.. rs) dão medo, digo pelo oq vejo e ouço dos meus adorados homens... (amigos, conhecidos e afins... rs) ADORAM vagabundas, pervertidas, mas nunca, NUNCA teriam [b]coragem[/b] de assumi-las!

Min on 12 de julho de 2008 04:27 disse...

Brilliant!

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