sexta-feira, 15 de julho de 2005

A Mosca

ouvindo: Kreator - Violent Revolution
frase do dia: "O melhor amigo do homem é o whisky. O whisky é o cachorro engarrafado." - Vinícius de Moraes

Já que ando tirando notícias de tudo quanto é canto e postando por aqui, aqui vai uma bizarra e científica (isto soou redundante...), que eu juro que tirei de uma antiga Folha Ciência, e não de um Roteiro de Filme B americado:


Quando a mosca geneticamente modificada foi solta e começou a voar na câmara de observação, fez o que qualquer galanteador faria: perseguiu uma fêmea virgem. Tocou a moça gentilmente com sua pata, cantou uma canção (usando as asas como instrumentos) e só então ousou lamber a genitália dela. Os cientistas viram tudo aquilo incrédulos: o "galã", na verdade, era uma fêmea.

O inseto "homossexual", na verdade, tinha recebido artificialmente a versão de um gene exclusiva dos machos. Esse único trecho de DNA, afirma um estudo publicado na edição de ontem [3 de Junho] do periódico científico "Cell" (www.cell.com), seria aparentemente capaz de criar os padrões de comportamento sexual.

Numa série de experimentos, os pesquisadores descobriram que as fêmeas que recebem a variante masculina do gene agem exatamente como machos durante o acasalamento [nota pessoal: isso inclui limpar o pingolim no lençol?!]. Já os machos que ganharam a versão feminina ficaram mais passivos e passaram a se interessar por outros machos.
"Mostramos que um único gene da mosca-das-frutas é suficiente para determinar todos os aspectos do comportamento e orientação sexual", disse o autor principal do estudo, Barry Dickson, do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia Austríaca de Ciências, em Viena. "Isso sugere que comportamentos instintivos podem ser especificados por programas genéticos, assim como acontece com o desenvolvimento de um órgão ou de um nariz".

Os resultados devem influenciar os debates sobre o poder dos genes e do ambiente para determinar o que as pessoas são, como agem e, especialmente, como desenvolvem sua orientação sexual. Especialistas se disseram impressionados e chocados com as descobertas. "Os resultados são tão claros que todo o campo das raízes genéticas do comportamento vai avançar de modo tremendo", disse Michael Weiss, da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos.

"Espero que ele tire a discussão sobre preferências sexuais da esfera da moralidade e a leve para a da ciência. Nunca escolhi ser heterossexual: simplesmente aconteceu. Mas os humanos são complicados. Com as moscas, podemos ver de forma simples e elegante como um gene influencia e determina o comportamento."

Os cientistas sabem há anos que o gene estudado, conhecido como "fruitless" ou "fru" [nota pessoal: será que eles sabem o que isso significa em português?!], é central para o acasalamento, coordenando uma rede de neurônios (células nervosas) que estão envolvidos no ritual de corte dos machos. Na verdade, tanto machos quanto fêmeas possuem o mesmo gene. Contudo, ao ser transcrito para mRNA (RNA mensageiro, a molécula que faz a ponte entre os genes e a fabricação das proteínas que eles representam), o gene é "editado" de forma diferente dependendo do sexo.

Todos os pesquisadores alertaram que os comportamentos inatos também podem ser modificados pela experiência. Machos rejeitados pelas fêmeas, por exemplo, tornam-se menos afoitos em seus avanços sexuais.


Bem, me abstenho de comentar o lado prático da versão científica das opções sexuais. Mas aí me vem à cabeça: se cientistas mexem com um gene num ratinho fofinho de laboratório, todas as organizações caem matando. Quando modificam com uma chatíssima mosca-de-fruta, ninguém nota. Por que será?!

quinta-feira, 7 de julho de 2005

What the porra is that?!

ouvindo: Lacrimosa - Das Schweigen
frase do dia: [quando perguntado por Playboy se não achava seu humor vulgar demais]: "Porra nenhuma!!" - Mel Brooks

Conversas pelo MSN:


Master Zeh diz:
falando em Porra... ce viu o nome do novo baixista do Stratovarius?


Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
qual é?

Master Zeh diz:
Lauri Porra

Master Zeh diz:
tocava no Sinergy

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
tá zuando!!! hahahahah!!

Master Zeh diz:
não!!!

Master Zeh diz:
hehe

Master Zeh diz:
será que esse porra toca mesmo??

Master Zeh diz:
toca porra!!!

Master Zeh diz:
esse baixista é um porra

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
solo da porra...

Master Zeh diz:
e se o cara sai da banda, "O Tolkki vai ter que engolir o porra"

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
mas que porra! quem foi o infeliz que deu essa porra de nome pra ele?!

Master Zeh diz:
a porra da familia dele, ué?

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
ah, é! porra é genético!

Master Zeh diz:
justamente

Master Zeh diz:
e todos descendentes recebem a mesma carga de porra desde o inicio da familia

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
porra! também quero uma família da porra assim!


Isso até pareceu uma conversa do Paulo César Peréro, PORRA!!!

terça-feira, 5 de julho de 2005

Morning Star vai ao médico

ouvindo: Borknagar - The Weight of the Wind
(outra) frase do dia: "Uma das causas mais comuns de todas as doenças é o diagnóstico." - Karl Kraus

Odeio muitas coisas. Crianças, esperar e hospitais estão no meu Top 10. Crianças para todos os lados na sala de espera de um hospital é uma tortura chinesa. O maldito pediatra tinha que ter uma sala do lado do Clínico Geral... cazzo. Pior é ficar agüentando na fila toda a sorte de mulheres (é raro ver um homem agüentar os filhos a ponto de levá-los no médico) comentando imbecilidades com seus respectivos monstrinhos. Se fôssemos levar seus elogios a sério, cada bairro de São Paulo teria promissores 300 novos modelos tipo exportação.

- Olha aquela japonezinha de touquinha ali... não parece uma esquimózinha?!

Claro, minha senhora. Também parece um foguete com essa cabeça pontiaguda. Vou botar fogo embaixo dela pra ver se ela voa longe.

Mas o pior é quando alguma energúmena resolve falar comigo. Meu Deus, por que as pessoas têm essa mania ridícula de falarem umas com as outras?! Não serve pra nada, mesmo!!

- Moço, o senhor está na fila do Pediatra..?

Fila do Pediatra?! Estás a delirar, senhora! Eu já tenho 20 anos, não me trato mais em médicos com imagens do Mickey de fraldas na parede e também, graças ao bom Deus, não tenho filhos prematuros!! Só estou aqui pois não há espaço o suficiente pra eu fugir dos seus filhos! Pediatria é o cacete!!

Tudo bem, depois de toda a sala se esvaziar, consigo entrar na sala e ver minha médica. Uma japonesa gorda que não parecia muito acostumada a atender gente tão altivamente mal-humorada quanto eu. Perguntinhas de praxe: que hemorróida te traz aqui, criatura do Mal?

- Hum... gastrite nervosa, minha pele que não se ajeita nunca e a insônia que só piora...
- Insônia? Você não pode passar nervoso...

Eu tenho ganas de dar um murro na cara dessas médicas e arrancar cada pêlinho de seus bigodes quando dizem isso. Pagar um spa em Curitiba, ninguém quer, né?!

- Usa alguma droga?

Windows. Tira o sono de qualquer um.

- ...Álcool, cigarro...?

Drinking: socialy. Smoking: occasionaly.

- É, tem bebida que tira o sono e tem bebida que chama o sono. Bebe muito café?

Lá vem!!

- Bebo!
- Bastante? Mais de 5 xícaras por dia?
- Cinco é "bastante"?
- Quanto você bebe?
- Ah, umas... 12 por d...
- DOZE?!?! Você vai ter de diminuir esse café...

Ah, não! Por que não me pede pra parar de respirar, logo?!

- Não vou te receitar muita coisa, mas sua insônia tá grave... tome esse aqui, e mais esse, e 3 desse antes de dormir.

Epa, como assim, não ia me receitar nada?! Acha estranho eu tomar 12 inofensivas xícaras G de café e me manda enfiar 5 comprimidos goela abaixo por dia antes de dormir?! Me recomendar encher os cornos de vinho antes de ir pra cama também funcionava, não é?

Volto pra recepção e a moça está enrolada com meu cartão de cadastro. Ainda tenho de ouvir:

- Flávio, o sistema aqui tá pifado... vai demorar uns minutinhos... não quer tomar um cafézinho enquanto isso?!
- Porra, é lógico que eu quero!!

Ok, ok, eu vou pra Farmácia.

- Está fechada, só abre as 9 horas.

Olho no relógio. 8:59:50.

- Bem, esperemos.

Pi, pi!

- Estranho, não abriu!

Enquanto aguardo, vejo que há uma salinha escura do lado dos banheiros escrito Expurgo. Expurgo?! Como assim, "Expurgo"?! E eu que achei que a Igreja Católica não influenciava mais a Medicina...

Ouço um choro incontrolável de criança lá dentro, como se ela estivesse dentro de uma Iron maiden, e vejo que o negócio tem o formato de um confessinário. Ehee! Disso aí eu quero brincar!!

Após a longa espera, entrego minha receita. Em menos de 8 segundos, a fatídica resposta:

- Quem é Flávio?! Ah, sinto informar, querido, mas aqui não tem nenhum desses!

Ahn. O que foi que a japinha de avental lá de cima me disse sobre "não passar nervoso", mesmo?!

Mainardi e Houellebecq

ouvindo: Opeth - Silhouette
frase do dia: [Quando lhe pergutaram por que sempre voltava ao Brasil, quando podia viver sossegado nos EUA]: "Volto para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% de brasileiros que pagam imposto de renda. Para perder o apetite ou morrer de indigestão. Volto porque nunca saí daqui." - Tom Jobim

Ora, veja, Diogo Mainardi falou do Houellebecq na sua coluna na Veja dessa semana (sim, eu leio Veja! já não assisto TV nem por anátemas, se não ler Veja sabendo todas as notícias com uma semana de atraso, tava até hoje querendo saber o que é um "mensalão"). É meio engraçado quando as coisas acontecem tão perfeitamente assim, pois tudo parece meio deslocado.

Mainardi é meu atual colunista preferido. Tá, ele não nega que é um Paulo Francis piorado, mas até aí, também, é querer demais. Ele faz o seu papel de chato muito bem. Mas achei engraçado ele falar de um livro que veio parar nas minhas mãos por um acaso chamado Fábio, e que logo se tornou um dos meus livros preferidos escritos no séc. XX.

Houellebecq (ainda tô lendo a revista pra digitar essa merda direito) fala de tudo em seu livro Partículas Elementares. Manipulação genética, teoria literária, geração Beatnick, suicídio ocidental, islamismo e, como não pode faltar, amor, sexo e morte. E, claro, como excelente escritor que é, só fala mal de Deus e o mundo. Mas a ligação que Mainardi fez na sua coluna dessa semana é que ele, num curto parágrafo no livro inteiro, também fala mal do Brasil. Diz que nosso país é uma porcaria, "povoado de brutos fanáticos por futebol e por corridas de automóvel. A violência, a corrupção e a miséria estavam no apogeu. Se havia um país detestável, era justamente e especificamente, o Brasil."

Mainardi, por increça que parível, ainda usou de eufemismos. Vou até a página 146 e vejo lá o contexto todo. Bruno está num camping de nudistas/ex-hippies/qualquer-putaria-que-o-valha atrás apenas de sexo, usando as malditas meditações tântricas e outras viagens psicodélicas apenas para poder comer alguém sem ter de perguntar o telefone depois. À noite, Bruno vê a roda de danças malucas que ajunta todo o Espaço de Mudança. Aproximando-se de uma vítim... digo, de uma jovem garota com quem puxa papo, em dado momento Bruno pergunta: "Não danças?". Sophie responde: "Não, não gosto das danças africanas, é demasiado..." - interrompendo-se ao perceber que estava no limite do racismo, emenda: "Mas adoro as danças brasileiras..."

"Não era preciso mais para irritar Bruno. Começava a encher o saco dessa estúpida mania pró-Brasil. Por que o Brasil? Conforme tudo o que sabia, o Brasil era um país de merda, povoado de brutos fanáticos por futebol, etc. etc.."

É claro que o Mainardi não pode dizer o que Bruno pensou in facto. Mas vejamos ainda o que ele responde a Sophie:

"Sophie, eu poderia ir ao Brasil, em férias. Passearia nas favelas, num microônibus blindado; observaria os pequenos assassinos de oito anos, que sonham em ser chefes de bando aos 13 anos; não sentiria medo, protegido pela blindagem; à tarde, iria à praia, entre riquíssimos traficantes de droga e de proxenetas; no meio dessa vida desenfreada, esqueceria a melancolia do homem ocidental..."

É óbvio que nossa Sophie passou longe de Bruno e de suas verdades meio ébrias. Mas o que espero é a enxurrada de cartas que vai ser enviada ao sr. Mainardi na próxima semana por falar novamente "mal" do Brasil. Puta que pariu nossa pátria, quando esse povo fala mal do vizinho pinguço, da violência escancarada e matando seus filhos, da corrupção no partido do povo, da burocracia, do desemprego e de todas as mazelas que só fodem suas vidas, está tudo bem. Quando é alguém que admite com todas as palavras que esse país é uma merda, reclamam!

Definitivamente, o pior do Brasil é o brasileiro.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

A Mosca


ouvindo: Kreator - Violent Revolution
frase do dia: "O melhor amigo do homem é o whisky. O whisky é o cachorro engarrafado." - Vinícius de Moraes

Já que ando tirando notícias de tudo quanto é canto e postando por aqui, aqui vai uma bizarra e científica (isto soou redundante...), que eu juro que tirei de uma antiga Folha Ciência, e não de um Roteiro de Filme B americado:


Quando a mosca geneticamente modificada foi solta e começou a voar na câmara de observação, fez o que qualquer galanteador faria: perseguiu uma fêmea virgem. Tocou a moça gentilmente com sua pata, cantou uma canção (usando as asas como instrumentos) e só então ousou lamber a genitália dela. Os cientistas viram tudo aquilo incrédulos: o "galã", na verdade, era uma fêmea.

O inseto "homossexual", na verdade, tinha recebido artificialmente a versão de um gene exclusiva dos machos. Esse único trecho de DNA, afirma um estudo publicado na edição de ontem [3 de Junho] do periódico científico "Cell" (www.cell.com), seria aparentemente capaz de criar os padrões de comportamento sexual.

Numa série de experimentos, os pesquisadores descobriram que as fêmeas que recebem a variante masculina do gene agem exatamente como machos durante o acasalamento [nota pessoal: isso inclui limpar o pingolim no lençol?!]. Já os machos que ganharam a versão feminina ficaram mais passivos e passaram a se interessar por outros machos.
"Mostramos que um único gene da mosca-das-frutas é suficiente para determinar todos os aspectos do comportamento e orientação sexual", disse o autor principal do estudo, Barry Dickson, do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia Austríaca de Ciências, em Viena. "Isso sugere que comportamentos instintivos podem ser especificados por programas genéticos, assim como acontece com o desenvolvimento de um órgão ou de um nariz".

Os resultados devem influenciar os debates sobre o poder dos genes e do ambiente para determinar o que as pessoas são, como agem e, especialmente, como desenvolvem sua orientação sexual. Especialistas se disseram impressionados e chocados com as descobertas. "Os resultados são tão claros que todo o campo das raízes genéticas do comportamento vai avançar de modo tremendo", disse Michael Weiss, da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos.

"Espero que ele tire a discussão sobre preferências sexuais da esfera da moralidade e a leve para a da ciência. Nunca escolhi ser heterossexual: simplesmente aconteceu. Mas os humanos são complicados. Com as moscas, podemos ver de forma simples e elegante como um gene influencia e determina o comportamento."

Os cientistas sabem há anos que o gene estudado, conhecido como "fruitless" ou "fru" [nota pessoal: será que eles sabem o que isso significa em português?!], é central para o acasalamento, coordenando uma rede de neurônios (células nervosas) que estão envolvidos no ritual de corte dos machos. Na verdade, tanto machos quanto fêmeas possuem o mesmo gene. Contudo, ao ser transcrito para mRNA (RNA mensageiro, a molécula que faz a ponte entre os genes e a fabricação das proteínas que eles representam), o gene é "editado" de forma diferente dependendo do sexo.

Todos os pesquisadores alertaram que os comportamentos inatos também podem ser modificados pela experiência. Machos rejeitados pelas fêmeas, por exemplo, tornam-se menos afoitos em seus avanços sexuais.


Bem, me abstenho de comentar o lado prático da versão científica das opções sexuais. Mas aí me vem à cabeça: se cientistas mexem com um gene num ratinho fofinho de laboratório, todas as organizações caem matando. Quando modificam com uma chatíssima mosca-de-fruta, ninguém nota. Por que será?!

quinta-feira, 7 de julho de 2005

What the porra is that?!


ouvindo: Lacrimosa - Das Schweigen
frase do dia: [quando perguntado por Playboy se não achava seu humor vulgar demais]: "Porra nenhuma!!" - Mel Brooks

Conversas pelo MSN:


Master Zeh diz:
falando em Porra... ce viu o nome do novo baixista do Stratovarius?


Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
qual é?

Master Zeh diz:
Lauri Porra

Master Zeh diz:
tocava no Sinergy

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
tá zuando!!! hahahahah!!

Master Zeh diz:
não!!!

Master Zeh diz:
hehe

Master Zeh diz:
será que esse porra toca mesmo??

Master Zeh diz:
toca porra!!!

Master Zeh diz:
esse baixista é um porra

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
solo da porra...

Master Zeh diz:
e se o cara sai da banda, "O Tolkki vai ter que engolir o porra"

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
mas que porra! quem foi o infeliz que deu essa porra de nome pra ele?!

Master Zeh diz:
a porra da familia dele, ué?

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
ah, é! porra é genético!

Master Zeh diz:
justamente

Master Zeh diz:
e todos descendentes recebem a mesma carga de porra desde o inicio da familia

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
porra! também quero uma família da porra assim!


Isso até pareceu uma conversa do Paulo César Peréro, PORRA!!!

terça-feira, 5 de julho de 2005

Morning Star vai ao médico


ouvindo: Borknagar - The Weight of the Wind
(outra) frase do dia: "Uma das causas mais comuns de todas as doenças é o diagnóstico." - Karl Kraus

Odeio muitas coisas. Crianças, esperar e hospitais estão no meu Top 10. Crianças para todos os lados na sala de espera de um hospital é uma tortura chinesa. O maldito pediatra tinha que ter uma sala do lado do Clínico Geral... cazzo. Pior é ficar agüentando na fila toda a sorte de mulheres (é raro ver um homem agüentar os filhos a ponto de levá-los no médico) comentando imbecilidades com seus respectivos monstrinhos. Se fôssemos levar seus elogios a sério, cada bairro de São Paulo teria promissores 300 novos modelos tipo exportação.

- Olha aquela japonezinha de touquinha ali... não parece uma esquimózinha?!

Claro, minha senhora. Também parece um foguete com essa cabeça pontiaguda. Vou botar fogo embaixo dela pra ver se ela voa longe.

Mas o pior é quando alguma energúmena resolve falar comigo. Meu Deus, por que as pessoas têm essa mania ridícula de falarem umas com as outras?! Não serve pra nada, mesmo!!

- Moço, o senhor está na fila do Pediatra..?

Fila do Pediatra?! Estás a delirar, senhora! Eu já tenho 20 anos, não me trato mais em médicos com imagens do Mickey de fraldas na parede e também, graças ao bom Deus, não tenho filhos prematuros!! Só estou aqui pois não há espaço o suficiente pra eu fugir dos seus filhos! Pediatria é o cacete!!

Tudo bem, depois de toda a sala se esvaziar, consigo entrar na sala e ver minha médica. Uma japonesa gorda que não parecia muito acostumada a atender gente tão altivamente mal-humorada quanto eu. Perguntinhas de praxe: que hemorróida te traz aqui, criatura do Mal?

- Hum... gastrite nervosa, minha pele que não se ajeita nunca e a insônia que só piora...
- Insônia? Você não pode passar nervoso...

Eu tenho ganas de dar um murro na cara dessas médicas e arrancar cada pêlinho de seus bigodes quando dizem isso. Pagar um spa em Curitiba, ninguém quer, né?!

- Usa alguma droga?

Windows. Tira o sono de qualquer um.

- ...Álcool, cigarro...?

Drinking: socialy. Smoking: occasionaly.

- É, tem bebida que tira o sono e tem bebida que chama o sono. Bebe muito café?

Lá vem!!

- Bebo!
- Bastante? Mais de 5 xícaras por dia?
- Cinco é "bastante"?
- Quanto você bebe?
- Ah, umas... 12 por d...
- DOZE?!?! Você vai ter de diminuir esse café...

Ah, não! Por que não me pede pra parar de respirar, logo?!

- Não vou te receitar muita coisa, mas sua insônia tá grave... tome esse aqui, e mais esse, e 3 desse antes de dormir.

Epa, como assim, não ia me receitar nada?! Acha estranho eu tomar 12 inofensivas xícaras G de café e me manda enfiar 5 comprimidos goela abaixo por dia antes de dormir?! Me recomendar encher os cornos de vinho antes de ir pra cama também funcionava, não é?

Volto pra recepção e a moça está enrolada com meu cartão de cadastro. Ainda tenho de ouvir:

- Flávio, o sistema aqui tá pifado... vai demorar uns minutinhos... não quer tomar um cafézinho enquanto isso?!
- Porra, é lógico que eu quero!!

Ok, ok, eu vou pra Farmácia.

- Está fechada, só abre as 9 horas.

Olho no relógio. 8:59:50.

- Bem, esperemos.

Pi, pi!

- Estranho, não abriu!

Enquanto aguardo, vejo que há uma salinha escura do lado dos banheiros escrito Expurgo. Expurgo?! Como assim, "Expurgo"?! E eu que achei que a Igreja Católica não influenciava mais a Medicina...

Ouço um choro incontrolável de criança lá dentro, como se ela estivesse dentro de uma Iron maiden, e vejo que o negócio tem o formato de um confessinário. Ehee! Disso aí eu quero brincar!!

Após a longa espera, entrego minha receita. Em menos de 8 segundos, a fatídica resposta:

- Quem é Flávio?! Ah, sinto informar, querido, mas aqui não tem nenhum desses!

Ahn. O que foi que a japinha de avental lá de cima me disse sobre "não passar nervoso", mesmo?!

Mainardi e Houellebecq


ouvindo: Opeth - Silhouette
frase do dia: [Quando lhe pergutaram por que sempre voltava ao Brasil, quando podia viver sossegado nos EUA]: "Volto para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% de brasileiros que pagam imposto de renda. Para perder o apetite ou morrer de indigestão. Volto porque nunca saí daqui." - Tom Jobim

Ora, veja, Diogo Mainardi falou do Houellebecq na sua coluna na Veja dessa semana (sim, eu leio Veja! já não assisto TV nem por anátemas, se não ler Veja sabendo todas as notícias com uma semana de atraso, tava até hoje querendo saber o que é um "mensalão"). É meio engraçado quando as coisas acontecem tão perfeitamente assim, pois tudo parece meio deslocado.

Mainardi é meu atual colunista preferido. Tá, ele não nega que é um Paulo Francis piorado, mas até aí, também, é querer demais. Ele faz o seu papel de chato muito bem. Mas achei engraçado ele falar de um livro que veio parar nas minhas mãos por um acaso chamado Fábio, e que logo se tornou um dos meus livros preferidos escritos no séc. XX.

Houellebecq (ainda tô lendo a revista pra digitar essa merda direito) fala de tudo em seu livro Partículas Elementares. Manipulação genética, teoria literária, geração Beatnick, suicídio ocidental, islamismo e, como não pode faltar, amor, sexo e morte. E, claro, como excelente escritor que é, só fala mal de Deus e o mundo. Mas a ligação que Mainardi fez na sua coluna dessa semana é que ele, num curto parágrafo no livro inteiro, também fala mal do Brasil. Diz que nosso país é uma porcaria, "povoado de brutos fanáticos por futebol e por corridas de automóvel. A violência, a corrupção e a miséria estavam no apogeu. Se havia um país detestável, era justamente e especificamente, o Brasil."

Mainardi, por increça que parível, ainda usou de eufemismos. Vou até a página 146 e vejo lá o contexto todo. Bruno está num camping de nudistas/ex-hippies/qualquer-putaria-que-o-valha atrás apenas de sexo, usando as malditas meditações tântricas e outras viagens psicodélicas apenas para poder comer alguém sem ter de perguntar o telefone depois. À noite, Bruno vê a roda de danças malucas que ajunta todo o Espaço de Mudança. Aproximando-se de uma vítim... digo, de uma jovem garota com quem puxa papo, em dado momento Bruno pergunta: "Não danças?". Sophie responde: "Não, não gosto das danças africanas, é demasiado..." - interrompendo-se ao perceber que estava no limite do racismo, emenda: "Mas adoro as danças brasileiras..."

"Não era preciso mais para irritar Bruno. Começava a encher o saco dessa estúpida mania pró-Brasil. Por que o Brasil? Conforme tudo o que sabia, o Brasil era um país de merda, povoado de brutos fanáticos por futebol, etc. etc.."

É claro que o Mainardi não pode dizer o que Bruno pensou in facto. Mas vejamos ainda o que ele responde a Sophie:

"Sophie, eu poderia ir ao Brasil, em férias. Passearia nas favelas, num microônibus blindado; observaria os pequenos assassinos de oito anos, que sonham em ser chefes de bando aos 13 anos; não sentiria medo, protegido pela blindagem; à tarde, iria à praia, entre riquíssimos traficantes de droga e de proxenetas; no meio dessa vida desenfreada, esqueceria a melancolia do homem ocidental..."

É óbvio que nossa Sophie passou longe de Bruno e de suas verdades meio ébrias. Mas o que espero é a enxurrada de cartas que vai ser enviada ao sr. Mainardi na próxima semana por falar novamente "mal" do Brasil. Puta que pariu nossa pátria, quando esse povo fala mal do vizinho pinguço, da violência escancarada e matando seus filhos, da corrupção no partido do povo, da burocracia, do desemprego e de todas as mazelas que só fodem suas vidas, está tudo bem. Quando é alguém que admite com todas as palavras que esse país é uma merda, reclamam!

Definitivamente, o pior do Brasil é o brasileiro.