sábado, 29 de outubro de 2005

Fazendo uma cagada

ouvindo: Iced Earth - Dante´s Inferno
frase do dia: "Nunca me casei porque nunca precisei. Tenho três bichinhos em casa que, juntos, perfazem um marido: um cachorro que rosna de manhã, um papagaio que fala palavrões o dia inteiro e um gato que volta de madrugada pra casa." - Maria Corelli


Só pra provar de uma vez por todas que é completamente impossível fazer alguém rir sem mau humor em doses diabólicas, uma placa achada alhures:



No escurinho do cinema

ouvindo: Therion - Feuer Overtüre/Prometheus Entfesselt
frase do dia: "Não confio em produto local. Sempre que viajo levo meu whisky e minha mulher." - Fernando Sabino


A mensagem que deveria estar na abertura de todos os filmes de todas as salas de todos os cinemas: (ouça o que se segue com uma voz melíflua sem ser tão sexy)


Seja bem-vindo à nova sala do Cinemark!

Antes do filme começar, alguns lembretes:

Nosso cinema está equipado com todo o equipamento de segurança necessário para você assistir ao seu filme de ação sem medo do fogo se propagar pra fora da tela.

As saídas de emergência ficam no fim do corredor, à direita. Caso o filme for ruim, há sacos de vômito nas costas do assento à frente.

Se você sentou na primeira fileira, problema é teu.

Não é permitido filmar ou fotografar dentro de nossas instalações.

Pipoca e refrigerante fazem parte da festa.

Desligue pagers e celulares.

Desligue pagers e celulares.

Desligue o seu celular.

Desligue. O Seu. Celular.

Desligue. o SEU. Celular.

É com você mesmo. Desligue o SEU celular.

Desligue a porra do celular.

Desligue. A porra. Do celular.

Desligue essa PORRA desse celular!!!

Se for pra deixar seu celular ligado, favor enfiá-lo na bunda e só com o vibra-call disponível.

O ator principal aqui, é você!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Poesia no Banheiro (pt. 3)

ouvindo: Suidakra - Last Fortress
frase do dia: "Os bebês são tão humanos - às vezes me lembram macaquinhos." - Saki

Demorou (muito), mas só para finalizar, aqui vão as últimas pequenas pichações que encontrei pelos banheiros FFLCHianos. Tem algumas dos banheiros femininos que, infelizmente, eu não pude entrar - foram minhas amigas que me contaram. Aqui vai um best of:





  • Educação Física:

Ouvi o primeiro "gostoooooooso!" depois de 3 meses e 1/2 de academia! Uhu!!



  • Teologia:

Deus é um filho da puta!!

-> Você, um filho de Deus!!



  • Inferno de Dante:

Faxineira da FFLCH, queria muito te comer. Imagina você só de calcinha cinza e galocha apoiada na privada. Que delícia!



  • Sexo animal:

A boca dele cabe direitinho no bico do meu seio, mas seus olhos não cabem em mim.

-> Você namora um tamanduá ou um hamster?

  • Política Brasileira:

Todos os neonazistas pagam boquete!!

-> Todos os não-neonazistas não pagam boquete?

Se fizer pergunta, também paga!!

-> Não fala em pagar que o PT já aparece!

  • Reforma Política:

MSTalin.

  • Poesia na Carteira da Aula de Lingüística:

Perca tempo
É no lento
Que a vida acontece.

- Tô fazendo isto agora.

  • Assinatura Final:

Eduardo, o cara que não quis enfiar o dedo no cú! (sic)

(eu juro que só li isso e não sei absolutamente do que se trata.)

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Poesia no Banheiro (pt. 2)

ouvindo: Moonspell - Opium
frase do dia: "Que seja eterno enquanto duro." - Vinícius de Morais

Antes de publicar minha "parte 3", vou deixar aqui as fotos maravilhosas que meu amigo Roska tirou da FFLCH, além daquela do post de baixo. É só para mostrar como temos mesmo os banheiros mais porcos, porém mais poéticos, de toda a USP.

Valeu mesmo, Roska!! :)


Papo Cabeça.

Cabeça não exatamente no papo...

Sabedoria popular.

Crise econômica, PT e 100 mil dólares na cueca.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Poesia no Banheiro (pt. 1)

ouvindo: Morbid Angel - Summoning Redemption (sutileza é uma coisa linda, não?)
frase do dia: "A melhor solução para um amor platônico é uma trepada homérica." - Anônimo



Volta às aulas é isso aí. Tive de brigar muito com minha insônia para conseguir voltar a acordar as 5 a. m., e não o contrário. Mas descobri um sonífero mais agradável que tentar entender Chomsky de madrugada: black metal no último volume do disc-man. Pá e pum!! Dormi como um anjinho negro e ainda consegui acordar com o melhor torcicolo da minha vida!!

Mas consegui reunir mais um pouco de corpus para meu longo trabalho artístico sobre as pichações que rolam pela USP. Se a Letras é composta por um bando de pé-rapados que acham que discutir entre dialetos jâmbio e ático leva a algum lugar, ao menos garanto que temos as melhores pichações de qualquer faculdade!

Selecionei algumas e exponho-as em tópicos. Como acontecem alguns diálogos vez ou outra, deixo-as unidas e com fontes diversas, entendeu?

É claro que a maioria desses tratados sobre arte foi tirado das paredes dos banheiros porcos de nossa amada FFLCH...



  • Romantismo:

Sugue minha dor líquida.




  • Matemática Pura:

Você roncaria na aula do Roncar? Dados comprovam: 75% roncariam.




  • Biologia Evolucionista:

Fodam-se as formigas sem antena.




  • Biologia Ecológica:

Se veado fosse normal, Deus teria criado Adão e Ivo.

-> Veado: marido da corsa.
Viado: estudante de Letras.

-> Ela não tem marido, ô jumento!




  • Adendo - Assinatura Letranda:

Henrique, a bicha-grila.




  • Lógica Direta:

Se puta fosse flor, a Penha era um jardim.




  • Biologia - Ana(l)tomia:

O pum é um funcionário
Que vem do intestino
Pra avisar a chula bunda
Que a merda está a caminho




  • Biologia - Ana(l)tomia 2:

O peido é a alma do feijão subindo aos céus




  • Mais Biologia Escatológica:


"O pum, (sic) é uma coisa que vem das tripas caganais, avisando a Dona Bunda que a merda vem logo atrás!!!"

-> VAI, CORINTHIANS!


(Nota pessoal: nenhum "que bosta!"??)

  • Política:

Free Roberto Jefferson!




  • Política Racial:

NEGROS NA UNIVERSIDADE
Cotas Já!!!

-> Cotas em cursinho, vagabundo!




  • Primeira(?)mão:

Vende-se colchão casal semi-novo + camisinhas R$100




  • Burlando o Transporte Público:

Atenção: Você que mora na região do Capão Redondo ou nas mediações (sic), faço frete todos os dias com Pirua Kombi, e o custo da viagem por pessoa é de R$2,00. -> Aceita Bilhete Único?

[seta puxada do "Pirua"] -> Glú! Glú! Glú!

  • English as a Second Fucking Language (nota: isso estava digitado. o que escreveram à caneta por cima está em azul-bic):

English Classes - for beginners and students who have tried to learn English for a long time... and have not gotten it.


If you want to learn English...
If you need to learn English...
If speaking English is your goal...
But you have problems...
And have been in troubles...
[nota: poético, não acham?]


I can help you a lot.
Private classes or in groups


Call me 91175154 Francisco Silveira


An experienced teacher who have (has) developed an efficient methodology based on psychologies techniques

  • E, por último, como estamos falando dos banheiros de uma faculdade de Letras, não poderia deixar de manifestar meu apreço pelas sábias palavras do ânonimo que me fez contemplar isso ao ir dar um mijão antes de uma aula de Clássicos:

Tô cagando pra Literatura.


Em uma palavra: arte.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

A Mosca

ouvindo: Kreator - Violent Revolution
frase do dia: "O melhor amigo do homem é o whisky. O whisky é o cachorro engarrafado." - Vinícius de Moraes

Já que ando tirando notícias de tudo quanto é canto e postando por aqui, aqui vai uma bizarra e científica (isto soou redundante...), que eu juro que tirei de uma antiga Folha Ciência, e não de um Roteiro de Filme B americado:


Quando a mosca geneticamente modificada foi solta e começou a voar na câmara de observação, fez o que qualquer galanteador faria: perseguiu uma fêmea virgem. Tocou a moça gentilmente com sua pata, cantou uma canção (usando as asas como instrumentos) e só então ousou lamber a genitália dela. Os cientistas viram tudo aquilo incrédulos: o "galã", na verdade, era uma fêmea.

O inseto "homossexual", na verdade, tinha recebido artificialmente a versão de um gene exclusiva dos machos. Esse único trecho de DNA, afirma um estudo publicado na edição de ontem [3 de Junho] do periódico científico "Cell" (www.cell.com), seria aparentemente capaz de criar os padrões de comportamento sexual.

Numa série de experimentos, os pesquisadores descobriram que as fêmeas que recebem a variante masculina do gene agem exatamente como machos durante o acasalamento [nota pessoal: isso inclui limpar o pingolim no lençol?!]. Já os machos que ganharam a versão feminina ficaram mais passivos e passaram a se interessar por outros machos.
"Mostramos que um único gene da mosca-das-frutas é suficiente para determinar todos os aspectos do comportamento e orientação sexual", disse o autor principal do estudo, Barry Dickson, do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia Austríaca de Ciências, em Viena. "Isso sugere que comportamentos instintivos podem ser especificados por programas genéticos, assim como acontece com o desenvolvimento de um órgão ou de um nariz".

Os resultados devem influenciar os debates sobre o poder dos genes e do ambiente para determinar o que as pessoas são, como agem e, especialmente, como desenvolvem sua orientação sexual. Especialistas se disseram impressionados e chocados com as descobertas. "Os resultados são tão claros que todo o campo das raízes genéticas do comportamento vai avançar de modo tremendo", disse Michael Weiss, da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos.

"Espero que ele tire a discussão sobre preferências sexuais da esfera da moralidade e a leve para a da ciência. Nunca escolhi ser heterossexual: simplesmente aconteceu. Mas os humanos são complicados. Com as moscas, podemos ver de forma simples e elegante como um gene influencia e determina o comportamento."

Os cientistas sabem há anos que o gene estudado, conhecido como "fruitless" ou "fru" [nota pessoal: será que eles sabem o que isso significa em português?!], é central para o acasalamento, coordenando uma rede de neurônios (células nervosas) que estão envolvidos no ritual de corte dos machos. Na verdade, tanto machos quanto fêmeas possuem o mesmo gene. Contudo, ao ser transcrito para mRNA (RNA mensageiro, a molécula que faz a ponte entre os genes e a fabricação das proteínas que eles representam), o gene é "editado" de forma diferente dependendo do sexo.

Todos os pesquisadores alertaram que os comportamentos inatos também podem ser modificados pela experiência. Machos rejeitados pelas fêmeas, por exemplo, tornam-se menos afoitos em seus avanços sexuais.


Bem, me abstenho de comentar o lado prático da versão científica das opções sexuais. Mas aí me vem à cabeça: se cientistas mexem com um gene num ratinho fofinho de laboratório, todas as organizações caem matando. Quando modificam com uma chatíssima mosca-de-fruta, ninguém nota. Por que será?!

quinta-feira, 7 de julho de 2005

What the porra is that?!

ouvindo: Lacrimosa - Das Schweigen
frase do dia: [quando perguntado por Playboy se não achava seu humor vulgar demais]: "Porra nenhuma!!" - Mel Brooks

Conversas pelo MSN:


Master Zeh diz:
falando em Porra... ce viu o nome do novo baixista do Stratovarius?


Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
qual é?

Master Zeh diz:
Lauri Porra

Master Zeh diz:
tocava no Sinergy

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
tá zuando!!! hahahahah!!

Master Zeh diz:
não!!!

Master Zeh diz:
hehe

Master Zeh diz:
será que esse porra toca mesmo??

Master Zeh diz:
toca porra!!!

Master Zeh diz:
esse baixista é um porra

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
solo da porra...

Master Zeh diz:
e se o cara sai da banda, "O Tolkki vai ter que engolir o porra"

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
mas que porra! quem foi o infeliz que deu essa porra de nome pra ele?!

Master Zeh diz:
a porra da familia dele, ué?

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
ah, é! porra é genético!

Master Zeh diz:
justamente

Master Zeh diz:
e todos descendentes recebem a mesma carga de porra desde o inicio da familia

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
porra! também quero uma família da porra assim!


Isso até pareceu uma conversa do Paulo César Peréro, PORRA!!!

terça-feira, 5 de julho de 2005

Morning Star vai ao médico

ouvindo: Borknagar - The Weight of the Wind
(outra) frase do dia: "Uma das causas mais comuns de todas as doenças é o diagnóstico." - Karl Kraus

Odeio muitas coisas. Crianças, esperar e hospitais estão no meu Top 10. Crianças para todos os lados na sala de espera de um hospital é uma tortura chinesa. O maldito pediatra tinha que ter uma sala do lado do Clínico Geral... cazzo. Pior é ficar agüentando na fila toda a sorte de mulheres (é raro ver um homem agüentar os filhos a ponto de levá-los no médico) comentando imbecilidades com seus respectivos monstrinhos. Se fôssemos levar seus elogios a sério, cada bairro de São Paulo teria promissores 300 novos modelos tipo exportação.

- Olha aquela japonezinha de touquinha ali... não parece uma esquimózinha?!

Claro, minha senhora. Também parece um foguete com essa cabeça pontiaguda. Vou botar fogo embaixo dela pra ver se ela voa longe.

Mas o pior é quando alguma energúmena resolve falar comigo. Meu Deus, por que as pessoas têm essa mania ridícula de falarem umas com as outras?! Não serve pra nada, mesmo!!

- Moço, o senhor está na fila do Pediatra..?

Fila do Pediatra?! Estás a delirar, senhora! Eu já tenho 20 anos, não me trato mais em médicos com imagens do Mickey de fraldas na parede e também, graças ao bom Deus, não tenho filhos prematuros!! Só estou aqui pois não há espaço o suficiente pra eu fugir dos seus filhos! Pediatria é o cacete!!

Tudo bem, depois de toda a sala se esvaziar, consigo entrar na sala e ver minha médica. Uma japonesa gorda que não parecia muito acostumada a atender gente tão altivamente mal-humorada quanto eu. Perguntinhas de praxe: que hemorróida te traz aqui, criatura do Mal?

- Hum... gastrite nervosa, minha pele que não se ajeita nunca e a insônia que só piora...
- Insônia? Você não pode passar nervoso...

Eu tenho ganas de dar um murro na cara dessas médicas e arrancar cada pêlinho de seus bigodes quando dizem isso. Pagar um spa em Curitiba, ninguém quer, né?!

- Usa alguma droga?

Windows. Tira o sono de qualquer um.

- ...Álcool, cigarro...?

Drinking: socialy. Smoking: occasionaly.

- É, tem bebida que tira o sono e tem bebida que chama o sono. Bebe muito café?

Lá vem!!

- Bebo!
- Bastante? Mais de 5 xícaras por dia?
- Cinco é "bastante"?
- Quanto você bebe?
- Ah, umas... 12 por d...
- DOZE?!?! Você vai ter de diminuir esse café...

Ah, não! Por que não me pede pra parar de respirar, logo?!

- Não vou te receitar muita coisa, mas sua insônia tá grave... tome esse aqui, e mais esse, e 3 desse antes de dormir.

Epa, como assim, não ia me receitar nada?! Acha estranho eu tomar 12 inofensivas xícaras G de café e me manda enfiar 5 comprimidos goela abaixo por dia antes de dormir?! Me recomendar encher os cornos de vinho antes de ir pra cama também funcionava, não é?

Volto pra recepção e a moça está enrolada com meu cartão de cadastro. Ainda tenho de ouvir:

- Flávio, o sistema aqui tá pifado... vai demorar uns minutinhos... não quer tomar um cafézinho enquanto isso?!
- Porra, é lógico que eu quero!!

Ok, ok, eu vou pra Farmácia.

- Está fechada, só abre as 9 horas.

Olho no relógio. 8:59:50.

- Bem, esperemos.

Pi, pi!

- Estranho, não abriu!

Enquanto aguardo, vejo que há uma salinha escura do lado dos banheiros escrito Expurgo. Expurgo?! Como assim, "Expurgo"?! E eu que achei que a Igreja Católica não influenciava mais a Medicina...

Ouço um choro incontrolável de criança lá dentro, como se ela estivesse dentro de uma Iron maiden, e vejo que o negócio tem o formato de um confessinário. Ehee! Disso aí eu quero brincar!!

Após a longa espera, entrego minha receita. Em menos de 8 segundos, a fatídica resposta:

- Quem é Flávio?! Ah, sinto informar, querido, mas aqui não tem nenhum desses!

Ahn. O que foi que a japinha de avental lá de cima me disse sobre "não passar nervoso", mesmo?!

Mainardi e Houellebecq

ouvindo: Opeth - Silhouette
frase do dia: [Quando lhe pergutaram por que sempre voltava ao Brasil, quando podia viver sossegado nos EUA]: "Volto para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% de brasileiros que pagam imposto de renda. Para perder o apetite ou morrer de indigestão. Volto porque nunca saí daqui." - Tom Jobim

Ora, veja, Diogo Mainardi falou do Houellebecq na sua coluna na Veja dessa semana (sim, eu leio Veja! já não assisto TV nem por anátemas, se não ler Veja sabendo todas as notícias com uma semana de atraso, tava até hoje querendo saber o que é um "mensalão"). É meio engraçado quando as coisas acontecem tão perfeitamente assim, pois tudo parece meio deslocado.

Mainardi é meu atual colunista preferido. Tá, ele não nega que é um Paulo Francis piorado, mas até aí, também, é querer demais. Ele faz o seu papel de chato muito bem. Mas achei engraçado ele falar de um livro que veio parar nas minhas mãos por um acaso chamado Fábio, e que logo se tornou um dos meus livros preferidos escritos no séc. XX.

Houellebecq (ainda tô lendo a revista pra digitar essa merda direito) fala de tudo em seu livro Partículas Elementares. Manipulação genética, teoria literária, geração Beatnick, suicídio ocidental, islamismo e, como não pode faltar, amor, sexo e morte. E, claro, como excelente escritor que é, só fala mal de Deus e o mundo. Mas a ligação que Mainardi fez na sua coluna dessa semana é que ele, num curto parágrafo no livro inteiro, também fala mal do Brasil. Diz que nosso país é uma porcaria, "povoado de brutos fanáticos por futebol e por corridas de automóvel. A violência, a corrupção e a miséria estavam no apogeu. Se havia um país detestável, era justamente e especificamente, o Brasil."

Mainardi, por increça que parível, ainda usou de eufemismos. Vou até a página 146 e vejo lá o contexto todo. Bruno está num camping de nudistas/ex-hippies/qualquer-putaria-que-o-valha atrás apenas de sexo, usando as malditas meditações tântricas e outras viagens psicodélicas apenas para poder comer alguém sem ter de perguntar o telefone depois. À noite, Bruno vê a roda de danças malucas que ajunta todo o Espaço de Mudança. Aproximando-se de uma vítim... digo, de uma jovem garota com quem puxa papo, em dado momento Bruno pergunta: "Não danças?". Sophie responde: "Não, não gosto das danças africanas, é demasiado..." - interrompendo-se ao perceber que estava no limite do racismo, emenda: "Mas adoro as danças brasileiras..."

"Não era preciso mais para irritar Bruno. Começava a encher o saco dessa estúpida mania pró-Brasil. Por que o Brasil? Conforme tudo o que sabia, o Brasil era um país de merda, povoado de brutos fanáticos por futebol, etc. etc.."

É claro que o Mainardi não pode dizer o que Bruno pensou in facto. Mas vejamos ainda o que ele responde a Sophie:

"Sophie, eu poderia ir ao Brasil, em férias. Passearia nas favelas, num microônibus blindado; observaria os pequenos assassinos de oito anos, que sonham em ser chefes de bando aos 13 anos; não sentiria medo, protegido pela blindagem; à tarde, iria à praia, entre riquíssimos traficantes de droga e de proxenetas; no meio dessa vida desenfreada, esqueceria a melancolia do homem ocidental..."

É óbvio que nossa Sophie passou longe de Bruno e de suas verdades meio ébrias. Mas o que espero é a enxurrada de cartas que vai ser enviada ao sr. Mainardi na próxima semana por falar novamente "mal" do Brasil. Puta que pariu nossa pátria, quando esse povo fala mal do vizinho pinguço, da violência escancarada e matando seus filhos, da corrupção no partido do povo, da burocracia, do desemprego e de todas as mazelas que só fodem suas vidas, está tudo bem. Quando é alguém que admite com todas as palavras que esse país é uma merda, reclamam!

Definitivamente, o pior do Brasil é o brasileiro.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

E já que o assunto é arte...

ouvindo: Blackmore´s Night - Mond Tanz
frase do dia: "Qualquer idiota é capaz de pintar um quadro, mas só um gênio é capaz de vendê-lo." - Samuel Butler

É eu terminar minha longa tese de mestrado nos últimos 2 posts (que foram lidos por 2% das pessoas que depararam com seu tamanho) que me aparece na frente uma nota, no mínimo, bizarra na Veja dessa semana:


Vendida: Uma das telas do chimpanzé Congo, favorito do leilão. Vendidas por 14.400 libras, ou cerca de 62.500 reais, três telas pintadas por um chimpanzé, num leilão da casa londrina Bonhams. Na mesma venda, uma pintura de Andy Warhol e uma escultura de Renoir não encontraram compradores. As telas foram pintadas no fim dos anos 50 por Congo, um chimpanzé que se tornou célebre ao atrair a atenção do antropólogo Desmond Morris, que descobriu seu pendor artístico. Entre os admiradores de Congo que morreu em 1964 contavam-se Picasso, Miró e Salvador Dalí.


Meu deus, brinco com arte para burros e me aparece arte de um chimpanzé! Dali tudo bem, por ser estudante de bizarrices envolvendo a psique, mas bem se entende como Picasso e Miró eram mesmo inteligentes como um chimpanzé.

Aliás, analisando bem, até que pagaria mais pelas telas do macaco do que pelas outras mesmo... ao menos nosso amigo primata não fez nada que caia no vestibular.

domingo, 22 de maio de 2005

"Arte" Moderna (pt. 2)

ouvindo: Theatre of Tragedy - Black as the Devil Painteth
frase do dia: "O que o mundo precisa é de mais gênios humildes. Hoje restam poucos de nós." - Oscar Levant

Primeiramente, minhas desculpas pela demora com a continuação de minha destilação venenosa ao Modernismo - época de trabalhos da faculdade (felizmente, trabalhos que pouco tinham a ver com esse lixo) mais complicações com o código do blog (que eu sempre insisto em ferrar mesmo que não chegue perto dele) fizeram com que eu desconfiasse que a "Macumba de Pai Zuzé", do Manuel Bandeira, pega mesmo.

Segundamente, acabei por deletar tudo o que já tinha escrito antes por aqui (pela quarta vez) por parar pra pensar um pouco e chegar à algumas conclusões. O que chamam de "arte moderna" é, muitas vezes, bem diferente do que chamam de "Modernismo". Por mais que tenha minhas sérias ressalvas a vários deles, seria uma burrice de minha parte seguir os exemplos acadêmicos e colocar todas as escolas de vanguarda no mesmo pacote do que é chamado Modernismo. Marcel Proust, Franz Kafka, Pablo Picasso (sempre tão artístico quanto uma poça de vômito), Salvador Dali, Ezra Pound, T. S. Idiot, digo, Eliot, Max Reinhardt, a escola expressionista alemã, o impressionismo russo, e tantos outros, bons ou ruins, não podem estar lado a lado de dejetos pseudo-culturais como o que o Modernismo produziu. Sendo assim, me alço aqui apenas ao que é chamado "Modernismo" par excellence.

Munch, Rembrandt, Goya, Dali e tantos outros souberam criar um outro mundo, impositivo, que não apenas retratava a realidade, criava um outro mundo. Não há como ver "O Beijo" ou o famosíssimo "O Grito" de Munch e não dar conta de uma visão ultra-pessoal do artista, uma atmosfera impossível de escapar, um mundo criado com tons onde o preto está sempre presente, a tela como algo do qual é impossível fugir. Quando nos lembramos de que aquilo é apenas um pedaço de papel com tinta mistura em cima, entendemos do que um gênio é capaz.
Já nossos pintores modernistas, como Anita Malfatti, acharam que simplesmente pintar uma mulher de amarelo ao invés das cores óbvias era ser "visionário".

"A Boba", de Anita Malfatti

Alguma sensação estésica sublime, que faz com que um amontoado de cores em nossa frente cause torções em nossos sonhos? Ou apenas se vê que nossa querida amiga Anita desperdiça seu talento criando algo como dieta de diabético (sem sal nem açúcar), uma imagem que facilmente esquecemos assim que esses olhos tortos param de olhar para nós? Ainda lembro que foi essa a crítica que Monteiro Lobato fez à sua exposição (tudo bem, me arrisco em usar esse fato, visto que Lobato sequer foi à tal exposição): "Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em conseqüência disso fazem arte pura, guardando os eternos ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas (...) A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva."

Evoco até mesmo uma brincadeira ocorrida na França, quando ataram um pincel ao rabo de um burro, misturaram as tintas, fizeram uma legítima "arte abstrata cubista/dadaísta/futurista/insira-aqui-seu-ista", deram um nome absurdo (Pôr-do-Sol em Sabe lá Deus onde) e colocaram numa exposição como a maior novidade da Arte. Não deu outra, todos amaram, até que contaram da farsa.

Arte de burros. Nada além. Arte onde tentam, uma vez, tirar uma rima. Depois, tirar a melodia. Logo, tiram todo o gênio criador e se produz apenas uma arte sem arte!

Perdoem-me pela verdade, modernistas puristas, mas não existe arte sem inteligência.

Mário de Andrade, para voltar pra Literatura, é o perfeito exemplo do anacronismo moderno. E o perfeito exemplo de que não há criação alguma por ali: apenas ataques indiretos à escolas anteriores (que se eram ruins, conseguiram soar até palatáveis perto de seus livros). "Desvairada" é uma palavra não cabível ao título de seus livros apenas no sentido iconoclasta. Também vale pela falta de propósitos de sua narrativa. É tão cheio de expressões copiadas dos falares caipiras (em plena São Paulo que abria as portas para a industrialização) que sua narrativa, tentando fluir como a voz, acaba empacando por suas letras trocadas sem nexo. Aliás, por que, já que o projeto era este, ele também não escreveu "prédiu", "normáu" e "istou", então?!

O ridículo se apiora com Oswald de Andrade. O exemplo-mor de onde a hipocrisia humana chegou. Queria mostrar que o falar do povo era o correto, ao contrário do elitismo-troglodita-imperialista de um maldito livro de gramática. Mas quando foi fazer discursos inflamados na Semana de Arte Moderna... é melhor estar com um dicionário de expressões parnasianas para entender o que quis dizer... se bem que ele não quis dizer nada.

Estudou, como Mário, muito do índio e sempre quis mostrar que o europeu, chegando em terra brasilis, só quis ferrar com ele. Mas, novamente, não quer ir viver no meio do mato e tem todo o estilo europeu de ser, mas nunca admitindo que seus modelos, na verdade, são uma lambança genérica de tudo que não é propriamente seu e, ainda por cima, são completamente desprovidos de lógica. O nosso Policárpio Quaresma, em carne e osso.

Sua mulher, Pagu, como todos os seus relacionamentos rompidos, é a mostra do servilismo modernista a um ideário perdido no Reino do Nada que... bem, só nos deixa perdidos mesmo. Artista medíocre, só teve suas obras expostas e famosas pela influência acadêmica (*náuseas*) de seu marido. Vermelha como ele, largou cegamente (como uma crente pentelha) os salões pseudo-intelectuais para uma causa maior: o Partido Comunista, trabalhando até mesmo como prostituta para dar (opa!) informações (ah!) para nossos amigos bolcheviques que, também, não fizeram nada de útil. Pergunta: se não fosse um regime ditatorial que dominou nossa política por anos a fio, todas essas atitudes insanas teriam algum valor?

Poderia passar dias digitando meus volteios sobre Manuel Bandeira, mas como o pessoal da Letras é que mais acessa essa coisa, e todo mundo está de saco cheio de fazer análises cirúrgicas de "poemas" que não dizem nada, prefiro ignorar a mijadinha do gato na pensão burguesa, o seu porquinho-da-índia e quando o "poeta" levava ele (sic) pra sala, prefiro ignorar sua tentativa pueril (no mau sentido) de imitar Debussy e suas canções infantis, sua sonífera descrição da preta Irene entrando no Céu e sua aforismática lição de vida, pois, enquanto uns tomam ecstasy e outros cocaína, ele, que já tomou tristeza, hoje toma alegria. (o primeiro arrombado que fizer ligações entre um título de seus livros e minha pessoa será empalado!!)

Prefiro me ater a um aspecto curioso de sua... "obra". Todos aqueles que a dissecam, como se houvesse um grande tesouro a ser encontrado no fim do arco-íris, a justificam. "Tal verso é assim pois a vida do escritor...", "Tal passagem evoca a infância do poeta no Recife...", "Aqui, vemos Bandeira já triste por causa da doença..." - por Pólux! Alguém precisa analisar a vida de Marlowe pra entender a grandiosidade megalomaníaca de Fausto?! Alguém consegue analisar a infância de Nietzsche para saber como ele chegou ao "Umwertung aller Werte"? Isso é coisa de psicanalista. Esses caras acham que um adulto é uma criança perdida de si mesmo.

Com tantas justificativas, vemos que tais críticos até sabem que ler isso é um erro, perda de tempo, mas tentam justificar sua "visão atual de arte" (ao invés de lerem um livro complicado mas inteligente) com tanta argumentação. Se tais poesias tivessem tanta retórica quanto seus próprios defensores, com certeza seria bem melhor!

Mas aí resta a pergunta: mesmo que Bandeira consiga "captar o momento em palavras rítmicas" e mostre todo o seu "gênio" lembrando de sua infância, o que diabos isso muda a minha vida?! Eu dormiria mais ignorante sem saber disso?! Pois bem. Pensem em como suas vidas mudaram ao lerem Bocaggio, Marquês de Sade, Moliére, Turguêniev ou Rimbaud e cheguem às suas próprias conclusões.

Mais umas palavrinhas de Lobato, ao lembrar também das ligações forçadas entre essas estéticas e os delírios dos loucos: "De há muito já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo mistificação pura."

O chatíssimo João Cabral de Melo Neto nos ensinou como ser moderno é ser caipira. Estar de acordo com a arte moderna é falar como um bóia-fria. É ignorar qualquer inteligência que tenha sido produzida anteriormente (e que gerou tal "modernidade"). Um jornalista do Estado de São Paulo, também poeta, ao conversar com ele, ao perceber que ele só falava de seus parentes, achou que se perguntasse ao "poeta" pernambucano o que ele sabia sobre 15 de Agosto de 1914, João Cabral iria responder sobre o nascimento de algum afilhado, esquecendo da eclosão da Primeira Grande Guerra.

Em um encontro em Paris, houve uma discussão entre dois modernosos, João Cabral e Vinícius de Moraes. Este foi acusado por Cabral de só fazer música e poesia sobre amor, tema mais que batido. Moraes respondeu a Cabral que então, era melhor sair fazendo poesia sobre pedra, mato e barranco. Vemos como dois erros produzem um acerto perfeito pra quem está de fora.

Aliás, falar de Vinícius é complicado demais e meu parco conhecimento me obriga a calar a boca. Um compositor excepcional, é claro (raríssimos na história da música entendiam de melodia como ele), um poeta que demonstra talento... mas novamente, não consegue provocar emoções profundas em quem o lê (falando apenas do poeta) - é tudo tão "arte do momento" que não há artista, há apenas o cotidiano prosaico e desanimador que o cria.

E agora, Drummond? A novidade modernista acabou, a luz apagou, o povo enjoou, a noite esfriou, e agora, Drummond? Com certeza, só continua sendo lido pois cai no Vestibular - tinha uma questão sua na Fuvest, na Fuvest tinha uma questão sua. Eu nunca vou me esquecer desse fato: tinha uma questão sua na Fuvest, na Fuvest tinha uma questão sua! Continuando a Máfia dos Andrade, de Mário, que foi seguido por Oswald, que foi seguido por este Carlos Drummond, que foi seguido pelos filhos dos Andrade, enquanto Doistoiévski que é bom nem entrou na história.

Tal foi a encheção moderna que mesmo os setores mais burros da sociedade (geralmente, artistas de quinta que estão sempre na mídia como "insurgentes" mas nunca leram Bakunin) ficaram de ressaca. Daí pra surgir a Tropicália, com antas como Chaetano Melloso, Gilberto Gil (que conseguiu virar ministro!!) e Maria Bestânia foi um passo. Seu ideal? Sei lá! Era pegar um violão, fumar unzinho e faturar em cima de trouxas que chamavam isso de "boa música" (não é só porque Beatles é um lixo que tudo que não é Beatnick, deixa de ser). De Gilberto Gil:

"Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas tão normais
Como estar defronte de uma coisa e ficar
Horas à fio com ela, bárbara, bela, tela de TV
Você há de achar gozado Barbarela dita assim dessa maneira
Brincadeira sem nexo que gente maluca gosta de fazer"

Boa. Se teve algo que não peguei, foi o nexo mesmo. Mas mudou minha vida. Pra que ler Camões depois desta?!

Nota: A Vara do Juíz da 69.ª Câmara de Tortura do Direito Matrimonial de Curitiba me proibiu de falar de Chico Buarque. Minhas condolências.

Algumas rápidas ressalvas, pra quem ainda está acordado. Chamar Fernando Pessoa de "modernista" é um insulto. Seu heterônimo mais conhecido por essas bandas, Alberto Caieiro, só é lido por ser, aparentemente, fácil. Não é. O molde dele é oriental. A complexidade não está na palavra, mas no pensamento que ela evoca. Assim como o autor ocidental analisa o mundo e o regurgita criado por si, Caieiro, como os orientais, pega uma gota de chuva e faz com que o leitor crie uma tempestade dentro de si. Será que seus fãs por aqui percebem isso?

Sem falar ainda nos versos de Álvaro de Campos...

"Por isso eu tomo ópio. É um remédio.
Sou um convalescente do momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento.
E ver passar a vida faz-me tédio."

Moderno, não?

Outra mal entendida é Clarice Lispector. Tão "moderna" que começa seus livros agradecendo a Schopenhauer... o processo é o mesmo que o de Pessoa - pena que estava na hora errada e, principalmente, com as companhias erradas.

Mas o principal é Marcel Duchamp. Destruiu a arte. Dadaísta por excelência. Mas não vou falar mal dele, embora isso choque até quem esteve do meu lado até agora. A diferença aqui é que Duchamp nunca se levou a sério. Nunca se achou "reformista" da arte por pintar um bigode na Mona Lisa e escrever L.H.O.O.Q., que produz os mesmos sons, em francês, de "Ela tem o rabo quente". Nunca colocou um mictório numa exposição e disse que aquilo era arte. Ele perguntou. Duchamp não foi o problema. O problema foram seus seguidores.

Concluo tudo com os versos de uma das pessoas mais inteligentes que conheço, minha grande amiga Anya, que com um longo poema em versos alexandrinos perdeu um concurso de poesia para um grande "novo gênio" moderno, que escreveu simplesmente

Olhei,
Vibrei,
Dancei.
E a noite?
A noite parou.

Como vingança, fez a paródia genial e muito mais interessante:

Forcei,
Enrubesci,
Caguei.
E a merda?
A merda fedeu.

Não se fazem mais modernistas como antigamente.

domingo, 15 de maio de 2005

"Arte" Moderna (pt. 1)

ouvindo: Apocalyptica - Romance
frase do dia: "A arte abstrata é um produto dos incompetentes, vendida pelos inescrupulosos e comprada pelos imbecis." - Al Capp

Vocês pediram. Vocês imploraram. Vocês encheram o saco. Vocês fecharam as avenidas com passeatas. Vocês fizeram piquete. Vocês pagaram um boquete. Vocês clamaram aos céus para que eu não fizesse isso... pois aqui estou eu fazendo uma análise experimental e prática explicando porque diabos eu odeio Modernismo. Se não era isso que esperava ler, pode parar por aqui, mas devido ao tamanho costumaz de meus posts, se você veio ler alguma coisa por aqui, já sabe mais ou menos (digo, menos) o que esperar.

Estudar Modernismo é a coisa mais paradoxal que existe. Nossos amigos "artistas" queriam quebrar barreiras. Ok. Queriam fazer algo novo, conectado com a Zeitung vigente. Ok. Queriam mostrar que não é necessário escandir sonetos e fazer rimas toantes raras para se fazer algo bonito. Ok. Queriam fazer a "arte" do povo, na "língua errada do povo, língua certa do povo". Ok.

Mas então, posso saber pra que diabos queriam fazer isso apenas para aqueles com formação intelectual, e nunca no meio de sua tão amada populaça?!

No que tange a tais manifestações populistas, esperar algo conciso e coerente é como esperar que um burro pinte um quadro de arte abstrata com um pincel amarrado no rabo... opa, peraí, isso também aconteceu! Estou me adiantando demais.

Os modernistas brasileiros são os maiores culpados por toda a nossa gente ser burra, inclusive aqueles que se declamam a "elite intelectual". Nowadays, neguinho acha que ouvir Gilberto Gil no lugar de Bonde do Tigrão é um sinal de gosto elevado. Hume não conhecia esses pulhas... mas o mais espantoso é não só acharem tais vilipêndios uma forma genuína de manifestação "artística", como acharem que é o ápice da refinação estética.

Vamos analisar tudo calmamente. Essas nobres almas quiseram achar uma "identidade nacional" num país que tem como maior identidade uma miscigenação racial, intelectual e, sobretudo, cultural. É como dizer que formamos a "raça brasileira" e criar um comitê buscando "pureza racial" das pessoas por aí.

Pra piorar, quiseram quebrar lastros com a França, especialmente Paris pois, naquela época, este era o epicentro de toda a produção mental no Ocidente. Hum... peraí, o Modernismo não surgiu na Cidade-Luz francesa?! Eles não simplesmente continuaram fazendo o que todos faziam antes?! Ponto negativo novamente.

Antropofagia... essa até hoje não consegui entender. Não era o que vinha sendo feito desde... desde o Padre Antônio Vieira, afinal?!

Mas tudo bem, não vamos ser europeus, vamos ser brasileiros e obrigar os cursos de Letras (*revirando o olhar*) a terem Tupi no currículo básico. Minha pergunta continua sendo: por que toda aquela verborragia vomitada no Teatro Mvnicipal, e não na Funai ou na reserva dos Pataxós?!

Iconoclastia da pior espécie. Isso é, da espécie burra. Ser esperto é perceber que um soneto alexandrino é uma invenção humana e não é a única forma poética funcional? Genial. Mas aí pergunto: e qual o problema com o soneto? Não é só porque não é a única viável, que significa que todo soneto é inviável. Probleminha de lógica simples, até eu consigo resolver.

Os únicos artistas de verdade foram aqueles que destruíram o que era vigente e rejeitaram as regras impostas? Tal imposição não deixa de ser uma regra perigosa. Shakespeare não foi um iconoclasta mortífero escrevendo seus sonetos e seu teatro elisabetano? Baudelaire precisou escrever como uma criança de 10 anos e abandonando a norma culta (oh, bela e culta!) para ter seu livro considerado "imoral"? (não surpreende que um tal Libertinagem, por aí, seja tão inofensivo a ponto de ser estudado em qualquer ensino médio...)

Ser revolucionário, num mundo onde os disparates e tentativas de originalidade já ultrapassaram as raias do risível, é desbaratar a criatividade em prol da... do quê, afinal?!

Uma coisa imperceptível aos amantes do que é moderno é que tais panfletagens, além de serem tão artísticas quanto um comercial da MTV (a emissora com maior número de auto-propaganda por minuto quadrado, e uma perfeita mostra de onde chegaremos com tanta "modernidade"), já dão mostras de serem dependentes de quem se dispõe a suar e fazer seu trabalho de verdade. É uma comunicação de valor ontológico mais baixo. Para existir, é necessário que exista uma arte anterior. Podemos ler Wuthering Heights e o livro fala por si só - ele faz o que diz. Agora, temos de entender um contexto x, y, z num espaço/tempo curvo onde Olavo Bilac já tava enchendo o saco para podermos ler Macunaíma e dizer: "ah, tá, o livro é uma merda pois ele vai contra o Parnasianismo... então, não é que o livro é uma merda por si só, é uma merda de propósito... literalmente, não foi na cagada... legal."

A lambança chega a dar nojo quando concluímos a que ponto tal... ahn... "filosofia estética" nos levará, além dos comerciais da MTV. A arte "verdadeira" é a "arte" do povo? Hum... se o que é genial está na boca de quem não estudou, pra que estudar? E se não vamos escrever palavras como "comborço", "concupiscência", "consubstanciação" e "consuetudinário" (pra ficar só no c) em nossos escritos, por que não refazemos a Inquisição, queimamos todos os exemplares da Divina Comédia e declaramos as letras do MV Bill como matéria obrigatória para selecionar os melhores candidatos nos vestibulares Brasil afora?

Quer dizer que não podemos falar sobre Palas Athenas e transmutação da alma pelo platonismo, pois isso é "elitista". Em primeiro lugar: o que é elite?! Segundo o lusitano Priberam, dicionário mais rápido disponível no momento:

do Fr. élite, s. m.
s. f.
,
o que há de melhor numa sociedade ou num grupo;

Se ser "elitista" é gostar do que há de melhor em algo, pois bem, eu sou elitista! Aliás, qual a vantagem em não o ser?! Agora, tal concepão imbrica em um ponto morto que vira nossas concepções e nosso estômago do avesso. Só posso fazer arte de acordo com a sociedade vigente? Então, qual o papel do artista? Ficar na dele, não criar nada, ignorar tudo aquilo que ele próprio conquistou e é capaz de criar (como cada palavra nova que é capaz de pronunciar, ao contrário do rebanho) só pra não ser "difícil"? Que tal, então, fazermos algo bem popular, como um poema composto apenas por As, para até os analfabetos conseguirem ler, ou quem sabe, para não sermos elitistas com os animais, escrevermos latindo e crocitando?!

Já até comecei a minha mais nova pintura "do povo" cego.

O Modernismo diz que a forma é estrutura, não é individual. A busca do eu, do individualismo máximo na arte, a rejeição às amarras e regras que contagiavam os salões culturais naqueles tempos. Primus, que nem toda forma é um curral de ovelhas - o soneto, o haicai, a elegia, o gazal e tantas outras metrificações da forma poética (pra me ater a uma área a qual estou mais familiarizado) são apenas consagradas por sua beleza natural e conseguirem até mesmo facilitar a expressão do poeta. Algo como uma escala musical harmônica, melódica, maior ou menor.

Secundus, Baudelaire era um poeta pois fazia poesia, mesmo falando de vermes, putas e Satã. Podemos até falar de Palas Atenas, ninfas no Parnaso e a descida de Enéas ao Avernus, se não o for como poetas, não será poesia. O que dizer, então, de pseudo-reformadores estéticos que não só não têm conteúdo (problema dos Parnasianos), como também não têm forma? É como fazer arte sem sentimento, sem beleza, sem cor, sem intelecto, sem... talento.

Tertius, essa busca do eu só é válida quando esse eu existe. Arte é pra poucos. "Viver é algo raro, a maioria das pessoas apenas existe" - Oscar Wilde. Quando se tenta buscar um válido individualismo chafurdado no rebanho, se cai cada vez mais no coletivo, no eu que não se desenvolveu e não passa de um subproduto histórico nos melhores moldes "Marx de cu é Hegel". Na populaça, quanto mais se busca o eu, mais se cai no lugar-comum do impessoal, chato, insípido e desprovido de arte.

Aguardem o próximo bloco, quando analisarei alguns de nossos grandes "mestres" modernistas.

sábado, 14 de maio de 2005

Assassinos tentam culpar RPG por crime no ES

ouvindo: Mythological Cold Towers - In the Forgotten Melancholic Waves of Eternal Sea
frase do dia: "Não combata monstros temendo tornar-se um deles - Se você olhar para o Abismo, o Abismo olhará para você." - Friedrich Nietzsche

Pequena notícia do Portal Terra:

Assassinos tentam culpar RPG por crime no ES

A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu na noite de ontem dois acusados pelo assassinato do aposentado Douglas Augusto Guedes, da mulher dele, a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes, e do filho do casal Tiago Guedes, em Guarapari. Os corpos dos três foram encontrados amarrados e deitados em camas no dia 5 de maio. Na mesma data, eles foram sepultados.

O delegado da Divisão de Homicídios de Guarapari, Alexandre Linconl, disse ao Portal Terra que Mayderson de Vargas Mendes, 21 anos, e Ronald Ribeiro Rodrigues, 22, confessaram que mataram a família motivados pelo jogo. “Isso é um absurdo” declarou o delegado, “estão alegando que como Tiago perdeu, o objetivo era eliminar ele e a família dele". "O rapaz tinha consciência e permitiu os assassinatos". O delegado afirmou “Na verdade, querem culpar o RPG para, posteriormente, alegarem insanidade durante a defesa, mas creio que isso não irá funcionar”.

Segundo depoimento dos dois indiciados, eles estavam jogando RPG com Tiago, na casa da família Guedes, no dia em que as mortes aconteceram: 26 de abril. Eles interpretavam papéis de policial, advogado e narrador - que seria o mestre na história. A partida já durava cerca de 5 horas, quando Tiago teria perdido o jogo e na história, o personagem dele, um policial, teria de morrer. Antes disso, os pais dele também seriam mortos.

A família inteira recebeu um sonífero, depois teve as mãos amarradas. O pai foi o primeiro a ser assassinado, depois a mãe e, por último, Tiago", explicou o delegado.

De acordo com o delegado, a morte de Augusto e Heloísa não tem nenhuma relação com o jogo, ao contrário do que afirmam os assassinos. O filho do casal, que também foi obrigado a tomar sonífero, foi colocado na cama dos pais, e também morreu com um tiro na cabeça. Antes de matar o garoto, os dois acusados teriam ido ao banco e sacado dinheiro da poupança do rapaz. Um computador também foi levado.

Investigações

Linconl disse que foram encontrados diversos livros e materiais de RPG no quarto do filho do casal e um bilhete que dizia: "Mayderson, se você quiser ir embora, fale com a minha mãe, mas eu prefiro que você fique. Tiago". Com o material encontrado na casa, a polícia chegou ao nome de Mayderson. Ele foi procurado na casa da mãe, que informou que ele estava na casa de um amigo (menor de idade e que não teria relação com os crimes) e deu o endereço. A polícia foi até o local e esperou a chegada do rapaz, que confessou o crime. Com o suspeito foi encontrado o celular de uma das vítimas e também dinheiro, sacado da conta de Tiago.

RPG

RPG é a sigla de Role Playing Game, o que significa "Jogo de Interpretação de Papéis". É um jogo que surgiu por volta de 1974 nos EUA, baseado em jogos de estratégia e literatura fantástica (principalmente as obras de Tolkien), e rapidamente ganhou vários adeptos pelo mundo todo.

Para jogar RPG, é preciso um mestre e jogadores. A função do mestre é apresentar ao grupo de jogadores uma história, que contenha obstáculos, charadas e situações que exigirão escolhas por parte dos jogadores. Os jogadores, por sua vez, controlam personagens que irão participar da história, discutindo entre si as escolhas que farão e as soluções que darão aos obstáculos e dificuldades que surgirem. É um exercício de diálogo, de decisão em grupo, de consenso.

Como no RPG não existem perdedores nem vencedores, esse é um dos pontos que reforçam a teoria do delegado, de que os assassinos estão mentindo, pois alegaram que mataram Tiago “porque ele perdeu no jogo”.


Nota pessoal: E então, pela primeira vez, vejo um grande veículo de comunicação divulgar o que um delegado menos alienado resolveu dizer sobre algo "underground". Se fosse como no caso Ouro Preto, certas emissoras de alcance global ainda insistiriam em dizer que RPG é um jogo onde quem perde, paga com a vida e coisas similares. Como se já não bastasse nosso instruidíssimo Arnaldo Jabor comentando sobre Dimebeg Darrel... enfim, uma boa notícia.

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Libido: pra quê?

ouvindo: Cradle of Filth - Amor e Morte (eu juro que foi sem querer!)
frase do dia: "O casamento é uma amizade íntima, reconhecida pela polícia." - Robert Louis Stevenson

A história do Ocidente é marcada pelo fato de que a libido atrapalha o homem em tudo, até na hora de ir ao banheiro (bem, pelo menos em alguns casos).

A Guerra de Tróia inaugurou o Ocidente. A visão cristã é de que toda guerra é um pecado (sendo assim, toda vida é uma penitência), e cada guerra é a explosão dos pecados internos do homem coletivo. (É, eu também acho estranho o tanto de vezes que YHVH deu uma soraivada genocida em outros povos na Bíblia, incluindo mulheres e crianças, e nada acontece com os israelitas). Pecado de guerra?! Pensa-se logo em ira (parece o mais masculino de todos os pecados, assim como a guerra, a mais masculina das atividades humanas). Não obstante, o grande escritor José Roberto Torero (o considero um dos 5 melhores escritores vivos do Brasil) já nos lembrava, em sua grande obra Ira - Xadrez, Truco e Outras Guerras, que ira é pecado para os soldados. Nenhuma guerra se faz por ira, ninguém se odeia nos altos escalões da diplomacia ("a continuação da guerra por outros meios" - Chu En-Lai), só soldados odeiam, sem motivo, o soldado adversário. As guerras se fazem por inveja, soberba, preguiça, gula, avareza... até mesmo por luxúria. A história do Ocidente começou com uma guerra luxuriosa por uma tal Helena de Tróia. Só podia dar no que deu.

A verdade é que este sentimento platônico de amor (não quero dizer amor irrealisável ou romântico, se alguém vier aqui falar mal de romantismo, teremos guerra! e por ira!), aquele de "só podemos amar quem é igual ou superior em nossa hierarquia, assim, os escravos se amam ou amam os outros, as mulheres amam os homens e demais superiores, os homens amam as sacerdotisas e superiores, as sacerdotisas amam os deuses e os deuses só se amam entre si" é "apenas um truque sujo em que a natureza nos faz cair para assegurar a continuação da espécie" (W. Somerset Maugham). Ou, já que já passei da quarta citação no terceiro parágrafo, "A galinha é apenas o meio que o ovo encontrou para produzir outro ovo" (Samuel Butler, niilismo inigualável). Este amor conjugal (ágape, para meus amigos helenistas) é algo não-mais-que fisiológico.

Me entristece perceber que muitas pessoas se consideram as "modernosas" só por irem na balada e rodarem a banca. A "falta de compromisso" é característica de uma pessoa "livre", elas dizem. Livre? Isso é se prender ao que a natureza nos fadou a ser. Já comprovaram que nossos padrões de beleza se baseiam única e exclusivamente em nossa capacidade de distinguir no próximo um provável reprodutor capacitado para que nossos futuros filhos cresçam com segurança.


Cabe aqui uma pergunta que me tirou o sono quando soube disso: eu nunca quis ter filhos, desde que era pequenininho. E também nunca dei um pingo de valor pra bunda, que definitivamente, ao contrário do resto da nação, não é minha preferência. Existe alguma ligação entre as partes?

Mas o fato é que isso não é amor, o sentimento. É apenas libido, aquela coisa de psicólogo. A libido é fisiológica: serve para o ovo produzir outro ovo. O amor é psicológico e idiossincraticamente abstrato - obtemos prazer com o outro, então, deixamos nossa felicidade nas mãos dele, ao ponto da entrega (o exato contrário do que é o amor para os namoradinhos que vemos por aí): se o amado se sente bem longe do amante, este o deixa ir, pois fica feliz com a felicidade do outro. A felicidade está nas mãos do outro. Assim como, é claro, "O Inferno são os outros" (Jean-Paul Sartre, que expos essa teoria sobre amor que vos regurgito).

O amor verdadeiro (Amor volat undique) está ligado ao prazer, mas não à posse. A libido, além de estar ligada, não à posse, mas ao possuir, é instintiva. É por isso que animais fazem sexo - podem até sentir prazer com isso, mas, com a sábia excessão dos golfinhos, nenhum outro animal faz sexo por prazer além do homem. ("O homem um animal político" - Aristóteles [obrigado pela correção, Bia!], ou "O homem político é um animal" - Ivan Lessa)

Flecha de amor dói e dói pra caramba. Se não doesse, não seria flecha, e se não fosse flecha, não seria o Cupido verdadeiro que dispararia. Lembrem-se: quem sussurra amigavelmente em nossos ouvidos sem dor alguma é Eros.

O que diferencia uma relação íntima amorosa de outra ainda "de brincadeira", é o sofrimento. No suffering, no love. E o sofrimento advém da entrega - seu ser está se mesclando ao ser do próximo... ou do longínquo ("Antes vos aconselho a fuga do 'próximo' e o amor ao longínquo!" - Nietzsche) a ponto de seus sentimentos e interesses se fundirem. Ele, o sofrimento, surge por falta do outro e do seu prazer, e quando o outro está sofrendo ele próprio. Surge quando amamos tanto o outro e, mesmo assim, ele nos rejeita - e devemos ainda ficar felizes com a felicidade do outro, mesmo que ela só exista com a nossa distância.

O homem (ser humano, aquela velha conhecida forma inferior de vida, sem função em qualquer ecossistema, de lugar na escala evolutiva entre o helminto e a planária) não dá mais valor ao amor achando que é coisa de casal casado pela Igreja Católica Apostólica Romana, pregadora do "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jesus Cristo?!). Se há algo desprovido de amor, essa coisa é o Cristianismo e a Igreja.

A moral cristã se baseia na propriedade (como já expus no meu tópico "Os 10 Mandamentos" e, afinal, o que é mesmo que significa TFP?!) - como pode haver um sentimento de entrega dentro de uma instituição cristã como o casamento?!

O que estropia o espírito é que a própria idéia de "relacionamento" está chafurdada no Cristianismo. Namorados também usam alianças como noivos, simbolizando o infinito (um círculo sem começo e sem fim). Se nossos tempos fossem mesmo modernos, já usaríamos coleiras e algemas!

Quando se pensa em amar alguém (ainda que nem sempre consigamos amar só uma pessoa - o homem também é um animal poligâmico, ninguém mandou vir do macaco [que também se masturba] ao invés do lobo [única fêmea completamente fiel entre os mamíferos]), já se pensa naquela coisa piegas da Igreja. Alguém "pra casar" (essa não foi citação!). Lemos Goethe, Schiller, Byron, Stoker e Azevedo e eles nos parecem babões. Mas há uma diferença fundamental: os românticos não-pedantes, que conheciam o verdadeiro sentimento, sentiam um prazer que nós, conhecendo mil bocas e nenhum coração, ainda não desfrutamos.

Enquanto um sentimento belo está socialmente alinhado a uma instituição que se valeu de seu nome para plastificar e volver cada vez mais o homem ao seu estado rebanhesco, a saída nos parece apenas caírmos na farra e vociferarmos que o amor (que parece um sentimento tão... de Deus) não existe, como Aquele.


A verdade é que o comando onipresente de um moralismo doutrinário por parte dos repetidores da palavra "amor" (tá, eu sei que repeti pra cacete essa palavra aqui) só fez com que a verdadeira chama deste sublime encanto se evanescesse.

A libido exposta, esta vontade de corpos e carne sem um espírito por dentro, é uma anarquia infantil de irresponsáveis que não sabem que o valor do que palpita dentro de nós é muitas vezes maior que o valor que se obtém com nossos corpos, para fora de nós. Não entendem que sofrimento, saudade, preocupação e demais sentimentos "negativos" são preços baixos a se pagar por tão elevado grau de arrebatamento. ("As pessoas sabem o preço de tudo e o valor de nada" - Oscar Wilde, não achava que fosse conseguir citá-lo a meu favor defendendo esta idéia)

Vemos o homem voltar a ser selvagem, não no sentido pagão e abençoado, mas no sentido carniceiro e baixo. Vemos um enlance de línguas com muita saliva e poucas palavras, mãos revestidas de anseio e nenhum carinho, corpos embrulhando volúpia e nenhuma alma. "Sexo é pra proletário" - Nelson Rodrigues.

O calor humano sufoca, e agüentar essa busca incessante de mais ardor por quem já vive no estio dos vapores infernais degrada a mente. Libido só serve para termos mais filhos. A Guerra de Tróia, como nos conta Homero, foi criada pelos deuses para conter a população da Terra que estava gigante naquela época. Que dirá hoje, e isso porque matamos até os deuses! É só passarmos a buscar sentimentos e paixões profundas dentro de nós mesmos, e deixarmos só aqueles privilegiados que a encontraram e merecem levá-la adiante as desfrutarem, que a carência de nossa hiperpopulação subdesenvolvida e burra irá deixar de existir. Basta voltarmos a ser homens de verdade e fazermos mais guerra e menos sexo.

A solução (utópica) para o mundo seria lutar com nós mesmos e exigirmos o assexualismo de nossos corpos.

"As duas piores coisas da vida são o ato sexual e a transpiração" – Kant

Eu sempre odiei Kant desde que li algo dele além do que estava escrito n´O Mundo de Sofia. É quase com desagrado que sou obrigado a concordar com o polaca.

segunda-feira, 18 de abril de 2005

Vida Universitária

ouvindo: Collection D´Arnell Andrea - Aux Glycines défuntes
frase do dia: "Sou livre de qualquer preconceito. Odeio todo mundo, indistintamente." - W. C. Fields

Meus poucos dias na maior faculdade do país já contribuíram em demasia para minha natural ojeriza pela humanidade. Já imaginei que adentrar um antro abarrotado de remanescentes da geração Beatnick (aquele povo que acha que João Cabral é poeta e que Fidel Castro é um exemplo a ser seguido) seria penetrar no quid da decadência intelectual (e estética, e criativa, e etc...) daqueles que se arrogam o título de "elite intelectual" e produtiva, embora acham que estão falando do Nascimento quando alguém cita Milton sem o John na frente.

As situações em que sou flagrado arrancariam urros de ódio de uma pedra se ela pudesse falar. É surpreendentemente assombroso o patamar que o estro genial humano é capaz de alcançar, as tessituras que é capaz de costurar nos silêncios em que qualquer vírgula se torna uma sonoro gongo chinês clamando os soldados à luta. É um professor bem-intencionado soltar uma frase que deixe margem para alguma réplica e a escatologia mental humana vêm à tona em sua pior forma.

A princípio, até fazia sentido alguém tentar conquistar um espaço no coração generoso dos professores - tal xaveco é conhecido no meio acadêmico como "iniciação científica", algo como "sou seu escraviário para pesquisas infrutíferas bancadas pelo Governo por um tempo em troca de nota e, é claro, um salário mínimo por mês pra tomar capuccino no lugar de um expresso comum" - mas depois das primeiras semanas, é um achincale ao bom senso querer chamar a atenção com uma pretensa erudição que acaba deixando o Rei cada vez mais nu (é, meus caros, ler algo feito antes do Modernismo ferrar com tudo vale a pena).

Não me bastasse um jovem cidadão querer chamar a atenção dos nossos pobres professores de Lingüística logo na primeira aula (tá, os professores, às vezes, são um porre, mas pra ter de ouvir aquilo, dou um caldinho de carne de segunda pra eles) com seus longos conhecimentos sobre Saussure e Chomsky (que, obviamente, não passavam de algo que qualquer muriçoca pode descobrir em 5 minutos no google), ter de agüentar o mesmo infeliz querendo praticamente ter aulas particulares sempre que a oportunidade surge é de doer.

É claro, acho que ele não entendeu a mensagem do meu olhar faiscante dirigido a ele, coisa como "Filhinho, quem dá aula é o professor e qualquer eqüidna conhece os novos ramos a que Noam Chomsky levou a Lingüística... e de Lingüística Clínica, você entende? Se não, acho melhor ficar quietinho..."

- Ah, inferno! Saussure, Chomsky? Só falta alguém querer me impressionar dizendo que já leu Martinet e Barthes!! Soletra Hjelmslev aí que eu quero ver! E pronuncie "slév" no fim que vai ter pau! Em dinamarquês, é "sleu", porra! (nota posterior: by Roska. Assim esse povo pára de me encher.)

Os ânimos andam passando da tolerância para o escárnio e, finalmente, para o rancor. Custa muito se tocar? Quando um aluno interrompe o professor apenas para concordar com ele, não posso crer que ele queira fazer outra coisa além de chamar a atenção.

- Olha, professor, eu li o livro do Antônio Cândido e ele expôe essa mesma teoria de que o senhor falou...

Que bom, né?! Já pensou se fosse diferente, numa universidade calcada no trabalho do cara?! Será que alguém quer aplausos com tal demonstração de leituras tão surpreendentes?! Ler dois livros a mais do que os exigidos na Fudest não faz de ninguém um gênio.

- Então, professor, mas o que eu entendi do texto foi que...

Filhinho, foda-se o que você entendeu do texto! Você não entendeu nada, mesmo!

As coisas beiram o teatro do absurdo de Ionesco quando alguém pede um exemplo na aula. Ou pior, quando algum íntegro educador apenas cita algo, e a sala pára de pensar na aula para pensar em milhares de exemplos possíveis que, por uma estranha lógica, parecem que necessitam ser expostos, com vida própria...

Metáforas como uma linguagem específica de um dialeto:

- Então, eu liguei pra minha mãe lá no Maranhão ontem, e ela disse que estava ferrada com nossa vizinha por [segue-se uma explicação não tão curta sobre os motivos], e ela disse que ia "quebrar a castanha na cara dela". Eu gostaria de saber o que vocês entendem por isso aqui.

(Jesus, como pude viver sem saber disso até hoje?!)

Os usufrutos de Hollywood na reambientação histórica:

- Mas precisamos ver que os estúdios fazem seus filmes voltados pra adolescentes...
- O que um roteirista quer é dinheiro, não uma adaptação fiel da Ilíada...
- Só pelo fato de "Tróia" ter o Brad Pitt já indica que o fator visual do filme...

Claro, claro... mas será que alguma pessoa das 80 e tantas presentes precisava mesmo ouvir isso para chegar a mesma conclusão?

Variação lingüística, norma culta da gramática e norma popular (o mesmo infeliz de cima):

- Ah, então, eu fui na Kolumbus comprar uma calça e o vendedor disse que eu falo complicado. Aí eu disse: "Não, eu tô falando normal..." e ele disse: "Não, o senhor fala muito complicado!"

Poxa, parabéns, seu dialeto é melhor que o de um vendedor da Kolumbus! Já pensou em escrever um livro? Afinal, pensei o mesmo quando o cobrador do meu ônibus ficou impressionado com meus conhecimentos sobre o Poder Executivo que tinha acabado de adqüirir lendo o "Metrô News"...

É dar um pouco de corda e o bicho se desembesta como uma máquina de pinball dando tilt. Foi o mesmo soltar algumas pérolas que fizeram a aula parar por cerca de 10 minutos apenas para se discutir os exemplos dados por ele (bem, não lembro quais foram, aproveitei o vácuo existencial para tirar um mezzo cochilo), o professor (um dos mais interativos que tenho... infelizmente, exatamente na aula que tenho de aturar as piores criaturas juntas) pergunta:

- Se alguém está no ônibus, do seu lado... principalmente ônibus de viagem... e quer puxar assunto, conversar, mas sem falar... o que ele faz?

A orquestra de sugestões partiu de todos os cantos da sala:

- Tosse...
- Abre um jornal...
- Fica se mexendo...

O aprendiz de parvo, sem perceber que seus 15 minutos de fama se acabaram, e ainda acreditando que pode falar algo engraçado, dispara:

- Enfarta!

Enfarta?! Essa deixou até o ventilador boquiaberto. Enfarta assim, de enfartar mesmo? Cruzes... isso que é carência afetiva. Tem gente por aqui quase enfartando para angariar algum elogio, mesmo...

Variação Lingüística de novo. Comentários sobre a moderna "literatura":

- Acredito que ninguém aqui deva usar, hoje em dia, o pretérito mais-que-perfeito. Existe alguém que escreve aqui nessa sala? [Nota: pergunta bem cruel para se fazer numa sala de Letras...] Ah, sim, aqui vemos uma colega de vocês que escreve poesias, uma poetisa [Nota: cof, cof...] que ainda pode publicar seus escritos no Jornal da USP... você não deve usar o pretérito mais-que-perfeito em suas poesias, não é?
- Ahn... eu não lembro qual é o pretérito mais-que-perfeito....

Grrrrr! Pudera eu empalar essa bactéria e tê-lo-ia feito! Quisera que os professores de português hoje em dia guardassem melhor a lembrança do saudoso Jânio Quadros... Fi-lo porque bebi-lo...

É o triste fim de uma instituição que há muito primou pela excelência e disciplina, mas se rende a cada dia à "justiça social" e ao pedantismo típico de uma liberdade de conteúdo que cada vez mais produz apenas diletantes com muito a falar e pouco a dizer. Quando vejo o destino cruel dos escritores no Brasil, percebo que essa crueldade é mera basófia (thanx, Fábio) propagada por quem quer se fazer de coitadinho quando percebe que sua vasta inteligência não é de muito valor no nosso querido Lebenswelt (ou Assiah, em termos cabalísticos). Escritores bons têm futuro garantido em nosso meio. Agora, achar alguém que ainda tenha mais ganas em criar algo novo do que vomitar motejos verborrágicos a troco de mera aparência...

De todo escrito, só me agrada aquele escrito com o sangue. Escreve com o sangue, e descobrirá que o sangue é espírito.

Nietzsche me salve.

terça-feira, 29 de março de 2005

The Light at the End of the World

ouvindo: My Dying Bride - The Light at the End of the World (óbvio!)
frase do dia: "Nossa vida muda constantemente - o problema é quando ela muda para o mesmo lugar."

A todos os apaixonados de plantão: vocês fariam um pacto desses?

Enjoy...


My Dying Bride - The Light at the End of the World

An isle, a bright shining isle stands forever, alone in the sea
Of rock and of sand and grass and shale, the isle bereft of trees.

- Small. A speck in the wide blue sea. 'Tis the last of all the land.
A dweller upon our lonesome isle, the last, lonely man? -

By the Gods he is there to never leave, to remain all his life.
His punishment for evermore, to attend the eternal light.

The lighthouse, tall and brilliant white, which stands at the end of the world.
Protecting ships and sailors too, from rock they could be hurled

Yet nothing comes and nothing goes 'sept the bright blue sea.
Which stretches near and far away, 't is all our man can see.

Though, one day, up high on rock, a bird did perch and cry.
An albatross, he shot a glance, and wondered deeply, why?

Could it be a watcher sent? A curse sent from the Gods,
who sits and cries and stares at him, the life that they have robbed.

Each year it comes to watch over him, the creature from above.
Not a curse but a reminder of the woman that he loved.

- Oh weary night, under stars, he'd lay and gaze.
Up towards the moon and stars. The suns dying haze.
Time and again, Orion's light filled our man with joy.
Within the belt, he'd see his love, remembering her voice -

The twinkle from the stars above bled peace into his heart
As long as she looks down on him he knows they'll never part

One day good, one day bad
The madness, the heat, the sun,
Out to sea, he spies upon land.
His beloved Albion.

Cliffs of white and trees of green
Children run and play, "My home land"
he cries and weeps, why so far away?

Eyes sore and red.
Filled with tears, he runs towards the sea.
To risk his life, a worthy cause, for home he would be.

Into the sea, deep and blue, the waters wash him clean.
Awake. He screams. Cold with sweat. And Albion a dream.

- Such is life upon the isle, of torment and woe.
One day good. One day bad. And some days, even hope.

The light at the end of the world burns bright for mile and mile
Yet tends the man, its golden glow, in misery all the while?

For fifty years he stands and waits, atop the light, alone.
Looking down upon his isle the Gods have made his home -

The watcher at the end of the world through misery does defile.
Remembers back to that single night and allows a tiny smile.

(His sacrifice was not so great, he insists upon the world.
Again he would crime, Again he would pay, for one moment with the girl)

Her hair, long and black it shone,
The dark, beauty of her eyes,
Olive skin and warm embrace, her memory never dies.

'Twas years ago, he remembers clear the life they once did live.
Endless love and lust for life, they promised each would give.

Alas, such love and laughter too, was short as panting breath
For one dark night, her soul was kissed by the shade of death.

(Agony, like none before, was suffered by our man).
who tends the light now burning bright on the very last of land.

(Anger raged and misery too like nothing ever before).
He cursed the Gods and man and life, and at his heart he tore.

- A deity felt sympathy and threw our man a light
'Your woman you may see again, for a single night. -

But think hard and well young man, there is a price to pay:
to tend the light at the end of the world is where you must stay.

Away from man and liufe and love.
Alone you will be. On a tiny isle.
A bright shining isle in the middle of the sea.

- "I'll tend the light, for one more night with the woman whom I love",
screamed the man, with tearful eyes, to the deity above.

And so it was that very night his lover did return.
To his arms and to their bed, together they did turn.
In deepest love and lust and passion entwined they did fall.
Lost within each other's arms they danced (in lover's ball). -

- Long was the night filled with love.
For them the world was done.
Awoke he did to brightest light,
his woman and life had gone.

To his feet he leapt.
To the sea he looked.
To the lighthouse on the stone.
The price is paid and from now on
he lives forever alone.

Fifty years have passed since then and not a soul has he seen.
but his woman lives with him still in every single dream.

'Tis sad to hear how young love has died to know that,
alone, someone has cried. But memories are ours to keep.
To live them again, in our sleep. -

sábado, 29 de outubro de 2005

Fazendo uma cagada


ouvindo: Iced Earth - Dante´s Inferno
frase do dia: "Nunca me casei porque nunca precisei. Tenho três bichinhos em casa que, juntos, perfazem um marido: um cachorro que rosna de manhã, um papagaio que fala palavrões o dia inteiro e um gato que volta de madrugada pra casa." - Maria Corelli


Só pra provar de uma vez por todas que é completamente impossível fazer alguém rir sem mau humor em doses diabólicas, uma placa achada alhures:



No escurinho do cinema


ouvindo: Therion - Feuer Overtüre/Prometheus Entfesselt
frase do dia: "Não confio em produto local. Sempre que viajo levo meu whisky e minha mulher." - Fernando Sabino


A mensagem que deveria estar na abertura de todos os filmes de todas as salas de todos os cinemas: (ouça o que se segue com uma voz melíflua sem ser tão sexy)


Seja bem-vindo à nova sala do Cinemark!

Antes do filme começar, alguns lembretes:

Nosso cinema está equipado com todo o equipamento de segurança necessário para você assistir ao seu filme de ação sem medo do fogo se propagar pra fora da tela.

As saídas de emergência ficam no fim do corredor, à direita. Caso o filme for ruim, há sacos de vômito nas costas do assento à frente.

Se você sentou na primeira fileira, problema é teu.

Não é permitido filmar ou fotografar dentro de nossas instalações.

Pipoca e refrigerante fazem parte da festa.

Desligue pagers e celulares.

Desligue pagers e celulares.

Desligue o seu celular.

Desligue. O Seu. Celular.

Desligue. o SEU. Celular.

É com você mesmo. Desligue o SEU celular.

Desligue a porra do celular.

Desligue. A porra. Do celular.

Desligue essa PORRA desse celular!!!

Se for pra deixar seu celular ligado, favor enfiá-lo na bunda e só com o vibra-call disponível.

O ator principal aqui, é você!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Poesia no Banheiro (pt. 3)


ouvindo: Suidakra - Last Fortress
frase do dia: "Os bebês são tão humanos - às vezes me lembram macaquinhos." - Saki

Demorou (muito), mas só para finalizar, aqui vão as últimas pequenas pichações que encontrei pelos banheiros FFLCHianos. Tem algumas dos banheiros femininos que, infelizmente, eu não pude entrar - foram minhas amigas que me contaram. Aqui vai um best of:





  • Educação Física:

Ouvi o primeiro "gostoooooooso!" depois de 3 meses e 1/2 de academia! Uhu!!



  • Teologia:

Deus é um filho da puta!!

-> Você, um filho de Deus!!



  • Inferno de Dante:

Faxineira da FFLCH, queria muito te comer. Imagina você só de calcinha cinza e galocha apoiada na privada. Que delícia!



  • Sexo animal:

A boca dele cabe direitinho no bico do meu seio, mas seus olhos não cabem em mim.

-> Você namora um tamanduá ou um hamster?

  • Política Brasileira:

Todos os neonazistas pagam boquete!!

-> Todos os não-neonazistas não pagam boquete?

Se fizer pergunta, também paga!!

-> Não fala em pagar que o PT já aparece!

  • Reforma Política:

MSTalin.

  • Poesia na Carteira da Aula de Lingüística:

Perca tempo
É no lento
Que a vida acontece.

- Tô fazendo isto agora.

  • Assinatura Final:

Eduardo, o cara que não quis enfiar o dedo no cú! (sic)

(eu juro que só li isso e não sei absolutamente do que se trata.)

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Poesia no Banheiro (pt. 2)


ouvindo: Moonspell - Opium
frase do dia: "Que seja eterno enquanto duro." - Vinícius de Morais

Antes de publicar minha "parte 3", vou deixar aqui as fotos maravilhosas que meu amigo Roska tirou da FFLCH, além daquela do post de baixo. É só para mostrar como temos mesmo os banheiros mais porcos, porém mais poéticos, de toda a USP.

Valeu mesmo, Roska!! :)


Papo Cabeça.

Cabeça não exatamente no papo...

Sabedoria popular.

Crise econômica, PT e 100 mil dólares na cueca.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Poesia no Banheiro (pt. 1)


ouvindo: Morbid Angel - Summoning Redemption (sutileza é uma coisa linda, não?)
frase do dia: "A melhor solução para um amor platônico é uma trepada homérica." - Anônimo



Volta às aulas é isso aí. Tive de brigar muito com minha insônia para conseguir voltar a acordar as 5 a. m., e não o contrário. Mas descobri um sonífero mais agradável que tentar entender Chomsky de madrugada: black metal no último volume do disc-man. Pá e pum!! Dormi como um anjinho negro e ainda consegui acordar com o melhor torcicolo da minha vida!!

Mas consegui reunir mais um pouco de corpus para meu longo trabalho artístico sobre as pichações que rolam pela USP. Se a Letras é composta por um bando de pé-rapados que acham que discutir entre dialetos jâmbio e ático leva a algum lugar, ao menos garanto que temos as melhores pichações de qualquer faculdade!

Selecionei algumas e exponho-as em tópicos. Como acontecem alguns diálogos vez ou outra, deixo-as unidas e com fontes diversas, entendeu?

É claro que a maioria desses tratados sobre arte foi tirado das paredes dos banheiros porcos de nossa amada FFLCH...



  • Romantismo:

Sugue minha dor líquida.




  • Matemática Pura:

Você roncaria na aula do Roncar? Dados comprovam: 75% roncariam.




  • Biologia Evolucionista:

Fodam-se as formigas sem antena.




  • Biologia Ecológica:

Se veado fosse normal, Deus teria criado Adão e Ivo.

-> Veado: marido da corsa.
Viado: estudante de Letras.

-> Ela não tem marido, ô jumento!




  • Adendo - Assinatura Letranda:

Henrique, a bicha-grila.




  • Lógica Direta:

Se puta fosse flor, a Penha era um jardim.




  • Biologia - Ana(l)tomia:

O pum é um funcionário
Que vem do intestino
Pra avisar a chula bunda
Que a merda está a caminho




  • Biologia - Ana(l)tomia 2:

O peido é a alma do feijão subindo aos céus




  • Mais Biologia Escatológica:


"O pum, (sic) é uma coisa que vem das tripas caganais, avisando a Dona Bunda que a merda vem logo atrás!!!"

-> VAI, CORINTHIANS!


(Nota pessoal: nenhum "que bosta!"??)

  • Política:

Free Roberto Jefferson!




  • Política Racial:

NEGROS NA UNIVERSIDADE
Cotas Já!!!

-> Cotas em cursinho, vagabundo!




  • Primeira(?)mão:

Vende-se colchão casal semi-novo + camisinhas R$100




  • Burlando o Transporte Público:

Atenção: Você que mora na região do Capão Redondo ou nas mediações (sic), faço frete todos os dias com Pirua Kombi, e o custo da viagem por pessoa é de R$2,00. -> Aceita Bilhete Único?

[seta puxada do "Pirua"] -> Glú! Glú! Glú!

  • English as a Second Fucking Language (nota: isso estava digitado. o que escreveram à caneta por cima está em azul-bic):

English Classes - for beginners and students who have tried to learn English for a long time... and have not gotten it.


If you want to learn English...
If you need to learn English...
If speaking English is your goal...
But you have problems...
And have been in troubles...
[nota: poético, não acham?]


I can help you a lot.
Private classes or in groups


Call me 91175154 Francisco Silveira


An experienced teacher who have (has) developed an efficient methodology based on psychologies techniques

  • E, por último, como estamos falando dos banheiros de uma faculdade de Letras, não poderia deixar de manifestar meu apreço pelas sábias palavras do ânonimo que me fez contemplar isso ao ir dar um mijão antes de uma aula de Clássicos:

Tô cagando pra Literatura.


Em uma palavra: arte.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

A Mosca


ouvindo: Kreator - Violent Revolution
frase do dia: "O melhor amigo do homem é o whisky. O whisky é o cachorro engarrafado." - Vinícius de Moraes

Já que ando tirando notícias de tudo quanto é canto e postando por aqui, aqui vai uma bizarra e científica (isto soou redundante...), que eu juro que tirei de uma antiga Folha Ciência, e não de um Roteiro de Filme B americado:


Quando a mosca geneticamente modificada foi solta e começou a voar na câmara de observação, fez o que qualquer galanteador faria: perseguiu uma fêmea virgem. Tocou a moça gentilmente com sua pata, cantou uma canção (usando as asas como instrumentos) e só então ousou lamber a genitália dela. Os cientistas viram tudo aquilo incrédulos: o "galã", na verdade, era uma fêmea.

O inseto "homossexual", na verdade, tinha recebido artificialmente a versão de um gene exclusiva dos machos. Esse único trecho de DNA, afirma um estudo publicado na edição de ontem [3 de Junho] do periódico científico "Cell" (www.cell.com), seria aparentemente capaz de criar os padrões de comportamento sexual.

Numa série de experimentos, os pesquisadores descobriram que as fêmeas que recebem a variante masculina do gene agem exatamente como machos durante o acasalamento [nota pessoal: isso inclui limpar o pingolim no lençol?!]. Já os machos que ganharam a versão feminina ficaram mais passivos e passaram a se interessar por outros machos.
"Mostramos que um único gene da mosca-das-frutas é suficiente para determinar todos os aspectos do comportamento e orientação sexual", disse o autor principal do estudo, Barry Dickson, do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia Austríaca de Ciências, em Viena. "Isso sugere que comportamentos instintivos podem ser especificados por programas genéticos, assim como acontece com o desenvolvimento de um órgão ou de um nariz".

Os resultados devem influenciar os debates sobre o poder dos genes e do ambiente para determinar o que as pessoas são, como agem e, especialmente, como desenvolvem sua orientação sexual. Especialistas se disseram impressionados e chocados com as descobertas. "Os resultados são tão claros que todo o campo das raízes genéticas do comportamento vai avançar de modo tremendo", disse Michael Weiss, da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos.

"Espero que ele tire a discussão sobre preferências sexuais da esfera da moralidade e a leve para a da ciência. Nunca escolhi ser heterossexual: simplesmente aconteceu. Mas os humanos são complicados. Com as moscas, podemos ver de forma simples e elegante como um gene influencia e determina o comportamento."

Os cientistas sabem há anos que o gene estudado, conhecido como "fruitless" ou "fru" [nota pessoal: será que eles sabem o que isso significa em português?!], é central para o acasalamento, coordenando uma rede de neurônios (células nervosas) que estão envolvidos no ritual de corte dos machos. Na verdade, tanto machos quanto fêmeas possuem o mesmo gene. Contudo, ao ser transcrito para mRNA (RNA mensageiro, a molécula que faz a ponte entre os genes e a fabricação das proteínas que eles representam), o gene é "editado" de forma diferente dependendo do sexo.

Todos os pesquisadores alertaram que os comportamentos inatos também podem ser modificados pela experiência. Machos rejeitados pelas fêmeas, por exemplo, tornam-se menos afoitos em seus avanços sexuais.


Bem, me abstenho de comentar o lado prático da versão científica das opções sexuais. Mas aí me vem à cabeça: se cientistas mexem com um gene num ratinho fofinho de laboratório, todas as organizações caem matando. Quando modificam com uma chatíssima mosca-de-fruta, ninguém nota. Por que será?!

quinta-feira, 7 de julho de 2005

What the porra is that?!


ouvindo: Lacrimosa - Das Schweigen
frase do dia: [quando perguntado por Playboy se não achava seu humor vulgar demais]: "Porra nenhuma!!" - Mel Brooks

Conversas pelo MSN:


Master Zeh diz:
falando em Porra... ce viu o nome do novo baixista do Stratovarius?


Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
qual é?

Master Zeh diz:
Lauri Porra

Master Zeh diz:
tocava no Sinergy

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
tá zuando!!! hahahahah!!

Master Zeh diz:
não!!!

Master Zeh diz:
hehe

Master Zeh diz:
será que esse porra toca mesmo??

Master Zeh diz:
toca porra!!!

Master Zeh diz:
esse baixista é um porra

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
solo da porra...

Master Zeh diz:
e se o cara sai da banda, "O Tolkki vai ter que engolir o porra"

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
mas que porra! quem foi o infeliz que deu essa porra de nome pra ele?!

Master Zeh diz:
a porra da familia dele, ué?

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
ah, é! porra é genético!

Master Zeh diz:
justamente

Master Zeh diz:
e todos descendentes recebem a mesma carga de porra desde o inicio da familia

Morning Star - "Beatrice, In te ravviso il sogno ch´io vorrei sempre sognar!" diz:
porra! também quero uma família da porra assim!


Isso até pareceu uma conversa do Paulo César Peréro, PORRA!!!

terça-feira, 5 de julho de 2005

Morning Star vai ao médico


ouvindo: Borknagar - The Weight of the Wind
(outra) frase do dia: "Uma das causas mais comuns de todas as doenças é o diagnóstico." - Karl Kraus

Odeio muitas coisas. Crianças, esperar e hospitais estão no meu Top 10. Crianças para todos os lados na sala de espera de um hospital é uma tortura chinesa. O maldito pediatra tinha que ter uma sala do lado do Clínico Geral... cazzo. Pior é ficar agüentando na fila toda a sorte de mulheres (é raro ver um homem agüentar os filhos a ponto de levá-los no médico) comentando imbecilidades com seus respectivos monstrinhos. Se fôssemos levar seus elogios a sério, cada bairro de São Paulo teria promissores 300 novos modelos tipo exportação.

- Olha aquela japonezinha de touquinha ali... não parece uma esquimózinha?!

Claro, minha senhora. Também parece um foguete com essa cabeça pontiaguda. Vou botar fogo embaixo dela pra ver se ela voa longe.

Mas o pior é quando alguma energúmena resolve falar comigo. Meu Deus, por que as pessoas têm essa mania ridícula de falarem umas com as outras?! Não serve pra nada, mesmo!!

- Moço, o senhor está na fila do Pediatra..?

Fila do Pediatra?! Estás a delirar, senhora! Eu já tenho 20 anos, não me trato mais em médicos com imagens do Mickey de fraldas na parede e também, graças ao bom Deus, não tenho filhos prematuros!! Só estou aqui pois não há espaço o suficiente pra eu fugir dos seus filhos! Pediatria é o cacete!!

Tudo bem, depois de toda a sala se esvaziar, consigo entrar na sala e ver minha médica. Uma japonesa gorda que não parecia muito acostumada a atender gente tão altivamente mal-humorada quanto eu. Perguntinhas de praxe: que hemorróida te traz aqui, criatura do Mal?

- Hum... gastrite nervosa, minha pele que não se ajeita nunca e a insônia que só piora...
- Insônia? Você não pode passar nervoso...

Eu tenho ganas de dar um murro na cara dessas médicas e arrancar cada pêlinho de seus bigodes quando dizem isso. Pagar um spa em Curitiba, ninguém quer, né?!

- Usa alguma droga?

Windows. Tira o sono de qualquer um.

- ...Álcool, cigarro...?

Drinking: socialy. Smoking: occasionaly.

- É, tem bebida que tira o sono e tem bebida que chama o sono. Bebe muito café?

Lá vem!!

- Bebo!
- Bastante? Mais de 5 xícaras por dia?
- Cinco é "bastante"?
- Quanto você bebe?
- Ah, umas... 12 por d...
- DOZE?!?! Você vai ter de diminuir esse café...

Ah, não! Por que não me pede pra parar de respirar, logo?!

- Não vou te receitar muita coisa, mas sua insônia tá grave... tome esse aqui, e mais esse, e 3 desse antes de dormir.

Epa, como assim, não ia me receitar nada?! Acha estranho eu tomar 12 inofensivas xícaras G de café e me manda enfiar 5 comprimidos goela abaixo por dia antes de dormir?! Me recomendar encher os cornos de vinho antes de ir pra cama também funcionava, não é?

Volto pra recepção e a moça está enrolada com meu cartão de cadastro. Ainda tenho de ouvir:

- Flávio, o sistema aqui tá pifado... vai demorar uns minutinhos... não quer tomar um cafézinho enquanto isso?!
- Porra, é lógico que eu quero!!

Ok, ok, eu vou pra Farmácia.

- Está fechada, só abre as 9 horas.

Olho no relógio. 8:59:50.

- Bem, esperemos.

Pi, pi!

- Estranho, não abriu!

Enquanto aguardo, vejo que há uma salinha escura do lado dos banheiros escrito Expurgo. Expurgo?! Como assim, "Expurgo"?! E eu que achei que a Igreja Católica não influenciava mais a Medicina...

Ouço um choro incontrolável de criança lá dentro, como se ela estivesse dentro de uma Iron maiden, e vejo que o negócio tem o formato de um confessinário. Ehee! Disso aí eu quero brincar!!

Após a longa espera, entrego minha receita. Em menos de 8 segundos, a fatídica resposta:

- Quem é Flávio?! Ah, sinto informar, querido, mas aqui não tem nenhum desses!

Ahn. O que foi que a japinha de avental lá de cima me disse sobre "não passar nervoso", mesmo?!

Mainardi e Houellebecq


ouvindo: Opeth - Silhouette
frase do dia: [Quando lhe pergutaram por que sempre voltava ao Brasil, quando podia viver sossegado nos EUA]: "Volto para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% de brasileiros que pagam imposto de renda. Para perder o apetite ou morrer de indigestão. Volto porque nunca saí daqui." - Tom Jobim

Ora, veja, Diogo Mainardi falou do Houellebecq na sua coluna na Veja dessa semana (sim, eu leio Veja! já não assisto TV nem por anátemas, se não ler Veja sabendo todas as notícias com uma semana de atraso, tava até hoje querendo saber o que é um "mensalão"). É meio engraçado quando as coisas acontecem tão perfeitamente assim, pois tudo parece meio deslocado.

Mainardi é meu atual colunista preferido. Tá, ele não nega que é um Paulo Francis piorado, mas até aí, também, é querer demais. Ele faz o seu papel de chato muito bem. Mas achei engraçado ele falar de um livro que veio parar nas minhas mãos por um acaso chamado Fábio, e que logo se tornou um dos meus livros preferidos escritos no séc. XX.

Houellebecq (ainda tô lendo a revista pra digitar essa merda direito) fala de tudo em seu livro Partículas Elementares. Manipulação genética, teoria literária, geração Beatnick, suicídio ocidental, islamismo e, como não pode faltar, amor, sexo e morte. E, claro, como excelente escritor que é, só fala mal de Deus e o mundo. Mas a ligação que Mainardi fez na sua coluna dessa semana é que ele, num curto parágrafo no livro inteiro, também fala mal do Brasil. Diz que nosso país é uma porcaria, "povoado de brutos fanáticos por futebol e por corridas de automóvel. A violência, a corrupção e a miséria estavam no apogeu. Se havia um país detestável, era justamente e especificamente, o Brasil."

Mainardi, por increça que parível, ainda usou de eufemismos. Vou até a página 146 e vejo lá o contexto todo. Bruno está num camping de nudistas/ex-hippies/qualquer-putaria-que-o-valha atrás apenas de sexo, usando as malditas meditações tântricas e outras viagens psicodélicas apenas para poder comer alguém sem ter de perguntar o telefone depois. À noite, Bruno vê a roda de danças malucas que ajunta todo o Espaço de Mudança. Aproximando-se de uma vítim... digo, de uma jovem garota com quem puxa papo, em dado momento Bruno pergunta: "Não danças?". Sophie responde: "Não, não gosto das danças africanas, é demasiado..." - interrompendo-se ao perceber que estava no limite do racismo, emenda: "Mas adoro as danças brasileiras..."

"Não era preciso mais para irritar Bruno. Começava a encher o saco dessa estúpida mania pró-Brasil. Por que o Brasil? Conforme tudo o que sabia, o Brasil era um país de merda, povoado de brutos fanáticos por futebol, etc. etc.."

É claro que o Mainardi não pode dizer o que Bruno pensou in facto. Mas vejamos ainda o que ele responde a Sophie:

"Sophie, eu poderia ir ao Brasil, em férias. Passearia nas favelas, num microônibus blindado; observaria os pequenos assassinos de oito anos, que sonham em ser chefes de bando aos 13 anos; não sentiria medo, protegido pela blindagem; à tarde, iria à praia, entre riquíssimos traficantes de droga e de proxenetas; no meio dessa vida desenfreada, esqueceria a melancolia do homem ocidental..."

É óbvio que nossa Sophie passou longe de Bruno e de suas verdades meio ébrias. Mas o que espero é a enxurrada de cartas que vai ser enviada ao sr. Mainardi na próxima semana por falar novamente "mal" do Brasil. Puta que pariu nossa pátria, quando esse povo fala mal do vizinho pinguço, da violência escancarada e matando seus filhos, da corrupção no partido do povo, da burocracia, do desemprego e de todas as mazelas que só fodem suas vidas, está tudo bem. Quando é alguém que admite com todas as palavras que esse país é uma merda, reclamam!

Definitivamente, o pior do Brasil é o brasileiro.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

E já que o assunto é arte...


ouvindo: Blackmore´s Night - Mond Tanz
frase do dia: "Qualquer idiota é capaz de pintar um quadro, mas só um gênio é capaz de vendê-lo." - Samuel Butler

É eu terminar minha longa tese de mestrado nos últimos 2 posts (que foram lidos por 2% das pessoas que depararam com seu tamanho) que me aparece na frente uma nota, no mínimo, bizarra na Veja dessa semana:


Vendida: Uma das telas do chimpanzé Congo, favorito do leilão. Vendidas por 14.400 libras, ou cerca de 62.500 reais, três telas pintadas por um chimpanzé, num leilão da casa londrina Bonhams. Na mesma venda, uma pintura de Andy Warhol e uma escultura de Renoir não encontraram compradores. As telas foram pintadas no fim dos anos 50 por Congo, um chimpanzé que se tornou célebre ao atrair a atenção do antropólogo Desmond Morris, que descobriu seu pendor artístico. Entre os admiradores de Congo que morreu em 1964 contavam-se Picasso, Miró e Salvador Dalí.


Meu deus, brinco com arte para burros e me aparece arte de um chimpanzé! Dali tudo bem, por ser estudante de bizarrices envolvendo a psique, mas bem se entende como Picasso e Miró eram mesmo inteligentes como um chimpanzé.

Aliás, analisando bem, até que pagaria mais pelas telas do macaco do que pelas outras mesmo... ao menos nosso amigo primata não fez nada que caia no vestibular.

domingo, 22 de maio de 2005

"Arte" Moderna (pt. 2)


ouvindo: Theatre of Tragedy - Black as the Devil Painteth
frase do dia: "O que o mundo precisa é de mais gênios humildes. Hoje restam poucos de nós." - Oscar Levant

Primeiramente, minhas desculpas pela demora com a continuação de minha destilação venenosa ao Modernismo - época de trabalhos da faculdade (felizmente, trabalhos que pouco tinham a ver com esse lixo) mais complicações com o código do blog (que eu sempre insisto em ferrar mesmo que não chegue perto dele) fizeram com que eu desconfiasse que a "Macumba de Pai Zuzé", do Manuel Bandeira, pega mesmo.

Segundamente, acabei por deletar tudo o que já tinha escrito antes por aqui (pela quarta vez) por parar pra pensar um pouco e chegar à algumas conclusões. O que chamam de "arte moderna" é, muitas vezes, bem diferente do que chamam de "Modernismo". Por mais que tenha minhas sérias ressalvas a vários deles, seria uma burrice de minha parte seguir os exemplos acadêmicos e colocar todas as escolas de vanguarda no mesmo pacote do que é chamado Modernismo. Marcel Proust, Franz Kafka, Pablo Picasso (sempre tão artístico quanto uma poça de vômito), Salvador Dali, Ezra Pound, T. S. Idiot, digo, Eliot, Max Reinhardt, a escola expressionista alemã, o impressionismo russo, e tantos outros, bons ou ruins, não podem estar lado a lado de dejetos pseudo-culturais como o que o Modernismo produziu. Sendo assim, me alço aqui apenas ao que é chamado "Modernismo" par excellence.

Munch, Rembrandt, Goya, Dali e tantos outros souberam criar um outro mundo, impositivo, que não apenas retratava a realidade, criava um outro mundo. Não há como ver "O Beijo" ou o famosíssimo "O Grito" de Munch e não dar conta de uma visão ultra-pessoal do artista, uma atmosfera impossível de escapar, um mundo criado com tons onde o preto está sempre presente, a tela como algo do qual é impossível fugir. Quando nos lembramos de que aquilo é apenas um pedaço de papel com tinta mistura em cima, entendemos do que um gênio é capaz.
Já nossos pintores modernistas, como Anita Malfatti, acharam que simplesmente pintar uma mulher de amarelo ao invés das cores óbvias era ser "visionário".

"A Boba", de Anita Malfatti

Alguma sensação estésica sublime, que faz com que um amontoado de cores em nossa frente cause torções em nossos sonhos? Ou apenas se vê que nossa querida amiga Anita desperdiça seu talento criando algo como dieta de diabético (sem sal nem açúcar), uma imagem que facilmente esquecemos assim que esses olhos tortos param de olhar para nós? Ainda lembro que foi essa a crítica que Monteiro Lobato fez à sua exposição (tudo bem, me arrisco em usar esse fato, visto que Lobato sequer foi à tal exposição): "Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em conseqüência disso fazem arte pura, guardando os eternos ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas (...) A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva."

Evoco até mesmo uma brincadeira ocorrida na França, quando ataram um pincel ao rabo de um burro, misturaram as tintas, fizeram uma legítima "arte abstrata cubista/dadaísta/futurista/insira-aqui-seu-ista", deram um nome absurdo (Pôr-do-Sol em Sabe lá Deus onde) e colocaram numa exposição como a maior novidade da Arte. Não deu outra, todos amaram, até que contaram da farsa.

Arte de burros. Nada além. Arte onde tentam, uma vez, tirar uma rima. Depois, tirar a melodia. Logo, tiram todo o gênio criador e se produz apenas uma arte sem arte!

Perdoem-me pela verdade, modernistas puristas, mas não existe arte sem inteligência.

Mário de Andrade, para voltar pra Literatura, é o perfeito exemplo do anacronismo moderno. E o perfeito exemplo de que não há criação alguma por ali: apenas ataques indiretos à escolas anteriores (que se eram ruins, conseguiram soar até palatáveis perto de seus livros). "Desvairada" é uma palavra não cabível ao título de seus livros apenas no sentido iconoclasta. Também vale pela falta de propósitos de sua narrativa. É tão cheio de expressões copiadas dos falares caipiras (em plena São Paulo que abria as portas para a industrialização) que sua narrativa, tentando fluir como a voz, acaba empacando por suas letras trocadas sem nexo. Aliás, por que, já que o projeto era este, ele também não escreveu "prédiu", "normáu" e "istou", então?!

O ridículo se apiora com Oswald de Andrade. O exemplo-mor de onde a hipocrisia humana chegou. Queria mostrar que o falar do povo era o correto, ao contrário do elitismo-troglodita-imperialista de um maldito livro de gramática. Mas quando foi fazer discursos inflamados na Semana de Arte Moderna... é melhor estar com um dicionário de expressões parnasianas para entender o que quis dizer... se bem que ele não quis dizer nada.

Estudou, como Mário, muito do índio e sempre quis mostrar que o europeu, chegando em terra brasilis, só quis ferrar com ele. Mas, novamente, não quer ir viver no meio do mato e tem todo o estilo europeu de ser, mas nunca admitindo que seus modelos, na verdade, são uma lambança genérica de tudo que não é propriamente seu e, ainda por cima, são completamente desprovidos de lógica. O nosso Policárpio Quaresma, em carne e osso.

Sua mulher, Pagu, como todos os seus relacionamentos rompidos, é a mostra do servilismo modernista a um ideário perdido no Reino do Nada que... bem, só nos deixa perdidos mesmo. Artista medíocre, só teve suas obras expostas e famosas pela influência acadêmica (*náuseas*) de seu marido. Vermelha como ele, largou cegamente (como uma crente pentelha) os salões pseudo-intelectuais para uma causa maior: o Partido Comunista, trabalhando até mesmo como prostituta para dar (opa!) informações (ah!) para nossos amigos bolcheviques que, também, não fizeram nada de útil. Pergunta: se não fosse um regime ditatorial que dominou nossa política por anos a fio, todas essas atitudes insanas teriam algum valor?

Poderia passar dias digitando meus volteios sobre Manuel Bandeira, mas como o pessoal da Letras é que mais acessa essa coisa, e todo mundo está de saco cheio de fazer análises cirúrgicas de "poemas" que não dizem nada, prefiro ignorar a mijadinha do gato na pensão burguesa, o seu porquinho-da-índia e quando o "poeta" levava ele (sic) pra sala, prefiro ignorar sua tentativa pueril (no mau sentido) de imitar Debussy e suas canções infantis, sua sonífera descrição da preta Irene entrando no Céu e sua aforismática lição de vida, pois, enquanto uns tomam ecstasy e outros cocaína, ele, que já tomou tristeza, hoje toma alegria. (o primeiro arrombado que fizer ligações entre um título de seus livros e minha pessoa será empalado!!)

Prefiro me ater a um aspecto curioso de sua... "obra". Todos aqueles que a dissecam, como se houvesse um grande tesouro a ser encontrado no fim do arco-íris, a justificam. "Tal verso é assim pois a vida do escritor...", "Tal passagem evoca a infância do poeta no Recife...", "Aqui, vemos Bandeira já triste por causa da doença..." - por Pólux! Alguém precisa analisar a vida de Marlowe pra entender a grandiosidade megalomaníaca de Fausto?! Alguém consegue analisar a infância de Nietzsche para saber como ele chegou ao "Umwertung aller Werte"? Isso é coisa de psicanalista. Esses caras acham que um adulto é uma criança perdida de si mesmo.

Com tantas justificativas, vemos que tais críticos até sabem que ler isso é um erro, perda de tempo, mas tentam justificar sua "visão atual de arte" (ao invés de lerem um livro complicado mas inteligente) com tanta argumentação. Se tais poesias tivessem tanta retórica quanto seus próprios defensores, com certeza seria bem melhor!

Mas aí resta a pergunta: mesmo que Bandeira consiga "captar o momento em palavras rítmicas" e mostre todo o seu "gênio" lembrando de sua infância, o que diabos isso muda a minha vida?! Eu dormiria mais ignorante sem saber disso?! Pois bem. Pensem em como suas vidas mudaram ao lerem Bocaggio, Marquês de Sade, Moliére, Turguêniev ou Rimbaud e cheguem às suas próprias conclusões.

Mais umas palavrinhas de Lobato, ao lembrar também das ligações forçadas entre essas estéticas e os delírios dos loucos: "De há muito já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo mistificação pura."

O chatíssimo João Cabral de Melo Neto nos ensinou como ser moderno é ser caipira. Estar de acordo com a arte moderna é falar como um bóia-fria. É ignorar qualquer inteligência que tenha sido produzida anteriormente (e que gerou tal "modernidade"). Um jornalista do Estado de São Paulo, também poeta, ao conversar com ele, ao perceber que ele só falava de seus parentes, achou que se perguntasse ao "poeta" pernambucano o que ele sabia sobre 15 de Agosto de 1914, João Cabral iria responder sobre o nascimento de algum afilhado, esquecendo da eclosão da Primeira Grande Guerra.

Em um encontro em Paris, houve uma discussão entre dois modernosos, João Cabral e Vinícius de Moraes. Este foi acusado por Cabral de só fazer música e poesia sobre amor, tema mais que batido. Moraes respondeu a Cabral que então, era melhor sair fazendo poesia sobre pedra, mato e barranco. Vemos como dois erros produzem um acerto perfeito pra quem está de fora.

Aliás, falar de Vinícius é complicado demais e meu parco conhecimento me obriga a calar a boca. Um compositor excepcional, é claro (raríssimos na história da música entendiam de melodia como ele), um poeta que demonstra talento... mas novamente, não consegue provocar emoções profundas em quem o lê (falando apenas do poeta) - é tudo tão "arte do momento" que não há artista, há apenas o cotidiano prosaico e desanimador que o cria.

E agora, Drummond? A novidade modernista acabou, a luz apagou, o povo enjoou, a noite esfriou, e agora, Drummond? Com certeza, só continua sendo lido pois cai no Vestibular - tinha uma questão sua na Fuvest, na Fuvest tinha uma questão sua. Eu nunca vou me esquecer desse fato: tinha uma questão sua na Fuvest, na Fuvest tinha uma questão sua! Continuando a Máfia dos Andrade, de Mário, que foi seguido por Oswald, que foi seguido por este Carlos Drummond, que foi seguido pelos filhos dos Andrade, enquanto Doistoiévski que é bom nem entrou na história.

Tal foi a encheção moderna que mesmo os setores mais burros da sociedade (geralmente, artistas de quinta que estão sempre na mídia como "insurgentes" mas nunca leram Bakunin) ficaram de ressaca. Daí pra surgir a Tropicália, com antas como Chaetano Melloso, Gilberto Gil (que conseguiu virar ministro!!) e Maria Bestânia foi um passo. Seu ideal? Sei lá! Era pegar um violão, fumar unzinho e faturar em cima de trouxas que chamavam isso de "boa música" (não é só porque Beatles é um lixo que tudo que não é Beatnick, deixa de ser). De Gilberto Gil:

"Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas tão normais
Como estar defronte de uma coisa e ficar
Horas à fio com ela, bárbara, bela, tela de TV
Você há de achar gozado Barbarela dita assim dessa maneira
Brincadeira sem nexo que gente maluca gosta de fazer"

Boa. Se teve algo que não peguei, foi o nexo mesmo. Mas mudou minha vida. Pra que ler Camões depois desta?!

Nota: A Vara do Juíz da 69.ª Câmara de Tortura do Direito Matrimonial de Curitiba me proibiu de falar de Chico Buarque. Minhas condolências.

Algumas rápidas ressalvas, pra quem ainda está acordado. Chamar Fernando Pessoa de "modernista" é um insulto. Seu heterônimo mais conhecido por essas bandas, Alberto Caieiro, só é lido por ser, aparentemente, fácil. Não é. O molde dele é oriental. A complexidade não está na palavra, mas no pensamento que ela evoca. Assim como o autor ocidental analisa o mundo e o regurgita criado por si, Caieiro, como os orientais, pega uma gota de chuva e faz com que o leitor crie uma tempestade dentro de si. Será que seus fãs por aqui percebem isso?

Sem falar ainda nos versos de Álvaro de Campos...

"Por isso eu tomo ópio. É um remédio.
Sou um convalescente do momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento.
E ver passar a vida faz-me tédio."

Moderno, não?

Outra mal entendida é Clarice Lispector. Tão "moderna" que começa seus livros agradecendo a Schopenhauer... o processo é o mesmo que o de Pessoa - pena que estava na hora errada e, principalmente, com as companhias erradas.

Mas o principal é Marcel Duchamp. Destruiu a arte. Dadaísta por excelência. Mas não vou falar mal dele, embora isso choque até quem esteve do meu lado até agora. A diferença aqui é que Duchamp nunca se levou a sério. Nunca se achou "reformista" da arte por pintar um bigode na Mona Lisa e escrever L.H.O.O.Q., que produz os mesmos sons, em francês, de "Ela tem o rabo quente". Nunca colocou um mictório numa exposição e disse que aquilo era arte. Ele perguntou. Duchamp não foi o problema. O problema foram seus seguidores.

Concluo tudo com os versos de uma das pessoas mais inteligentes que conheço, minha grande amiga Anya, que com um longo poema em versos alexandrinos perdeu um concurso de poesia para um grande "novo gênio" moderno, que escreveu simplesmente

Olhei,
Vibrei,
Dancei.
E a noite?
A noite parou.

Como vingança, fez a paródia genial e muito mais interessante:

Forcei,
Enrubesci,
Caguei.
E a merda?
A merda fedeu.

Não se fazem mais modernistas como antigamente.

domingo, 15 de maio de 2005

"Arte" Moderna (pt. 1)


ouvindo: Apocalyptica - Romance
frase do dia: "A arte abstrata é um produto dos incompetentes, vendida pelos inescrupulosos e comprada pelos imbecis." - Al Capp

Vocês pediram. Vocês imploraram. Vocês encheram o saco. Vocês fecharam as avenidas com passeatas. Vocês fizeram piquete. Vocês pagaram um boquete. Vocês clamaram aos céus para que eu não fizesse isso... pois aqui estou eu fazendo uma análise experimental e prática explicando porque diabos eu odeio Modernismo. Se não era isso que esperava ler, pode parar por aqui, mas devido ao tamanho costumaz de meus posts, se você veio ler alguma coisa por aqui, já sabe mais ou menos (digo, menos) o que esperar.

Estudar Modernismo é a coisa mais paradoxal que existe. Nossos amigos "artistas" queriam quebrar barreiras. Ok. Queriam fazer algo novo, conectado com a Zeitung vigente. Ok. Queriam mostrar que não é necessário escandir sonetos e fazer rimas toantes raras para se fazer algo bonito. Ok. Queriam fazer a "arte" do povo, na "língua errada do povo, língua certa do povo". Ok.

Mas então, posso saber pra que diabos queriam fazer isso apenas para aqueles com formação intelectual, e nunca no meio de sua tão amada populaça?!

No que tange a tais manifestações populistas, esperar algo conciso e coerente é como esperar que um burro pinte um quadro de arte abstrata com um pincel amarrado no rabo... opa, peraí, isso também aconteceu! Estou me adiantando demais.

Os modernistas brasileiros são os maiores culpados por toda a nossa gente ser burra, inclusive aqueles que se declamam a "elite intelectual". Nowadays, neguinho acha que ouvir Gilberto Gil no lugar de Bonde do Tigrão é um sinal de gosto elevado. Hume não conhecia esses pulhas... mas o mais espantoso é não só acharem tais vilipêndios uma forma genuína de manifestação "artística", como acharem que é o ápice da refinação estética.

Vamos analisar tudo calmamente. Essas nobres almas quiseram achar uma "identidade nacional" num país que tem como maior identidade uma miscigenação racial, intelectual e, sobretudo, cultural. É como dizer que formamos a "raça brasileira" e criar um comitê buscando "pureza racial" das pessoas por aí.

Pra piorar, quiseram quebrar lastros com a França, especialmente Paris pois, naquela época, este era o epicentro de toda a produção mental no Ocidente. Hum... peraí, o Modernismo não surgiu na Cidade-Luz francesa?! Eles não simplesmente continuaram fazendo o que todos faziam antes?! Ponto negativo novamente.

Antropofagia... essa até hoje não consegui entender. Não era o que vinha sendo feito desde... desde o Padre Antônio Vieira, afinal?!

Mas tudo bem, não vamos ser europeus, vamos ser brasileiros e obrigar os cursos de Letras (*revirando o olhar*) a terem Tupi no currículo básico. Minha pergunta continua sendo: por que toda aquela verborragia vomitada no Teatro Mvnicipal, e não na Funai ou na reserva dos Pataxós?!

Iconoclastia da pior espécie. Isso é, da espécie burra. Ser esperto é perceber que um soneto alexandrino é uma invenção humana e não é a única forma poética funcional? Genial. Mas aí pergunto: e qual o problema com o soneto? Não é só porque não é a única viável, que significa que todo soneto é inviável. Probleminha de lógica simples, até eu consigo resolver.

Os únicos artistas de verdade foram aqueles que destruíram o que era vigente e rejeitaram as regras impostas? Tal imposição não deixa de ser uma regra perigosa. Shakespeare não foi um iconoclasta mortífero escrevendo seus sonetos e seu teatro elisabetano? Baudelaire precisou escrever como uma criança de 10 anos e abandonando a norma culta (oh, bela e culta!) para ter seu livro considerado "imoral"? (não surpreende que um tal Libertinagem, por aí, seja tão inofensivo a ponto de ser estudado em qualquer ensino médio...)

Ser revolucionário, num mundo onde os disparates e tentativas de originalidade já ultrapassaram as raias do risível, é desbaratar a criatividade em prol da... do quê, afinal?!

Uma coisa imperceptível aos amantes do que é moderno é que tais panfletagens, além de serem tão artísticas quanto um comercial da MTV (a emissora com maior número de auto-propaganda por minuto quadrado, e uma perfeita mostra de onde chegaremos com tanta "modernidade"), já dão mostras de serem dependentes de quem se dispõe a suar e fazer seu trabalho de verdade. É uma comunicação de valor ontológico mais baixo. Para existir, é necessário que exista uma arte anterior. Podemos ler Wuthering Heights e o livro fala por si só - ele faz o que diz. Agora, temos de entender um contexto x, y, z num espaço/tempo curvo onde Olavo Bilac já tava enchendo o saco para podermos ler Macunaíma e dizer: "ah, tá, o livro é uma merda pois ele vai contra o Parnasianismo... então, não é que o livro é uma merda por si só, é uma merda de propósito... literalmente, não foi na cagada... legal."

A lambança chega a dar nojo quando concluímos a que ponto tal... ahn... "filosofia estética" nos levará, além dos comerciais da MTV. A arte "verdadeira" é a "arte" do povo? Hum... se o que é genial está na boca de quem não estudou, pra que estudar? E se não vamos escrever palavras como "comborço", "concupiscência", "consubstanciação" e "consuetudinário" (pra ficar só no c) em nossos escritos, por que não refazemos a Inquisição, queimamos todos os exemplares da Divina Comédia e declaramos as letras do MV Bill como matéria obrigatória para selecionar os melhores candidatos nos vestibulares Brasil afora?

Quer dizer que não podemos falar sobre Palas Athenas e transmutação da alma pelo platonismo, pois isso é "elitista". Em primeiro lugar: o que é elite?! Segundo o lusitano Priberam, dicionário mais rápido disponível no momento:

do Fr. élite, s. m.
s. f.
,
o que há de melhor numa sociedade ou num grupo;

Se ser "elitista" é gostar do que há de melhor em algo, pois bem, eu sou elitista! Aliás, qual a vantagem em não o ser?! Agora, tal concepão imbrica em um ponto morto que vira nossas concepções e nosso estômago do avesso. Só posso fazer arte de acordo com a sociedade vigente? Então, qual o papel do artista? Ficar na dele, não criar nada, ignorar tudo aquilo que ele próprio conquistou e é capaz de criar (como cada palavra nova que é capaz de pronunciar, ao contrário do rebanho) só pra não ser "difícil"? Que tal, então, fazermos algo bem popular, como um poema composto apenas por As, para até os analfabetos conseguirem ler, ou quem sabe, para não sermos elitistas com os animais, escrevermos latindo e crocitando?!

Já até comecei a minha mais nova pintura "do povo" cego.

O Modernismo diz que a forma é estrutura, não é individual. A busca do eu, do individualismo máximo na arte, a rejeição às amarras e regras que contagiavam os salões culturais naqueles tempos. Primus, que nem toda forma é um curral de ovelhas - o soneto, o haicai, a elegia, o gazal e tantas outras metrificações da forma poética (pra me ater a uma área a qual estou mais familiarizado) são apenas consagradas por sua beleza natural e conseguirem até mesmo facilitar a expressão do poeta. Algo como uma escala musical harmônica, melódica, maior ou menor.

Secundus, Baudelaire era um poeta pois fazia poesia, mesmo falando de vermes, putas e Satã. Podemos até falar de Palas Atenas, ninfas no Parnaso e a descida de Enéas ao Avernus, se não o for como poetas, não será poesia. O que dizer, então, de pseudo-reformadores estéticos que não só não têm conteúdo (problema dos Parnasianos), como também não têm forma? É como fazer arte sem sentimento, sem beleza, sem cor, sem intelecto, sem... talento.

Tertius, essa busca do eu só é válida quando esse eu existe. Arte é pra poucos. "Viver é algo raro, a maioria das pessoas apenas existe" - Oscar Wilde. Quando se tenta buscar um válido individualismo chafurdado no rebanho, se cai cada vez mais no coletivo, no eu que não se desenvolveu e não passa de um subproduto histórico nos melhores moldes "Marx de cu é Hegel". Na populaça, quanto mais se busca o eu, mais se cai no lugar-comum do impessoal, chato, insípido e desprovido de arte.

Aguardem o próximo bloco, quando analisarei alguns de nossos grandes "mestres" modernistas.

sábado, 14 de maio de 2005

Assassinos tentam culpar RPG por crime no ES


ouvindo: Mythological Cold Towers - In the Forgotten Melancholic Waves of Eternal Sea
frase do dia: "Não combata monstros temendo tornar-se um deles - Se você olhar para o Abismo, o Abismo olhará para você." - Friedrich Nietzsche

Pequena notícia do Portal Terra:

Assassinos tentam culpar RPG por crime no ES

A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu na noite de ontem dois acusados pelo assassinato do aposentado Douglas Augusto Guedes, da mulher dele, a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes, e do filho do casal Tiago Guedes, em Guarapari. Os corpos dos três foram encontrados amarrados e deitados em camas no dia 5 de maio. Na mesma data, eles foram sepultados.

O delegado da Divisão de Homicídios de Guarapari, Alexandre Linconl, disse ao Portal Terra que Mayderson de Vargas Mendes, 21 anos, e Ronald Ribeiro Rodrigues, 22, confessaram que mataram a família motivados pelo jogo. “Isso é um absurdo” declarou o delegado, “estão alegando que como Tiago perdeu, o objetivo era eliminar ele e a família dele". "O rapaz tinha consciência e permitiu os assassinatos". O delegado afirmou “Na verdade, querem culpar o RPG para, posteriormente, alegarem insanidade durante a defesa, mas creio que isso não irá funcionar”.

Segundo depoimento dos dois indiciados, eles estavam jogando RPG com Tiago, na casa da família Guedes, no dia em que as mortes aconteceram: 26 de abril. Eles interpretavam papéis de policial, advogado e narrador - que seria o mestre na história. A partida já durava cerca de 5 horas, quando Tiago teria perdido o jogo e na história, o personagem dele, um policial, teria de morrer. Antes disso, os pais dele também seriam mortos.

A família inteira recebeu um sonífero, depois teve as mãos amarradas. O pai foi o primeiro a ser assassinado, depois a mãe e, por último, Tiago", explicou o delegado.

De acordo com o delegado, a morte de Augusto e Heloísa não tem nenhuma relação com o jogo, ao contrário do que afirmam os assassinos. O filho do casal, que também foi obrigado a tomar sonífero, foi colocado na cama dos pais, e também morreu com um tiro na cabeça. Antes de matar o garoto, os dois acusados teriam ido ao banco e sacado dinheiro da poupança do rapaz. Um computador também foi levado.

Investigações

Linconl disse que foram encontrados diversos livros e materiais de RPG no quarto do filho do casal e um bilhete que dizia: "Mayderson, se você quiser ir embora, fale com a minha mãe, mas eu prefiro que você fique. Tiago". Com o material encontrado na casa, a polícia chegou ao nome de Mayderson. Ele foi procurado na casa da mãe, que informou que ele estava na casa de um amigo (menor de idade e que não teria relação com os crimes) e deu o endereço. A polícia foi até o local e esperou a chegada do rapaz, que confessou o crime. Com o suspeito foi encontrado o celular de uma das vítimas e também dinheiro, sacado da conta de Tiago.

RPG

RPG é a sigla de Role Playing Game, o que significa "Jogo de Interpretação de Papéis". É um jogo que surgiu por volta de 1974 nos EUA, baseado em jogos de estratégia e literatura fantástica (principalmente as obras de Tolkien), e rapidamente ganhou vários adeptos pelo mundo todo.

Para jogar RPG, é preciso um mestre e jogadores. A função do mestre é apresentar ao grupo de jogadores uma história, que contenha obstáculos, charadas e situações que exigirão escolhas por parte dos jogadores. Os jogadores, por sua vez, controlam personagens que irão participar da história, discutindo entre si as escolhas que farão e as soluções que darão aos obstáculos e dificuldades que surgirem. É um exercício de diálogo, de decisão em grupo, de consenso.

Como no RPG não existem perdedores nem vencedores, esse é um dos pontos que reforçam a teoria do delegado, de que os assassinos estão mentindo, pois alegaram que mataram Tiago “porque ele perdeu no jogo”.


Nota pessoal: E então, pela primeira vez, vejo um grande veículo de comunicação divulgar o que um delegado menos alienado resolveu dizer sobre algo "underground". Se fosse como no caso Ouro Preto, certas emissoras de alcance global ainda insistiriam em dizer que RPG é um jogo onde quem perde, paga com a vida e coisas similares. Como se já não bastasse nosso instruidíssimo Arnaldo Jabor comentando sobre Dimebeg Darrel... enfim, uma boa notícia.

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Libido: pra quê?


ouvindo: Cradle of Filth - Amor e Morte (eu juro que foi sem querer!)
frase do dia: "O casamento é uma amizade íntima, reconhecida pela polícia." - Robert Louis Stevenson

A história do Ocidente é marcada pelo fato de que a libido atrapalha o homem em tudo, até na hora de ir ao banheiro (bem, pelo menos em alguns casos).

A Guerra de Tróia inaugurou o Ocidente. A visão cristã é de que toda guerra é um pecado (sendo assim, toda vida é uma penitência), e cada guerra é a explosão dos pecados internos do homem coletivo. (É, eu também acho estranho o tanto de vezes que YHVH deu uma soraivada genocida em outros povos na Bíblia, incluindo mulheres e crianças, e nada acontece com os israelitas). Pecado de guerra?! Pensa-se logo em ira (parece o mais masculino de todos os pecados, assim como a guerra, a mais masculina das atividades humanas). Não obstante, o grande escritor José Roberto Torero (o considero um dos 5 melhores escritores vivos do Brasil) já nos lembrava, em sua grande obra Ira - Xadrez, Truco e Outras Guerras, que ira é pecado para os soldados. Nenhuma guerra se faz por ira, ninguém se odeia nos altos escalões da diplomacia ("a continuação da guerra por outros meios" - Chu En-Lai), só soldados odeiam, sem motivo, o soldado adversário. As guerras se fazem por inveja, soberba, preguiça, gula, avareza... até mesmo por luxúria. A história do Ocidente começou com uma guerra luxuriosa por uma tal Helena de Tróia. Só podia dar no que deu.

A verdade é que este sentimento platônico de amor (não quero dizer amor irrealisável ou romântico, se alguém vier aqui falar mal de romantismo, teremos guerra! e por ira!), aquele de "só podemos amar quem é igual ou superior em nossa hierarquia, assim, os escravos se amam ou amam os outros, as mulheres amam os homens e demais superiores, os homens amam as sacerdotisas e superiores, as sacerdotisas amam os deuses e os deuses só se amam entre si" é "apenas um truque sujo em que a natureza nos faz cair para assegurar a continuação da espécie" (W. Somerset Maugham). Ou, já que já passei da quarta citação no terceiro parágrafo, "A galinha é apenas o meio que o ovo encontrou para produzir outro ovo" (Samuel Butler, niilismo inigualável). Este amor conjugal (ágape, para meus amigos helenistas) é algo não-mais-que fisiológico.

Me entristece perceber que muitas pessoas se consideram as "modernosas" só por irem na balada e rodarem a banca. A "falta de compromisso" é característica de uma pessoa "livre", elas dizem. Livre? Isso é se prender ao que a natureza nos fadou a ser. Já comprovaram que nossos padrões de beleza se baseiam única e exclusivamente em nossa capacidade de distinguir no próximo um provável reprodutor capacitado para que nossos futuros filhos cresçam com segurança.


Cabe aqui uma pergunta que me tirou o sono quando soube disso: eu nunca quis ter filhos, desde que era pequenininho. E também nunca dei um pingo de valor pra bunda, que definitivamente, ao contrário do resto da nação, não é minha preferência. Existe alguma ligação entre as partes?

Mas o fato é que isso não é amor, o sentimento. É apenas libido, aquela coisa de psicólogo. A libido é fisiológica: serve para o ovo produzir outro ovo. O amor é psicológico e idiossincraticamente abstrato - obtemos prazer com o outro, então, deixamos nossa felicidade nas mãos dele, ao ponto da entrega (o exato contrário do que é o amor para os namoradinhos que vemos por aí): se o amado se sente bem longe do amante, este o deixa ir, pois fica feliz com a felicidade do outro. A felicidade está nas mãos do outro. Assim como, é claro, "O Inferno são os outros" (Jean-Paul Sartre, que expos essa teoria sobre amor que vos regurgito).

O amor verdadeiro (Amor volat undique) está ligado ao prazer, mas não à posse. A libido, além de estar ligada, não à posse, mas ao possuir, é instintiva. É por isso que animais fazem sexo - podem até sentir prazer com isso, mas, com a sábia excessão dos golfinhos, nenhum outro animal faz sexo por prazer além do homem. ("O homem um animal político" - Aristóteles [obrigado pela correção, Bia!], ou "O homem político é um animal" - Ivan Lessa)

Flecha de amor dói e dói pra caramba. Se não doesse, não seria flecha, e se não fosse flecha, não seria o Cupido verdadeiro que dispararia. Lembrem-se: quem sussurra amigavelmente em nossos ouvidos sem dor alguma é Eros.

O que diferencia uma relação íntima amorosa de outra ainda "de brincadeira", é o sofrimento. No suffering, no love. E o sofrimento advém da entrega - seu ser está se mesclando ao ser do próximo... ou do longínquo ("Antes vos aconselho a fuga do 'próximo' e o amor ao longínquo!" - Nietzsche) a ponto de seus sentimentos e interesses se fundirem. Ele, o sofrimento, surge por falta do outro e do seu prazer, e quando o outro está sofrendo ele próprio. Surge quando amamos tanto o outro e, mesmo assim, ele nos rejeita - e devemos ainda ficar felizes com a felicidade do outro, mesmo que ela só exista com a nossa distância.

O homem (ser humano, aquela velha conhecida forma inferior de vida, sem função em qualquer ecossistema, de lugar na escala evolutiva entre o helminto e a planária) não dá mais valor ao amor achando que é coisa de casal casado pela Igreja Católica Apostólica Romana, pregadora do "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jesus Cristo?!). Se há algo desprovido de amor, essa coisa é o Cristianismo e a Igreja.

A moral cristã se baseia na propriedade (como já expus no meu tópico "Os 10 Mandamentos" e, afinal, o que é mesmo que significa TFP?!) - como pode haver um sentimento de entrega dentro de uma instituição cristã como o casamento?!

O que estropia o espírito é que a própria idéia de "relacionamento" está chafurdada no Cristianismo. Namorados também usam alianças como noivos, simbolizando o infinito (um círculo sem começo e sem fim). Se nossos tempos fossem mesmo modernos, já usaríamos coleiras e algemas!

Quando se pensa em amar alguém (ainda que nem sempre consigamos amar só uma pessoa - o homem também é um animal poligâmico, ninguém mandou vir do macaco [que também se masturba] ao invés do lobo [única fêmea completamente fiel entre os mamíferos]), já se pensa naquela coisa piegas da Igreja. Alguém "pra casar" (essa não foi citação!). Lemos Goethe, Schiller, Byron, Stoker e Azevedo e eles nos parecem babões. Mas há uma diferença fundamental: os românticos não-pedantes, que conheciam o verdadeiro sentimento, sentiam um prazer que nós, conhecendo mil bocas e nenhum coração, ainda não desfrutamos.

Enquanto um sentimento belo está socialmente alinhado a uma instituição que se valeu de seu nome para plastificar e volver cada vez mais o homem ao seu estado rebanhesco, a saída nos parece apenas caírmos na farra e vociferarmos que o amor (que parece um sentimento tão... de Deus) não existe, como Aquele.


A verdade é que o comando onipresente de um moralismo doutrinário por parte dos repetidores da palavra "amor" (tá, eu sei que repeti pra cacete essa palavra aqui) só fez com que a verdadeira chama deste sublime encanto se evanescesse.

A libido exposta, esta vontade de corpos e carne sem um espírito por dentro, é uma anarquia infantil de irresponsáveis que não sabem que o valor do que palpita dentro de nós é muitas vezes maior que o valor que se obtém com nossos corpos, para fora de nós. Não entendem que sofrimento, saudade, preocupação e demais sentimentos "negativos" são preços baixos a se pagar por tão elevado grau de arrebatamento. ("As pessoas sabem o preço de tudo e o valor de nada" - Oscar Wilde, não achava que fosse conseguir citá-lo a meu favor defendendo esta idéia)

Vemos o homem voltar a ser selvagem, não no sentido pagão e abençoado, mas no sentido carniceiro e baixo. Vemos um enlance de línguas com muita saliva e poucas palavras, mãos revestidas de anseio e nenhum carinho, corpos embrulhando volúpia e nenhuma alma. "Sexo é pra proletário" - Nelson Rodrigues.

O calor humano sufoca, e agüentar essa busca incessante de mais ardor por quem já vive no estio dos vapores infernais degrada a mente. Libido só serve para termos mais filhos. A Guerra de Tróia, como nos conta Homero, foi criada pelos deuses para conter a população da Terra que estava gigante naquela época. Que dirá hoje, e isso porque matamos até os deuses! É só passarmos a buscar sentimentos e paixões profundas dentro de nós mesmos, e deixarmos só aqueles privilegiados que a encontraram e merecem levá-la adiante as desfrutarem, que a carência de nossa hiperpopulação subdesenvolvida e burra irá deixar de existir. Basta voltarmos a ser homens de verdade e fazermos mais guerra e menos sexo.

A solução (utópica) para o mundo seria lutar com nós mesmos e exigirmos o assexualismo de nossos corpos.

"As duas piores coisas da vida são o ato sexual e a transpiração" – Kant

Eu sempre odiei Kant desde que li algo dele além do que estava escrito n´O Mundo de Sofia. É quase com desagrado que sou obrigado a concordar com o polaca.

segunda-feira, 18 de abril de 2005

Vida Universitária


ouvindo: Collection D´Arnell Andrea - Aux Glycines défuntes
frase do dia: "Sou livre de qualquer preconceito. Odeio todo mundo, indistintamente." - W. C. Fields

Meus poucos dias na maior faculdade do país já contribuíram em demasia para minha natural ojeriza pela humanidade. Já imaginei que adentrar um antro abarrotado de remanescentes da geração Beatnick (aquele povo que acha que João Cabral é poeta e que Fidel Castro é um exemplo a ser seguido) seria penetrar no quid da decadência intelectual (e estética, e criativa, e etc...) daqueles que se arrogam o título de "elite intelectual" e produtiva, embora acham que estão falando do Nascimento quando alguém cita Milton sem o John na frente.

As situações em que sou flagrado arrancariam urros de ódio de uma pedra se ela pudesse falar. É surpreendentemente assombroso o patamar que o estro genial humano é capaz de alcançar, as tessituras que é capaz de costurar nos silêncios em que qualquer vírgula se torna uma sonoro gongo chinês clamando os soldados à luta. É um professor bem-intencionado soltar uma frase que deixe margem para alguma réplica e a escatologia mental humana vêm à tona em sua pior forma.

A princípio, até fazia sentido alguém tentar conquistar um espaço no coração generoso dos professores - tal xaveco é conhecido no meio acadêmico como "iniciação científica", algo como "sou seu escraviário para pesquisas infrutíferas bancadas pelo Governo por um tempo em troca de nota e, é claro, um salário mínimo por mês pra tomar capuccino no lugar de um expresso comum" - mas depois das primeiras semanas, é um achincale ao bom senso querer chamar a atenção com uma pretensa erudição que acaba deixando o Rei cada vez mais nu (é, meus caros, ler algo feito antes do Modernismo ferrar com tudo vale a pena).

Não me bastasse um jovem cidadão querer chamar a atenção dos nossos pobres professores de Lingüística logo na primeira aula (tá, os professores, às vezes, são um porre, mas pra ter de ouvir aquilo, dou um caldinho de carne de segunda pra eles) com seus longos conhecimentos sobre Saussure e Chomsky (que, obviamente, não passavam de algo que qualquer muriçoca pode descobrir em 5 minutos no google), ter de agüentar o mesmo infeliz querendo praticamente ter aulas particulares sempre que a oportunidade surge é de doer.

É claro, acho que ele não entendeu a mensagem do meu olhar faiscante dirigido a ele, coisa como "Filhinho, quem dá aula é o professor e qualquer eqüidna conhece os novos ramos a que Noam Chomsky levou a Lingüística... e de Lingüística Clínica, você entende? Se não, acho melhor ficar quietinho..."

- Ah, inferno! Saussure, Chomsky? Só falta alguém querer me impressionar dizendo que já leu Martinet e Barthes!! Soletra Hjelmslev aí que eu quero ver! E pronuncie "slév" no fim que vai ter pau! Em dinamarquês, é "sleu", porra! (nota posterior: by Roska. Assim esse povo pára de me encher.)

Os ânimos andam passando da tolerância para o escárnio e, finalmente, para o rancor. Custa muito se tocar? Quando um aluno interrompe o professor apenas para concordar com ele, não posso crer que ele queira fazer outra coisa além de chamar a atenção.

- Olha, professor, eu li o livro do Antônio Cândido e ele expôe essa mesma teoria de que o senhor falou...

Que bom, né?! Já pensou se fosse diferente, numa universidade calcada no trabalho do cara?! Será que alguém quer aplausos com tal demonstração de leituras tão surpreendentes?! Ler dois livros a mais do que os exigidos na Fudest não faz de ninguém um gênio.

- Então, professor, mas o que eu entendi do texto foi que...

Filhinho, foda-se o que você entendeu do texto! Você não entendeu nada, mesmo!

As coisas beiram o teatro do absurdo de Ionesco quando alguém pede um exemplo na aula. Ou pior, quando algum íntegro educador apenas cita algo, e a sala pára de pensar na aula para pensar em milhares de exemplos possíveis que, por uma estranha lógica, parecem que necessitam ser expostos, com vida própria...

Metáforas como uma linguagem específica de um dialeto:

- Então, eu liguei pra minha mãe lá no Maranhão ontem, e ela disse que estava ferrada com nossa vizinha por [segue-se uma explicação não tão curta sobre os motivos], e ela disse que ia "quebrar a castanha na cara dela". Eu gostaria de saber o que vocês entendem por isso aqui.

(Jesus, como pude viver sem saber disso até hoje?!)

Os usufrutos de Hollywood na reambientação histórica:

- Mas precisamos ver que os estúdios fazem seus filmes voltados pra adolescentes...
- O que um roteirista quer é dinheiro, não uma adaptação fiel da Ilíada...
- Só pelo fato de "Tróia" ter o Brad Pitt já indica que o fator visual do filme...

Claro, claro... mas será que alguma pessoa das 80 e tantas presentes precisava mesmo ouvir isso para chegar a mesma conclusão?

Variação lingüística, norma culta da gramática e norma popular (o mesmo infeliz de cima):

- Ah, então, eu fui na Kolumbus comprar uma calça e o vendedor disse que eu falo complicado. Aí eu disse: "Não, eu tô falando normal..." e ele disse: "Não, o senhor fala muito complicado!"

Poxa, parabéns, seu dialeto é melhor que o de um vendedor da Kolumbus! Já pensou em escrever um livro? Afinal, pensei o mesmo quando o cobrador do meu ônibus ficou impressionado com meus conhecimentos sobre o Poder Executivo que tinha acabado de adqüirir lendo o "Metrô News"...

É dar um pouco de corda e o bicho se desembesta como uma máquina de pinball dando tilt. Foi o mesmo soltar algumas pérolas que fizeram a aula parar por cerca de 10 minutos apenas para se discutir os exemplos dados por ele (bem, não lembro quais foram, aproveitei o vácuo existencial para tirar um mezzo cochilo), o professor (um dos mais interativos que tenho... infelizmente, exatamente na aula que tenho de aturar as piores criaturas juntas) pergunta:

- Se alguém está no ônibus, do seu lado... principalmente ônibus de viagem... e quer puxar assunto, conversar, mas sem falar... o que ele faz?

A orquestra de sugestões partiu de todos os cantos da sala:

- Tosse...
- Abre um jornal...
- Fica se mexendo...

O aprendiz de parvo, sem perceber que seus 15 minutos de fama se acabaram, e ainda acreditando que pode falar algo engraçado, dispara:

- Enfarta!

Enfarta?! Essa deixou até o ventilador boquiaberto. Enfarta assim, de enfartar mesmo? Cruzes... isso que é carência afetiva. Tem gente por aqui quase enfartando para angariar algum elogio, mesmo...

Variação Lingüística de novo. Comentários sobre a moderna "literatura":

- Acredito que ninguém aqui deva usar, hoje em dia, o pretérito mais-que-perfeito. Existe alguém que escreve aqui nessa sala? [Nota: pergunta bem cruel para se fazer numa sala de Letras...] Ah, sim, aqui vemos uma colega de vocês que escreve poesias, uma poetisa [Nota: cof, cof...] que ainda pode publicar seus escritos no Jornal da USP... você não deve usar o pretérito mais-que-perfeito em suas poesias, não é?
- Ahn... eu não lembro qual é o pretérito mais-que-perfeito....

Grrrrr! Pudera eu empalar essa bactéria e tê-lo-ia feito! Quisera que os professores de português hoje em dia guardassem melhor a lembrança do saudoso Jânio Quadros... Fi-lo porque bebi-lo...

É o triste fim de uma instituição que há muito primou pela excelência e disciplina, mas se rende a cada dia à "justiça social" e ao pedantismo típico de uma liberdade de conteúdo que cada vez mais produz apenas diletantes com muito a falar e pouco a dizer. Quando vejo o destino cruel dos escritores no Brasil, percebo que essa crueldade é mera basófia (thanx, Fábio) propagada por quem quer se fazer de coitadinho quando percebe que sua vasta inteligência não é de muito valor no nosso querido Lebenswelt (ou Assiah, em termos cabalísticos). Escritores bons têm futuro garantido em nosso meio. Agora, achar alguém que ainda tenha mais ganas em criar algo novo do que vomitar motejos verborrágicos a troco de mera aparência...

De todo escrito, só me agrada aquele escrito com o sangue. Escreve com o sangue, e descobrirá que o sangue é espírito.

Nietzsche me salve.

terça-feira, 29 de março de 2005

The Light at the End of the World


ouvindo: My Dying Bride - The Light at the End of the World (óbvio!)
frase do dia: "Nossa vida muda constantemente - o problema é quando ela muda para o mesmo lugar."

A todos os apaixonados de plantão: vocês fariam um pacto desses?

Enjoy...


My Dying Bride - The Light at the End of the World

An isle, a bright shining isle stands forever, alone in the sea
Of rock and of sand and grass and shale, the isle bereft of trees.

- Small. A speck in the wide blue sea. 'Tis the last of all the land.
A dweller upon our lonesome isle, the last, lonely man? -

By the Gods he is there to never leave, to remain all his life.
His punishment for evermore, to attend the eternal light.

The lighthouse, tall and brilliant white, which stands at the end of the world.
Protecting ships and sailors too, from rock they could be hurled

Yet nothing comes and nothing goes 'sept the bright blue sea.
Which stretches near and far away, 't is all our man can see.

Though, one day, up high on rock, a bird did perch and cry.
An albatross, he shot a glance, and wondered deeply, why?

Could it be a watcher sent? A curse sent from the Gods,
who sits and cries and stares at him, the life that they have robbed.

Each year it comes to watch over him, the creature from above.
Not a curse but a reminder of the woman that he loved.

- Oh weary night, under stars, he'd lay and gaze.
Up towards the moon and stars. The suns dying haze.
Time and again, Orion's light filled our man with joy.
Within the belt, he'd see his love, remembering her voice -

The twinkle from the stars above bled peace into his heart
As long as she looks down on him he knows they'll never part

One day good, one day bad
The madness, the heat, the sun,
Out to sea, he spies upon land.
His beloved Albion.

Cliffs of white and trees of green
Children run and play, "My home land"
he cries and weeps, why so far away?

Eyes sore and red.
Filled with tears, he runs towards the sea.
To risk his life, a worthy cause, for home he would be.

Into the sea, deep and blue, the waters wash him clean.
Awake. He screams. Cold with sweat. And Albion a dream.

- Such is life upon the isle, of torment and woe.
One day good. One day bad. And some days, even hope.

The light at the end of the world burns bright for mile and mile
Yet tends the man, its golden glow, in misery all the while?

For fifty years he stands and waits, atop the light, alone.
Looking down upon his isle the Gods have made his home -

The watcher at the end of the world through misery does defile.
Remembers back to that single night and allows a tiny smile.

(His sacrifice was not so great, he insists upon the world.
Again he would crime, Again he would pay, for one moment with the girl)

Her hair, long and black it shone,
The dark, beauty of her eyes,
Olive skin and warm embrace, her memory never dies.

'Twas years ago, he remembers clear the life they once did live.
Endless love and lust for life, they promised each would give.

Alas, such love and laughter too, was short as panting breath
For one dark night, her soul was kissed by the shade of death.

(Agony, like none before, was suffered by our man).
who tends the light now burning bright on the very last of land.

(Anger raged and misery too like nothing ever before).
He cursed the Gods and man and life, and at his heart he tore.

- A deity felt sympathy and threw our man a light
'Your woman you may see again, for a single night. -

But think hard and well young man, there is a price to pay:
to tend the light at the end of the world is where you must stay.

Away from man and liufe and love.
Alone you will be. On a tiny isle.
A bright shining isle in the middle of the sea.

- "I'll tend the light, for one more night with the woman whom I love",
screamed the man, with tearful eyes, to the deity above.

And so it was that very night his lover did return.
To his arms and to their bed, together they did turn.
In deepest love and lust and passion entwined they did fall.
Lost within each other's arms they danced (in lover's ball). -

- Long was the night filled with love.
For them the world was done.
Awoke he did to brightest light,
his woman and life had gone.

To his feet he leapt.
To the sea he looked.
To the lighthouse on the stone.
The price is paid and from now on
he lives forever alone.

Fifty years have passed since then and not a soul has he seen.
but his woman lives with him still in every single dream.

'Tis sad to hear how young love has died to know that,
alone, someone has cried. But memories are ours to keep.
To live them again, in our sleep. -