segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Os 10 Mandamentos

ouvindo: Therion - Kali Yuga
frase do dia: "Já leu a Bíblia com atenção? Tecnicamente, não podemos sequer ir ao banheiro." - Reverendo Lovejoy (The Simpsons)

Nada como um pouco de iconoclastia para cevar os ânimos. E nada como ler alguns periódicos e pasquins comunistas vez ou outra para ter do que escarnecer.

Se tem uma contradição ilustre na Bíblia, maior que todas as contradições que sobrevivem à semântica, à exegese e à boa vontade de quem tenta mirar as Escrituras como um livro belo, divertido, poético e influenciado por Aquele que criou o Universo (e é claro que Ele demorou bilhões de anos pra querer escrever um livro, e resolveu aprender grego piorado pra isso), é a respeito dos Dez Mandamentos.

As Leis são claras: honrar a Deus sobre todas as coisas, não clamar pelo nome de Deus em vão (por que isso me faz pensar em evangélicos?!). São 10 Mandamentos, mas só 2 são relativos a Deus. Ok, ok, tem mais um feito para orientar a moral - "Não darás falso testemunho" -, um para a família - "Honrar pai e mãe" - e o resto para a propriedade (lembrando sempre que a mulher é tratada como propriedade no mundo semita até hoje, e se há um dia para se parar de trabalhar, bonzinho que Deus é, ele fez mais 6 para meter a mão na massa, e trabalho é só uma maneira indireta de falar da propriedade).

A ganância com o mundo material é tamanha que 2 deles estão repetidos: "Não roubarás" e "Não chifrarás" se tornam "Não cobiçar as coisas do próximo" e "Não olhar por baixo da saia da mulher do próximo". Por que a repetição? Oras, é bem claro! Se eu roubar algo, eu pequei. Se eu pensar em roubar algo, eu também já pequei, pois cobicei. O mesmo é válido para as mulheres: para Deus, comer com os olhos é uma das 10 coisas que levam-nos a arder no mármore do Inferno.

Só de pensar em roubar. Pequei. Pensar em trair. Pequei.

A vida é o bem máximo que Deus nos deu, segundo o cristianismo...

Se eu pensar em matar...

Ali não tem nada contra!

Amém, irmãos, e saibam que vivo pensando em fatiar todos vocês.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

Perestroika! Perestroika!

ouvindo: Dead Can Dance - Summoning of the Muse
frase do dia: "Life is too short to experience all that is good. Life is too long to enjoy living."

Na frente da clínica, estávamos eu e meu psicólogo falando mal de guitarristas toscos. Vila Madalena, aquele enxame de pessoas ricas o suficiente para só andarem com roupas da Zoomp, pobres o suficiente pra não serem chamadas de "socialites", bares horrorosos e brexós caríssimos por todos os lados.

Pára um carro e logo insurge uma ruiva quase da minha altura, cabelos no melhor estilo curly ginger, olhos azuis acinzentados... pena que pecava muito feio por se vestir como qualquer mulher que compra roupas em shopping: ou seja, exatamente como uma mendiga, só que mais colorida e com as estampas ainda matizadas - não entendo como esse povo gosta de pagar caro pra parecer o Falcão e ainda acha que está dentro dos ditames das tendências "Primavera-Verão 2K.5"...

Ela interrompe nosso palavrório anti-ético e começa a conversar com meu psicólogo, deixando o olhar dos infelizes à volta tremeluzindo de emoção... meu pensamento instantaneamente começou a responder o que ela dizia:

- Oi...
- (quer casar comigo?)
- Boa tarde...
- (sim, ela está cada vez melhor!)
- Eu queria uma informação...
- (18 cm.)
- Peraí...
- (ah, sim, isso quando ele tá mole. quando ele tá duro, eu desmaio.)
- (tira um papel da bolsa e lê) O dr. Marcos está?
- (fala a verdade, você não precisa de um terapeuta... precisa de um massagista!)
- É, eu preciso falar com ele com certa urgência...
- (se o assunto é sexo, pode resolver comigo mesmo.)
- Você poderia pedir pra ele me ligar?
- (só ele?!)
- Aqui está meu telefone...
- (se quiser deixar uma calcinha também...)
- Obrigada..
- (o prazer foi praticamente todo meu!!)

Essas moças são como velório: depois que se vão, faz-se um minuto de silêncio enquanto todos olham na mesma direção. Um concidadão ainda disse: "Segundo Mundo, hein? Não é a melhor, mas porra..." Segundo Mundo, claro... URSS, ruivas sardentas, olhares azulados... e andrajos multi-coloridos de 200 reais como invólucro do Paraíso.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Momento de Divagação Introspectiva

(com o perdão do pleonasmo redundante)
ouvindo: My Dying Bride - A Kiss to Remember

Esses dias estava a folhear um ensaio escabroso sobre o futuro do país onde me apareceu a palavra "batráquio" (não era um ensaio escatológico onde o futuro previsto era o de voltarmos a ser anfíbios, o ultraje foi dirigido ao present perfect). Como adoro falar difícil e anoto toda palavra de semântica hermética com a qual tropeço, lá fui eu me divertir com o magno Aurelião (que é como o Internet Exploder: todo mundo usa e acha que é o melhor mas não consegue nem lembrar como se escreve o nome do superior concorrente). Após um link (manual, nada de "clique aqui") que me mandou buscar o significado em "anuro" (é, eu devia ter prestado Biologia), reparei de soslaio que a palavra "ânus" tava logo abaixo. Bem, já que tava com a camisinha e a vaselina na mão...

ânus. [Do lat. anus.] S. m. 2 n. Anat. Orifício na extremidade terminal do intestino, pelo qual se expelem os excrementos. [Sin. (pop. ou chulos): cu e (bras.) feofó ou fiofó, fiota ou fiote, finfa, foba, pevide, viegas, alvado, ás-de-copas, fueiro, furico, oritimbó, rosca, zé-de-quinca. Cf. anos, pl. de ano.]

Tá, depois desta ilustre lista de sinônimos, prometo que fico 2 (duas) semanas sem reclamar da falta de poética hermenêutica dos Homo sapiens brasiliis.

Introduction

ouvindo: Lacrimosa - Crucifixio (boa opção para abrir um blog?)
Frase do dia: "Vivo em um regime liberal e tenho o direito democrático de fazer apologia ao regime fascista que eu quiser!"

Não, eu não me rendi aos blogs que sempre odiei - só vi que não adianta muito falar pra cacete e nunca ser lido. Já que não vou poder fazer minha tão sonhada home page tão cedo, vou ter de apelar para essa nova forma de comunicação pós-mesozóico.

Também não preciso perder meu tempo explicando o que vou postar num blog - se você tem um QI acima de 80, sabe o que esperar, e sobretudo, sabe o que esperar de mim: i. e., encômios suspeitos à filosofias politicamente incorretas, desacatos autoritários e instransigentes ao que der e vier ou exaltações laboriosas em defesa de causas despóticas e inclementes - tudo isso permeado, é claro, por uma tradicional retórica dirigida por um estro complexo que obrigará a todos comprarem o novo Houaiss.

Digno de atenção é que logo isso será invadido por uma manada de crentes xiitas, moralistas desprestimosos ou qualquer ramo conservador que adora se conservar socialmente por cima e mentalmente por baixo, mas... c´est la vie.

Não vou implorar oprobriamente a todos pra comentarem isso de 5 em 5 minutos... quem quiser ler besteiras virulentas, sabe se mover até aqui.

Em suma, beijo na bunda de todos e sintam-se em casa... só não tirem o sapato e nem façam fritura com a janela fechada.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Os 10 Mandamentos


ouvindo: Therion - Kali Yuga
frase do dia: "Já leu a Bíblia com atenção? Tecnicamente, não podemos sequer ir ao banheiro." - Reverendo Lovejoy (The Simpsons)

Nada como um pouco de iconoclastia para cevar os ânimos. E nada como ler alguns periódicos e pasquins comunistas vez ou outra para ter do que escarnecer.

Se tem uma contradição ilustre na Bíblia, maior que todas as contradições que sobrevivem à semântica, à exegese e à boa vontade de quem tenta mirar as Escrituras como um livro belo, divertido, poético e influenciado por Aquele que criou o Universo (e é claro que Ele demorou bilhões de anos pra querer escrever um livro, e resolveu aprender grego piorado pra isso), é a respeito dos Dez Mandamentos.

As Leis são claras: honrar a Deus sobre todas as coisas, não clamar pelo nome de Deus em vão (por que isso me faz pensar em evangélicos?!). São 10 Mandamentos, mas só 2 são relativos a Deus. Ok, ok, tem mais um feito para orientar a moral - "Não darás falso testemunho" -, um para a família - "Honrar pai e mãe" - e o resto para a propriedade (lembrando sempre que a mulher é tratada como propriedade no mundo semita até hoje, e se há um dia para se parar de trabalhar, bonzinho que Deus é, ele fez mais 6 para meter a mão na massa, e trabalho é só uma maneira indireta de falar da propriedade).

A ganância com o mundo material é tamanha que 2 deles estão repetidos: "Não roubarás" e "Não chifrarás" se tornam "Não cobiçar as coisas do próximo" e "Não olhar por baixo da saia da mulher do próximo". Por que a repetição? Oras, é bem claro! Se eu roubar algo, eu pequei. Se eu pensar em roubar algo, eu também já pequei, pois cobicei. O mesmo é válido para as mulheres: para Deus, comer com os olhos é uma das 10 coisas que levam-nos a arder no mármore do Inferno.

Só de pensar em roubar. Pequei. Pensar em trair. Pequei.

A vida é o bem máximo que Deus nos deu, segundo o cristianismo...

Se eu pensar em matar...

Ali não tem nada contra!

Amém, irmãos, e saibam que vivo pensando em fatiar todos vocês.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

Perestroika! Perestroika!


ouvindo: Dead Can Dance - Summoning of the Muse
frase do dia: "Life is too short to experience all that is good. Life is too long to enjoy living."

Na frente da clínica, estávamos eu e meu psicólogo falando mal de guitarristas toscos. Vila Madalena, aquele enxame de pessoas ricas o suficiente para só andarem com roupas da Zoomp, pobres o suficiente pra não serem chamadas de "socialites", bares horrorosos e brexós caríssimos por todos os lados.

Pára um carro e logo insurge uma ruiva quase da minha altura, cabelos no melhor estilo curly ginger, olhos azuis acinzentados... pena que pecava muito feio por se vestir como qualquer mulher que compra roupas em shopping: ou seja, exatamente como uma mendiga, só que mais colorida e com as estampas ainda matizadas - não entendo como esse povo gosta de pagar caro pra parecer o Falcão e ainda acha que está dentro dos ditames das tendências "Primavera-Verão 2K.5"...

Ela interrompe nosso palavrório anti-ético e começa a conversar com meu psicólogo, deixando o olhar dos infelizes à volta tremeluzindo de emoção... meu pensamento instantaneamente começou a responder o que ela dizia:

- Oi...
- (quer casar comigo?)
- Boa tarde...
- (sim, ela está cada vez melhor!)
- Eu queria uma informação...
- (18 cm.)
- Peraí...
- (ah, sim, isso quando ele tá mole. quando ele tá duro, eu desmaio.)
- (tira um papel da bolsa e lê) O dr. Marcos está?
- (fala a verdade, você não precisa de um terapeuta... precisa de um massagista!)
- É, eu preciso falar com ele com certa urgência...
- (se o assunto é sexo, pode resolver comigo mesmo.)
- Você poderia pedir pra ele me ligar?
- (só ele?!)
- Aqui está meu telefone...
- (se quiser deixar uma calcinha também...)
- Obrigada..
- (o prazer foi praticamente todo meu!!)

Essas moças são como velório: depois que se vão, faz-se um minuto de silêncio enquanto todos olham na mesma direção. Um concidadão ainda disse: "Segundo Mundo, hein? Não é a melhor, mas porra..." Segundo Mundo, claro... URSS, ruivas sardentas, olhares azulados... e andrajos multi-coloridos de 200 reais como invólucro do Paraíso.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Momento de Divagação Introspectiva


(com o perdão do pleonasmo redundante)
ouvindo: My Dying Bride - A Kiss to Remember

Esses dias estava a folhear um ensaio escabroso sobre o futuro do país onde me apareceu a palavra "batráquio" (não era um ensaio escatológico onde o futuro previsto era o de voltarmos a ser anfíbios, o ultraje foi dirigido ao present perfect). Como adoro falar difícil e anoto toda palavra de semântica hermética com a qual tropeço, lá fui eu me divertir com o magno Aurelião (que é como o Internet Exploder: todo mundo usa e acha que é o melhor mas não consegue nem lembrar como se escreve o nome do superior concorrente). Após um link (manual, nada de "clique aqui") que me mandou buscar o significado em "anuro" (é, eu devia ter prestado Biologia), reparei de soslaio que a palavra "ânus" tava logo abaixo. Bem, já que tava com a camisinha e a vaselina na mão...

ânus. [Do lat. anus.] S. m. 2 n. Anat. Orifício na extremidade terminal do intestino, pelo qual se expelem os excrementos. [Sin. (pop. ou chulos): cu e (bras.) feofó ou fiofó, fiota ou fiote, finfa, foba, pevide, viegas, alvado, ás-de-copas, fueiro, furico, oritimbó, rosca, zé-de-quinca. Cf. anos, pl. de ano.]

Tá, depois desta ilustre lista de sinônimos, prometo que fico 2 (duas) semanas sem reclamar da falta de poética hermenêutica dos Homo sapiens brasiliis.

Introduction


ouvindo: Lacrimosa - Crucifixio (boa opção para abrir um blog?)
Frase do dia: "Vivo em um regime liberal e tenho o direito democrático de fazer apologia ao regime fascista que eu quiser!"

Não, eu não me rendi aos blogs que sempre odiei - só vi que não adianta muito falar pra cacete e nunca ser lido. Já que não vou poder fazer minha tão sonhada home page tão cedo, vou ter de apelar para essa nova forma de comunicação pós-mesozóico.

Também não preciso perder meu tempo explicando o que vou postar num blog - se você tem um QI acima de 80, sabe o que esperar, e sobretudo, sabe o que esperar de mim: i. e., encômios suspeitos à filosofias politicamente incorretas, desacatos autoritários e instransigentes ao que der e vier ou exaltações laboriosas em defesa de causas despóticas e inclementes - tudo isso permeado, é claro, por uma tradicional retórica dirigida por um estro complexo que obrigará a todos comprarem o novo Houaiss.

Digno de atenção é que logo isso será invadido por uma manada de crentes xiitas, moralistas desprestimosos ou qualquer ramo conservador que adora se conservar socialmente por cima e mentalmente por baixo, mas... c´est la vie.

Não vou implorar oprobriamente a todos pra comentarem isso de 5 em 5 minutos... quem quiser ler besteiras virulentas, sabe se mover até aqui.

Em suma, beijo na bunda de todos e sintam-se em casa... só não tirem o sapato e nem façam fritura com a janela fechada.