terça-feira, 3 de julho de 2007

Havia Terra

ouvindo: Dead Can Dance - The Writing on my Father's Hand
frase do dia: "São as lágrimas da terra que mantêm o seu sorriso sempre em flor." - Rabindranãth Tagore


HAVIA TERRA neles, e
cavavam.

Eles cavavam e cavavam, assim
do dia para a noite. E não louvaram a Deus,
que, como ouviram, queria isso tudo,
que, como ouviram, sabia disso tudo.

Eles cavavam e não ouviram mais nada;
não se tornaram sábios, não inventaram uma canção,
não imaginaram nenhuma linguagem.
Eles cavavam.

E veio um silêncio, uma tormenta veio do germe,
vieram todos os mares.
Eu cavo, tu cavas, e cava também o verme.
e o cantor ali diz: que eles cavem.

Oh alguém, oh ninguém, oh tu:
Para onde foi, se não há lugar nenhum?
Oh, tu cavas e eu cavo, e eu me cavo até ti,
e no dedo o anel nos desperta assim.


(Paul Celan, em tradução minha.)

2 pessoas leram e discordaram:

Luciene disse...

Cavamos para permanecer em um caminho? Amei esse poema do Celan, ainda não conhecia. Obrigadíssima.

Flavio Morgenstern disse...

Mais uma típica postagem para manter a concordância nominal do Blogger.

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terça-feira, 3 de julho de 2007

Havia Terra


ouvindo: Dead Can Dance - The Writing on my Father's Hand
frase do dia: "São as lágrimas da terra que mantêm o seu sorriso sempre em flor." - Rabindranãth Tagore


HAVIA TERRA neles, e
cavavam.

Eles cavavam e cavavam, assim
do dia para a noite. E não louvaram a Deus,
que, como ouviram, queria isso tudo,
que, como ouviram, sabia disso tudo.

Eles cavavam e não ouviram mais nada;
não se tornaram sábios, não inventaram uma canção,
não imaginaram nenhuma linguagem.
Eles cavavam.

E veio um silêncio, uma tormenta veio do germe,
vieram todos os mares.
Eu cavo, tu cavas, e cava também o verme.
e o cantor ali diz: que eles cavem.

Oh alguém, oh ninguém, oh tu:
Para onde foi, se não há lugar nenhum?
Oh, tu cavas e eu cavo, e eu me cavo até ti,
e no dedo o anel nos desperta assim.


(Paul Celan, em tradução minha.)

2 pessoas leram e discordaram:

Luciene on 22 de julho de 2007 11:36 disse...

Cavamos para permanecer em um caminho? Amei esse poema do Celan, ainda não conhecia. Obrigadíssima.

Flavio Morgenstern on 25 de julho de 2007 01:00 disse...

Mais uma típica postagem para manter a concordância nominal do Blogger.

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